Talvez o maior erro das pessoas em geral quando pensam em terrorismo é que com um impulso natural tendem a imaginar indivíduos com pele morena e espessa barba escura, trajando vestes longas, turbantes, e portando fuzis Kalashnikov nas areias de algum deserto a meio mundo de distância. Ora, leitor, se você por acaso ainda está nesse grupo, não há qualquer motivo para sentir-se culpado por absolutamente nada. Ainda estão bastante vívidas em nossas memórias as cenas trazidas pelas televisões em setembro do ano de 2001 demonstrando aviões comerciais colidindo com as torres do WTC, para, em seguida, escancarar as silhuetas das vítimas desesperadas no alto dos dois prédios em chamas: trabalhadores, pessoas inocentes que não viam alternativa melhor a não ser saltar para a morte certa, ao se verem cercadas por um incêndio estarrecedor.
Não demorou para que as autoridades apresentassem os rostos de cada um dos sequestradores dos aviões, que passaram a estampar as páginas das mídias sociais por todo o mundo: homens aparentemente comuns, tais como quaisquer outros do mundo ocidental. A face
do terrorista naqueles primeiros anos do século XXI, contudo, ficou caracterizada pela rusticidade do principal homem por trás do atentado de 11/09 e de seus anfitriões no Afeganistão: Osama Bin Laden e os integrantes do regime talibã. A cena que é desenhada pelo pensamento do homem comum, leigo, torna-se, não raras as vezes, um erro crasso do profissional de inteligência quando diante do enfrentamento dessa ameaça nos dias atuais.
Entre o rústico e o moderno, o que precisamos ter em mente é que o terrorismo no terceiro milênio está muito mais próximo da nossa realidade do que a maioria consegue imaginar. Esse complexo fenômeno parece, em verdade, caminhar de mãos dadas com toda a história da humanidade e, longe de envolver somente indivíduos que culturalmente foram deixados à margem do mundo ocidental, à semelhança dos jihadistas no Oriente Médio, encontra espaço na nossa rotina, conforme podemos observar, com alguma frequência, através das notícias que expõem os graves problemas de segurança pública nos grandes centros urbanos brasileiros, seja quando o terrorismo é instrumentalizado pelo próprio crime organizado, mediante ataques a meios de transporte, repartições públicas, e órgãos de segurança pública, seja, por outro lado, quando se veste com a própria roupagem estatal, executando ações violentas que repercutem na sociedade, geralmente tendo a vingança como motivação, e sendo acobertado, não raras as vezes, pelo manto da presunção de legitimidade ou das excludentes de ilicitude.
Para dar um exemplo bastante recente, em setembro de 2019, o Estado do Ceará foi estremecido por onda de terror marcada por uma série de ataques incendiários contra meios de transporte público urbano, veículos particulares, estabelecimentos públicos e privados. Concentradas na Região Metropolitana de Fortaleza, as ações criminosas – que chegaram à casa das centenas em cerca de 10 dias de ataques – teriam sido ordenadas por chefes de facções criminosas encarcerados que, a princípio, teriam ficado insatisfeitos com as medidas mais rigorosas implementadas nos presídios do Estado do Ceará. Ainda que não seja nossa proposta tentar, nessa ocasião, produzir algum tipo de conhecimento análogo ao de inteligência sobre esses eventos, não seria exagero imaginar que as instalações aeroportuárias e aeronáuticas poderiam ter sido alvo desses atos terroristas e de sabotagem, e entrado facilmente nas estatísticas de terror doméstico.
