• Nenhum resultado encontrado

492.3 O fim da pesca da Baleia no Brasil

2.2 Testemunhos e iconografia do extermínio no Brasil

Os reflexos da presença da baleia na sociedade estão evidentes em grande parte de locais do cotidiano e de circulação da população. A realização desse levantamento visa identificar lugares que apresentem vestígios desse período e promover uma tentativa de formação de sua memória. Considerando que as baleias faziam parte da vida dos moradores do litoral brasileiro, mas se afastaram entre outros motivos, pela intervenção humana realizada com a prática da caça predatória, impedindo a realização do convívio harmonioso entre as espécies.

Locais de Memória

30 Espirais do Tempo – Bens Tombados do Paraná – Governo do Estado do Paraná, Secretaria de Estado de Cultura, p. 409, 2006

31Disponível em: http://www.usp.br/revistausp/44a/03-tania.pdf - Acesso em Outubro de 2013

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

41

Pico do Arpoador (Ipanema/Rio de Janeiro/RJ) – Composto também pela praia do Arpoador, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Este local tem relevância histórica para o estudo das baleias no Brasil, pois, no período de caça os arpoadores costumavam ficar sobre a pedra fazendo observação de baleias. Na medida em que eram avistadas, o arpoador que era responsável pela observação, avisava ao restante dos baleeiros para que pudessem atingir a baleia na medida em que se aproximava da costa.32

Armação dos Búzios (RJ) – Cidade localizada na Costa Azul do estado do Rio de Janeiro, local de veraneio e de grande procura por turistas de todo o mundo.

Tem esse nome pois no local onde hoje é a cidade existia uma grande armação baleeira (local onde os produtos da baleia eram processados). Além da designação do Município, a memória da Armação permanece viva nos nomes da ponta da Matadeira – local em que a baleia era morta para a retirada das barbatanas - e da praia dos Ossos - local em que se enterrava a ossada desses animais.33

Figura 4 :Mapa de praias da cidade de Armação dos Búzios34

32 Disponível em: http://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/arpoador.html- Acessado em Outubro de 2013

33Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável, Armação dos Búzios, p. 115, Junho de 2003

34 Disponível em: http://www.buziosonline.com.br – Acessado em Outubro de 2013

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

42

Praia dos Ossos (Armação dos Búzios/RJ) – Tem esse nome pois era o local onde eram jogados os ossos de baleia após a retirada do óleo para aproveitamento industrial, que ocorria na Praia da Armação.

Praia da Armação (Armação dos Búzios/RJ) – Tem esse nome pois era o local onde eram levadas as baleias após sua captura. “Os portugueses começaram a exploração de suas matas até o esgotamento, levando os residentes a adotar a pesca da baleia para sobreviver. Esta atividade é responsável pelo nome de vários locais, como as praias da Armação e dos Ossos, em alusão aos ossos das baleias espalhados na areia depois da retirada do óleo.”35

Figura 5: Praia da Armação36

Museu Oceanográfico da Marinha – Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (Arraial do Cabo/RJ) – Está situado em um edifício onde no passado era uma armação baleeira de grande importância para a região.37

35Disponível em http://www.michelin.com.br/br/michelin-viagem/Buzios.html - Acessado em Outubro de 2013

36 Foto Marcella Bacha, 2010

37 Disponível em: http://www.ieapm.mar.mil.br/museu.htm- Acessado em Outubro de 2013

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

43 Figura 6: Foto da Fachada do Museu38

Praia da Baleia (Rio das Ostras/RJ) – Praia localizada na costa azul do litoral carioca e tem esse nome devido ao fato dessas águas terem feito parte da rota migratória das baleias durante muitos anos. Até os dias de hoje, ainda podem ser encontrados alguns indivíduos nessa região. Segundo informações da Prefeitura de Rio das Ostras, dar esse nome a essa praia “foi uma maneira de homenagear esse dócil animal que atravessa as águas rio ostrenses”.

