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4. RESULTADOS

4.3 MOBILIDADE DA COLUNA VERTEBRAL

4.3.2 Teste de Schober

O teste de Schober realizado pré intervenções fisioterapêuticas, na avaliação inicial, apresentou uma variação de 4 cm. Na realização do teste na reavaliação a variação foi de 6 cm. O teste é considerado normal quando ocorre variação de cinco ou mais centímetros entre as medidas na posição ortostática e em flexão lombar máxima (EMILIANI; TANAKA, 2002).

Dessa forma, o resultado da avaliação inicial configura-se como mobilidade lombar diminuída, já o resultado da reavaliação é considerada dentro dos parâmetros normais de mobilidade lombar. O aumento desse valor sugere que houve uma melhora na mobilidade da coluna lombar após a realização do supracitado protocolo proposto no manejo fisioterapêutico da hérnia discal lombar através do Pilates.

O teste de Schober, apesar de ser utilizado em patologias reumáticas, pode ser aplicado no estudo da mobilidade da coluna lombar em pacientes com desordens ortopédicas, tornando assim a análise funcional quantitativa do movimento da coluna lombar, uma forma mais objetiva de avaliação (EMILIANI; TANAKA, 2002).

Para apontar o perfil da mobilidade lombar dos indivíduos com lombalgia tratados com terapia manual e cinesioterapia, o estudo utilizou o teste de Schober. Emiliani e Tanaka (2002, apud BRIGANÓ; MACEDO, 2005), e Brasil e Tanaka (2002, apud BRIGANÓ; MACEDO, 2005), afirmam ser ele uma das formas utilizadas para verificar a mobilidade da coluna lombar. O resultado encontrado no estudo mostra diferença de 1,54cm de mobilidade entre indivíduos assintomáticos e com lombalgia, e relata esta diferença como significativa quando foi comparado indivíduos com e sem lombalgia. Confirmando os resultados do presente estudo, Thomas et al., (1998, apud BRIGANÓ; MACEDO, 2005), apontam associações de restrição de mobilidade lombar e ocorrência de dor lombar.

A carência de flexibilidade da musculatura da região inferior da coluna lombar e posterior da coxa está associada ao risco aumentado para surgimento de dores lombares, das

quais 80% são causadas pelos níveis de flexibilidade articular reduzido (ROSA; LIMA, 2009). Cyrino et al., (2004, apud BERTOLLA, et al., 2007), salientam que níveis adequados de força muscular e flexibilidade são fundamentais para o bom funcionamento músculo- esquelético, contribuindo para a preservação de músculos e articulações saudáveis ao longo da vida, e que o declínio dos níveis de flexibilidade vai gradativamente dificultando a realização de diferentes tarefas cotidianas, levando, muitas vezes, à perda precoce da autonomia.

Porém alguns autores não concordam com esta afirmação, Darden (1990, apud ACHOUR, 2006), disse que o treinamento da flexibilidade teve um efeito placebo em relação a diminuição de 34 lesões, Mathews e Fox (1981, apud ACHOUR, 2006), disseram que se o indivíduo tem uma flexibilidade excessiva, ele pode comprometer a estabilidade do segmento a ser trabalhado, e com isso percebemos que existe controvérsia em relação a diminuição dos riscos de lesões em pessoas que praticam de alguma forma exercícios de flexibilidade, porém de acordo com uma pesquisa feita por Dantas (1998, apud ACHOUR, 2006), afirma-se que no treinamento de sedentários e atletas, o aumento da flexibilidade diminui os riscos de lesões em algumas articulações.

Vários estudos discutem as diferentes formas de alongamento, comparando sua eficácia. No método Pilates elas são realizadas concomitantemente (ativo, passivo, estático, dinâmico) e, provavelmente, seus efeitos se somam. O alongamento ativo aumenta a flexibilidade dos músculos encurtados enquanto, concomitantemente, melhora a função dos músculos antagonistas, resultando em trauma de tecido diminuído (COMUNELLO, 2011). No método Pilates observa-se que os exercícios são realizados dentro de uma máxima amplitude confortável (neste caso, o termo “confortável” está relacionado a uma percepção do flexionamento com um início de desconforto, porém em um nível suportável), e de acordo com Dantas (1998, apud ACHOUR, 2006), afirma que, para que se tenha um ganho da flexibilidade se faz necessário que os movimentos sejam executados no máximo de amplitude de movimento.