Apesar disso, é preciso ter cautela quando se busca delimitar uma abrangência precisa para o terrorismo. Muitas vezes, o termo é utilizado apenas como um rótulo pejorativo para adversários políticos, quando praticam atos violentos em prol de suas causas. Governos costumam classificar como terroristas os atos de violência e vandalismo praticados contra a infraestrutura urbana por grupos ligados à oposição, assim como grupos de oposição costumam
enquadrar como terrorismo estatal a repressão violenta de manifestações sociais, causando mortes e lesões corporais graves. Nesse sentido, há quase quarenta anos, em 1980, em seu trabalho The study of terrorism: definitional problems, Brian Jenkins já indicava que a expressão terrorismo poderia vir a ser utilizada de forma inapropriada, isto é, apenas como um rótulo para oponentes políticos: "terrorismo é o que os caras maus fazem" (Jenkins, 1980, p. 1). Outro engano muito comum é confundir o terrorismo com a insurgência, que é um fenômeno de complexidade muito maior. O motivo do desalinho ocorre porque muitas vezes a insurgência vale-se de táticas terroristas e da guerra irregular para desestabilizar o status quo político de um determinado Estado. Em um momento inicial, contudo, o movimento insurgente costuma lançar mão de uma estratégia aparentemente legítima, inclusive inerente a qualquer regime democrático (desde que evidentemente não se oponha aos preceitos de um Estado democrático de direito), através da “difusão ideológica, propaganda, influência sobre pessoas importantes, livros, divulgação de ideias, alocação de parceiros e simpatizantes” (Gonçalves e Reis, 2017, p. 16). A insurgência começa a ganhar ares de ilegalidade e ilegitimidade quando se ergue contra o Estado democrático de direito, o que normalmente ocorre através da formação de grupos armados ou de ações de guerrilha e táticas de terrorismo e sabotagem. Nesse ponto, vale lembrar o que diz o próprio texto constitucional: “constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático” (BRASIL, 1988).
Por outro lado, o que está por trás do terrorismo é geralmente um mesmo panorama: o abandono de preceitos éticos e morais para impingir violência desmedida à sociedade em geral, em defesa de uma "bandeira" que, sob a ótica do terrorista, justificaria tais atos. As perguntas que normalmente surgem são: o que faz com que um homem cometa atos tão perversos e perturbadores contra um outro ser humano em prol de uma determinada causa? Como o uso do terror manifestou-se com o passar dos anos no mundo? O terrorismo representa de fato uma ameaça à aviação civil brasileira? O objetivo deste capítulo, portanto, é justamente desnudar esse flagelo social que, em pleno século XXI, não tem prazo para abandonar a história humana, e notadamente apresenta, considerando o acesso a novas tecnologias e o advento de novos padrões de violência, uma ameaça que requer atenção cada vez maior por parte das autoridades de aviação civil ao redor do mundo.
Em tempos remotos, indícios de que a humanidade já sofria os sintomas do terrorismo podem ser identificados no século primeiro da Era Cristã, quando um grupo extremista de judeus zelotas, intitulado “Sicários”, atacava as tropas romanas durante a ocupação da Judeia. O nome que imortalizou o grupo deriva de uma adaga curta conhecida como sicae, que era
utilizada nos ataques. As baixas infligidas nos exércitos romanos foram tantas que ensejaram uma resposta dura de Roma, culminando na “destruição de Jerusalém, em 70 d.C., e na expulsão dos judeus da palestina” (Gonçalves e Reis, 2017, p. 23).
Cerca de um milênio depois, já durante a Idade Média, uma seita xiita fundada por Hassan Ibn Sabbah (1034 – 1124), conhecido como “o Velho da Montanha”, executava ataques contra diversos governantes, líderes políticos e militares islâmicos. Os membros do grupo (que ficou conhecido como “a Ordem dos Assassinos”) executavam missões com precisão, valendo- se corriqueiramente de disfarces e adagas em suas campanhas assassinas, que eram promovidas em diversas cidades do Mundo Islâmico, principalmente da Síria, da Mesopotâmia, do Egito e da Palestina. Até mesmo a vulnerabilidade do grande líder islâmico Saladino (1138 – 1193), um tenaz inimigo da Ordem dos Assassinos, ficou exposta quando “entraram em seu quarto e deixaram um punhal em seu leito, para que ele soubesse que se quisessem o teriam executado” (Gonçalves e Reis, 2017, p. 24).
