2.3. RBV: RESOURCE-BASED VIEW
2.3.1. Teoria da Visão Baseada em Recursos
O estudo da Teoria da Visão Baseada em Recursos ainda pode ser considerado como um campo com certa falta de maturidade, mesmo possuindo definições exatas de conceitos- chave, como recursos, competências, competências essenciais, capacidades e capacidades dinâmicas, pois não foram acordados ou permanecem ambíguos e controversos (Rugman & Verbeke, 2002).
Um dos maiores objetivos das empresas é sua sobrevivência em condições sustentáveis, com perspectivas de crescimento, sendo a criação de recursos e capacidades, elementos indispensáveis para sua consecução da vantagem competitiva sustentável (Wernerfelt 1984; Barney, 1991; Peteraf 1993). Além disso, nenhuma empresa pode sobreviver no mercado sem a existência dos recursos (Grant, 1991), sendo estes como a unidade básica que fornece às empresas a entrada no processo dos negócios (Hollensen, 2011).
A RBV é uma estrutura teórica no campo da gestão estratégica, usada para entender a vantagem competitiva da empresa e sua sustentabilidade ao longo do tempo (Barney, 1991;
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Barney et al. 2007). É uma abordagem apoiada em fundamentos defendidos desde a década de 50, que considera que as empresas possuem um espectro de recursos estratégicos que lhes permitem alcançar diferentes estágios de desempenho (Pitelis, 2004).
A RBV tem sua discussão inicial o trabalho de Edith Penrose, The theory of the
growth of the firm, de 1959. Posteriormente a RBV foi estudada por muitos autores
(Wernerfelt, 1984; Prahalad & Hamel, 1990; Barney, 1991; Peteraf, 1993), que tratam a questão dos recursos e competências como componente condicionante para induzir e sustentar as estratégias organizacionais, garantindo assim vantagens competitivas sustentáveis.
De acordo com a RBV, os recursos estratégicos de posse da empresa e os recursos disponíveis no setor, são a fonte de vantagens competitivas sustentáveis. Assim, os recursos da empresa são mais importantes que os recursos no setor. Com isso, as relações entre os recursos e a posição da empresa no mercado estão muito próximas. O tamanho da empresa está ligado ao tamanho da influência das forças de mercado para a destinação e as diferentes formas de uso dos seus recursos, ou seja, quanto maior o tamanho da empresa, menor será a influencia (Penrose, 2006).
São os recursos que definem quais os produtos e serviços que serão oferecidos ao mercado, uma vez que os recursos são diferentes por natureza. A RBV pressupõe que cada empresa possui um conjunto muito diferente de recursos tangíveis, intangíveis (Wenerfelt, 1984) e capacidades organizacionais (Fahy, 2002), ou seja, a unicidade das empresas e suas respectivas estratégias estão no fato que os recursos são diferentes, assim como o desempenho das empresas pela vantagem competitiva de cada. Portanto, as empresas podem empregar esses conjuntos de recursos distintos como fatores de sustentação de suas estratégias competitivas.
A RBV incide sobre as propriedades, características e atributos dentro da empresa. De acordo com esta perspectiva, a empresa é um conjunto de pacotes de recursos e capacidades. Capacidades e recursos distintos podem levar a uma vantagem competitiva sobre os concorrentes (Peteraf, 1993) num determinado mercado. A vantagem competitiva sustentável da empresa depende da heterogeneidade dos recursos, relacionado à diferença entre os recursos, e da imobilidade dos recursos, relacionada à dificuldade dos recursos serem negociados entre as empresas (Peteraf, 1993).
Inicialmente, a vantagem competitiva sustentável da empresa baseava-se na análise de quatro características que potencializavam os recursos de uma empresa: o valor, a raridade, a difícil imitação, e a difícil substituição (Barney, 1991). Posteriormente, essas características surgem de uma forma levemente alterada, sendo os três primeiros mantidos, e o último, a
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difícil substituição foi trocado pela organização (Barney & Clark, 2007). Com isso, os recursos e capacidades assumem quatro características distintas, de valioso, raro, imitável e organizável – VRIO (Barney, 2001; Barney & Clark, 2007). A relação entre as características dos recursos e a vantagem competitiva sustentável está demonstrada na Figura 15.
Figura 15: Relação entre as características dos recursos e a vantagem competitiva sustentável
Nota. Fonte: Barney, J. B. & Clark, D. N. (2007). Resource-Based Theory: Creating and Sustaining Competitive Advantage. New York: Oxford University Press.
Alguns autores estruturaram o pensamento moderno na visão baseada em recursos fundamentando-se nos componentes descritivos e normativos da organização. Do ponto de vista descritivo, o foco é sobre o perfil do recurso distintivo de cada empresa e seus processos, tanto na empresa como na maturidade do mercado, que levam a novas combinações de recursos específicos e induzir ou reforçar a heterogeneidade entre as empresas (Rugman & Verbeke, 2002).
As características apresentadas pelo modelo VRIO possibilitam realizar análise baseada em recursos com perguntas sobre as atividades dos negócios da empresa (Barney & Clark, 2007). As questões são (Barney & Clark, 2007):
(1) A questão do Valor – Os recursos e capacidades permitem que a empresa responda às ameaças ou oportunidades ambientais?
(2) A questão da Raridade – O recurso é atualmente controlado por apenas um pequeno número de empresas concorrentes?
(3) A questão da Imitabilidade (difícil imitação) – Será que as empresas sem os recursos enfrentam uma desvantagem de custo para obtê-lo ou desenvolvê-lo?
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(4) A questão da Organização – A empresa possui políticas e procedimentos organizados para apoiar a exploração de seus recursos valiosos, raros e custosos para imitar?
Essas questões proporcionam uma representação, Tabela 8, para compreender o potencial de retorno associado ao uso de qualquer recurso ou capacidade de uma empresa (Barney & Clark, 2007).
Tabela 8:
Modelo VRIO.
É um recurso ou capacidade...
Valioso? Raro? Difícil
de Imitar? Explorado pela Empresa? Implicação Competitiva Implicação Econômica
Não Não Desvantagem Competitiva Abaixo do Normal
Sim Não Paridade Competitiva Normal
Sim Sim Não Vantagem Competitiva Temporária Acima do Normal Sim Sim Sim Sim Vantagem Competitiva Sustentável Acima do Normal Nota. Fonte: Barney, J. B. & Clark, D. N. (2007, p.70). Resource-Based Theory: Creating and Sustaining Competitive Advantage. New York: Oxford University Press.
Desse modo, a abordagem da visão baseada em recursos contribui para compreensão de como os recursos são empregados na internacionalização de empresas e como eles podem conferir vantagem competitiva para empresas obter um melhor desempenho no mercado internacional. A partir disso, torna-se fundamental o entendimento dos conceitos e a distinção entre recursos, capacidades, ativos e competência, para aprofundar o estudo da RBV.