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Adicionalmente aos resultados apresentados, foi efectuado um teste de robustez com o objetivo de testar a evidência obtida.

Este teste consistiu na exclusão das observações que excedam a médias mais três desvios padrão e voltar a efetuar as regressões para cada um dos anos e para cada CAE. Assim obtivemos os seguintes resultados:

A tabela 13 apresenta os resultados da estimação do modelo de regressão 1 (CAE 42 2011 – Teste Robustez).

38 Tabela 13 – Estatísticas da Regressão do modelo 1 CAE 42 2011 – Teste Robustez

Variáveis Independentes Sinal

Esperado Estatística T SIG. GAFATPEit - -2.571 0.014 GLGit ? -0.246 0.807 EFTPEit + -1.759 0.087 DIMit - -2.510 0.017

Modelo 1 TPE/VNit = βo + β1 GAFATPEit + β2GLGit +

β3 EFTPE it+ β4DIMit + εit

= 0.324

Ajustado = 0.248 F- Estatístico 4.30 (0.006)

Nº Observações usadas na regressão:41

T =2 ou T > 2 Estatisticamente significativo; SIG <0.05 Estatisticamente significativo

O modelo é estatisticamente significativo e tem subjacente ajustado de 0.248, o que representa uma razoável capacidade explicativa, ou seja a variável dependente é explicada em 24,8% pelo modelo. O ajustado diminuiu ligeiramente sem por em causa o resultado, de 25,5% para 24,8 %, o demonstra a robustez dos resultados. As variáveis GAFATPEit e DIMit apresentam melhores resultados estatísticos, embora ligeiros, e as variáveis que já apresentavam pouca ou nenhuma significância estatística, GLGit e EFTPEit continuam a não apresentar significância estatística.

Quanto ao número de observações, só foram eliminadas duas.

A tabela 14 apresenta os resultados da estimação do modelo de regressão 1 (CAE 42 2012 – Teste Robustez).

39 Tabela 14 – Estatísticas da Regressão do modelo 1 CAE 42 2012 – Teste Robustez

Variáveis Independentes Sinal

Esperado Estatística T SIG. GAFATPEit - 0.345 0.733 GLGit ? -1.786 0.085 EFTPEit + 1.982 0.058 DIMit - -1.850 0.075

Modelo 1 TPE/VNit = βo + β1 GAFATPEit + β2GLGit +

β3 EFTPE it+ β4DIMit + εit

= 0.278

Ajustado = 0.171 F- Estatístico 2.59 (0.059)

Nº Observações usadas na regressão:32

T =2 ou T> 2 Estatisticamente significativo; SIG <0.05 Estatisticamente significativo

O modelo é estatisticamente pouco significativo e tem subjacente ajustado de 0.171, o que representa pouca capacidade explicativa, ou seja a variável dependente é explicada em 17,1% pelo modelo. O ajustado diminuiu de forma significativa. As variáveis GAFATPEit e DIMit apresentam praticamente os mesmos resultados estatísticos, e a variável que já apresentava pouca ou nenhuma significância estatística, GLGit continua a não apresentar significância estatística. Quanto à variável EFTPEit perdeu muita da significância estatística.

Pese embora com o teste de robustez haja uma diminuição da significância estatística não se verifica uma alteração dos sinais e nem grande alteração na variável principal. Quanto ao número de observações, só foram eliminadas duas.

A tabela 15 apresenta os resultados da estimação do modelo de regressão 1 (CAE 25 2011 – Teste Robustez).

40 Tabela 15 – Estatísticas da Regressão do modelo 1 CAE 25 2011- Teste Robustez

Variáveis Independentes Sinal

Esperado Estatística T SIG. GAFATPEit - -1.449 0.150 GLGit ? -0.066 0.948 EFTPEit + 5.912 0.000 DIMit - -3.337 0.001

Modelo 1 TPE/VNit = βo + β1 GAFATPEit + β2GLGit +

β3 EFTPE it+ β4DIMit + εit

= 0.34

Ajustado = 0.321

F – Estatístico 17.998 (0.000)

Nº Observações usadas na regressão:145

T =2 ou T> 2 Estatisticamente significativo; SIG <0.05 Estatisticamente significativo

O modelo é estatisticamente significativo e tem subjacente ajustado de 0.34, o que representa uma razoável capacidade explicativa, ou seja a variável dependente é explicada em 34,% pelo modelo. O ajustado aumentou ligeiramente, de 31,4% para 32,1 %, o demonstra a robustez dos resultados. As variáveis GAFATPEit e DIMit apresentam praticamente os mesmos resultados estatísticos, e a variável que já apresentava pouca ou nenhuma significância estatística, GLGit e continua a não apresentar significância estatística.

