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3. O TRIBUNAL DO JÚRI

3.3 PRINCIPAIS ASPECTOS DO RITO PROCESSUAL DO TRIBUNAL DO

3.3.7 Testemunhas

Após a decisão de pronúncia, inicia-se a fase de preparação do processo do processo para julgamento em plenário, e será neste momento que acusação e defesa deverão arrolar as testemunhas que irão ser ouvidas em plenário, serão arroladas no máximo 5 testemunhas para cada lado não somando para este número os informantes, visto que os mesmos não têm caráter testemunhal. É também neste momento que as partes ao arrolarem suas testemunhas, sendo necessário à sua oitiva para uma efetiva comprovação relacionado ao caso concreto informem que a testemunha possui caráter de imprescindibilidade. (TUCCI, 1999, p. 175).

Em referência ao momento que deverão ser arroladas as testemunhas, e também quanto ao procedimento necessário a ser adotado, declara expressamente o art. 422 CPP, in verbis:

Art. 422. Ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5 (cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência.

(BRASIL, 1941).

Na ordem de julgamento, a inquirição das testemunhas ocorre após a conclusão do relatório pelo juiz presidente. Serão ouvidas em primeiro lugar as testemunhas de acusação e em seguida as testemunhas de defesa, e surgindo qualquer dúvida relacionada ao seu depoimento poderão fazer-lhes perguntas o juiz, à acusação, à assistência, à defesa e os jurados, lembrando que nos casos em que os jurados realizarem alguma indagação acerca do depoimento, o juiz presidente

deverá alertá-los para que o mesmo não transpareça sua intenção de voto diante de seu questionamento, uma vez que, o voto é garantido pelo sigilo de acordo com o princípio regente do sigilo das votações. (OLIVEIRA, 2002, p. 142).

A testemunha, ao ser arrolada pela acusação ou pela defesa, será intimada pelo juízo e comunicada sobre as possíveis sanções em casos de não comparecimento a sessão plenária, sendo elas a apuração pelo crime de desobediência e aplicação de multa fixada de acordo com sua capacidade econômica, porém estas sanções só serão aplicáveis nos casos em que a testemunha se abster do comparecimento sem justa causa, caso contrário não se aplicará tais penalidades. (NUCCI, 2015, p. 193).

Se a testemunha, mesmo intimada, não comparecer para depor no dia do julgamento, será da mesma forma realizado o julgamento não ficando prejudicado pela falta desta testemunha, exceto nos casos em que as testemunhas forem arroladas em caráter de imprescindibilidade, nestes casos o julgamento não fluirá sem a sua oitiva, sendo necessário que o juiz presidente tome as medidas cabíveis, das quais veremos a seguir. Poderá ocorrer a desistência a oitiva de alguma das testemunhas no momento do julgamento, porém para o deferimento do feito será necessário a anuência da parte contraria, caso não houver a comunicabilidade à outra parte sobre a desistência da oitiva, esta deverá demonstrar seu inconformismo, caso contrário estará preclusa a questão, não sendo passível de nulidade posteriormente. (TUCCI, 1999, p. 176).

Nos casos em que, as testemunhas forem arroladas em caráter de imprescindibilidade, o não comparecimento da mesma obriga o juiz presidente a tomar duas medidas cabíveis, sendo o adiamento da sessão ou a condução de forma coercitiva da testemunha de maneira imediata, por este motivo, é importante que no momento do arrolamento das testemunhas as partes forneçam o endereço correto em que se encontra a testemunha, para intimação e uma possível coerção nos casos autorizados em lei. Nos casos em que a parte não fornecer o endereço no momento oportuno ou caso forneça a parte não seja encontrada pelo oficial de justiça, não ficará autorizado o adiamento do julgamento, será realizado sem a oitiva da testemunha faltante, mesmo sendo ela arrolada em caráter de imprescindibilidade. (NUCCI, 2015, p. 193).

Ainda sobre a questão da imprescindibilidade da oitiva da testemunha, Guilherme Souza Nucci, assevera sobre a possibilidade do fornecimento de um novo

endereço nos casos em que o oficial de justiça não encontre a testemunha no endereço indicado incialmente:

A parte, naturalmente, poderá intervir e indicar ao magistrado, logo na abertura dos trabalhos ou antes do dia da sessão plenária, por petição, quando o depoimento for crucial para a apuração da verdade real, outro paradeiro da testemunha, desde que apresente alguma prova a respeito, valendo, conforme o caso, o adiamento da sessão para que se possa buscar a pessoa faltante. (2015. p. 194).

Nos casos em que houverem mais de um réu, aquele que seja co-réu da pratica do crime não poderá ser arrolado como testemunha, visto que por figurar o polo de co-réu no processo lhe são assegurados os direitos de ficar em silencio e não produzir provas contra si, sendo assim não há como lhe imputar o dever de falar a verdade que se impõem a testemunha que depõem em plenário. No entanto, admite-se de forma reflexa a confissão de co-réu que admite participação no crime e em seu depoimento aponta também seu comparsa, principalmente quando houver harmonia da confissão com as provas produzidas nos autos, nestes casos ele não estará figurado como testemunha, porém seu depoimento terá o valor de tal atribuição. (ALMEIDA, 2001, p. 91).

Desde o início dos procedimentos inerentes ao julgamento deve-se garantir a incomunicabilidade das testemunhas, como também deve ocorrer a separação em locais diversos as testemunhas de defesa das de acusação, de modo que não possam ouvir o depoimento uma das outras. Caso ocorra esta quebra de incomunicabilidade das testemunhas, acarretará em nulidade relativa, pois poderá produzir prejuízo para qualquer uma das partes. (NUCCI, 2015, p. 194).

4. CONFLITO DE COMPETENCIA PARA JULGAMENTO DOS CRIMES DE HOMICIDIO DOLOSO CONTRA A VIDA DE CIVIL PRATICADOS POR MILITARES ESTADUAIS

A edição da Lei 9.299/96 e também a Emenda Constitucional 45 de 2004 modificaram a competência para julgamento dos crimes dolosos contra a vida de civil, retirando da Justiça Militar e deslocando para a Justiça Comum, mais precisamente ao Tribunal do Júri, situação está que gerada pela acusação de corporativismo nos julgamentos dos militares acusados pela pratica de homicídio doloso contra vitima civil. (GHIRALDELLI, LEITE, 2016, p. 134)

Estas alterações acabaram gerando conflitos de competências entre a Justiça Militar e a Justiça Comum Estadual, seja na fase pré-processual ou na fase processual, ocorrendo certo constrangimento e violações aos direitos individuais do militar que é acusado de cometer crime de homicídio doloso contra civil. (ROTH, 2014, p. 14).

Neste sentido, o estudo que será feito a seguir entenderá um pouco melhor acerca da natureza do crime de homicídio doloso contra a vida de civil e também sua competência, e por fim apontar uma possível solução para estes conflitos existentes na investigação e processamento do referido crime.