Figura 7: Dealhe da Costa da Praia da Baleia, rota das Jubartes no Brasil (Rio das Ostras)39

Museu da Baleia (Imbituba/SC) – Apresenta mapas, ferramentas e informações sobre a pesca da Baleia no Brasil. Seu grande valor representativo está no fato

38 Disponível em: http://escolamunicipaljoaobessa.blogspot.com.br/2011_10_01_archive.html - Acessado em Novembro de 2013

39Foto Marcella Bacha, 2010

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

44 de seu prédio apresentar a mesma estrutura de quando ainda era uma armação

baleeira.40

Figura 8 :Imagem interna do prédio sede do Museu da Baleia em Imbituba/SC41

Iconografia42

▪ Leandro Joaquim – Pesca da Baleia na Baía de Guanabara - Séc. XVIII / Óleo sobre tela / 83x113cm , Museu Histórico Nacional (Nº SIGA 021011)

Obra pertencente ao Museu Histórico Nacional que mostra de maneira detalhada o trabalho realizado nas armações baleeiras próximas à Baía de Guanabara, incluindo o trabalho que era executado pelos arpoadores. Pode ser destacada a edificação da armação baleeira, o trabalho do transporte do animal até o local de extração de recursos, o momento em que as baleias eram efetivamente caçadas e, por fim, o seu estágio inicial, que é o momento em que ainda nadam livremente pela Baía de Guanabara.

40 Disponível em: http://www.baleiafranca.org.br/oprojeto/oprojeto_museu.htm - Acessado em Outubro de 2013

41Disponível em: http://www.baleiafranca.org.br/maiores/centro_museu/maior08.htm - Acessado em Outubro de 2013

42 A escultura de Aleijadinho que representa o profeta Jonas foi cogitada para elencar essa listagem iconográfica, entretanto, a partir de levantamento bibliográfico em diferentes versões da Bíblia e de pesquisas relacionadas foi observado que não há uma verdade absoluta quanto à espécie animal que engoliu Jonas, embora já tendo sido considerado uma baleia, é chamado na maior parte das vezes de

“monstro marinho” e “peixe”.

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

45 Figura 9: Leandro Joaquim – Pesca da Baleia na Baía de Guanabara43

▪ Aspecto da Pesca da Baleia no Recôncavo Baiano – Hippolyte Taunay – Paris,1822 (gravura)

Obra produzida por Taunay em Paris, no ano de 1822, retrata detalhes da luta travada entre as baleias e os pescadores num momento de confrontação entre caça e caçador. Como o primeiro lugar de estabelecimento de armações baleeiras no Brasil, o Recôncavo Baiano tem grande importância nesse cenário retratado por Hippolyte Taunay em Paris.

43Disponível em:

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd _verbete=2426&cd_item=1&cd_idioma=28555 – Acessado em Outubro de 2013

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

46 Figura 10: Hippolyte Taunay – Aspecto da Pesca da Baleia no Recôncavo Baiano44

▪ Roberto Sá – Praça da Baleia (Rio das Ostras-RJ) – 2001

Segundo informações obtidas através de contato com a Prefeitura de Rio das Ostras, no dia 01 de Junho de 2012, essa escultura é a maior referência a cetáceos no mundo. A Praça da Baleia foi inaugurada em 2002, no bairro de Costazul, Rio das Ostras/RJ, com a escultura de uma Baleia Jubarte em tamanho natural, feita em estrutura metálica recoberta com chapas de bronze e liga de latão. A escultura tem 20 metros de comprimento e pesa quatro toneladas, e na cauda da baleia tem um mergulhador com 1,85 metro, pesando 200Kg.

A Baleia Jubarte, esculpida por Roberto Sá, fica dentro de um lago de 25 metros e funciona como um chafariz, com água esguichando pelas narinas (nariz) e escorrendo pela boca e pela cauda, dando uma visão bastante real do animal.

