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2 A INCLUSÃO E CONCEITOS FUNDANTES

2.5 TERMINOLOGIA ADEQUADA

No desenvolvimento desta pesquisa se observou ser basilar a utilização de uma terminologia adequada para se referir à pessoa com deficiência. A preocupação primária consistia em utilizar um termo que não reforçasse o estigma social vivenciado e que refletisse

adequadamente a maneira pela qual esta pesquisa lida com a temática, sem, portanto, tirar o papel de sujeito, de ser humano, com limitações e potencialidades.

Nessa linha, Sassaki (2003) orienta que uma sociedade inclusiva entende a linguagem como aspecto importante que deve ser livre de discriminação em relação às pessoas com deficiências. Assim, a pesquisa buscou investigar os termos utilizados na literatura e eleger o mais adequado.

Os termos empregados ao longo da história refletem sobremaneira como essas pessoas eram percebidas e retratam sua marginalização. Até a década de 1980 os termos mais empregados eram: aleijado, defeituoso, incapacitado ou inválido. A partir de 1981, ao se estabelecer o Ano Internacional das Pessoas Deficientes (sic), ganhou impulso a expressão pessoa deficiente. Foram inovadores o acréscimo da palavra pessoa e do adjetivo deficiente (SASSAKI, 2003, 2005).

Com o tempo, entrou em uso a expressão pessoa portadora de deficiência, frequentemente reduzida para portadores de deficiência. No Brasil, entre 1986 e 1996, tornou- se bastante popular o uso do termo portador de deficiência, bem como suas flexões no feminino e no plural. No entanto, pondera-se que pessoas com deficiência não portam a deficiência. Conforme Sassaki (2005, p. 6), “uma pessoa só porta algo que ela possa não portar”. Por exemplo, “uma pessoa pode portar um guarda-chuva se houver necessidade e deixá-lo em algum lugar por esquecimento ou por assim decidir”.

Além do que, a palavra portador de deficiência “não cria relação de direito-dever entre pessoas com e sem deficiência porque não divide responsabilidades. É como se a deficiência não fosse uma questão da sociedade, apenas um problema do “portador” e de seus familiares” (VIVARTA, 2003, p. 24). O termo distancia-se da ideia de que a deficiência é reforçada a partir das barreiras encontradas no contexto social e retoma a deficiência como uma tragédia pessoal.

De acordo com as informações apresentadas, é impossível portar uma deficiência; essa é uma condição que em muitos casos não pode ser eliminada, apenas amenizada. Dessa forma, o termo ‘portador de deficiência’ não corresponde à realidade dessas pessoas. O termo ainda se faz presente em muitas pesquisas da temática, o que revela descuido ao se discutir a inclusão.

Por volta da metade da década de 1990, entrou em uso a expressão pessoas com deficiência, que permanece até os dias de hoje, conforme elucida Sassaki (2003). Além disso, o autor aponta a expressão ‘pessoa com deficiência’ como praticamente unânime nas organizações que tratam sobre a temática e enumera os seguintes motivos para a sua utilização consensual:

1. Não esconder ou camuflar a deficiência;

2. Não aceitar o consolo da falsa ideia de que todo mundo tem deficiência; 3. Mostrar com dignidade a realidade da deficiência;

4. Valorizar as diferenças e necessidades decorrentes da deficiência;

5. Combater neologismos que tentam diluir as diferenças, tais como “pessoas com capacidades especiais”, “pessoas com eficiências diferentes”, “pessoas com habilidades diferenciadas”, “pessoas deficientes”, “pessoas especiais”, “é desnecessário discutir a questão das deficiências porque todos nós somos imperfeitos”, “não se preocupem, agiremos como avestruzes com a cabeça dentro da areia” (i.e., “aceitaremos vocês sem olhar para as suas deficiências”);

6. Defender a igualdade entre as pessoas com deficiência e as demais pessoas em termos de direitos e dignidade, o que exige a equiparação de oportunidades para pessoas com deficiência atendendo às diferenças individuais e necessidades especiais, que não devem ser ignoradas;

7. Identificar nas diferenças todos os direitos que lhes são pertinentes e a partir daí encontrar medidas específicas para o Estado e a sociedade diminuírem ou eliminarem as “restrições de participação” (dificuldades ou incapacidades causadas pelos ambientes humano e físico contra as pessoas com deficiência). (SASSAKI, 2005, p. 5).

Percebe-se que a tônica é tratar a deficiência como um aspecto que faz parte da diversidade humana, como diferenças que precisam ser aceitas e que não devem ficar invisíveis para a sociedade. Face ao exposto, esta pesquisa adota o conceito de pessoa com deficiência por entender que a deficiência é uma condição imposta ao sujeito. Além do mais, essa terminologia, longe de reforçar o estigma social, trata as pessoas com deficiência como cidadãos, com direitos e deveres sociais.

Em virtude de a pesquisa tratar apenas da deficiência visual, a terminologia utilizada será ‘pessoa com deficiência visual’, que abrange a cegueira e a baixa visão, conforme elucida o Decreto nº 5.296/2004:

cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições

anteriores (BRASIL, 2004, p. 1).

De acordo com o decreto citado, orientado sob o ponto de vista do enfoque médico, a cegueira é um tipo de deficiência visual. Dessa forma, nem toda pessoa com deficiência visual é cega, ela pode ter baixa visão ou visão subnormal. Pela perspectiva educacional, o diagnóstico considera o tipo de sistema que a pessoa irá utilizar na leitura e na escrita. A pessoa com baixa visão desenvolverá seu processo educativo por intermédio de recursos visuais, os quais incluem a utilização de materiais com fontes ampliadas; a pessoa cega o fará por meio da integração dos

sentidos e também pela aplicação do sistema braile, que será detalhado mais adiante (BRUNO, 1997; DALL’ACQUA, 2002 apud GALVÃO et al., 2015).

Esclarecidos os conceitos basilares em que esta pesquisa se fundamenta, deslocaremos a atenção para a CI, a fim de entender a sua contribuição quanto à inclusão e também para o paradigma social.

3 A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E A INCLUSÃO DE PESSOAS COM