Para Lima (2002, apud CARVALHO, 2006), a realização dos exercícios do Método Pilates baseia-se na organização do corpo, a qual é iniciada pelo alongamento axial - recurso pelo qual o sujeito da amostra desenvolverá um sentido de crescimento através da idéia de afastamento do topo da cabeça e a ponta do cóccix, proporcionando um alongamento da cadeia muscular posterior. Este mecanismo favorece a abertura intra-articular vertebral e o alinhamento da coluna como um todo, possibilitando o ganho de um melhor e maior arco de movimento, diminuindo a rigidez o qual limita a flexibilidade, partindo do princípio que a

grande maioria das lombalgias está relacionada com a má distribuição de forças através do desequilíbrio das curvas, sobrecarregando o ponto de apoio na região lombar.

Outro estudo que também testou a eficácia do MP no ganho de flexibilidade de 20 praticantes do sexo feminino em 32 sessões do método, descreveu que na na primeira avaliação a classificação dos alunos de acordo com a idade estavam sendo classificados como “fracos”, e já na segunda avaliação após as 32 (trinta e duas) sessões, foram classificados como “bom”. E além desses dados, os alunos relataram uma aparente melhora na postura corporal. Portanto, a prática do MP é capaz de promover um ganho significativo da flexibilidade dos indivíduos após 32 sessões de treinamento e as principais explicações para isto é que o MP segue a metodologia de um trabalho dinâmico de flexibilidade (BARRA; ARAÚJO, 2007).

Constata-se, a partir dos resultados deste estudo e a partir dos resultados apontados nos estudos apresentados anteriormente, que o método Pilates parece ser uma ferramenta eficiente e segura para aprimoramento e ganho de flexibilidade em portadores de hérnia discal lombar que apresentam encurtamento da cadeia muscular posterior. O método Pilates se mostrou mais uma ferramenta disponível para a melhora da mobilidade articular visto que os parâmetros pós-intervenções deste estudo apresentaram diminuição dos ângulos mensurados e aumento dos valores métricos de mobilidade lombar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esse estudo evidenciou que o método Pilates se mostra como uma ferramenta eficiente no manejo terapêutico da hérnia discal lombar, tanto no alívio álgico, na prevenção de novas crises quanto na melhora da mobilidade lombar.

No que se refere ao quadro álgico, os resultados evidenciam a redução do nível de dor inicial e posterior manutenção da analgesia.

Sobre a mobilidade lombar, o teste do banco de Wells apresentou uma progressão do nível abaixo da média para acima da média. No teste de verificação de encurtamento dos músculos da cadeia posterior, os ângulos analisados (coxo-femoral e tíbio-társico) apresentaram redução de 9,28cm e 10,54cm, respectivamente, sugerindo a melhora da excursão funcional da cadeia muscular posterior. No teste de Schober, a comparação dos resultados da avalição inicial e da reavaliação indicam melhora da mobilidade lombar de diminuída para parâmetros normais.

Aliado a isso, as implicações na qualidade de vida do paciente ao final desse estudo foram relevantes, como a adoção de novos hábitos (posturais, laborais e cotidianos), sugerindo que os efeitos dessas intervenções também são úteis para a manutenção da postura corporal adequada, contribuindo para o arranjo harmonioso da mesma.

O método Pilates apresenta-se atualmente como mais uma ferramenta para o tratamento conservador das hérnias discais lombares dentro da Fisioterapia, visando também além do exposto acima evitar o uso de procedimentos cirúrgicos invasivos de tratamento.

Sugere-se que outros estudos sejam realizados com uma amostra maior de sujeitos para a aplicação do protocolo desse estudo. E ainda, que seja investigado as possíveis causas da diferença entre os ganhos nos ângulos articulares mensurados e um controle do protocolo de avaliação, com intuito de garantir benefícios mais específicos e melhor evolução clínica para portadores de hérnias discais lombares.

