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2. MATERIAL E MÉTODOS

2.4. Teste da libido em curral

Foram utilizadas quatro vacas em estro induzido (Sincrocio. Laboratórios Ouro Fino) ou natural, duas contidas por laços em volta do chifre e amarradas na cerca do curral, e duas vacas soltas, situadas em uma única manga do curral. Posteriormente, os touros foram testados individualmente por período de três horas, e analisados de acordo com sua performance a cada cinco minutos. Para a classificação da libido, adotou-se a tabela proposta pelo Colégio Brasileiro de Reprodução Animal – CBRA (1998), como se segue: Tabela 1 – Classificação da libido de touros zebuínos, segundo CBRA (1998)

Pontuação Atitude(s) 0 sem interesse sexual;

1 identificação da fêmea em cio (olfação com reflexo de Flehmen); 2 Olfação e perseguição insistente;

3 tentativa de monta sem salto, com mugido, deslocamento e masturbação; 4 tentativa de monta, sem salto, com pênis exposto;

5 tentativa de monta, com salto, com pênis exposto;

6 duas ou mais tentativas de monta, com salto, sem pênis exposto; 7 tentativas de montas com salto, pênis exposto sem introdução;

8 duas ou mais tentativas de monta com salto e pênis exposto sem introdução;

9 monta com serviço completo;

10 duas ou mais montas com serviços completos;

Fonte: PINEDA et al. (1997a).

Com base no escore da tabela, alcançado pelos touros, os mesmos foram classificados da seguinte forma: 0 a 3 - questionável; 4 a 6 - bom; 7 a 8 - muito bom; 9 a 10 - excelente ou superior.

2.5. Observação a campo

Dos 13 touros utilizados, 9 foram testados individualmente a campo, distribuídos em piquetes, com proporção touro/vaca adotada pela Fazenda Mundo Novo (1:33), sendo que, a partir do início do estro natural de uma fêmea, foi registrado todo o comportamento do touro perante esta, por período de 13 h (das 6 h às 19 h), feito por um observador a cavalo, com binóculo, a uma distância segura (50 – 100m), de modo que não interferisse no comportamento dos animais.

Os eventos realizados pelos touros foram reunidos de hora em hora e registrados ao final das 13 horas, para analisar o comportamento dos mesmos, em relação ao teste realizado em curral.

2.6. Estação de monta

Foi adotada uma estação de monta de 120 dias, e, para efeito de estudo, a mesma foi dividida em períodos cíclicos de 21 dias, em que os touros integraram lotes mais ou menos homogêneos, de acordo com as características raciais e com o peso das novilhas de aproximadamente dois anos, sendo testados individualmente na proporção touro:novilha de 1:33 (pré- estabelecida pela fazenda, para não alterar o manejo). Ao final dos 21 dias, os mesmos foram separados das fêmeas, por 10 dias, quando, então, foram reintroduzidos ao grupo até o final da estação. Aos 43o, 54o e 75o dia de estação foram efetuados os diagnósticos de gestação por meio de ultra-som. Ao final da estação, o diagnóstico de gestação foi efetuado por meio de palpação pela via trans-retal pelo veterinário da fazenda.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Inicialmente, foi detectado um problema, ainda não-relatado por outros autores (GALVANI, 1998; PINEDA et al., 1997a) referente aos troncos de contenção, considerados pelos citados autores como apropriados, e, neste estudo, em nenhum momento, facilitaram o teste, pois, além de causar ferimentos nas vacas contidas (nos membros anteriores e posteriores, chifres, cabeça, além de prostração), também ocasionavam um ambiente mais estranho para os touros que ficavam cheirando e lambendo os troncos, provavelmente sentindo o cheiro do touro que participara anteriormente do teste. Tentando contornar esse problema, as vacas foram presas apenas por uma corda, passada em torno dos chifres, e amarrada junto à cerca do curral. Para tentar diminuir o estresse dos touros no curral, os mesmos foram trazidos somente no momento do teste.

