MUDANÇA DO CLIMA
6.6 Territórios Pesqueiros
A pesca marinha do Estado de São Paulo descarrega atualmente cerca de 30 mil toneladas de pescado por ano. O estado de São Paulo possui frotas pesqueiras industriais que respondem por, aproximadamente, 70% do total do volume de descargas de pescado e que operam nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, principalmente em Cabo Frio, no Rio de Janeiro e em Cabo de Santa Marta Grande, em Santa Catarina. As frotas têm bases nos municípios de Santos, Guarujá, Ubatuba e Cananéia. No município de Cananéia, as espécies capturadas e descarregadas pela pesca industrial são pela ordem de importância: Corvina, Pescada-foguete, Camarão-sete-barbas, Betara, Camarão-rosa, Sororoca, Cabrinha, Oveva e Espada. Os principais aparelhos de pesca são o emalhe de fundo e o arrastro duplo (São Paulo, 2019. Programa de monitoramento da atividade pesqueira - www.propesq.pesca.sp.gov.br).
6.6.1. Percepção dos atores locais sobre riscos climáticos
O sistema socioecológico de interesse “Territórios Pesqueiros” é um dos sistemas identificado como prioritário na percepção dos atores locais na análise do risco decorrente de mudanças do clima (Quadro 13).
Entre as ameaças climáticas atuais, são destacadas a alteração da orientação dos ventos, e o aumento da temperatura (que alteram a rota dos cardumes) e da frequência dos eventos extremos. As ameaças não climáticas apontadas são associadas a aspectos poluidores da própria atividade pesqueira e aos conflitos com a pesca industrial em mar aberto, bem como ao impacto de infraestruturas mal planejadas.
A essas ameaças, estão expostos os ecossistemas onde se desenvolve a atividade da pesca, assim como os atores vinculados a essa atividade e às comunidades extrativistas, que fazem da pesca um recurso para ampliar a renda familiar. A sensibilidade do sistema está associada à ineficiência da ação do Estado em relação à regulação e ao controle da atividade, o que gera conflitos entre normativas nacionais e as particularidades regionais, e de atuação entre atores da fiscalização e licenciamento.
Mesmo diante dessas ameaças e sensibilidades, o sistema é entendido como de moderada resiliência às alterações climáticas atuais. Não obstante, os pescadores já percebem mudanças na sazonalidade, quantidade e áreas de ocorrência de determinadas espécies exploradas, além do aparecimento de espécies exóticas.
As medidas de adaptação mencionadas são o desenvolvimento de estratégias/instrumentos de gestão integrada do território pesqueiro que atendam as especificidades regionais, a implementação de ações de fortalecimento (sensibilização, capacitação, formação e suporte técnico) das comunidades envolvidas com a atividade pesqueira, em especial para comunidades tradicionais, assim como as ações de garantia de espaço para a participação efetiva das mulheres no processo decisório das atividades da pesca.
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 97
Quadro 13. Sistema Socioecológico de Interesse Territórios Pesqueiros
Sistema Socioecológico de Interesse Territórios Pesqueiros Ameaças
Exposição
Vulnerabilidade Impactos Medidas de Adaptação
Climática Não Climática Sensibilidade Capacidade
de Resposta Biofísicos Socioeconômic
os Atuais Propostas
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 98 6.7 Turismo
A região do litoral Sul se configura como uma verdadeira ilha de preservação ambiental do estado de São Paulo com potencial para atrair movimentos turísticos da região metropolitana de São Paulo. A atividade turística se conforma em um dos esteios econômicos da região, inclusive propiciando aportes na renda de comunidades extrativistas e tradicionais. A atividade ainda se encontra subaproveitada ou subdesenvolvida, podendo assumir diversas frentes de exploração: o turismo rural, cultural, ecológico, gastronômico etc. A região apresenta numerosos municípios identificados como turísticos pelo estado de São Paulo. Os municípios de Cananéia, Iguape, Ilha Comprida, e Peruíbe são classificados, segundo legislação específica, como estâncias, já que possuem infraestrutura e serviços direcionados ao turismo.