Não obstante a atuação desses grupos mais antigos, a ideia de terrorismo que concebemos hoje em dia, inclusive com a nomenclatura que conhecemos, começou a ganhar contornos mais definidos somente após a Revolução Francesa, quando a Convenção Nacional, frente à vitória contra o modelo absolutista, passou a adotar excessiva violência contra os defensores daquele derradeiro regime, que ainda resistiam aos ideais liberais. A França dos anos de 1793 e 1794, liderada por Robespierre e os jacobinos, ficou estigmatizada por um verdadeiro “Reinado de Terror” (régime de la terreur) com milhares de decapitações na guilhotina e uma forte onda de intolerância, que ostentava a ideia de que qualquer inimigo do Estado liberal deveria ser invariavelmente eliminado.
Foi somente nas últimas décadas do século XIX que, entretanto, o terrorismo passou a ganhar a notoriedade que lhe é peculiar. Com base nisso, entre diversos estudiosos do assunto destaca-se o cientista político norte-americano David Charles Rapoport que vislumbrou nos últimos cento e cinquenta anos de história a existência de quatro ondas do terrorismo internacional contemporâneo. Joanisval Brito Gonçalves e Marcus Vinícius Reis, em prolífico trabalho sobre o assunto, esclarecem que o uso do termo “onda” se deve para identificar “um ciclo de atividades em um determinado período – um ciclo caracterizado por fases de expansão e contração” (Gonçalves e Reis, 2017, p. 25-26):
Cada onda teria suas características e audiências próprias, distintas estratégias e táticas (modus operandi particular), simpatizantes e apoiadores, sendo marcadas, ainda, por organizações que predominam ou influenciam as demais (ainda que haja organizações e métodos que perpassam mais de uma onda). Sua duração tem sido de três ou quatro
décadas (uma geração, portanto), após o que iam esmaecendo para dar lugar a uma nova onda.
Assim, a primeira onda de terrorismo na concepção de Rapoport, chamada onda Anarquista (Anarquist Wave), inicia-se na década de 1880 e segue até a década de 1920, quando a segunda, a Onda Anticolonial (Anti-Colonial Wave) tem início. Já a terceira, chamada Onda da Nova Esquerda (New Left Wave), ou o Terrorismo Vermelho, começa nos anos 60 do século XX e vai até o final da década de 1970, uma vez que, em 1979, tem início a quarta onda, chamada de Onda Religiosa (Religious Wave), a qual chegaria a nossos dias e deveria continuar até aproximadamente 2025.
O nome de cada onda reflete as suas características predominantes, porém, é possível identificar que sobressaem alguns elementos comuns de maneira transversal a cada uma delas – Onda Anarquista, Onda Anticolonial, Onda da Nova Esquerda e Onda Religiosa –, tais como o nacionalismo, a fundamentação doutrinária, o recurso à tecnologia, e a ideia de revolução.
Quando se estuda o tema, um outro ponto que precisa ser elucidado é a definição de quais são os elementos essenciais que balizam o conceito de terrorismo. Seja em decorrência de nacionalismos, condução de política externa, questões religiosas, conflitos separatistas, crises sociais e econômicas, fato indiscutível é que o terrorismo tem contribuído pelo mundo afora para um número cada vez maior de mortos e feridos, além de tantos outros problemas de saúde causados pelo pânico e medo impostos aos grupos sociais que a organização terrorista busca afetar. Obviamente o custo para a sociedade extrapola o cálculo das perdas de vidas nos atentados, alcançando uma série de outros aspectos, tais como “a elevação do preço do seguro de áreas e instalações, doenças psicológicas, faltas ao trabalho, medo, histeria, sem falar em duas guerras derivadas diretamente dos atos de terror” (Gonçalves e Reis, 2017, p. 2).
