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5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.3 Teste de Aplicabilidade do Modelo

A partir do teste de aplicabilidade foi possível verificar que o modelo é capaz de captar diferentes modos de gestão nos municípios. Os indicadores demonstraram características ideais de comportamento como validade, facilidade, agilidade, disponibilidade e discriminação.

O modelo foi aplicado pela pesquisadora o que permitiu uma observação do comportamento dos respondentes e a identificação de dificuldades no processo de coleta das informações, importantes para a correção e ajustes do mesmo. Uma observação importante foi de que os profissionais relacionavam a maioria das questões somente com a saúde bucal. Apesar do modelo apresentar a maioria das medidas voltadas para esta área as questões tratavam da inserção da saúde bucal nas atividades atribuídas às equipes da unidade de saúde e isso inclui todas as profissões. Além disso, havia medidas aplicadas à equipe como um todo e mesmo assim, os profissionais respondiam apenas ao que ocorria na saúde bucal demandando da entrevistadora a explicação da medida. Importante ressaltar que o modelo aqui proposto não é específico da saúde bucal. Os indicadores expressam características da integralidade em saúde e devem ser adotados por todas as categorias. A estratégia de aplicá-lo à saúde bucal funcionou enquanto proxy da equipe geral. Se a saúde bucal, que historicamente esteve desvinculada das demais categorias, realizar as ações conforme preconizado indica que a integralidade está assegurada. Diante disso ficou a impressão de que os dentistas de algumas unidades não se viam como integrantes de uma equipe multiprofissional o que reflete a não integralidade da atenção e reafirma a validade do modelo. No questionamento sobre a promoção da saúde isso ficou bem evidente. Alguns profissionais entendiam esta questão como um projeto somente da saúde bucal citando suas inserções nas escolas com atividades educativas e preventivas. Tal posição sugere que os profissionais entendem que a promoção da saúde pode ser feita somente pela saúde bucal sem envolvimento de outras profissões e até mesmo ficar restrita ao campo da saúde. As respostas equivocadas também podem ser advindas da não compreensão do conceito de promoção da saúde e geraram proposta de modificação do instrumento de coleta relatado adiante.

Nas questões em que a pesquisadora pôde perceber dificuldade de compreensão e que suscitaram esclarecimentos para sua resposta propõe-se alterações para aprimoramento do instrumento e para evitar incompreensões caso o modelo seja aplicado em avaliações futuras

(Apêndice F). As questões modificadas foram em relação ao indicador ‘Gestão participativa’ e ‘Continuidade’.

No indicador ‘Gestão participativa’ alguns profissionais questionavam se os conselhos locais de saúde em processo de implantação poderiam ser considerados. Desse modo coube a modificação da questão para evitar respostas incorretas. A questão inicial era: A unidade de saúde apresenta Colegiado Gestor ou

Conselho Local de Saúde? e foi modificada para: A unidade de saúde apresenta Colegiado Gestor ou Conselho Local de Saúde em

funcionamento? Já o indicador ‘Continuidade’, inicialmente, foi abordado a partir da questão: Na unidade de saúde o atendimento

odontológico é organizado na lógica do Tratamento Completado (TC)?

Essa questão foi interpretada por alguns profissionais de maneira equivocada, pois esses entendiam que ao oferecer um número de retornos mesmo que limitado isso seria correspondente a ideia de tratamento completado. Desse modo a questão passou a ser: Na unidade

de saúde o atendimento odontológico é organizado na lógica do Tratamento Completado, ou seja, o usuário tem retornos garantidos,

sem limitação de consultas até a completa resolução das suas necessidades?

Todas as medidas estavam disponíveis em todas as localidades onde foram buscadas. No nível central as informações foram disponibilizadas no momento da coleta e facilmente acessadas pelos coordenadores. O mesmo ocorreu quando da coleta nas Unidades de Saúde e com os dados secundários acessados pelo site do Datasus. Os respondentes dominavam a quase totalidade das respostas, exceto nos momentos de dificuldade de compreensão da pergunta por falta de domínio conceitual ou por confusão quanto ao foco de análise. Outro aspecto observado foi a rapidez com que os profissionais respondiam as questões. Isso leva a crer que os indicadores e as medidas propostas são acessíveis sendo, portanto um instrumento de fácil utilização pelas equipes de forma contínua.

Quanto à capacidade de discriminação, após a análise dos dados foi possível constatar que os indicadores apresentaram variação, exceto aqueles cuja não variação era um comportamento esperado ou que se tenha explicação local para o mesmo. Os resultados da avaliação de cada um dos municípios estão apresentados na figura 02. Nela á possível observar a classificação segundo indicadores, subdimensões, dimensões e gestão.

O indicador ‘gestão participativa’ apresentou valores baixos para todos os municípios evidenciando uma situação já esperada, pois

evidencia a pouca participação da saúde bucal nos espaços de gestão colegiada, mas que deve ser alcançada para assegurar a integralidade. Figura 02: Resultados do teste de aplicabilidade do modelo de

avaliação da integralidade na organização dos serviços de saúde dos municípios analisados.