Quanto à variável EFTPEit aumentou ligeiramente significância estatística. Quanto ao número de observações, foram eliminadas oito.

A tabela 16 apresenta os resultados da estimação do modelo de regressão 1 (CAE 25 2012 – Teste Robustez).

41 Tabela 16 – Estatísticas da Regressão do modelo 1 CAE 25 2012 – Teste Robustez

Variáveis Independentes Sinal

Esperado Estatística T SIG. GAFATPEit - -0.218 0.828 GLGit ? -1.003 0.318 EFTPEit + 1.658 0.100 DIMit - -4.340 0.000

Modelo 1 TPE/VNit = βo + β1 GAFATPEit + β2GLGit +

β3 EFTPE it+ β4DIMit + εit

= 0.194

Ajustado = 0.164 F – Estatístico 6.50 (0.000)

Nº Observações usadas na regressão:113

T =2 ou T> 2 Estatisticamente significativo; SIG <0.05 Estatisticamente significativo

O modelo é estatisticamente significativo e tem subjacente ajustado de 0.164, o que representa uma razoável capacidade explicativa, ou seja a variável dependente é explicada em 16,4% pelo modelo. O ajustado diminuiu ligeiramente, de 23,1% para 16,4 %, o demonstra a robustez dos resultados. As variáveis GAFATPEit e DIMit apresentam praticamente os mesmos resultados estatísticos, e a variável que já apresentava pouca ou nenhuma significância estatística, GLGit e continua a não apresentar significância estatística.

Quanto à variável EFTPEit aumentou ligeiramente significância estatística. Quanto ao número de observações, foram eliminadas cinco.

Em resumo, os resultados obtidos nos testes de robustez corroboram as evidências empíricas apresentadas. Ou seja para o CAE 42 no ano de 2011 a variável GAFATPE tem significância estatística, e no ano de 2012 perde potencialmente por via da diminuição das exigências regulamentares. Quanto ao CAE 25 não se verifica qualquer relação com a variável GAFATPE como era de esperar.

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6.3 – Análise Estatística Complementar

Este teste vai permitir testar a diferença entre as médias de duas amostras independentes em cada ano e por setor de atividade.

Tabela 17 – Estatísticas de Grupo CAE 42/25 2011

Variáveis Observações Média

TPE_VN 43 / 153 0.036 / 0.032

GAFATPE 43/ 153 0.301 / 0.332

GLG 43 / 153 1.577 / 1.691

EFTPE 43 / 153 1.443 / 2.228

DIM 43 / 153 15.853/14.384

Conforme podemos verificar na tabela, em termos médios não se verificam diferenças significativas.

Tabela 18 – Estatística T - Student CAE 42/25 2011

Variáveis T SIG. TPE_VN 0.299 0.766 GAFATPE -0.869 0.386 GLG -0.934 0.353 EFTPE -0.991 0.323 DIM 4.354 0.000*

*Estatisticamente significante a menos de 5 %

O teste não mostrou diferenças estatisticamente significativas, exceto para a variável DIM.

43 Tabela 19 – Estatísticas de Grupo CAE 42/25 2012

Variáveis Observações Média

TPE_VN 34 / 118 0.037 / 0.032

GAFATPE 34 / 118 0.293 / 0.352

GLG 34 / 118 1.494 / 1.654

EFTPE 34 / 118 2.879 / 2.926

DIM 34 / 118 15.917/14.626

Conforme podemos verificar na tabela, em termos médios não se verificam diferenças significativas.

Tabela 20 – Estatística T - Student CAE 42/25 2012

Variáveis T SIG. TPE_VN 0.415 0.679 GAFATPE -1.822 0.072 GLG -1.155 0.251 EFTPE -0.029 0.977 DIM 3.249 0.002*

*Estatisticamente significante a menos de 5 %

O teste não mostrou diferenças estatisticamente significativas, exceto para a variável DIM).

