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2.8 Conceitos e relações entre conceitos

2.8.1 Teoria do Conceito

A Teoria do Conceito foi desenvolvida por Ingertraut Dahlberg na década de 1970 na Alemanha. Dahlberg foi uma das pioneiras na organização do conhecimento e iniciou sua carreira no Instituto Gmelin. Fundou a Society for Classification em 1977, e o periódico International Classification em 1974, que a partir de 1993 passou a chamar-se Knowledge Organization (KO). Dahlberg foi, também, a fundadora, em 1993, da International Society for Knowledge Organization (ISKO).

17 Nós vemos o mundo como nós o entendemos. Coisas são vistas em relação a outras coisa e ações. Conexões são feitas, denominações ganham lugar e significados são formulados. Nós todos nos envolvemos com o mundo ao nosso redor de diversas maneiras, tanto ativa quanto passivamente. Os significados e os nomes dados para as coisas não são fixos, mas flexíveis. Nós classificamos e catalogamos mas com o tempo essas categorias os significados mudam, assim como a importância que têm para nós. A visão do mundo medieval, ou a cosmologia, tem pouco a ver com o jeito que entendemos nosso lugar no mundo hoje. (Abertura da exposição “Classified: Contemporary Art at Tate Britain”, curadoras: Clarrie Wallis and Andrew Wilson, no museu Tate Britain, Londres – Inglaterra, julho 2009. tradução nossa)

A Teoria do Conceito viabiliza uma fundamentação sólida para a determinação e o entendimento dos conceitos, assim denominados, com a finalidade de representação e recuperação da informação. Inicialmente, Dahlberg, visava empregar princípios para a elaboração de terminologias no âmbito das Ciências Sociais. Posteriormente, utiliza a Teoria do Conceito também para a construção de linguagens documentárias, especialmente na elaboração de tesauros, com o objetivo de fornecer bases seguras, tanto para estabelecer relacionamentos quanto para a determinação do termo (CAMPOS, 2001, p. 92).

Dahlberg (1978) define “conceito” como unidades do conhecimento, identificadas por meio de enunciados verdadeiros de um determinado objeto representados na forma verbal. Interpretando o triângulo conceitual de Dahlberg, figura 4, temos no ápice o referente

(aquilo que se quer conceituar), as características (predicação verdadeira sobre o referente) e a forma verbal (denominação do referente) representado por um termo.

Figura 4. Triângulo conceitual Fonte: Dahlberg (1978, p. 13), com adaptação.

2.8.1.1 Conceito individual e conceito geral

O processo de conhecimento acontece basicamente por meio de analogia. Quando nos deparamos com algo desconhecido “reagimos por aproximação, procuramos aquele recorte de conteúdo, já presente na nossa enciclopédia” (ECO, 1998 apud LARA, 2001). Para Eco, enciclopédia refere-se ao conhecimento prévio que se tem das coisas, ou seja, nossa enciclopédia particular.

Portanto, o homem foi capaz de relacionar-se com os objetos que o cercam e de construir enunciados sobre eles. Para Dahlberg (1978), conceito individual é aquele que se refere a algo único, diferente dos demais, constituindo uma unidade inconfundível e caracterizado pela presença de tempo e espaço, por exemplo, uma pessoa, uma organização, um acontecimento único (primeira guerra mundial).

Enquanto que o conceito geral se situa fora do tempo e do espaço e se refere a uma multiplicidade de coisas (pessoas, organizações, notícias em geral), podendo também ser alguma coisa abstrata, como por exemplo, imaginação, leitura, emoção. Para cada referente ou item de referência são elaborados enunciados verdadeiros que formarão o conceito desse objeto, representado por um signo linguístico (termo). A partirdisso, atribuem-se predicados ao referente denominados de características, que são propriedades dos objetos e, no nível do conceito, passam a ser características do conceito. Essas características podem ser de dois tipos: as essenciais (necessárias) e as acidentais (adicionais ou possíveis e permitem a criação de sub-classes). As características essenciais definem os conceitos gerais e os conceitos individuais são determinados a partir das características essenciais acrescentando as acidentais.

As características acidentais podem ser gerais (ter determinada forma, ter alguma falha, ter uma certa cor), ou individualizantes (ter um determinado local, ter um certo tempo, algo particular que caracteriza o objeto como único).

2.8.1.2 Intensão e extensão do conceito

Para Dahlberg (1978, p. 24-25), a intensão de um conceito é a soma total de suas características, bem como a soma total de seus conceitos genéricos e das características especificadoras. Numa definição, nem todos os conceitos genéricos precisam ser mencionados, para representar a intensão do conceito. Apenas o mais próximo é suficiente, uma vez que este necessariamente contém os demais. Por exemplo: a intensão do conceito “casa” é a seguinte:

construção;

feita de tijolo ou madeira;

contém sala e dormitórios;

contém portas e janelas;

contém teto e piso; etc.

A extensão do conceito pode ser entendida como a soma dos conceitos mais específicos para os quais a intensão é verdadeira. Isto é, a classe dos conceitos de tais objetos dos quais se pode dizer que possuem aquelas características em comum que se encontram na intensão do mesmo conceito. A extensão do conceito pode ser de dois tipos:

extensão de um conceito genérico em relação com os conceitos específicos. Por exemplo:

Casa

casa de pedra casa de madeira

extensão dos possíveis conceitos individuais. Compreende os indivíduos para os quais é válida a predicação genérica do conceito. Por exemplo:

Casa

casa do Presidente da República casa do vizinho

O conhecimento da formação de um conceito, bem como de seus possíveis

Como categorizar um periódico?

Um periódico semanal é um periódico

Um periódico é um documento publicado em intervalos regulares

Um documento publicado em intervalos regulares é um documento

Um documento é um veículo de informação

Um veículo de informação é um objeto material

relacionamentos é de fundamental importância na comparação e na construção de sistemas de conceitos, e também, na forma de organização dos conceitos pertencentes a um campo de estudo ou uma disciplina. Pode-se ter em mente que no campo da organização e representação do conhecimento torna-se possível construir melhores definições conceituais e, consequentemente aumentam as possibilidades de se fazer uma representação consistente do universo referente.