No caso da aviação civil, o terrorismo tem potencial para colocar em xeque o próprio desenvolvimento econômico do modal, tendo-se em conta a majoração do que já é bastante comum entre muitos usuários do transporte aéreo: o medo de voar. O passageiro aéreo, em particular, é bastante afetado quando se vê diante de quaisquer eventos que coloquem em risco a segurança das operações aéreas e aeroportuárias, em especial diante daqueles cometidos com a intenção declarada de causar danos e mortes. Além disso, por ser marcado por grande assimetria de informação entre consumidor e fornecedor de serviços, o transporte aéreo precisa sempre transparecer o mais seguro e confiável possível para garantir que a demanda pelo modal não seja prejudicada por atos de terrorismo ou sabotagem, requerendo, por esta razão, uma robusta estrutura de regulação concernente à aviation security, bem como um efetivo aparato de inteligência voltado para a identificação de ameaças.
O Minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa aponta dois conceitos para o termo terrorismo: "1. Sistema de governo por meio de terror ou de medidas violentas; 2. conjunto de atos subversivos, violentos e intimidadores, sobretudo de cunho político".
Gonçalves recorda que a expressão terrorismo é derivada do latim terrere e significa "amedrontar, assustar, causar pânico". Nesse sentido, terrorismo diz respeito não a uma lógica de ação, mas sim a um método de ação, sendo que um de seus elementos principais é justamente o "uso da violência com o fim de pressionar governos ou organizações a agirem de acordo com os interesses dos terroristas” (Gonçalves e Reis, 2017, p. 7).
Outro aspecto importante é que há, na maioria das vezes, uma racionalidade por trás da sordidez dos atos terroristas. Alguns estudiosos do tema, tal como Jürgen Brauer em On the economics of terrorismo, afirmam que o terrorismo não é um “crime de paixão”, em que pese a excessiva violência indiscriminada cometida contra inocentes. Pelo contrário, há uma lógica que envolve o planejamento de cada passo a ser dado e, inclusive, com estudo de custo- benefício dos atos a serem cometidos, tendo-se em conta os objetivos almejados pela organização.
Em referência a Bruce Hoffman, Joanisval Brito Gonçalves (2017, p. 13) aponta ao menos quatro elementos essenciais que costumam aparecer nas diferentes definições de terrorismo: (i) predominância de objetivos políticos; (ii) atos ilegais violentos ou ameaças ilegais violentas; (iii) ações conduzidas com o objetivo de produzir efeitos que extrapolem aqueles sobre as vítimas, com repercussões gerais; e (iv) ações, em geral, conduzidas por organizações não estatais ou grupos subnacionais, salvo quando patrocinadas pelo próprio Estado, quando conduzidas por agentes públicos ou mediante orientação destes. Aquele autor elenca também algumas razões para o surgimento do fenômeno nos dias atuais (Gonçalves e Reis, 2017, p. 14):
a) Aparição de inúmeros conflitos étnicos, religiosos e ideológicos em razão da globalização e aproximação entre os povos do mundo;
b) Surgimento de novos governos pelo mundo com economias fracas, transformando-se em Estados falidos que não atendem a requisitos mínimos de seus cidadãos;
c) Estratégia global, em que algumas nações patrocinam ou fomentam organizações terroristas com o intuito de realizar parte da política externa;
d) Desenvolvimento de novas tecnologias e redução de custos (transportes, comunicações, informática);
e) Criação de novas armas, com grande poder de destruição e acessíveis a grupos criminosos; e
f) Pulverização de novas ideologias, especialmente as religiosas radicais que pregam a homogeneização da sociedade mundial.
Com fulcro em todos esses aspectos, Gonçalves e Reis (2017, p. 15) conceituam o terrorismo do século XXI como “um método de ação, uma tática ou um estratagema planejado e perpetrado por organizações estruturadas, ou por elementos simpáticos à causa e guiados ideologicamente, com o efetivo uso ou ameaça de uso da violência contra pessoas e bens, em sua maioria civis, no sentido de coagir sociedades e Estados a cederem a determinados objetivos políticos (ideológicos, religiosos, sociais, corporativos, entre outros)”.