Com respeito aos touros, quando esses entraram em contato com as vacas em estro, tinham o comportamento inicial de cheirar e lamber a vulva (CV), assim como o corpo (CC), seguido de reflexo de Flehmen (RF). Posteriormente a essa investigação inicial, os animais tinham um comportamento de reconhecimento do local, cheirando e lambendo tábuas do curral, cheirando o chão, às vezes tendo reflexo de Flehmen sem cheirar e, ou, lamber vulva das vacas em estro. E na maioria dos touros analisados, foi observado um provável ato de demarcação de território, feito por meio de ato de micção por mais ou menos um minuto.

Todos os animais manifestaram algum interesse pela fêmea no início do teste. Observou-se ainda que dois touros deitaram durante o teste, demonstrando tranqüilidade. Porém, esses achados induzem a pensar que o ambiente pode ter sido responsável pelos maus resultados encontrados nos touros nestes testes da libido, realizados segundo as normas do CBRA (1998), se considerado o tempo preconizado de 10 minutos de observação. Porém, após o período de três horas, os sinais fisiológicos do comportamento sexual foram considerados bastante satisfatórios (Tabela 3).

Há ainda fatos curiosos sobre o comportamento dos zebuínos, particularmente da raça Nelore, como o de algumas fêmeas que estavam soltas, de abordarem o touro, não permitindo que este pudesse fazer uma investigação detalhada das outras fêmeas em estro. O comportamento era exercido até que o touro realizasse um serviço completo sobre esta fêmea que o cercava. Esse comportamento das fêmeas era exercido tanto no curral quanto no campo, embora no campo ficasse mais evidente esse tipo de manifestação.

Outro ato que se deve destacar é a “preferência” dos touros em continuar montando a fêmea do primeiro serviço completo. Somente após alguns minutos demonstraram interesse em montar as outras fêmeas presentes no teste. Não foi notada nenhuma preferência por fêmeas contidas ou soltas.

Pelos achados relatados anteriormente, recomenda-se que se deve estudar novas modificações, para se testar animais zebuínos ou azebuados, sendo que o local têm de ser mudado, podendo ser em um piquete, para se tentar amenizar o efeito do ambiente de curral, onde a própria rotina de entrada e saída de animais provavelmente deixa algum cheiro destes e, dessa forma, inibiu os animais analisados, condição também relatada por CRUDELI (1990) que cita que os animais, pelo fato de estarem no curral, já se sentem numa condição de estresse.

Outras recomendações propostas seriam a de contenção das fêmeas em estro por meio apenas de cordas nos chifres ou cabrestos e a de aumentar o tempo do teste, sendo necessário um tempo maior para que esses animais se adaptassem ao ambiente, e então fosse possível demonstrar qual seria o seu potencial frente as fêmeas em estro.

As freqüências médias dos eventos relacionados ao comportamento sexual dos touros, durante os testes da libido em curral, estão sumarizadas na Tabela 2, na Figura 1 e nos Anexos 1B, 2B e 3B. Observa-se que na primeira hora de teste, houve maior número de CC, CV e RF que diminuiu nas duas horas posteriores, estabilizando-se num patamar, podendo ser um indicativo de que, inicialmente, o touro identifica o status reprodutivo da fêmea por meio desses três eventos. Posteriormente, já tendo identificado aquelas em estro, testa a sua receptividade, que é demonstrada por um maior número de RM na segunda e na terceira horas.

Vale ressaltar que nenhum dos animais realizou serviço completo durante o tempo de teste preconizado pelo CBRA (1998), sendo que o animal que o realizou em menor tempo, o fez com 17 minutos.

