• Nenhum resultado encontrado

3. Primeiro Setor e Regulamentação

3.1 Terceiro Setor

Não se pode atribuir ao Terceiro Setor a responsabilidade total pela pressão para ações ambientalmente responsáveis, mas é importante considerar o fator deci- sivo na formação de opinião pública e da consciência ecológica que tal segmento pode influenciar através de várias formas de participação, podendo assumir papéis dirigentes de forte alcance.

[o terceiro setor] consiste na atuação da sociedade civil organizada,

nas mais diversas áreas, utilizando-se, em muitas vezes, de recursos de entidades privadas, para o cumprimento de ações e o desenvol- vimento de projetos que visem à melhoria das atividades antes atri- buídas apenas ao Estado. Para que a atividade do Terceiro Setor pudesse ser exercida da melhor forma possível, a fim de garantir à sociedade a efetiva participação na defesa de interesses coletivos, o Estado dispôs de seu poder de legislar para autorizar a organização da sociedade civil para o alcance desta finalidade. (FERREIRA, 2005)

Existem muitas possibilidades de participação e luta pelas questões ambien- tais para as Organizações Não Governamentais e, como pressão social para as or- ganizações do segundo setor, podem ser destacados os pontos a seguir, segundo Gabriela Gonçalves Barbosa (2006):

a) Em órgãos de controle ambiental:

A legislação prevê a participação do Terceiro Setor em órgãos de controle ambiental, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), no Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e no Conselho Nacional de Recursos Hídri- cos (CNRH), parte integrante do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Essa participação é prevista na formação destes Conselhos, porém, a participação é restrita, já que o que encontra-se é a maioria da bancada reservada aos governos Federal, Estadual, Municipal e Distrital.

b) Divulgação da Questão Ambiental, educação ambiental e formação de agen- tes multiplicadores

É importante destacar tal atuação do Terceiro Setor por se tratar de uma linha educativa, que contribui para a participação cidadã da população. Além de ser im- portante por divulgar tópicos acerca das questões ambientais, tal forma de participa- ção é fundamental pela busca de uma melhor qualidade de vida para a população, pela formação de agentes multiplicadores, que permitem que a preocupação ambi- ental e a consciência ecológica disseminem-se e, assim, haja o fortalecimento do papel do cidadão como segmento social representativo de poder. Essa forma de par- ticipação do Terceiro Setor na defesa do meio ambiente é fundamental para que aumente o número de consumidores conscientes, que seja gerado o debate em tor- no das questões ambientais e para que ocorra uma pressão sobre o comportamento das organizações a respeito de seus processos produtivos e a informação transmiti- da a seus consumidores.

c) Pesquisa científica e tecnológica

O Setor tem forte poder de fomentar pesquisas e atividades de caráter ambi- ental por não estar ligado diretamente ao processo produtivo que agride o meio am- biente. Assim pode criar possibilidades e novas perspectivas para atuações na área ambiental, estimulando o desenvolvimento de tecnologias “verdes” e o estudo de possibilidades menos impactantes ao meio ambiente.

As Organizações não governamentais (ONG) são definidas pela União das Associações Internacionais (apud Élisabeth Laville, 2009, p. 395), como “associa- ções sem fins lucrativos e de características internacionais por seus membros, por suas funções, composição de sua diretoria e fontes de financiamento” e têm exerci- do um papel fundamental como representante da opinião pública em pressão ao comportamento das empresas. Essa participação das Ongs pode ser vista como crescente a partir da evolução da internet, já que o espaço possível para divulgação de informações e para discussões a respeito de problemas ambientais era, antes

disso, limitado. Com o avanço da internet, segundo Laville (2009, p. 92), “as ONGs encontraram um meio de comunicação privilegiado. Antes, apenas as empresas ti- nham o poder de se comunicar, via publicidade.” Além disso, para a autora, a inter- net é um importante meio de reação que proporciona um espaço interativo para in- formar e mobilizar grupos do mundo inteiro afim de uma causa sem que seja neces- sário um custo muito alto.

Tendo como principal meio de fortalecimento as mídias, as ONGs atualmente têm um papel fundamental e que não mais fica restrito à mera crítica. Passaram a exercer uma postura de cobrar publicamente que as empresas prestem contas a respeito da implementação de soluções para os problemas que causam no meio ambiente. Um dos exemplos mais importantes dessa pressão, para Élisabeth Laville (2009), pode ser o que o Greenpeace tem como sua maior especialidade. Desde 1994, a ONG criou uma campanha contra a utilização do gás CFC (clorofluorcarbo- neto) pela rede de supermercados inglesa Tesco. A ação tomou proporção mundial forçando todas as redes a repensarem o uso do gás em seus sistemas de refrigera- ção.

Esse poder de mobilização também é comentado por Peter Schwartz e Blair Gibb (apud LAVILLE, 2009, p. 90), ao referir-se ao fato das organizações de cida- dãos agora representarem milhões de pessoas e que podem em poucas horas in- formar e mobilizar uma vasta gama de grupos a partir da internet. A opinião pública passa então a ter acesso a mais informações e pode em contrapartida cobrar cada vez mais uma resposta à suas cobranças. Podem então cobrar uma resposta mais rápida de suas pressões ao invés de ter que esperar que as mudanças partam do Estado com a criação de leis.

Já o comportamento das organizações pode ser alterado por essas pressões tanto pelo terceiro setor quanto pela regulamentação e acompanhamento do gover- no, fundamentais para que as empresas respeitem a legislação.

Documentos relacionados