1 INTRODUÇÃO
2.2 DESENVOLVIMENTO REGIONAL E O TURISMO
2.2.1 As Teorias de Desenvolvimento Regional
2.2.1.1 Teoria dos Polos de Crescimento de Perroux
A teoria dos polos de crescimento foi elaborada por François Perroux ao abordar a importância e os efeitos de uma indústria motriz inserida em determinado território. Umas das premissas do autor é a ideia de que o crescimento não se manifesta de maneira igual em todos os espaços, já que o crescimento não acontece em todas as partes simultaneamente, mas ocorre com intensidades variáveis, em lugares ou polos de crescimento e difunde-se em vias distintas e com efeitos finais variáveis, no conjunto das economias (PERROUX, 1967). Esse crescimento mencionado ocorre por meio de uma indústria motriz, a qual é responsável por atrair, a partir dela, outras estruturas industriais, comerciais e de prestação de serviços. Intrínseco a esse processo de crescimento, está a alteração “da atmosfera de uma época, que cria um clima favorável ao crescimento e ao progresso” (PERROUX, 1967, p. 170), evidenciando a necessidade de uma interrelação entre empreendimentos da região. As indústrias denominadas por Perroux como indústrias motrizes não atuam de forma individual e, sim, de forma coletiva (RIPPEL; LIMA, 2009) em virtude da não homogeneidade no tempo e no espaço. Perroux evidencia a necessidade de políticas econômicas cujo objetivo deve ser o desenvolvimento técnico e humano e a cooperação entre regiões ricas e pobres.
Para além dos empreendimentos, Perroux (1967) também destaca a importância das instituições no sentido de conferirem uma organização ao processo, o que ele chama de “órgãos de interesse geral que transformam o crescimento duma indústria ou duma atividade em crescimento duma nação em vias de formação e os desenvolvimentos anárquicos em desenvolvimento ordenado” (PERROUX, 1967, p. 194). Celso Furtado (apud DINIZ, 2009) reitera que há uma grande complexidade nos fenômenos de desenvolvimento e as mudanças espaciais dependem de algumas situações como a captação de novas indústrias, especialmente as motrizes, reforçando que, para que isso ocorra, a expansão da infraestrutura é essencial e uma pré-condição é necessária. Essa expansão ocorre por meio da atuação do papel desempenhado pelo Estado como organizador, planejador e implementador de políticas públicas. Isso é justificado pelo fato de que a implantação de um polo de desenvolvimento pode provocar alguns desequilíbrios econômicos e sociais, e, para
alcançar o desenvolvimento econômico, é preciso realizar transformações de ordem mental e social em uma população (LIMA, 2006).
O conceito de região adotado por Perroux (1967) é aquele que converge com um fenômeno econômico o qual é formado por um espaço geonômico11 e por três espaços econômicos. A noção geonômica diz respeito aos recursos materiais e humanos e ao fato de que relações que ligam pontos, linhas, volumes, homens, grupos de homens, coisas e grupos de coisas que são suscetíveis a localizações geonômicas. Enquanto que o espaço econômico é formado por três dimensões distintas: o espaço como conteúdo de um plano, o espaço como um conjunto homogêneo e o espaço como um campo de força (BREITBACH, 1988). O primeiro, espaço como conteúdo de um plano, diz respeito a um conjunto de relações estabelecidas, de um lado entre uma empresa e os fornecedores, e de outro entre compradores. O segundo, espaço como conjunto homogêneo, traduz-se no fato de que a empresa tem uma estrutura parecida com as empresas vizinhas, topograficamente ou em relação à estrutura e relações entre elas. O terceiro – espaço como campo de forças remete ao fato de ser constituído por forças de emanação (centrífugas) e de recepção (centrípetas), ou seja, cada região tem força de atração e repulsa de recursos, de fluxos, de empresas, etc. Nessa teoria, existiriam tantos espaços econômicos quantos fossem os fenômenos econômicos estudados, mais do que uma fronteira político-geográfica a ser determinada.
Seguindo os estudos de Perroux (1967), seu aluno Jacques Boudeville continua as análises sobre o espaço, a fim de encontrar um caráter mais operacional. Para esse segundo teórico, o espaço seria uma realidade material e humana, com relações entre atividades econômicas e características geográficas (BREITBACH, 1988; LIMA, 2006). Porém, o que diferencia ambos os autores é que Boudeville tem a preocupação de conceituar região, o que facilita a ação coletiva e a elaboração de planejamento de ações para que se possa trabalhar com objetivos comuns e, para essa conceituação, parte-se de uma trilogia para abordar o espaço econômico: região homogênea, polarizada e plano. A região homogênea representa um espaço contínuo com elementos parecidos. A região polarizada é aquela que se considera a interdependência dos agrupamentos urbanos, onde seus variados segmentos são complementares em um sistema hierarquizado de acordo com os bens produzidos. A
região plano é aquela apontada como um espaço contínuo onde as diversas partes estão sob uma mesma decisão. Nesse último caso, é objeto de ação de políticas públicas, na qual se deve maximizar os resultados de ações de desenvolvimento do território. Essas três noções de região, propostas por Boudeville, são complementares e passíveis de caracterizações estatísticas, o que é muito importante para uma ação de política regional. A complexidade, porém, continua pelo fato de que as regiões polarizadas e homogêneas nem sempre coincidem com as determinações político- administrativas estabelecidas por governos. Então, a região plano emerge como importante instrumento para essas ações governamentais que visam o desenvolvimento territorial.
Ainda se destaca que, para Boudeville, coesão, complementaridade e cooperação são aspectos fundamentais para o desenvolvimento regional harmonizado, o que enfatiza a necessidade de colaboração entre as regiões que devem ser entendidas como partes constituintes do todo e integradas. A cooperação regional se justifica pela interdependência das regiões contíguas, tanto para ações locais como para desenvolvimento ao longo prazo dos territórios (BOUDEVILLE, 1973).