Tabela 2 – Freqüências médias dos eventos relacionados ao comportamento sexual durante os testes da libido feitos em curral, em touros Nelore, linhagem Lemgruber, por três horas, Fazenda Mundo Novo, Brotas – SP Tempo* CC CV RF RM EP TM MSEP MA PC AF SC FF 0 – 1 19 39,56 28,78 15,22 7,56 1,67 0 1,22 0,33 3 0,44 1,11 1 – 2 12,67 18,67 10 24,67 10 1,11 0 0,78 0,44 2,11 1,44 1,11 2 – 3 12 19,1 8,22 26,11 9,33 1,67 0,11 0,78 0,67 2,22 0,89 1,44 Total 43,67 77,33 47 66 26,89 4,44 0,11 2,78 1,44 7,33 2,78 3,56 *em Horas. Legenda:

CC – cheirada e, ou, lambida de corpo MSEP – Monta sem exposição de pênis CV – cheirada e, ou, lambida de vulva MA – Monta abortada

RF – Reflexo de Flehmen PC – Pressão no cupim

RM – Reflexo de monta AF – Acompanhamento de fêmeas EP – Exposição de pênis SC – Serviço completo

TM – Tentativa de monta FF – Frente a frente

As freqüências de eventos relacionados ao comportamento sexual a campo variaram entre os touros. A média desses eventos está listada na Tabela 3. O comportamento inicial de reconhecimento da fêmea em estro, por parte do touro, está relacionado com cheirada e, ou, lambida de vulva (CV),

cheirada e, ou, lambida de corpo (CC), seguido de reflexo de Flehmen (RF), conforme descrito por SANTOS et al. (1999). Outra forma de se testar a receptividade da fêmea foi o reflexo de monta (RM) seguido ou não por excitação do touro, que se manifesta pela exposição de pênis (EP). Além disso, poucas tentativas de monta (TM) e monta abortada (MA) podem ser indicativos de se poupar energia por parte dos touros, conforme descrito por COSTA e SILVA et al. (1999), já que o reflexo de monta ajuda a identificar as fêmeas em estro. Ressalta-se ainda que os touros realizaram poucos serviços completos (SC) durante o dia, indicando, talvez, comportamento noturno por parte de alguns, já que quatro touros (1, 2, 4 e 7), correspondendo a 44,44% dos animais não efetuaram nenhum serviço completo durante as 13 h de observação (6 às 19 h).

Observa-se ainda que, entre 6 e 7 h, os comportamentos mais freqüentes foram CV e RF. Das 7 às 8 h, ocorreram mais RM e CV. No horário de 8 às 9 h, continuou ocorrendo mais RM, seguido por EP. Na hora seguinte, o observado de maior freqüência foi o RM. Quando se compara esses achados com os encontrados no curral, vê-se que há uma semelhança no comportamento inicial dos touros, que é manifestado por um maior número de eventos relacionados ao reconhecimento das fêmeas que se encontram em estro (CV, RF) e seguidos de eventos relacionados a testar a receptividade da fêmea em estro (RM, EP). Observou-se então que, mesmo no campo, os animais precisaram de tempo para reconhecer fêmeas em estro. Entre 10 e 11 h, os sinais foram em geral baixos. Já, no horário posterior, ocorreram as maiores médias de CC, CV, RF e AF, com aumento também de RM, comparando com a hora anterior. No horário das 12 às 13 h, observou-se o mesmo número de RM, porém com queda nos outros eventos. Entre 13 e 14 h, aumentou-se RM, seguido também por aumento EP, sendo que entre 14 e 15 h ocorreu o maior índice de RM do dia. Dessa forma, relatou-se que, nas horas mais quentes do dia (11 às 15 h), registrou-se maior número de CC, CV, RF, RM, EP, MA, AF e TM, que nas horas frias (6 às 11 e 15 às 19 h), quando ocorreu um maior número de MSEP e SC, indicando, dessa forma, não haver um horário pré-definido do dia para o animal investigar a conduta sexual e a cópula.

No final do dia, observando-se os animais no campo, observou-se que há um maior número de RM, EP e CV, porém, proporcionalmente, há maior índice de RM, EP e há aumento absoluto no número de CV no curral.

