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Capítulo 3. Criatividade

3.2. Teorias da Criatividade

3.2.3. Teoria Humanista

Para os humanistas, a criatividade é autorrealizadora e permite a distinção de um talento especial de acordo com a saúde mental do indivíduo (Cramond, 2008). A criatividade foi estudada, analisada e definida de acordo com vertentes clássicas como humanística que se trata, as qual analisa esta característica do indivíduo pelos traços de personalidade (García, Gómez, & Torrano, 2013).

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A relação entre o conceito de criatividade e a psicologia resulta da consideração do valor intrínseco do indivíduo e do potencial humano para se desenvolver (Lubart, 2007). É definida como um modo do indivíduo expressar as suas potencialidades, utilizando como recurso a sua adaptabilidade, a procura do satisfatório e a sua essência de rigidez (Alencar, 1993). O indivíduo estaria consciente da sua individualidade, bem como da necessidade de ser original (Maslow, 1967, 1969 in Alencar, 1993; Rogers, 1959, 1932 in Alencar, 1993).

Seria, pois, preciso que o indivíduo estivesse sensibilizado com um ambiente disponível a experiências, porque, segundo Maslow (1967, 1962 in Alencar, 1993), o indivíduo necessita estar consciente da sua individualidade e da sua necessidade de ser original e singular, expressando a criatividade, através de experiencias capazes de reconhecer a sua individualidade e a singularidade nas suas respostas.

3.2.4. Outros elementos conceptuais.

A criatividade é descrita, atualmente, como uma amplitude das conceções humanistas, behavioristas e cognitivistas, podendo ser definida como uma agilidade de insight ou uma destreza para lidar com a novidade por parte do indivíduo, envolvida pela personalidade do mesmo, com o pensamento e a produção divergente (Morais & Bahia, 2008; Stahlman, Leising, Garlick, & Blaisdell, 2013; Tremblay, 2011).

Pode-se, ainda, descreve-la através de algumas palavras como: arte, esperteza, genialidade, imaginação, engenhosidade, inspiração, inventividade, originalidade, desenvoltura, talento e visão (Cramond, 2008; Plucker & Renzulli, 2010).

De acordo com a Teoria de Investimentos em Criatividade de Sternberg (2003 in Oliveira & Alencar, 2012), a criatividade surge da junção de seis recursos inter- relacionados que envolvem o indivíduo: habilidades intelectuais, conhecimento, estilos

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de pensamento, personalidade, motivação e ambiente adequado; verifica-se, pois, uma combinação entre o indivíduo e o ambiente.

No Modelo Componencial da Criatividade de Amabile (1996 in Oliveira & Alencar, 2012), três componentes precisam de estar em interação para que aconteça um produto criativo: habilidade de domínio, processos criativos relevantes e motivação intrínseca. Para ser considerado um produto criativo é preciso que o mesmo seja novo, útil, correto ou de valor para a tarefa, e que o método ou processo de criação apresente como objetivo encontrar soluções para um problema.

Em maior detalhe, para Amabile (2001) a criatividade definida como um modelo componencial de três componentes individuais básicos especifica-se em relação ao fato de que as habilidades de domínio relevantes são as competências e talentos que o indivíduo domina para trabalhar; o processo de criatividade relevante são as características da personalidade e os estilos e hábitos cognitivos de trabalho do indivíduo; e a motivação intrínseca na tarefa é o envolvimento conduzido inteiramente com a tarefa pelo indivíduo.

Sendo os dois primeiros componentes são como uma matéria-prima necessária para determinar o que uma pessoa pode fazer num domínio específico, tendo este uma relação com a educação formal e informal, com o aprendizado, a exposição e experiência do indivíduo, e com o modo como ele utiliza dessas informações; o terceiro componente, a motivação na tarefa, determina o que o indivíduo irá fazer e como será feito (Amabile, 2001).

Segundo Runco (2004), existem diferentes aspetos que podem ser associados à criatividade, e que irão contribuir para a expressão criativa do indivíduo, incluindo as variáveis pessoais que podem restringir ou facilitar essa expressão, quanto elementos sociais, culturais e históricos que interagem entre si. Runco (2004b) define estes aspetos

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como pessoa, processo, produto e contexto, sendo equivalentes, às habilidades cognitivas, aos traços da personalidade, à motivação, aos estilos de aprendizagem e estilos de criatividade; às operações e estratégias que a pessoa utiliza para gerar e analisar ideias, resolver problemas, tomar decisões e gerenciar o seu pensamento durante o processo criativo; o produto é caracterizado pelo grau de originalidade e relevância (Runco, 2004); o contexto está relacionado com elementos culturais – valores e normas dominantes na sociedade –, com o ambiente – clima psicológico, ambiente físico, recursos (humanos, financeiros e de tempo) – que influenciam o desenvolvimento e implementação de novas ideias. Assim, entende-se que a criatividade é um fenómeno social e individual, que exige uma abordagem interdisciplinar, histórica e sistémica (Runco, 2004).