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7 - Conclusões

No estudo empírico apresentado investigamos, para o caso português das empresas do setor da construção, concretamente do CAE 42 – Engenharia Civil, a existência de uma relação entre a percentagem de TPE no VN reconhecido nas demonstrações financeiras e os rácios financeiros a que a regulamentação obriga para a renovação de alvarás. A evidência disponibilizada pela literatura sobre a manipulação dos resultados, e em especial quando atravessam dificuldades financeiras, os dados disponibilizados por um estudo do banco de Portugal para o período de 2008 a 2012 sobre o setor da construção em Portugal, as exigências legais de ter rácios mínimos que as empresas deste setor de atividade têm de atingir e as evidencias obtidas pela literatura existente sobre o contexto português, permitiram formular a expectativa de que, o grau de autonomia financeira antes de TPE, o grau de liquidez geral, e o EFTPE, e a dimensão influenciariam a percentagem de TPE no VN.

A evidência empírica obtida corrobora a hipótese formulada e sugere a existência de uma relação entre o grau de autonomia financeira antes TPE e a percentagem de TPE no VN no setor da construção civil para o ano de 2011.

A dimensão das empresas, medida pelo logaritmo natural do volume de negócios, de acordo com a expectativa inicial, e pelas evidências obtidas pela literatura, está negativamente relacionada com o nível da percentagem de TPE no VN. Tínhamos a expectativa de que, quanto maior fosse o volume de negócios, menor seria a percentagem. Os resultados demonstram para todos os anos e ambos os setores de atividade que existe uma relação negativa desta variável com a variável dependente, ou seja quanto maior a dimensão menor é a percentagem de TPE no VN. A explicação deste resultado parece estar relacionada com facto de quanto menor a dimensão da empresa, maior será a tendência para reconhecer TPE. Este resultado parece indiciar que pode haver maior abuso nas empresas de menor dimensão, porque as empresas de maior dimensão terão outras estratégias para alcançarem os rácios financeiros mínimos exigidos.

O efeito fiscal é uma variável que temos de ter sempre em consideração num estudo desta natureza, conforme evidência disponibilizada pela literatura. A nossa expectativa

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inicial era de que o efeito fosse positivo, dada a relação direta que os TPE têm no imposto a pagar pelo facto de serem um rendimento. Para o CAE 42 ano de 2011, a relação é negativa, e positiva nos restantes anos dos dois setores. Todavia só no ano de 2011 para o CAE 25 é que o resultado tem significância estatística. Assim confirma-se a expectativa inicial que as empresas em estudo façam uso da discricionariedade implícita no reconhecimento dos TPE sem se preocuparem em garantir a minimização do imposto a pagar, dada a dependência do crédito bancário.

O grau de liquidez geral, sendo um dos rácios exigidos para manter o alvará, não tem uma relação com os TPE, porque o rácio mede a relação entre o ativo corrente e o passivo corrente, por isso não formulamos qualquer expectativa inicial, e conforme os resultados concluímos não se verifica significância estatística.

O grau de autonomia financeira antes do reconhecimento de TPE, era de todas as variáveis a que mais expectativa gerava de explicar o reconhecimento de TPE nas demonstrações financeiras porque o reconhecimento de TPE tem um impacto direto neste rácio financeiro. A expectativa inicial de que quanto maior o GAFATPE menor seria a percentagem de TPE/VN confirmou-se para o ano de 2011 no CAE 42. Nos restantes anos apesar de o sinal ser sempre negativo não tem significância estatística. O rácio de autonomia financeira mede a percentagem do capital próprio no ativo total líquido da empresa, é um rácio fundamental para obter financiamento da banca, num setor tão dependente de capital alheio como o da construção em Portugal, e é também um dos rácios com valor mínimo exigido por lei para as empresas renovarem o alvará. Assim os resultados demonstram que quanto maior for o grau de autonomia financeira antes de contabilizar os TPE menor é o impacto dos TPE nos VN, ou seja menor será a necessidade das empresas recorrerem ao reconhecimento dos TPE. No caso das empresas do CAE de atividade 25, os resultados evidenciam não haver qualquer correlação, como era esperado.