Legenda

CC – cheirada e, ou, lambida de corpo MSEP – Monta sem exposição de pênis CV – cheirada e, ou, lambida de vulva MA – Monta abortada

RF – Reflexo de Flehmen PC – Pressão no cupim

RM – Reflexo de monta AF – Acompanhamento de fêmeas EP – Exposição de pênis SC – Serviço completo

TM – Tentativa de monta FF – Frente a frente

Figura 1 – Freqüência média dos eventos realizados por touros da raça Nelore durante teste da libido em curral por três horas.

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 CC CV RF RM EP TM MSEP M A PC AF SC FF Eventos Número 1ª Hora 2ª Hora 3ª Hora

Tabela 3 – Freqüências médias dos eventos relacionados ao comportamento sexual durante observação à campo por 13 horas, realizados por touros da raça Nelore, linhagem Lemgruber, Fazenda Mundo Novo, Brotas – SP Horas* CC CV RF RM EP TM MSEP MA PC AF SC FF 6 - 7 1,67 3,78 2,67 1,11 0,22 0,00 0,00 0,00 0,11 1,33 0,00 0,22 ** (0 - 6) (1 - 7) (0 - 7) (0 - 4) (0 - 1) (0) (0) (0) (0 - 1) (0 - 4) (0) (0 - 2) 7 – 8 1,78 4,33 2,67 8,11 2,67 0,56 0,00 0,11 0,22 2,56 0,00 0,56 ** (0 - 4) (0 - 12) (0 - 9) (0 - 34) (0 - 20) (0 - 5) (0) (0 - 1) (0 - 1) (0 - 4) (0) (0 - 2) 8 - 9 1,11 3,00 1,67 6,78 4,22 0,78 0,00 0,67 0,11 1,56 0,11 0,56 ** (0 - 4) (0 - 10) (0 - 8) (0 - 19) (0 - 20) (0 - 5) (0) (0 - 3) (0 - 1) (0 - 3) (0 - 1) (0 - 5) 9 – 10 1,33 2,56 1,00 6,00 2,56 0,56 0,00 0,22 0,11 1,56 0,22 0,67 ** (0 - 3) (1 - 4) (0 - 3) (0 - 21) (0 - 11) (0 - 4) (0) (0 - 2) (0 - 1) (0 - 4) (0 - 1) (0 - 3) 10 - 11 1,33 2,22 1,56 2,78 0,56 0,11 0,11 0,00 0,00 1,33 0,00 0,33 ** (0 - 6) (0 - 12) (0 - 11) (0 - 9) (0 - 3) (0 - 1) (0 - 1) (0) (0) (0 - 7) (0) (0 - 1) 11 - 12 2,33 5,22 3,00 6,00 2,11 0,44 0,00 0,00 0,00 4,00 0,00 0,56 ** (0 - 6) (0 - 10) (0 - 7) (0 - 32) (0 - 17) (0 - 3) (0) (0) (0) (1 – 9) (0) (0 - 2) 12 - 13 0,89 2,33 1,56 6,00 4,00 0,67 0,00 1,00 0,00 1,56 0,11 0,44 ** (0 - 3) (0 - 9) (0 - 7) (0 - 11) (0 - 14) (0 - 3) (0) (0 - 7) (0) (0 - 8) (0 - 1) (0 - 2) 13 - 14 1,00 2,44 1,00 8,67 5,78 1,22 0,00 0,33 0,11 2,11 0,11 0,33 ** (0 - 3) (0 - 10) (0 - 4) (0 - 30) (0 - 16) (0 - 5) (0) (0 - 2) (0 - 1) (0 - 7) (0 - 1) (0 - 2) 14 - 15 1,00 2,78 0,78 9,33 4,00 1,00 0,00 0,00 0,00 2,89 0,11 0,67 ** (0 - 3) (0 - 8) (0 - 2) (0 - 27) (0 - 19) (0 - 3) (0) (0) (0) (1 - 7) (0 - 1) (0 - 2) 15 - 16 1,11 1,89 0,67 7,11 3,33 0,56 0,00 0,11 0,11 2,33 0,33 0,67 ** (0 - 4) (0 - 6) (0 - 3) (0 - 24) (0 - 17) (0 - 4) (0) (0 - 1) (0 - 1) (0 - 5) (0 - 2) (0 - 4) 16 - 17 0,44 1,89 1,11 3,00 1,11 0,22 0,00 0,00 0,00 2,67 0,00 0,44 ** (0 - 3) (0 - 4) (0 - 3) (0 - 11) (0 - 9) (0 - 2) (0) (0) (0) (1 - 5) (0) (0 - 1) 17 - 18 0,11 0,89 0,56 5,78 5,00 0,67 0,00 0,33 0,00 1,56 0,11 0,11 ** (0 - 1) (0 - 4) (0 - 2) (0 - 29) (0 - 33) (0 - 5) (0) (0 - 1) (0) (0 - 6) (0 - 1) (0 - 1) 18 - 19 0,00 0,56 0,22 1,11 0,89 0,00 0,00 0,00 0,00 0,56 0,00 0,11 ** (0) (0 - 3) (0 - 2) (0 - 7) (0 - 7) (0) (0) (0) (0) (0 - 3) (0) (0 - 1) Total 14,11 33,89 18,44 71,78 36,44 6,78 0,11 2,78 0,78 26,00 1,11 5,67 ** (0 - 6) (0 - 12) (0 - 11) (0 - 34) (0 - 20) (0 - 5) (0 - 1) (0 - 7) (0 - 1) (0 - 9) (0 - 2) (0 - 5)

