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4 MATERIAL E MÉTODOS

5.3 Teste de reprodutibilidade

Na tabela 3, pode-se observar que a reprodutibilidade intra-examinador variou de bom a excelente, conforme a classificação de Cicchetti (1994).

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Tabela 1. Valores médios da porcentagem de acerto em função do tipo de monitor, iluminação, angulação e distanciamento

Distanciamento Monitor

Iluminância Baixa Iluminância Intermediária Iluminância Alta Ângulo horizontal de visão Ângulo horizontal de visão Ângulo horizontal de visão

90º 68,5º 45º 90º 68,5º 45º 90º 68,5º 45º

Justapostas

iMac 95,89 Aa 94,92 ABa 92,66 Ba 95,99 Aa 93,80 ABa 91,93 Ba 96,82 Aa* 96,09 #Aa 92,23 Ba

Dell 95,26 Aa 94,95 Aa 93,69 Aa 95,63 Aa 94,32 Aa 93,37 Aa 97,34 Aa* 90,89 #Aa 90,89 Ba

Barco 95,63 Aa 94,48 ABa 92,45 Ba 95,68 Aa 95,42 Aa 92,50 Ba 97,34 Aa* 96,15 #Aa 91,90 Ba

Separadas

iMac 95,52 Aa 94,43 ABa 91,20 Ba 95,05 Aa 93,80 ABa 90,21 Ba 96,72 Aa* 96,04 #Aa 92,81 Ba

Dell 93,65 Aa 95,00 Aa 93,63 Aa 93,81 Aa 93,46 Aa 93,46 Aa 97,19 Aa* 96,30 #Aa 92,81 Ba Barco 96,30 Aa 95,16 ABa 92,08 Ba 95,73 Aa 95,21 Aa 92,11 Ba 97,66 Aa* 96,15 #Aa 90,76 Ba Médias seguidas de letras distintas (maiúsculas na horizontal comparando angulação dentro de cada tipo de iluminação e minúsc ula na vertical comparando monitor dentro de cada distanciamento) diferem entre si (p≤0,05). *Difere da iluminância baixa e intermediária nas mesmas condições de angulação, monitor e distanciamento da imagem (p≤0,05). #Difere da iluminância intermediária nas mesmas condições de angulação, monitor e

distanciamento da imagem (p≤0,05). Não houve diferença significativa entre o distanciamento das imagens (p>0,05).

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Tabela 2. Valores médios do tempo (segundos) em função do tipo de monitor, iluminação, angulação e distanciamento.

Distanciamento Monitor

Iluminância Baixa Iluminância Intermediária Iluminância Alta Ângulo horizontal de visão Ângulo horizontal de visão Ângulo horizontal de visão

90º 68,5º 45º 90º 68,5º 45º 90º 68,5º 45º Justapostas iMac 23,34 Aa$ 20,41 Aa$ 23,13 Aa$ 21,67 Aa$ 21,49 Aa$ 21,28 Aa$ 21,94 Ab$ 21,69 Ab$ 22,50 Ab$ Dell 25,84 Aa$ 23,58 Aa$ 24,21 Aa$ 27,08 Aa$ 24,73 Aa$ 25,99 Aa$ 33,86 Aa#$ 29,14 Aa#$ 28,10 Aa#$ Barco 24,90 Aa$ 21,83 Aa$ 22,97 Aa$ 23,22 Aa$ 22,20 Aa$ 22,12 Aa$ 22,19 Ab$ 23,13 Ab$ 24,01 Ab$ Separadas iMac 27,98 Aa 25,11 Aa 27,77 Aa 29,68 Aa 28,60 Aa 28,01 Aa 25,86 Ab 26,45 Ab 25,86 Ab Dell 31,36 Aa 27,73 Aa 26,00 Aa 32,32 Aa 30,04 Aa 29,61 Aa 45,95 Aa# 32,18 Aa# 30,90 Aa# Barco 29,31 Aa 26,64 Aa 26,88 Aa 28,71 Aa 26,62 Aa 25,72 Aa 25,26 Ab 24,92 Ab 24,89 Ab Médias seguidas de letras distintas (maiúsculas na horizontal comparando angulação dentro de cada tipo de iluminação e minúscula na vertical comparando monitor dentro de cada distanciamento) diferem entre si (p≤0,05). $Difere das imagens separadas nas mesmas condições de monitor, iluminância e

angulação (p≤0,05). #Difere da baixa iluminância nas mesmas condições de angulação, monitor e distanciamento da imagem (p≤0,05).

Tabela 3. Índices de correlação intraclasse (ICC) e suas respectivas referências para cada avaliador com intervalo de confiança de 95%.