Na perspetiva atual, a criatividade passa a ser estudada com o objetivo de ver respondidas questões como quem é criativo? O que é a criatividade? Como se avalia essa expressão individual de habilidades cognitivas associadas à imaginação, criação e inovação, que precisam de ser estimuladas conforme o ambiente em que o indivíduo esteja inserido? Observando-se a necessidade de um clima criativo para a produção criativa (Harris, 2014; Matos & Fleith, 2006; Prieto, Soto, & Vidal, 2013; Runco, 2014).

Elementos finais

Atendendo às quatro descrições teóricas realizadas, a criatividade pode ser percecionada como o resultado de dois componentes principais: o indivíduo – seus conhecimentos, sua motivação e seus interesses –, e o ambiente – o estímulo, a tarefa e a motivação – (Oliveira & Alencar, 2012).

Aproximando-se de características dos fatores cognitivos descritos como indícios da criatividade nas ações do indivíduo, descreve-se que a criatividade associa-

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se a flexibilidade, a fluência, a imaginação, a visualização, a abertura e a expressividade (Bahia & Ibérico-Nogueira, 2005; Morais & Bahia, 2008).

Deste modo, a criatividade e o pensamento criativo são ferramentas que possibilitam a expressão de experiências e de ideias, como forma de encontrar novos meios e modos de olhar os fenómenos, tarefas e desafios, reforçando a ideia de que a criatividade advém da relação entre ambiente e indivíduo (Bahia & Ibérico-Nogueira, 2005; Passow, 1985).

Outros fatores que fazem distinção nas ações criativas referem-se à curiosidade, ao desejo de saber mais, ao aprofundar conhecimentos, mas subentendendo uma libertação do tradicional e do padrão (Amabile & Pillemer, 2012). É uma curiosidade livre, que inclui envolvimento, experiência e desafio, que provoca um estado de consciência possibilitador de concentração, foco, e absorção absoluta na atividade (Amabile, 2001; Csikszentmihalyi, 1990).

Para Boden (2013), a criatividade é uma capacidade de gerar ideias e artefactos que sejam novos, surpreendentes, e de grande valor; é um aspeto da inteligência humana, ou seja, uma capacidade de todos os indivíduos. A sua diferenciação está no facto de algumas pessoas poderem ter as mesmas ideias que outras já tiveram no passado, mas verificando-se inovação nesta produção; assim, a criatividade configura-se como um quebra-cabeças, ainda misterioso, quando se reflete sobre o modo como uma ideia nova e surpreendente pode vir a ser produzida por alguém que obteve as mesmas informações ou conhecimentos que o outro, mas que não alcançou o mesmo insight (Boden, 2013). A criatividade é imprevisível, devido à sua complexidade e idiossincrasia em relação à mente humana, e pelo fato de não se saber os seus conteúdos exatos, o que é verdade até mesmo para quem faz uso dela (Boden, 2013).

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O comportamento criativo está associado a todo e qualquer indivíduo, logo, qualquer estudante pode expressar criatividade numa produção ou ideia, sendo a intensidade com que isso acontece e o grau de relevância da sua produção que irão marcar o quão criativa é a ação ou o quão criativo é o indivíduo (Stahlman, Leising, Garlick, & Blaisdell, 2013). Sendo assim, pode-se descrever a criatividade como uma tendência para gerar novas ideias ou comportamentos que colaboram para a solução de um problema, de acordo com a sua novidade e seu valor no contexto (Stahlman, Leising, Garlick, & Blaisdell, 2013).

Portanto, a criatividade é um processo mental, que pode vir a ser exposto com produtos materiais, comportamentais ou estratégicos para a solução de um problema, ou provocado por um desafio, baseando-se no contexto em que é apresentada ou expressada, e no seu valor para a criticidade do que é proposto (Boden, 2013; Stahlman, Leising, Garlick, & Blaisdell, 2013).

Deste modo, pressupõem-se que a avaliação da criatividade deve envolver questões multidimensionais que envolvam o global do indivíduo. A secção que segue aborda a avaliação da criatividade em contexto escolar.