MUNICÍPIO 1

MUNICÍPIO 3

MUNICÍPIO 4

No indicador ‘Apropriação do território’ uma das medidas teve seu comportamento quase zerado, pois se tratava de uma atividade pouco presente nos serviços. A presença de marcadores de saúde bucal

foi verificada em apenas uma das vinte e quatro unidades de saúde avaliadas. A inexistência de marcadores de saúde bucal na grande maioria das unidades foi consoante a observação feita pelos especialistas na oficina de consenso de que dificilmente seriam encontradas unidades de saúde que possuíssem essa informação. Apesar da constatação a medida foi mantida, pois os dados de saúde bucal traduzidos em marcadores poderiam ser utilizados como uma ferramenta no processo de reconhecimento do território e no planejamento das ações. A inexistência de marcadores de saúde bucal denota que os profissionais ainda não inseriram esta ação como uma prática dentro do seu cotidiano (GOES, MOYSÉS, 2012).

No indicador ‘Continuidade’ não houve variação no comportamento nos quatro municípios. A medida utilizada era referente ao número de consultas odontológicas especializadas. A base de dados consultada foi o SIA/SUS delimitando a busca pelos procedimentos compreendidos nos códigos relativos à saúde bucal (0307 - tratamentos odontológicos e 0414 - bucomaxilofacial). Foram desconsiderados os procedimentos, contidos nestes códigos, que possuíam uma interface com a atenção primária a fim de evitar super notificação. Ao analisar os dados secundários verificou-se um baixo número de procedimentos especializados registrados no sistema. Isso evidencia a falta de preenchimento dos registros por parte dos profissionais da saúde bucal, dificultando a utilização destas informações para avaliação dos serviços. Apesar dessa fragilidade a manutenção da medida foi assumida como forma de sensibilizar os gestores e profissionais quanto à importância dos registros de saúde bucal e seu potencial como elemento de avaliação.

O indicador ‘Disponibilidade’ também apresentou todos os valores zerados nos municípios. Tal comportamento já era esperado, pois a oferta de serviço odontológico nas unidades de pronto atendimento ou nas unidades com terceiro turno, ainda não é uma realidade na maioria dos municípios brasileiros, mas essencial para a integralidade.

Quanto ao indicador ‘ Atualização da informação’ todos os municípios avaliados apresentaram os dados do SIAB atualizados. Apesar do comportamento linear este indicador teve poder discriminatório, quando analisado o contexto estadual, pois expressa a condição desses municípios diferentemente de outros setenta e um em Santa Catarina que apresentaram pelo menos um mês sem preenchimento do banco. Isto representa que 24,25% dos municípios catarinenses não atualizam os dados continuamente. Esse resultado

fortalece a manutenção do indicador corroborando com os estudos de Berretta (2009) e Passos (2011) que também utilizaram essa medida.

No indicador ‘Ações de promoção e prevenção’ as notas para a medida relacionada à promoção foram baixas. A medida questionava quanto a realização de projeto de promoção da saúde e a grande maioria dos profissionais declarou a realização destas atividades. Porém, ao analisar a especificação da atividade, solicitada no instrumento de coleta para confirmar a afirmação, verificou-se que alguns cirurgiões dentistas citaram atividades preventivas de caráter odontológico como ações de promoção. Além disso, os profissionais freqüentemente associavam o conceito de promoção da saúde às práticas de educação em saúde esquecendo que esta, de forma isolada, é uma atividade de baixo impacto e sustentabilidade (KUSMA et al, 2012). Por isso o indicador e suas respectivas medidas foram mantidas propondo-se melhor explicação do conceito de promoção no instrumento de coleta.

Quanto ao indicador ‘Cobertura’ a medida foi de fácil obtenção, porém de difícil análise, pois em algumas unidades o número de dentistas era maior do que de médicos e enfermeiros. Isto se deu pelo fato dos dentistas trabalharem meio turno, diferente dos demais profissionais de turno integral. Neste sentido efetuou-se alteração na forma de coleta, a fim de facilitar a análise dos dados, no sentido de solicitar informação sobre a carga horária dos profissionais.

O indicador ‘Complexidade’ apresentou pouca variabilidade, pois investigava a presença de um serviço não obrigatório para todos os municípios. No entanto, um serviço de referência é desejável e a partir dos resultados, na maioria negativos, ficou evidente a fragilidade deste aspecto para garantir a integralidade nos serviços destes municípios. Este indicador apresenta capacidade de diferenciar uma gestão municipal preocupada com a integralidade dos serviços ofertados a população, tem linha de financiamento disponível e por isso foi mantido.

O detalhamento dos resultados da aplicação deste modelo está apresentado em quadros separados por município informando as notas de desempenho segundo medidas, indicadores, subdimensão, dimensão e gestão estão disponíveis nos Apêndices G, H, I e J ao final dessa dissertação.

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