O município de Cananéia é formado por inúmeras ilhas: Cananéia, Cardoso, Bom Abrigo, Filhote, Cambriú, Castilho, Figueira, Casca e Pai do Mato, onde se destacam praias selvagens e encantadoras. As principais praias são das comunidades Cambriú, Marujá, Itacuruçá e Pontal do Leste, e Piscinas Naturais da Praia de Laje. A região lagunar-estuarina de Cananéia é Tombada pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade e composta por uma coleção das águas de muitos rios, baias e lagoas com o mar e compreende, num só́ lugar, quatro ecossistemas: mangues, dunas, restingas e a Mata Atlântica. Os principais pontos turísticos são o conjunto de casarios históricos, a igreja de São João Batista, a Figueira de Cananéia, o Morro São João, a Gruta de Nossa Senhora de Fátima, os Argolões de Bronze, trilhas e praias. As principais festas e eventos são o carnaval de rua e as festas do Mar, da Tainha (comunidade Marujá) e de aniversário de Cananéia (Departamento Municipal de Turismo e-mail:
turismo@Cananéia.sp.gov.br).
Os principais pontos turísticos do município de Ilha Comprida são o Espaço Cultural Plínio Marcos, as trilhas de Vila Nova e das Dunas Araçá e Juruvavúva, e o Roteiro das Aves e praias. Entre as praias, destacam-se Encanto, Icaraí, Meu Recanto, Mar Azul, Araçá, Ponta da Praia, Garças, Maratayama, Janaína, Samambaias, Viareggio, Castelo, Ponta Grossa, Ubatuba, Costa do Sol, Pedrinhas, Costa Linda, Juruvaúva, Papagaio, Boa Vista, Céu Azul, e Pontal da Trincheira.
Grande parte de sua área é protegida pelo título de Reserva da Biosfera e é um dos principais locais para a conservação das aves no Brasil. As principais festas e eventos são Ilha Verão, Carnaval, Feira Regional de Artesanato Tradicional Resgatando o Vale, Festival de Cinema Nacional, Mostra Artística de Teatro, Ilha Julina e Ilha Blues Festival (Divisão Municipal de Turismo www.ilhacomprida.sp.gov.br).
O município de Iguape abriga em seu território, aproximadamente, 70% de área natural protegida, que inclui a Estação Ecológica dos Chauás e cerca de 85% da Estação Ecológica Juréia-Itatins, além de estar parcialmente em Área de Proteção
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de 99 Ambiental (Cananéia-Iguape-Peruíbe). Sua área apresenta rios, morros, manguezais, praias e cachoeiras, compondo uma amostra singular de ecossistemas associados, além das Reservas de Mata Atlântica do Sudeste, tombadas pela UNESCO em 1999 como Patrimônio da Humanidade. Os principais pontos turísticos são o centro histórico (patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), os museus Histórico e Arqueológico e de Arte Sacra; o Cristo Redentor; a basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape; o morro do Farol, trilhas e praias. As mais importantes festas são Tainha, Senhor Bom Jesus de Iguape e Robalo (Depto. de Cultura, Turismo, Esportes e Eventos www.iguape.sp.gov.br).
O município de Peruíbe abriga parte de áreas de relevante interesse ecológico, como as Ilhas Queimada Pequena e Queimada Grande, Zona de Vida Silvestre, Área de Proteção Ambiental (Cananéia-Iguape-Peruíbe) e a Estação Ecológica da Juréia-Itatins. Além de inúmeras belezas naturais, o município concentra sítios arqueológicos, como sambaquis e as ruínas de uma igreja jesuíta (Ruínas de Abarebebê), a Praça de Artesanato, o aquário, cachoeiras, trilhas e praias (Maria Helena Novaes, Convento Velho, Belmira Novaes, Beira Mar, Josedy, Boungaville, Estância São José, Casablanca, Oásis, Parque Turístico Jardim Imperador Jardim Márcia, Três Marias, Balneário Continental, Nova Peruíbe, Arpoador, São João Batista Samburá Florida Ribamar Barra da Jangada Stella Maris Centro). As festas das Flores e PeruíbeFest e eventos de verão e aniversário da cidade se destacam como atrativos (www.peruibe.sp.gov.br).
6.7.1 Percepção dos atores locais sobre riscos climáticos
O sistema socioecológico de interesse “Turismo” é identificado como prioritário na percepção dos atores locais na análise do risco decorrente de mudanças do clima pelo potencial que este oferece enquanto estratégia de desenvolvimento regional e pela sua interação ou interferência em outros sistemas socioecológicos de interesse, mas principalmente pela sua associação com a necessidade de preservação da qualidade ambiental (Quadro 14).
