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a documentos e protecção de dados

4.3. Terceiro pilar

Nos termos do artigo 46.º, alínea f), subalínea ii), do Regulamento (CE) n.° 45/2001, a AEPD deve co- operar igualmente com os organismos de controlo da protecção de dados criados pelo título VI do Tratado da União Europeia («terceiro pilar»), nomeadamente para melhorar «a coerência na aplicação das normas e processos cujo respeito devam assegurar». Estes organis- mos de controlo são as autoridades de controlo comum (ACC) da Europol, de Schengen (ICC), da Eurojust e do Sistema de Informação Aduaneiro. A maior parte destes organismos é composta por representantes (que

em parte são os mesmos) das autoridades nacionais de controlo. Na prática, a cooperação efectua-se com as ACC pertinentes, com o apoio do secretariado comum da protecção de dados que trabalha no Conselho e, de modo mais geral, com as APD nacionais.

A necessidade de uma estreita cooperação com as auto- ridades nacionais responsáveis pela protecção de dados fez-se sentir nestes últimos anos, com o aumento cons- tante das iniciativas tomadas a nível europeu para lutar contra o terrorismo e a criminalidade organizada, as quais incluem diversas propostas relativas ao intercâm- bio de dados pessoais.

Em 2006, as principais atenções centraram-se em duas propostas relevantes em debate no Conselho. A pri- meira delas é a proposta da Comissão de decisão-quadro relativa à protecção de dados no âmbito do terceiro pilar, sobre a qual a AEPD emitiu um parecer em 19 de Dezembro de 2005. Em 24 de Janeiro de 2006, a conferência das autoridades europeias de protecção de dados adoptou igualmente um parecer que estava em consonância com o parecer da AEPD. A segunda Peter Hustinx em conferência de imprensa.

proposta é a proposta da Comissão para uma decisão- -quadro do Conselho relativa ao intercâmbio de infor- mações com base no princípio da disponibilidade, sobre a qual a AEPD emitiu um parecer em 28 de Fevereiro de 2006 ( ver o ponto 3.3.3) (57). As duas propostas

estão interrelacionadas, o que implica que a adopção da primeira proposta é uma condição prévia para a adopção da segunda.

Na conferência das autoridades europeias de protec- ção de dados, realizada em 24 e 25 de Abril de 2006, em Budapeste (ver o ponto 4.4), foi adoptada uma declaração. Ali se recorda aos Estados-Membros que a partilha de informações pessoais entre autoridades de aplicação da lei apenas é permitida com base em regras harmonizadas de protecção de dados que asse- gurem um nível elevado de protecção de dados a nível europeu e em todos os Estados participantes. A não ser assim, os diferentes níveis de protecção e a ausência de regras comuns de controlo do acesso à informação poderia dar azo a situações onde não fossem respeitadas normas mínimas de protecção de dados. Tal como já tinha feito em 2005, a conferência assinalou que os instrumentos jurídicos aplicáveis à protecção de dados na UE são demasiado gerais para poder proporcionar uma protecção de dados eficaz no domínio da apli- cação da lei.

Consequentemente, a conferência acolheu favoravel- mente a proposta da Comissão destinada a harmoni- zar e reforçar a protecção de dados nas actividades da polícia e das autoridades judiciárias através do estabe- lecimento de garantias de protecção de dados para o terceiro pilar, que devem ser aplicadas sempre que se proceda ao intercâmbio de informação ao abrigo do princípio da disponibilidade. Salientou igualmente que não existe alternativa à criação de normas harmo- nizadas e de elevado nível para a protecção de dados no âmbito do terceiro pilar da UE. Esta condição resulta do Programa de Haia, segundo o qual a salvaguarda da liberdade, da segurança e da justiça são elementos indissociáveis da União Europeia no seu todo (58).

(57) Ver: A Framework in Development: Third Pillar and Data Protection, in:

«Ochrona danych osobowych wczoraj, dziś, jutro/Personal Data Protec- tion Yesterday, Today, Tomorrow», Varsóvia, 2006, p. 132-a 137 (em inglês) e p. 137 a 142 (em polaco). Disponível também no sítio web da AEPD (desde 12 de Maio) http://www.edps.europa.eu/EDPSWEB/ edps/lang/en/pid/23.