*do dia; ** Amplitude dos sinais fisiológicos.

Legenda

CC – cheirada e, ou, lambida de corpo MSEP – Monta sem exposição de pênis CV – cheirada e, ou, lambida de vulva MA – Monta abortada

RF – Reflexo de Flehmen PC – Pressão no cupim

RM – Reflexo de monta AF – Acompanhamento de fêmeas EP – Exposição de pênis SC – Serviço completo

4. CONCLUSÕES

As avaliações do comportamento sexual dos touros da raça Nelore (Bos taurus indicus) mostraram-se, em números absolutos, diferentes no campo e no curral, quanto a reconhecimento da fêmea em estro (CV, CC, AF e RF), receptividade dessa fêmea (FF, PC, RM) e acasalamento (EP, TM, MSEP, MA e SC).

CAPÍTULO 2

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E MORFOLÓGICAS DO SÊMEN, CIRCUNFERÊNCIA ESCROTAL E AVALIAÇÃO DO

COMPORTAMENTO SEXUAL EM DIFERENTES PERÍODOS DE TESTE DA LIBIDO E DO DESEMPENHO REPRODUTIVO DE

TOUROS DA RAÇA NELORE

(Bos taurus indicus) EM ESTAÇÃO DE MONTA

1. INTRODUÇÃO

Com o aumento da população, torna-se necessária a implementação de novas técnicas para aumentar a produção de alimentos, conseqüentemente as características reprodutivas têm papel relevante neste contexto. Uma das formas de se maximizar a reprodução seria a seleção de touros, por meio da avaliação do sêmen, medição do perímetro escrota, complementada pelo comportamento sexual dos touros, que pode ser estimado pela libido.

O perímetro escrotal (P.E.) é um parâmetro reprodutivo fácil de ser mensurado, e considerado bom indicador do potencial de produção espermática no processo de seleção de touros jovens em condições tropicais (Larreal et al. (1988) apud CRUDELI (1990); GALVANI, 1998; SANTOS, 1999), porém questionável em animais maduros (SMITH et al., 1981).

As biometrias testiculares em animais taurinos demonstraram ser superiores às dos zebuínos, mesmo criados em clima tropical, como demonstrou FRENEAU (1991).

Outro fato relevante é aquele que se refere às características de comprimento e largura testicular. Mies Filho et al. (1981) apud GUIMARÃES (1993), citaram alta correlação entre circunferência e peso testicular com o comprimento e a largura testicular (0,79 e 0,99), respectivamente. Da mesma forma, FRENEAU (1991) determinou correlações de 0,95 e 0,97; 0,93 e 0,96 para comprimento e largura testicular, respectivamente, em animais holandeses e mestiços. Assim, a circunferência escrotal, por si só, é suficiente para mostrar o desenvolvimento dos testículos, dispensando-se outras medidas biométricas como as de comprimento e largura testiculares (FRENEAU, 1991).