Os atores locais identificam ameaças climáticas atuais (ex. o aumento do nível do mar e da frequência de ocorrência de ressacas extremas) e futuras (ex. o aumento dos índices pluviométricos). Como ameaças não climáticas, são indicadas a fragilidade ou a ausência de infraestrutura de turismo e a precariedade da infraestrutura urbana.
A exposição do sistema turismo está associada ao sistema praia-duna. A perda significativa de faixa de areia (com destaque para o litoral norte da Ilha Comprida) e a degradação do mangue são apontadas como elementos impactados pelas mudanças do clima, e em consequência toda a cadeia da atividade turística. O turismo de praia configura-se como um dos poucos temas para os quais os atores
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 100 locais identificam possibilidade de impactos positivos em relação às mudanças do clima, em especial em face das projeções que sinalizam para o aumento dos dias secos consecutivos e da diminuição da pluviosidade.
Medidas de adaptação são destacadas, tais como o desenvolvimento de ações de (i) sensibilização, formação e treinamento para os setores ligados ao turismo, abrangendo temas de preservação ambiental e turismo; e (ii) planejamento participativo e de reestruturação física da infraestrutura urbana.
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 101
Quadro 14. Sistema Socioecológico de Interesse Turismo
Sistema Socioecológico de Interesse Turismo Ameaças
Exposição
Vulnerabilidade Impactos Medidas de Adaptação
Climática Não
Socio-econômicos Atuais Propostas Atual Futura
• Ausência de planejamento, regulação e infraestrutura
• Fragilidade na qualificação profissional dos setores de
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 102 6.8 Pesca Estuarina
A pesca do litoral Sul de São Paulo é composta de pesca artesanal (estuarina-lagunar e fluvial, costeira) e de alto-mar, sendo encontrados diversos tipos de artes de pesca com suas variações de acordo com o município, matéria-prima de confecção e espécie-alvo (Mendonça e Miranda, 2008). A pesca artesanal é caracterizada, entre outras coisas, pelos conhecimentos sobre o meio de exploração, as condições de marés o uso e manipulação dos apetrechos de pesca e a identificação dos pesqueiros (Diegues, 1995).
Diversos estudos sobre a atividade pesqueira artesanal foram realizados no litoral do estado de São Paulo (Souza e Barrella, 2001; Cardoso e Nordi, 2006; Beccato et al., 2009; Begossi et al., 2009; Stori et al., 2012), no entanto, o monitoramento da atividade pesqueira artesanal é pouco desenvolvido (Mendonça e Cordeiro, 2010).
A maioria da frota e das artes de pesca do litoral Sul de São Paulo é associada à pesca estuarina lagunar (Mendonça, 2007) e realizada com o emprego de embarcações com baixo incremento tecnológico, geralmente com baixa potência de motor. Diferentes aparelhos são utilizados para a atividade pesqueira no litoral Sul do estado de São Paulo (Quadro 15). No entanto, sobressai na pesca artesanal o amplo uso das redes de emalhe, com suas variações estruturais que visam à captura de diversos peixes. São destaque o arrasto duplo, o emalhe de fundo e emalhes diversos no município de Peruíbe; os emalhes de deriva, de superfície, e de fundo no município de Iguape; os emalhes de superfície e de fundo no município de Ilha Comprida; e os emalhes de superfície e de fundo, e o cerco fixo no município de Cananéia (São Paulo, 2019).
Quadro 15. Principais aparelhos de pesca no litoral Sul do estado de São Paulo, considerando produção pesqueira descarregada em 2019. Fonte dos dados: São Paulo 2019. Informe pesqueiro de São Paulo. Instituto de Pesca 112:1-21. São Paulo. ISSN 2359-2966.