De toda sorte, tamanha é a polêmica que cerca o termo que nem mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a um consenso a respeito de sua definição. A Resolução nº 49/60, da Assembleia Geral, adotada em 9 de dezembro de 1994, intitulada "Medidas para Eliminar o Terrorismo Internacional" dispõe de uma cláusula que estabelece o seguinte: refere- se a "atos criminosos, intencionados ou calculados para provocar um estado de terror no público em geral, em um grupo de pessoas ou em indivíduos em particular com propósitos políticos, não são justificáveis em nenhuma circunstância, quaisquer que sejam as considerações políticas, filosóficas, raciais, étnicas, religiosas ou de outra natureza que possam ser invocadas para justificá-los".
Por seu turno, o Conselho de Segurança da ONU, através da Resolução nº 1.566 (2004), refere-se a "atos criminosos, incluindo aqueles contra civis, cometidos com o objetivo de causar morte ou lesões corporais graves, bem como tomada de reféns, com o propósito particular de provocar um estado de terror no público em geral ou em um grupo de pessoas ou em indivíduos específicos, intimidar a população, ou compelir um governo ou organização internacional a fazer ou se abster de fazer alguma coisa". Em ambas as percepções da ONU – por parte da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança – é possível notar como característica do fenômeno o uso da violência com o propósito de “dar um recado”: intimidar a população ou compelir autoridades ou organizações a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.
No Brasil, reconhecendo a existência da ameaça terrorista, mas passando ao largo de conceituá-la, a Constituição Federal de 1988 faz menção ao terrorismo em duas oportunidades distintas: quando trata dos princípios fundamentais e quando trata dos direitos e garantias fundamentais. No artigo 4º, inciso VIII, prescreve-se que a República Federativa do Brasil é regida nas suas relações internacionais, entre outros princípios, pelo repúdio ao terrorismo, enquanto no artigo 5º, inciso XLIII, entre os direitos e garantias fundamentais, declara-se que “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia [...] o terrorismo e os
definidos com crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem” (BRASIL, 1988).
Somente quase trinta anos depois da promulgação da nossa Carta Política, em 2016, na iminência da realização dos Jogos Olímpicos a serem sediados pelo Rio de Janeiro, foi publicada a primeira lei específica para tratar do tema no Brasil: a Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016, conhecida como Lei Antiterrorismo. Para essa lei, terrorismo é a prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos no artigo 2º, por razões de “xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública” (BRASIL, 2016). Eis a íntegra do § 1º do artigo 2º da lei:
§ 1º São atos de terrorismo:
I - usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa;
II – (VETADO); III - (VETADO);
IV - sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça a pessoa ou servindo-se de mecanismos cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de geração ou transmissão de energia, instalações militares, instalações de exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições bancárias e sua rede de atendimento;
V - atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos, além das sanções correspondentes à ameaça ou à violência.
Uma crítica que não se pode deixar de ser feita quanto ao conceito trazido pela legislação nacional é que se abstraiu do tipo penal justamente um dos principais elementos do terrorismo, que inclusive é objeto de consenso entre os especialistas no tema: a motivação política. No caso, houve no processo legislativo, especificamente na fase de sanção ou veto do projeto de lei, resistência devido a questões ideológicas, sobretudo quanto a possível criminalização de movimentos sociais que, por vezes, empregam violência análoga à empregada em atos terroristas. A título de conhecimento, cabe apontar o teor original dos incisos II e III, que foram vetados pela então Presidente da República Dilma Roussef: “II – incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado; III – interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática ou bancos de dados”.
Nas razões do veto presidencial destacou-se que “os dispositivos apresentam definições excessivamente amplas e imprecisas, com diferentes potenciais ofensivos, cominando, contudo,
em penas idênticas, em violação ao princípio da proporcionalidade e da taxatividade” (PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2016). Entendo que os termos “depredar”, “saquear”, “interferir” e “danificar” talvez sejam genéricos ou imprecisos demais para tipificar atos terroristas, no entanto, com a devida licença, as demais condutas caracterizadas por “incendiar”, “destruir” ou “explodir” meios de transporte ou qualquer bem público ou privado, bem como