Para se avaliar a capacidade reprodutiva do touro, analisam-se os aspectos físicos e morfológicos do sêmen, aliados à biometria testicular.

NEVILLE et al. (1988) encontraram valores de correlação muito baixos, sendo 0,22, 0,09, 0,11 e 0,19, do perímetro escrotal, defeitos espermáticos primários, secundários e totais com a motilidade espermática progressiva, respectivamente.

Dada a alta herdabilidade da circunferência escrotal e baixa para as características seminais, torna-se mais viável uma seleção para circunferência escrotal. Porém, a libido não está correlacionada com características seminais ou com a circunferência escrotal, sendo importante analisar todas essas variáveis na avaliação de touros (CHENOWETH, 1983). Corroborando, BARBOSA (1987), trabalhando com reprodutores da raça Canchim e Nelore, não achou correlação significativa entre libido e C.E., demonstrando que o teste da libido deve ser feito como parte complementar na avaliação de touros. Soma-se a isso o fato de que a libido e a capacidade de serviço têm correlações baixas a negativas, com características físicas e morfológicas do sêmen (CHENOWETH, 1983; BARBOSA, 1987; FONSECA, 1996) mostrando que o teste da libido deve ser utilizado como avaliação complementar ao exame andrológico (COSTA e SILVA, 1994).

Porém, ACUÑA (1988) relata que touros inexperientes podem ser subavaliados quanto à capacidade de serviço; e PINEDA et al. (2000) relataram que o grande desafio ainda é identificar os touros de baixo

desempenho sexual em provas de curral. Dessa forma, torna-se necessário o desenvolvimento de uma metodologia própria de teste de habilidade de monta para os zebuínos, que permita a seleção de touros com alta eficiência reprodutiva (PINEDA e LEMOS, 1994).

Este estudo tem como objetivo: a) avaliar as características físicas e morfológicas do sêmen, a biometria testicular e a libido de touros da raça Nelore (Bos taurus indicus), verificando a relação entre os mesmos; b) determinar a eficiência do método de avaliação da libido realizado em curral, em comparação ao teste realizado a campo e relacioná-los à taxa de não- retorno ao estro, alcançada em estação de monta de 21 dias.

2. MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo foi desenvolvido na Fazenda Mundo Novo, de propriedade da Manah Agropastoril, localizada no município de Brotas, estado de São Paulo, no Km 110 da Rodovia SP225, com altitude média de 700m acima do nível do mar. A precipitação média é de 1.670mm, com cerca de 77% desta se concentrando durante seis meses, entre outubro e março. A temperatura média é de 24ºC, sendo a máxima de 32ºC e a mínima de 16ºC (Anexo 1A).

2.1. Animais de estudo

Foram utilizados treze touros da raça Nelore, linhagem Lemgruber, criados em regime de pastagem. Os reprodutores foram avaliados por meio de exame andrológico, tal como descrito nos itens 2.1, 2.2 e 2.3 do Capítulo 1.

2.2. Teste da libido em curral

Foram utilizadas quatro vacas em estro induzido (Sincrocio. Laboratórios Ouro Fino) ou natural, duas contidas por laços em volta do chifre e amarradas na cerca do curral, e duas vacas soltas, todas as fêmeas, durante os testes foram manejadas em uma única manga do curral. Posteriormente, os

touros foram testados, individualmente, por período de três horas, e analisados de acordo com sua performance, a cada cinco minutos. Para a classificação da libido, adotou-se a Tabela 1, Capítulo 1.

Com base no escore da tabela, alcançado pelos touros, os mesmos foram classificados da seguinte forma: 0 a 3 - questionável; 4 a 6 - bom; 7 a 8 - muito bom; 9 a 10 - excelente ou superior.

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