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ANEXO A – FICHA DE AVALIAÇÃO I - IDENTIFICAÇÃO

Nome: _____________________________ Data da avaliação: ______ Idade: ____ Anos Sexo ( ) Fem Estado ( ) Solteiro ( ) Divorciado Civil: ( ) Casado ( ) Amasiado ( ) Viúvo

Escolaridade: ( ) 1º Grau ( ) 2º Grau ( ) Superior

Local de trabalho: _______________ Horário de trabalho: _________ Ocupação atual: ______________________________________ Ocupações pregressas: __________________________________ Peso aproximado: ________Kg Altura aproximada: ________m Dominância: ( ) Direita ( ) Esquerda ( ) Ambidestro

II - HISTÓRIA DE SAÚDE

1. ASPECTOS OS POSTURAIS E ERGONÔMICOS Travesseiro: ( ) Baixo ( ) Alto

( ) Médio ( ) Não usa

Posição no trabalho: ( )Sentada ( )Ortostática ( )Sem posição fixa ( )Outra: _______________

Tipo de atividades no trabalho: _____________________________ Prática de atividade física: ( ) Sim ( ) Não

Tipo: __________________ Frequência: _________________ III - SINAIS E SINTOMAS ESPECÍFICOS

1. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS DORES

Horário: ( ) Matutina ( ) Vespertina ( ) Noturna ( ) Sem horário fixo Data de início do episódio atual: Início: ( ) Súbita ( ) Gradual É o primeiro o e episódio? ( ) Sim ( ) Não

Especifique o número de episódios anteriores: ____________________________________ Data de início do primeiro episódio: ___/___/___

Estágio:

( )Aguda (duração de 1-4 semanas) ( )Subaguda (duração de 5-12 semanas) ( )Crônica (duração de mais de 12 semanas) ( )Crônica com exacerbação aguda Fatores de piora

( ) Esforço físico prolongado ( ) Repouso ( ) Posição em pé

( ) Posição sentada ( ) Deambulação ( ) Tensão Emocional ( ) Esporte ( ) Movimento ( ) Outro Especifique: _______

Fatores que aliviam

( )Repouso ( )Calor local ( )Fisioterapia ( )Medicação ( )Movimento ( ) Exercício/alongamento

( )Outro Especifique: _______ Recente história de trauma

( ) Queda Especifique: ________________________

( ) Acidente com veículo Especifique: ________________________ ( ) Outro Especifique: _________________________

Fatores associados ( )Rigidez matinal ( )Fraqueza muscular

( )Parestesia ( )MSD ( )MID (acima joelho) ( ) MIE (acima joelho) ( ) MSE ( ) MID (abaixo joelho) ( ) MIE (abaixo joelho)

Tratamento anterior: ( ) Não ( ) Sim ( ) Clínico ( ) Fisioterapia ( ) Cirúrgia ( ) Outro Especifique: ________________

Dor à palpação de processos espinhosos: ______________________ Alterações tônus muscular: _____________________________ 2. MANOBRAS ESPECIAIS

Sinal de Lasègue

( ) Negativo ( ) Positivo ( ) Duvidoso Teste elevação da perna reta ( ) Negativo ( ) Positivo ( ) Duvidoso Teste de Shober

( ) Negativo ( ) Positivo ( ) Duvidoso Teste de retração de cadeia posterior Ângulo tíbio-társico

Ângulo coxo femural Escala análoga da dor.

APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA - CEP UNISUL [email protected], (48) 3279.1036

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESLCARECIDO (TCLE)

Você está sendo convidado (a) para participar, como vo1untário (a), em uma pesquisa que tem como título “Efeitos da prática de Pilates na hérnia discal lombar”. A pesquisa tem como objetivo analisar os efeitos da intervenção fisioterapêutica com base no método Pilates

No documento Efeitos do pilates na hérnia discal lombar (páginas 43-68)

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