(58) Esta mensagem foi confirmada numa declaração das autoridades euro-

peias de protecção de dados adoptada em Londres em 2 de Novembro de 2006. Ambas as declarações podem ser consultadas no sítio web da AEPD http://www.edps.europa.eu/EDPSWEB/edps/lang/en/pid/51.

No entanto, constatou-se que esta abordagem não era partilhada por todos os Estados-Membros (59). Em

conseguinte, os progressos realizados no Conselho sobre o quadro exigido para a protecção de dados no âmbito do terceiro pilar foram insatisfatórios, apesar dos esforços de presidências consecutivas. Ao mesmo tempo, as iniciativas para promover e facilitar o inter- câmbio de informações registaram bons progressos (60).

Em 29 de Novembro de 2006, a AEPD emitiu um segundo parecer sobre o quadro da protecção de dados, recomendando ao Conselho que não baixasse o nível dos direitos dos cidadãos da UE em matéria de pro- tecção de dados no âmbito do terceiro pilar.

Em Budapeste foi igualmente decidido confiar ao grupo «Cooperação policial», apoiado pelo Secreta- riado para a Protecção de Dados, a tarefa de analisar um determinado número de questões e de apresentar os resultado na próxima conferência da Primavera. Estão em causa diferentes questões relativas ao âmbito e às implicações do princípio de disponibilidade, bem como a necessidade de novas garantias. Foi igualmente solicitada a elaboração de propostas para uma maior harmonização das práticas do diferentes Estados- -Membros no que respeita ao direito de acesso.

Schengen e Europol

A cooperação da AEPD com a autoridade de contolo comum de Schengen produziu, em Janeiro de 2006, um modelo de supervisão «coordenada» do SIS II. Este modelo encontra-se agora previsto nos artigos 44.º a 46.º do Regulamento (CE) n.º 1987/2006, do Parla- mento Europeu e do Conselho, de 20 de Dezembro de 2006, relativo ao estabelecimento, ao funcionamento e à utilização do Sistema de Informação de Schengen de segunda geração (SIS II) (61).

Em 26 de Junho de 2006, a ICC da Europol emitiu um parecer sobre a proposta de decisão do Conselho, relativa ao acesso para consulta do Sistema de Informa- ção sobre Vistos (VIS) por parte das autoridades dos

(59) Ver também: House of Lords, Comité da União Europeia, «Behind

Closed Doors: the meeting of the G6 Interior Ministers at Heiligen- damm, Report with Evidence», Julho de 2006, que contém, nomeada- mente, declarações da AEPD (deposição oral, 7 de Junho de 2006). (60) Decisão-Quadro 2006/960/JAI do Conselho, de 18 de Dezembro de

2006, relativa à simplificação do intercâmbio de dados e informações entre as autoridades de aplicação da lei dos Estados-Membros da União Europeia (JO L 386, p. 89). Ver também as iniciativas da Presidência alemã no sentido de transpor o Tratado de Prüm para o quadro jurídico da UE, cuja análise será feita pela AEPD em 2007.

Estados-Membros responsáveis pela segurança interna e da Europol para efeitos de prevenção, detecção e investigação de infracções terroristas e outras infracções penais graves. Este parecer destaca um certo número de pontos, que foram também levantados no parecer da AEPD de 20 de Janeiro de 2006 (ver o ponto 3.3.3), embora se focalize mais na posição da Europol. A AEPD beneficiou igualmente de uma estreita cola- boração com a ICC da Europol e com o Secretariado para a Protecção de Dados na análise do projecto de proposta de decisão do Conselho que cria o Serviço Europeu de Polícia (Europol), adoptado pela Comis- são em Dezembro de 2006. Esta proposta visa dotar a Europol de uma base jurídica nova e mais flexível no quadro da legislação comunitária e substituir a actual Convenção Europol. Em 16 de Fevereiro de 2007, a AEPD emitiu um parecer sobre esta proposta.