Quanto ao ano de 2012 no CAE 42, uma possível explicação para os resultados obtidos poderá relacionar-se com a publicação da Portaria nº 274/2011 de 26 de Setembro de 2011, que previa uma redução do rácio de autonomia financeiro exigido para a renovação do alvará para metade do seu valor, ou seja 10% para 5 %. Esta alteração publicada em 2011, tem como referência as demonstrações financeiras de 2010 que servem de base à renovação do alvará para o ano de 2012. Dada a redução dos rácios

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não podemos desassociar este facto do resultado obtido para o ano de 2012 da variável GAFATPE, porque permitiu um alívio da pressão que estava a ser exercido sobre as empresas.

Os resultados obtidos corroboram a expectativa de que as especificidades de cada setor de atividade onde as empresas se inserem condicionam o nível de TPE reconhecido. Ao analisarmos a média, verificamos que no CAE 42 o valor médio de TPE é muito superior do que no CAE 25 em todos os anos.

O presente estudo representa um contributo para a literatura que aborda especificamente o tema da manipulação dos resultados. Por um lado, apresenta um conjunto de dados que permite alertar para uma realidade contabilística, e compreender os factores que induzem a que as empresas recorram à rubrica de TPE. Por outro lado, faculta evidência empírica que sugere que as empresas usam a discricionariedade implícita no processo de reconhecimento dos TPE para atingir determinados rácios financeiros e melhorarem o resultado líquido do período. Assim o presente estudo procura ser um contributo à investigação sobre “ earnings management”.

Os resultados apresentados poderão ser relevantes para toda a comunidade académica, para a Autoridade Tributária, para a Autoridade da Concorrência, mas especialmente para as entidades emissoras de normativos contabilísticos, e para todos os “consumidores” de informação financeira. É relevante para a comunidade académica porque fornece evidência empírica que contribui para uma melhor compreensão do impacto dos TPE na qualidade das demonstrações financeiras; para a Autoridade Tributária porque o presente estudo alerta para a temática da manipulação de resultados, que pese embora até permita teoricamente um encaixe de receita, pode na realidade não implicar o pagamento de IRC devido à dedução de prejuízos fiscais; para a Autoridade da Concorrência pelo alerta sobre as desigualdades que a manipulação pode provocar; também consideramos que possa ser especialmente importante para as entidades emissoras de normativos contabilísticos, porque apresenta uma realidade importante sobre um ativo contabilístico que pode ser gerado pelas empresas, pode ser alvo de manipulação, assim pensamos que estas entidades deveriam proceder a alterações das normas contabilísticas no sentido de obrigar as empresas a justificarem convenientemente os valores contabilizados em TPE; por fim, é importante para todos os “consumidores” de informação financeira porque deixa um alerta para uma realidade

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que se não for tratada com o rigor e a verdade contabilística pode distorcer a informação que é útil para a tomada de decisões.

O presente estudo pese embora a sua relevância apresenta algumas limitações, que deverão ser consideradas na interpretação dos resultados. Por um lado está condicionado à informação que foi disponibilizada. Estamos em crer que está correta, mas não podemos deixar de fazer esta ressalva. Também não consideramos o impacto futuro das depreciações como resultado do reconhecimento dos TPE pela falta de informação disponível. Por outro lado, após este trabalho ficamos mais convictos que há algum uso por parte das empresas no reconhecimento dos TPE, que é tanto maior quanto mais pequenas são as empresas. Ao condicionarmos este trabalho a empresas com um volume de negócios mínimo, com o objetivo de trabalhar dados de empresas que apresentassem informação financeira o mais credível possível, excluíram-se muitas empresas onde se verificam potencialmente mais abusos. Também não podemos deixar de referir que os anos de 2011 e 2012 são anos muito marcados pela situação do País como tal a interpretação dos resultados terá de ter esse facto em atenção.

Todavia estamos em crer que este estudo pode gerar novas investigações. Pode-se alargar este estudo a outros setores de atividade para perceber o alcance que os TPE podem ter na economia portuguesa, ou alargar os anos de análise a anos anteriores, ou anos posteriores.

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