Aparelhos de Pesca
Arrastro-duplo
Extrativismo Arrastro de mão Cerco-fixo Emalhe de superfície
Arrastro simples Espinheis diversos Linha de mão
Espinhel de fundo
A diversidade de espécies potencialmente exploráveis pela pesca artesanal dos municípios estudados é grande, porém algumas são mais capturadas e mais comercializadas pelos pescadores (Quadro 16). Na pesca artesanal, se destacam o camarão-de-sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri), a tainha (Mugil platanus) e o mexilhão no município de Peruíbe; a manjuba de Iguape (Anchoviella lepidentostole), a tainha e o robalo-peva no município de Iguape; a tainha, a
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de 103 sororoca e a corvina (Micropogonias furnieri) no município de Ilha Comprida; e a tainha, o camarão-sete-barbas e a ostra no município de Cananéia (São Paulo, 2019).
Quadro 16. Principais categorias de produtos da pesca descarregadas nos municípios da área de estudo em 2019. Fonte dos dados: São Paulo 2019. Informe pesqueiro de São Paulo. Instituto de pesca 112:1-21. São Paulo. ISSN 2359-2966.
Produtos da Atividade Pesqueira
Camarão de sete barbas Palombeta Camarão legitimo Porco Polvo
Tainha Goete Parati Camarão rosa Mistura
Corvina Betara Manjuba de Iguape Sororoca Oveva
Pescado foguete Guaivira Galo Cabrinha
As atividades associadas à pesca artesanal estão estreitamente relacionadas às condições ambientais e suas mudanças. O litoral Sul de São Paulo é reconhecido por ser ambientalmente bem preservado e uma das maiores extensões de manguezais do litoral brasileiro (Machado e Mendonça, 2007). Essas características conferem à região grande potencial para o extrativismo por pescadores locais e de outras áreas, principalmente de ostras e caranguejos (Lucena, 2010; Machado et al., 2010; Machado et al., 2013a). Por outro lado, Ramires et al. (2012) destacam que os pescadores indicam a influência da maré na pesca. Nos municípios de Iguape, Peruíbe e Ilha Comprida a maré alta é a melhor, enquanto que em Cananéia, a melhor é a maré m[edia. Os pescadores de Iguape, Cananéia e Peruíbe, em sua maioria, preferem pescar em épocas sem chuva. Já os pescadores de Ilha Comprida e registro preferem pescar com chuva.
A grande maioria dos pescadores do litoral de São Paulo é oriunda da pesca artesanal, quase a metade no litoral Sul do estado. Os pescadores nos municípios de Cananéia e Iguape, em sua maioria, nasceram no próprio município. A Ilha Comprida apresenta uma baixa percentagem de pescadores oriundos do município, provavelmente por sua recente emancipação na década de 1990 (Mourão 2003).
A pesca na região é a base econômica dos municípios de Cananéia e Iguape e um importante componente em Ilha Comprida, sendo responsável por um elevado número de empregos nas comunidades costeiras. No entanto, os pescadores apresentam renda abaixo da média anual do estado de São Paulo.
Essa renda é complementada principalmente com o seguro-defeso e com outras atividades como a agricultura e o extrativismo, e recentemente aquelas associadas ao turismo (Sanches, 1997; Machado e Mendonça, 2007).
Nos municípios de Iguape e Cananéia, são encontradas algumas comunidades isoladas com estreita relação com o ambiente, ainda com características caiçaras, influenciadas pelos ciclos produtivos, tais como os do arroz, da mandioca, da
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 104 pesca e do extrativismo, e atualmente muito voltadas ao turismo (Sanches, 2004;
Santos, 2012).
A pesca artesanal, uma atividade secular na região, tem se tornado pouco atrativa recentemente em virtude da diminuição dos estoques pesqueiros, da falta de investimentos e dos conflitos entre as atividades pesqueiras industriais e as de pequena escala. A forte seleção sobre as espécies mais rentáveis comercialmente leva à diminuição dos estoques pesqueiros e contribui para a inserção destas na lista de espécies em risco de extinção. Buscando evitar esse risco, o governo regula e aplica instrumentos que visam diminuir a pressão sobre os recursos e dar sustentabilidade às atividades pesqueiras (Mendonça, 2015; Mendonça e Lucena, 2013).
6.8.1 Percepção dos atores locais sobre riscos climáticos
O sistema socioecológico de interesse “Pesca Artesanal” é identificado como prioritário na percepção dos atores locais na análise do risco decorrente de mudanças do clima (Quadro 17). Os atores locais indicam a necessidade de diferenciar algumas características nos municípios de Iguape e Cananéia.
