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CAPÍTULO II – O MODELO ESTRUTURAL DA TAXA DE JUROS

4. Estrutura a Termo da Taxa de Juros

4.1 Principais Conceitos

4.1.2 Teoria das Expectativas

MISHKIN (2000) relata a teoria como hipótese das expectativas da estrutura a prazo da taxa de juros, onde determina a seguinte proposição: a taxa de juros sobre um título de dívida de longo prazo será correspondente a uma média das taxas de juros de curto prazo esperadas, ou seja, as taxas de juros de curto prazo que os indivíduos prevêem para aquele ativo ao longo de toda a vida do título de dívida de longo prazo. Cita como exemplo, se as pessoas esperam que as taxas de juros de curto prazo serão de 10% em média pelos próximos cinco anos, a hipótese das expectativas prevê que a taxa de juros sobre os títulos de dívida com cinco anos, até o vencimento, será de 10% também. Havendo a expectativa de que as taxas de juros de curto prazo se elevariam ainda mais após esse período de cinco anos, de modo que a taxa de juros média de curto prazo durante os 20 anos seguintes fosse de 11%, então a taxa de juros sobre os títulos de dívida de 20 anos seria correspondente a 11%, portanto mais alta do que a taxa de juros sobre os títulos de dívida de cinco anos.

Extraímos a partir daí que a teoria das expectativas nos fornece a leitura de que pelo fato de se esperar que as taxas de juros de curto prazo apresentem valores distintos em datas futuras justifiquem as variadas taxas de juros sobre ativos financeiros com vencimentos diferentes. O ponto fundamental realçado pela teoria, segundo MISHKIN, é que compradores de títulos de dívida são indiferentes quanto ao seu vencimento, assim não comprarão título algum se o seu retorno esperado for menor do que o de outro título, ainda que esses ativos tenham vencimentos diferentes.

Para ASSAF (2003) esta teoria propõe basicamente que a taxa de juros de longo prazo constitua-se numa média geométrica das taxas de juros de curto prazo correntes e previstas para todo o horizonte de maturação.

De acordo com BRIGHAM & HOUSTON (1999) a relação entre taxas de longo prazo e de curto prazo, que é conhecida como estrutura a termo das taxas de juros, é importante para os administradores financeiros, que devem decidir entre tomar empréstimos pela emissão de títulos de dívida de longo prazo ou de curto prazo e para os investidores, que precisam decidir entre comprar títulos de longo ou de curto prazo. Dentro da teoria das expectativas afirma que a curva de rendimentos depende das expectativas acerca das taxas de inflação futuras. Indica que as taxas de juros de longo prazo são uma média ponderada das taxas de juros correntes e esperadas, de curto prazo. Ele exemplifica que se letras do tesouro de um ano atualmente rendem 7% e espera-se que elas rendam 7,5% daqui a um ano, os investidores esperarão ganhar uma média de 7,25 por cento ao longo dos próximos dois anos. De acordo com a teoria das expectativas, isso implica que uma letra do tesouro de dois anos comprada hoje também deva render 7,25%.

Para DAMODARAN (2002) as expectativas relativas à inflação futura são uma determinante chave das taxas de longo prazo. De modo geral, se é esperado o crescimento da inflação em períodos futuros, as taxas de prazos mais longos serão mais altas do que as de prazo mais curto. Ocorrendo o oposto no caso de expectativa de queda na inflação. Damodaran se refere ainda a “hipótese de expectativas puras”, em que a estrutura de prazos é impulsionada inteiramente por expectativas sobre a inflação. Sob essa hipótese, a curva de rendimentos será ascendente se os investidores esperam que a inflação suba em períodos futuros, plana se os investidores esperam que a inflação permaneça inalterada em períodos futuros, e descendente se os investidores esperam um decréscimo da inflação em períodos futuros.

ROSS et alli (2002) exemplificam imaginando que os indivíduos presentes no mercado não se preocupam com risco. Se a taxa a termo for inferior à taxa a vista esperada para o ano 2, os indivíduos que desejassem aplicar por um ano sempre comprariam a obrigação com prazo de um ano. Ou seja, a análise mostra que um indivíduo que investisse numa obrigação com prazo de dois anos, mas planejasse vendê- la ao final de um ano esperaria receber menos do que se simplesmente comprasse uma obrigação com prazo de um ano.

Para ELTON et alli (2003), a teoria das expectativas explica a estrutura temporal em termos de taxas à vista esperadas de um período. Seus defensores acreditam que a taxa esperada de um título de prazo de um ano é fixada de tal maneira a fazer com que o retorno do título de um ano seja igual ao retorno de um título com prazo de seis meses, mais o retorno esperado de um título com prazo de seis meses comprado seis meses mais tarde. Afirmam ainda que a maneira mais fácil de compreender a teoria das expectativas é supor que os investidores que estejam fixando os preços não se preocupem com o risco (sejam indiferentes ao risco). Assim, sem considerar as suas pretensões em termos de tempo, eles optarão pelos papéis de maior retorno esperado.

Acreditando na realização da teoria das expectativas, Elton et alli (2003), consideram que uma curva ascendente de taxa de juros é uma indicação de que se espera que as taxas de curto prazo aumentem. De forma análoga, uma curva horizontal é uma indicação de que é esperado que as taxas de curto prazo continuem as mesmas. Finalmente, uma curva descendente de taxas de juros indica que o mercado espera que as taxas de curto prazo caiam.

A tabela a seguir fornece duas seqüências hipotéticas de taxas esperadas de um período. Uma dessas seqüências produz uma curva ascendente de taxa de juros, enquanto a outra produz uma curva descendente.

Tabela 9 - Curva de Taxa de Juros

Curva ascendente de tx de juros Curva descendente de tx de juros Período Taxas a vista esperadas de um período Taxa esperada até o vencimento Taxas a vista esperadas de um período Taxa esperada até o vencimento 1 10 10,0 10 10,0 2 11 10,5 9 9,5 3 12 11,0 8 9,0 4 13 11,5 7 8,5 5 14 12,0 6 8,0 6 15 12,5 5 7,5 7 16 13,0 5 7,1 8 16 13,4 5 6,9 9 16 13,7 5 6,7 10 16 13,9 5 6,5

FONTE: Moderna Teoria de Carteiras Análise de Investimentos, São Paulo: Atlas, 2005, p. 438.

Conforme a teoria das expectativas, aplicar num título de dois períodos e obter a taxa a vista de 0 a 2 oferece o mesmo retorno esperado da aplicação em dois títulos de um período, rendendo a taxa a vista de 0 a 1 e a taxa a vista esperada de 1 a 2.

Cálculo: P2 = {[(1+0,10)(1+0,11)]1/2 -1}x 100 = 10,50%

A curva da taxa de juros pode não somente ser obtida a partir das taxas a vista esperadas, mas, em consonância com as hipóteses de expectativas, a opinião do mercado em relação as taxas futuras de um período pode de uma forma facilitada ser conseguida com base numa curva observada de taxas de juros.

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