5 RESULTADOS DA PESQUISA
5.3 TESTE DAS HIPÓTESES
As hipóteses associadas ao modelo proposto neste trabalho (Figura 5 - Modelo proposto.) foram testadas por meio de análises de regressão linear simples (RLS) e múltipla (RLM), realizadas no software SPSS versão 21.
As premissas da RLM (linearidade, homocedasticidade, normalidade e independência dos erros) foram avaliadas por meio da inspeção dos diagramas dos resíduos. Avaliou-se também a presença de observações atípicas na amostra e a multicolinearidade. Não foram detectadas violações substanciais das referidas premissas ou multicolinearidade nas diversas análises realizadas. No entanto, em algumas delas, identificou-se observações atípicas, as quais foram removidas da amostra. Os resultados reportados a seguir refletem as análises conduzidas após a remoção dessas observações. Assim, eles podem ser considerados confiáveis tanto em relação à estimação dos coeficientes de regressão, quanto em relação aos testes estatísticos realizados.
Para avaliar a hipótese H1 do estudo, foi realizada uma análise de regressão linear simples, com intenção de deixar TI (IntDT) como variável dependente, e comprometimento com a
carreira (CompC) como variável independente. Os resultados indicam que CompC foi capaz
de explicar aproximadamente 28% da variação de IntDT na amostra (R2 = 0,28; p<0,001). Conforme descrito na hipótese H1, o comprometimento com a carreira em TI parece ter um impacto negativo e estatisticamente significante na intenção do profissional de TI de migrar para áreas de negócio (B = -0,59; p<0,001). Assim, obteve-se suporte empírico para H1.
VARIÁVEL COEFICIENTE ESTIMADO (B) INTERCEPTO 4,28*** COMPC -0,60*** R2 0,28*** * p<0,05; ** p<0,01; *** p<0,001 Tabela 24 - Resultados da regressão para IntDT
Para avaliar as hipótese H2, H3, H4 e H5, foi realizada uma análise de regressão linear múltipla, com dependência (Depen) como variável dependente, e metas compartilhadas (DepenM), benefícios mútuos (DepenB), integração por processos (DepenP), e integração
por informação (DepenI) como variáveis independentes. Os resultados sugerem que o
modelo foi capaz de explicar aproximadamente 73% da variação de Depen na amostra (R2 = 0,73; p<0,001). A percepção do profissional de TI do seu grau de dependência em relação à área de negócio considerada tende a ser positivamente influenciada pelo grau em que suas recompensas dependem da colaboração com tal área (B = 0,43; p<0,001), o nível de interdependência entre suas atividades e as da área (B = 0,29; p<0,05), e o quanto ele depende de informações providas pela área para realizar seu trabalho (B = 0,18; p<0,05). Assim, obteve-se suporte empírico para H3, H4 e H5. O coeficiente da variável DepenM não foi estatisticamente significante. Por conseguinte, deve-se rejeitar H2.
Variável Coeficiente estimado (B) Intercepto 1,13*** DepenM -0,07 DepenB 0,43*** DepenP 0,29* DepenI 0,18* R2 0,73*** * p<0,05; ** p<0,01; *** p<0,001 Tabela 25 - Resultados da regressão para Depen
As hipóteses H6, H7, H8, H9 e H10 foram avaliadas numa análise de regressão linear múltipla, com intenção de formar parcerias (IntFP) como variável dependente e dependência (Depen), extroversão (Extro), conhecimentos de negócio do profissional de TI (CNPTI),
intenção de deixar a área de TI (IntDTI), e confiança (Conf) como variáveis independentes.
Os resultados mostram que o modelo foi capaz de explicar aproximadamente 61% da variação de IntFP na amostra (R2 = 0,61; p<0,001). A intenção do profissional de TI de formar parcerias com a área de negócio parece ser positivamente influenciada por sua extroversão (B = 0,39; p<0,05) e seu nível de conhecimento de negócios (B = 0,62; p<0,01), conforme previsto em H7 e H8. Além disso, ao contrário do previsto, foram observados efeitos negativos e estatisticamente significantes para a intenção do profissional de TI de migrar para áreas de negócio (B = -0,23; p<0,05) e sua confiança em seu par na área de negócio (B = - 0,45; p<0,01). O efeito de Depen em IntFP não foi estatisticamente significante. Assim, embora as hipóteses H7 e H8 tenham sido corroboradas pelos resultados, os mesmos indicam que H6, H9 e H10 devem ser rejeitadas.
Variável Coeficiente estimado (B) Intercepto 2,78*** Depen -0,13 ExtroTI 0,39* CNTPI 0,62** IntDTI -0,23* Conf -0,45** R2 0,61*** * p<0,05; ** p<0,01; *** p<0,001 Tabela 26 - Resultados da regressão para IntFP
Para avaliar a hipótese H11 do estudo, foi realizada uma análise de regressão linear simples (modelo 1), com relação de parceria (Relpa) como variável dependente, e intenção de formar
previamente na pesquisa, cogitou-se se que tal resultado estaria relacionado à disponibilidade de recursos financeiros para a área de TI do respondente. Em outras palavras, é plausível que, mesmo quando os gestores de TI tivessem níveis mais altos de intenção de formação de parceria com outra área de negócio, a percepção da existência de parceria real por parte de seus pares seria baixa se a falta de recursos impedisse que os serviços de TI, por ele solicitados, fossem prestados. Assim, adicionou-se ao modelo, numa regressão linear múltipla hierárquica, a variável orçamento executado pela TI em 2013 (ExecTI) e o termo de interação desta última com a variável intenção de formação de parceria. Ambas as variáveis foram centralizadas previamente para reduzir a multicolinearidade. Os resultados indicam que o novo modelo foi capaz de explicar 15% da variação na relação de parceria (R2 = 0,15; p<0,05). Além disso, o termo de interação (IntFP*ExecTI) apresentou um efeito marginalmente estatisticamente significante e positivo (B = 5,29.10-8; p<0,10). Dado o tamanho reduzido da amostra, é provável que os valores da estatística de teste para este coeficiente tenham sido afetados, já que o desvio padrão correspondente seria maior. Assim, pode-se inferir que quanto maior for o orçamento executado pela TI, maior o impacto da intenção do profissional de TI de formar uma parceria na percepção do seu par da área de negócio da existência de uma efetiva relação de parceria. Dessa forma, embora não se tenha obtido suporte empírico para H11, confirmou-se, neste estudo, a hipótese recém-formulada.
Variável Coeficiente estimado (B) Modelo 1 Modelo 2 Intercepto 3,45*** 3,40*** IntFP 0,02 0,25 ExecTI - 1,44.10-8 IntFP*ExecTI - 5,29.10-8† R2 0,00 0,15 ΔR2 0,15* † p<0,10; * p<0,05; ** p<0,01; *** p<0,001 Tabela 27 - Resultados da regressão para RelPar
Por fim, para avaliar a hipótese H12 do estudo, foi realizada uma análise de regressão linear simples, com alinhamento operacional (AliOp) como variável dependente, e relação de
parceria (RelPar) como variável independente. Os resultados indicam que RelPar foi capaz de
explicar aproximadamente 34% da variação de AliOp na amostra (R2 = 0,34; p<0,001). Além disso, a relação de parceria teve um impacto positivo e estatisticamente significante no
alinhamento operacional (B = 0,53; p<0,001). Assim, obteve-se suporte empírico para H12.
Variável Coeficiente estimado (B)
Intercepto 1,33**
RelPar 0,53***
R2 0,34***
* p<0,05; ** p<0,01; *** p<0,001 Tabela 28 - Resultados da regressão para Aliop