Avaliador ICC Referência Avaliador ICC Referência Avaliador ICC Referência

1 0,809 Excelente 5 0,879 Excelente 9 0,757 Excelente

2 0,918 Excelente 6 0,713 Boa 10 0,898 Excelente

3 0,620 Boa 7 0,782 Excelente 11 0,688 Boa

4 0,677 Boa 8 0,634 Boa 12 0,721 Boa

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6 DISCUSSÃO

A imagem radiográfica é resultante da sobreposição de todas as estruturas localizadas na trajetória dos raios X desde a sua origem até o receptor de imagem. O corpo humano é um complexo de tecidos que apresentam diferentes densidades radiográficas. Essas densidades variadas geralmente produzem fenômenos ilusórios que resultam de sombras sobrepostas, diferenças na densidade de fundo, formação de contornos subjetivos e efeitos reais como o efeito de paralaxe e materiais estranhos. Esses fenômenos ilusórios afetam diretamente na interpretação radiográfica. Eles produzem uma variedade de imagens que não correspondem ao real, que existem apenas no "olho da mente" e que, se não identificadas corretamente, podem ser interpretadas como processo patológico importante (Daffner, 1989).

Os dados do presente estudo mostraram uma variação nos resultados do ângulo horizontal de visão, em que os monitores Barco e iMac apresentaram diferença estatística entre as avaliações realizadas a 90° e 45° para todas as condições. Essa diferença ao se alterar o ângulo horizontal de visão pode ser indicativo de uma limitação da tecnologia IPS dos monitores na exibição dos tons de cinza, que deveriam amenizar a dependência do ângulo de visão como mencionado por Klement (1998). O monitor Dell apresentou uma diminuição na porcentagem de acerto na diferenciação dos tons de cinza apenas quando em 45° e sob alta iluminância. Faltam estudos na literatura científica que avaliem o ângulo horizontal de visão na interpretação radiográfica.

Quanto a avaliação dos monitores, nenhum dos três dispositivos utilizados neste estudo diferiu estatisticamente, podendo-se então utilizar qualquer desses monitores na interpretação de tonalidades de cinza, mesmo o monitor convencional possuindo menores requisitos quando comparado aos monitores médicos. Concordam com o presente estudo Kallio-Pulkkinen et al. (2015) e Kallio- Pulkkinen et al. (2016), que também afirmaram que monitores convencionais podem ser utilizados na prática odontológica sem comprometer o diagnóstico, assim como utilizado o monitor Dell na categoria de monitor convencional com configurações semelhantes a utilizada pelos autores. Também concordam com este estudo Ludlow

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e Abreu (1999) quando afirmaram que as telas de notebooks, monitor e filmes convencionais apresentam similaridade para interpretação radiográfica. De forma semelhante, Vasconcelos et al. (2016) e Hashem et al. (2015) também corroboram o presente estudo ao mostrar não haver diferença no uso de monitor convencional e tablet para a detecção de fratura radicular vertical e cáries. Também é observada concordância com os estudos de Isidor et al. (2009), que ao testarem monitores convencionais e médicos esses também não apresentaram diferença em seus resultados, semelhantemente a este estudo. Porém para Liukkonen et al. (2016), o uso de monitores convencionais só obtiveram boa sensibilidade e acurácia em seus estudo quando as avaliações eram feitas sob baixa iluminância. Isso pode ter ocorrido pelo fato de eles terem utilizado o monitor Fujitsu P23T-6 LED, que não faz uso de tecnologia antirreflexo embarcada, logo a baixa iluminância reduziria substancialmente a interferência no monitor.

Pode-se observar que houve um aumento da porcentagem de acerto quando as imagens foram avaliadas sob alta iluminância e com o ângulo horizontal de visão ajustado a 90°. Esse aumento pode ter sido resultado do fato de que o ângulo horizontal de visão de 90° proporciona menor distorção das áreas mais periféricas da tela do monitor. Isso é contraditório aos trabalhos de Hellén-Halme et al. (2007) e Hellén-Halme et al. (2008) pois afirmaram que regiões de mais radiolúcidas, como lesões de cárie, são mais facilmente discerníveis quando o nível de luz ambiente é reduzido para menos de 50 lux. Logo essa condição pode estar ligado às dimensões das regiões avaliadas nos estudos, pois uma região de lesão cariosa tem imagem substancialmente reduzida quando comparadas aos tamanhos das imagens deste estudo (aproximadamente 70 x 70 mm). O presente estudo, que utilizou 450 lx como alta iluminância, também discordou de Flynn e Badano (1999) e Chawla e Samei (2007) que afirmaram que o ideal é que uma sala esteja configurada entre 75 e 100 lx para melhor desempenho de monitores. Essa característica do presente estudo pode ser atribuída ao bom desempenho da elevada luminância dos monitores estudados que anulam parte da iluminação ambiente que poderia interferir no resultado da interpretação das imagens. Além disso, Flynn e Badano (1999) fizeram uso de monitores de CRT, que apresentam maiores níveis reflexividade em relação aos monitores de LCD. Outra ressalva para o aumento na porcentagem de acerto na condição acima citada pode estar ligado ao

