O teste de usabilidade é uma técnica empírica que depende da participação direta dos usuários do sistema e consiste na observação da interação dos usuários com a interface (CYBIS, 2007³Tem como foco de avaliação a qualidade das interações que se HVWDEHOHFHPHQWUHXVXiULRVHRVLVWHPD´ (CYBIS, 2007, p. 192). O teste de usabilidade consiste em um processo no qual, usuários reais ou representativos avaliam o grau que um sistema se encontra em relação a critérios específicos de usabilidade (RUBIN,1994).
De acordo com Dias (2003, p. 74), os testes de usabilidade, também denominados de ensaios de interação, têm origem na Psicologia Experimental e possibilitam a coleta de dados quantitativos e/ou qualitativos a partir da observação da interação homem-máquina. Tais dados possibilitam identificar quais são os problemas de
usabilidade. A partir disso, pode-se definir recomendações para eliminar as dificuldades e melhorar a usabilidade do sistema.
Ao efetuar melhorias na usabilidade do sistema, além de muitos benefícios, pode- se minimizar o custo do serviço de suporte técnico aos usuários. Para isso é necessário que no planejamento de um teste de usabilidade se determine os objetivos do teste, ou seja, identifique o que se deseja descobrir com a observação dos usuários interagindo com o sistema em processo de avaliação. Além disso, é necessário identificar o perfil dos usuários que participarão do teste, quanto a novatos, especialistas, pessoas deficientes, crianças, dentre outros (DIAS, 2003).
A preparação de um teste requer o conhecimento detalhado do usuário e das tarefas que serão realizadas no sistema. Participam do teste de usabilidade, os indivíduos que representam os usuários reais do sistema e que irão executar tarefas típicas de suas atividades (CYBIS, 2007). A determinação do perfil do usuário é essencial para o sucesso do teste, pois um mesmo sistema pode ser ótimo para algumas pessoas e inadequado para outras. Para identificar o perfil adequado para participar do teste, devem ser levados em consideração fatores acerca da experiência computacional, idade, nível educacional, sexo, profissão, estilo de aprendizado dentre outros. E para isso, pode- se utilizar um questionário com poucas perguntas e que deve ser facilmente entendido e preenchido pelos indivíduos.
Depois de selecionar os participantes, é fundamental determinar claramente o que será realizado no teste, o tipo de material a ser utilizado e os recursos adicionais necessários. Se o teste for conduzido de maneira inadequada, os resultados não serão fidedignos. Segundo Rubin (1994), o teste de usabilidade deve ser conduzido dentro de um rigor experimental, alcançado da seguinte forma:
x o teste pode ser realizado com no mínimo cinco participantes, pois essa quantidade é suficiente para expor 80% das deficiências de usabilidade de um sistema;
x a consistência de uma sessão de teste para outra deve ser mantida por meio da utilização dos mesmos materiais, roteiros, lista de tarefas, enfim da mesmas condições e do mesmo avaliador na condução de todas as sessões de teste; x as características dos participantes do teste devem ser asseguradas;
x os problemas ocorridos no desenrolar do teste devem ser registrados; x as metas e objetivos do teste devem ser estabelecidos;
x um teste piloto deve ser realizado;
Para a execução do teste de usabilidade deve-se elaborar uma lista de tarefas que será executada pelos participantes no decorrer da interação com a interface. Tais tarefas devem conter detalhes realistas para que os participantes não solicitem a intervenção do avaliador.
A coleta de dados deve ser feita de maneira apropriada e para isso, deve ser realizada em local adequado, que segundo Cybis (2007), pode ser em local de trabalho ou em um laboratório de usabilidade. Além disso, deve ser efetuada de forma concisa e para tanto, há ferramentas e softwares capazes de verificar o número de batidas de teclas efetuado pelo usuário, de registrar os recursos do sistema que foram acessados para a execução da tarefa e o tempo gasto em cada atividade. Dias (2003) destaca ainda técnicas como: verbalização ou protocolo verbal: esta técnica conhecida como thinking-
aloud protocol é utilizada, frequentemente, em testes de usabilidade, nos quais os
usuários devem verbalizar suas dúvidas e opiniões e quaisquer pensamentos enquanto realizam as tarefas no sistema que está sendo avaliado. A verbalização ajuda o avaliador a identificar os problemas de usabilidade encontrados pelos usuários, por meio da observação da interação usuário-interface e da interpretação das considerações expressas pelos usuários.
Após a realização dos testes, é necessário complementar os dados, coletando informações preferenciais dos usuários para esclarecer e aprofundar o entendimento do sistema. Pode ser aplicado um questionário ou realizar um grupo focal com todos os participantes para que eles apontem os pontos fortes e pontos a melhorar, baseando-se nos problemas encontrados. Nesta etapa, deve-se formular perguntas relacionadas a fatores difíceis de serem detectados somente com a observação, tais como: opiniões, satisfação, percepção, sentimentos e sugestões para a melhoria da interface.
Finalizada a etapa de coleta de dados, efetua-se a análise dos dados que constitui uma análise abrangente para elaborar o relatório final, cuja duração pode levar de duas a quatro semanas após o teste.
De acordo com Rubin (1994), para analisar os dados do teste e desenvolver as recomendações necessárias, deve-se compilar e resumir os dados, isto é, organizar os dados coletados de acordo com padrões e princípios de usabilidade predeterminados e gerar um resumo descritivo dos dados tanto coletados no teste de usabilidade quanto no grupo focal ou nos questionários aplicados.
Depois de converter os dados em resumos organizados, é hora de analisá-los. Primeiramente, deve-se predeterminar a percentagem de usuários que não completaram
a tarefa. Se a percentagem é relevante, como, por exemplo, 70%, o problema é considerado muito grave e deve ser tratado com bastante cuidado.
Para testes de usabilidade com poucos participantes, a tarefa complicada a ser realizada será facilmente percebida pelo avaliador. Todavia, deve ser efetuada uma distinção entre os níveis de performance de cada tarefa, já que listar todos os dados obtidos em uma única tabela poderá dificultar a avaliação dos resultados.
Faz-se necessário, também, a definição dos problemas que ocasionaram atitudes impróprias na execução de cada tarefa, ou seja, o motivo das divergências ocorridas perante um comportamento esperado, como por exemplo, a omissão de um passo para a realização de uma determinada tarefa, a exclusão de um arquivo ainda necessário para a execução da tarefa, dentre outros. Realizada a identificação dos problemas acerca da usabilidade, é necessário identificar a fonte destes problemas. Tal identificação auxiliará o avaliador a encontrar as causas e os elementos responsáveis pelas dificuldades dos participantes no sistema e os motivos de baixo desempenho.
As razões das ocorrências de erros dos participantes devem ser suficientemente claras para a elaboração de recomendações precisas. Revisões das gravações do teste de usabilidade e do grupo focal auxiliam na identificação das fontes dos erros. Algumas razões de problemas podem ser evidentes e não necessitar de muita investigação, outras podem precisar de uma sondagem mais profunda.
A pesquisa dos problemas deve ser desenvolvida para todas as tarefas e com todos os participantes. Assim, todas as deficiências serão identificadas e as recomendações poderão ser bem elaboradas.