Os atores locais percebem como ameaças climáticas futuras o aumento da temperatura, o consequente aumento da temperatura da água no município de Iguape e a elevação da frequência de extremos de chuva, com o consequente aumento de carreamento de partículas solidas e material orgânico (em Cananéia).
Entre as ameaças não climáticas, os atores locais de Iguape indicam a pesca predatória por cerco, enquanto os de Cananéia a abertura do “Valo Grande” e o consequente assoreamento do Rio Iguape e a introdução de águas do Mar Pequeno no sistema fluvial.
Os impactos mencionados estão associados à redução da variedade de espécies pesqueiras no município de Iguape, e a diminuição da produção de ostras e mariscos em Cananéia. O sistema é entendido como de baixa resiliência às alterações atuais e futuras do clima.
As medidas de adaptação propostas passam tanto por aspectos técnico-administrativos e legislativos quanto por enfoques de estruturação de medidas de infraestrutura e construção civil, entre as que se destacam o controle da vazão do canal artificial do Valo Grande no Rio Ribeira de Iguape e a melhoria nos sistemas de tratamento do esgoto sanitário das cidades da região, dado alto impacto dessa deposição nos corpos hídricos.
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 105
Quadro 17. Sistema Socioecológico de Interesse Pesca Estuarina
Sistema Socioecológico de Interesse Pesca Estuarina Ameaças
Exposição
Vulnerabilidade Impactos Medidas de Adaptação
Climática
Biofísicos Socioeconômicos Atuais Propostas Atua políticas públicas para incentivo e proteção da ações de fiscalização para a pesca predatória
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de
unidades de conservação do lagamar para subsidiar a implementação de medidas de adaptação baseada em ecossistemas 106 6.9 Áreas Urbanas
As dinâmicas socioeconômicas, particularmente as urbanas, do litoral Sul do estado de São Paulo têm relação direta com a configuração do espaço costeiro, com a forma como ele está sendo ocupado, e com o agravamento das consequências ambientais, seja por causas naturais, seja por ação antrópica.
A população do litoral Sul é a menor dentre as três regiões do litoral do estado de São Paulo e sua taxa geométrica de crescimento anual também foi a menor no período entre 1970 e 2010, chegando a menos de 1% de crescimento no decênio 2000/2010. Os municípios da região, em particular Cananéia, mostram certa estagnação na taxa de crescimento populacional para o mesmo período (Tabela 13).
Tabela 13. Taxa de crescimento da população no período 2000-2010 no litoral do estado de São Paulo e em municípios do Litoral Sul. Modificado de Modesto, 2012
Unidades Territoriais Taxa de Crescimento 2000/2010 (% a.a)
Baixada Santista 1,19
Litoral Norte 2,29
Litoral Sul 0,76
Estado de São Paulo 1,08
Ilha Comprida 3,02
Cananéia -0,06
Iguape 0,51
Fonte dos dados SIDRA IBGE, 2012. Banco de Dados Agregados, Censos Demográficos 1970-2010.
Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br
Os dados do Censo Demográfico 2010 do IBGE mostram mudanças significativas em relação à situação dos domicílios do litoral Sul paulista, com respeito ao Censo de 2000. Todos os municípios apresentam um aumento no número de domicílios particulares, devido à atração de migrantes ou de pessoas atraídas pelo turismo.
O total de domicílios particulares cresceu aproximadamente em 9.000 unidades.
No entanto, nota-se que os municípios de Ilha Comprida e Cananéia apresentam uma redução na proporção de domicílios particulares não ocupados de uso ocasional, aqueles utilizados como domicílios de veraneio ou segunda residência (Tabela 14).
Análise participativa de riscos e impactos atuais e futuros associados à mudança do clima na região paulista do mosaico de 107
Tabela 14. Domicílios recenseados por espécie e situação do domicílio nos municípios do litoral Sul de São Paulo (2000-2010). Modificado de Modesto, 2012.
Municípios
Domicílios Particulares
Domicílios Particulares Não Ocupados de Uso Ocasional
Total (Unidades) Total (Unidades) Proporção (%) Censo
Fonte dos dados: SIDRA IBGE, 2012. Banco de Dados Agregados, Censos Demográficos 1970-2010. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br.
Fonte dos dados: SIDRA IBGE, 2012. Banco de Dados Agregados, Censos Demográficos 1970-2010. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br.