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conforto ocular dos avaliadores, no tocante a fadiga visual, levando-se em conta que os níveis de luminância dos monitores são altos o suficientes para que a iluminância não cause interferência nas avaliações, logo, há concordância com Reiner et al., (1999), Haak et al., (2002) e Chawla e Samei (2007) que afirmam ser melhor a distinção de níveis de contraste quando os níveis e luminância e iluminância são similares.

Para a porcentagem de acerto das imagens justapostas e separadas, não se observa diferença estatística nas mesmas condições de monitor, angulação e iluminância. Para esse resultado, a distância utilizada entre as imagens pode não ter sido suficiente para provocar dúvida na diferenciação dos tons de cinza assim como o tamanho as quais foram projetadas em cada monitor elevando a taxa de acerto. Vale ressaltar também que todos os avaliadores selecionados para a interpretação das imagens deste estudo foram criteriosamente selecionados no sentido de estarem familiarizados com imagens radiográficas e não apresentarem alteração ocular degenerativa. Nesse caso, pode-se afirmar que também não ocorreram efeitos ilusórios em interpretação radiográfica como os exemplificados pôr Daffner (1989), nem os efeitos de degradação de imagem de Matsui (2012), considerando que o formato a qual os tons de cinza estavam dispostos na avaliação não produziram efeitos para causar diferença na avaliação do distanciamento.

Os dados mostram não haver diferença no tempo de avaliação nos diferentes monitores deste estudo para a iluminância baixa e intermediária, enquanto que sob alta iluminância observou-se que os avaliadores consumiram mais tempo para realizar a avaliação no monitor Dell. Isso provavelmente se deva a condições como a baixa luminância do monitor quando comparado aos outros, subentendendo- se então, que a baixa luz emitida pelo monitor Dell possa ter sido degradada pela luz do ambiente levando ao avaliador delongar sua avaliação. Essa degradação ocorre quando os feixes luminosos do ambiente tornam-se mais intenso que as emitidas pelo monitor, logo a informação visual projetada desde o monitor pode ter sofrido perdas até o sistema visual. Matsui (2012) mostra que há um aumento no intervalo de acomodação visual à medida que a imagem é degradada o que pode corroborar o aumento no tempo de avaliação. Vale ressaltar que o tempo gasto nas avaliações no monitor Dell sob baixa iluminância foi semelhante aos demais monitores. Esse comportamento pode estar relacionado ao fato de que, em baixa luminância, o

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monitor recebe menor interferência da luz ambiente, assim os níveis de degradação da imagem são minimizados e consequentemente o avaliador necessita de menor tempo para diferenciar os tons de cinza não diferindo dos demais monitores.

Quando comparados os resultados de avaliação realizada com imagens justapostas e separadas, os dados revelam haver aumento no consumo de tempo para avaliação das imagens separadas. O fato de as imagens estarem justapostas pode ter influenciado diretamente no resultado, uma vez que favorece a ocorrência do efeito Mach Band, que evidencia o contraste entre diferentes tons de cinza. Com esse efeito, o avaliador tem maior facilidade na identificação dos tons de cinza. Já as imagens separadas podem ter favorecido a ocorrência de um efeito inverso ao Mach Band, chamado de fenômeno de densidade de fundo. Segundo Daffner (1989), tal fenômeno dificulta o discernimento entre as tonalidade de cinza.

Novos trabalhos com a finalidade de promover novos dados voltados para a aplicação clínica são necessários, observando-se que este estudo tem sua base in-vitro.

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7 CONCLUSÕES

Em relação à diferenciação subjetiva de tons de cinza de imagens radiográficas, conclui-se:

1. O ângulo horizontal de visão de 90° apresentou melhor performance do que 45°;

2. Os três monitores estudados apresentaram resultados satisfatórios;

3. O uso de alta iluminância para os monitores iMac, Dell e Barco deve ser empregado com ângulo horizontal de visão de 90°;

4. O distanciamento entre os tons de cinza não apresentou influência;

5. O tempo de avaliação dispendido não alterou em função do ângulo horizontal de visão, tipo de monitor e iluminância, com exceção do monitor Dell que resultou em maior tempo sob alta iluminância. Ainda, o tempo de avaliação dispendido das imagens separadas foi maior do que das imagens justapostas.

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