Figura 11 :Detalhe da escultura de Baleia Jubarte na Praça da Baleia, Rio das Ostras45

44TAUNAY, Thomas Marie Hippolyte e Denis, Ferdinand-Jean. IN: Pedro Correia Lago, Iconografia brasileira: coleção Itaú, São Paulo, Itaú Cultural, contra capa, 2001, p.

45 Foto Marcella Bacha, 2010

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

47

▪ Selo Comemorativo – Pinturas do Rio de Janeiro do século XVIII: Pesca da Baleia na Baía de Guanabara.

Foi lançado em 1979 pelos Correios e recebeu o rótulo de “comemorativo”, reproduzindo um quadro que retrata a caça de baleias na Baía de Guanabara. Isso é algo que deve ser comemorado? É importante destacar que no ano de lançamento a pesca da baleia ainda não era proibida no Brasil.

Figura 12 : Selo comemorativo reproduzindo quadro de Leandro Joaquim 46

▪ Acervo Museu da Marinha de Arraial do Cabo – É constituído por materiais usados em navios de caça de baleia

46 Disponível em: http://mundodabiologia.com.br/baleias-e-golfinhos-representados-em-selos-postais-brasileiros-lodi/ - Acessado em Outubro de 2013

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

48 Figura 13: Sino e canhão utilizados em baleeiras47

Acervo Museu da Baleia (Imbituba/SC)

Possui mapas e painéis apresentando as rotas utilizadas pelos pescadores, arpões, além de ilustrações com a representação da caça da baleia

Figura 14: Imagem de sala de exposição do Museu da Baleia/Imbituba48

▪ Acervo Museu Nacional do Mar (São Francisco do Sul/ SC)

Possui reproduções cenográficas de caça a baleias, incluindo a reprodução dos barcos que eram utilizados.

47 Disponível em http://www.ieapm.mar.mil.br/museu/acervo.htm - Acessado em Outubro de 2013

48 Disponível em http://www.baleiafranca.org.br/maiores/centro_museu/maior10.htm - Acessado em Outubro de 2013

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

49 Figura 15: Sala da Pesca da Baleia49

Figura 16: Sala das Baleeiras50

▪ Óleo e Sabão – produzidos com a matéria prima obtida através das baleias.

49 Disponível em: http://www.museunacionaldomar.com.br/index.htm - Acessado em Outubro de 2012

50 Idem

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

50 Figura 17: Garrafas com óleo de baleia e sabão em barra51

▪ Iluminação – Conforme será explicado a seguir, o óleo de baleia era amplamente utilizado no mercado interno para iluminação.

O subir e descer era esforço demais e o mercado que todos frequentavam ficava na praia, em frente ao porto dos Padres.

Compravam pescado, hortaliças, mandioca, leite e “azeite de peixe” – o óleo de baleia. Diriam em uníssono o ditado que qualquer um conhecia: “Quem tem para candeia nunca se deita sem ceia.”[110] A candeia, lampião que permaneceria aceso à noite enquanto houvesse óleo, iluminava a refeição. Baleias frequentaram a Guanabara no inverno durante muito tempo, e sua pesca era das mais rentáveis.[111]

A carne era saborosa, as barbatanas serviam de lixa e sua gordura, o óleo, era combustível. Mais: o óleo misturado a conchas trituradas dava uma argamassa resistente como poucas para a construção de prédios. (Os escravos às vezes bebiam o óleo direto do lampião, era alimento.) Valia tanto o negócio da caça à baleia, produzia tantos subprodutos úteis, que virou monopólio estatal. Para explorar a pesca, já em 1583, o empresário teve de assinar contrato de concessão pública.52

51 Fonte: Acervo do Centro do Mar em Horta, Açores, Portugal. Foto: Fabiana Comerlato, 2009.

52 DORIA, Pedro. Enquanto o Brasil nascia, Nova Fronteira, 2012, p. 66

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

51 Figura 18: Iluminação com a utilização de azeite de peixe. Ilustração produzida por José

Reis Carvalho, feita em 1851, retratando a iluminação na cidade do Rio de Janeiro53

▪ Casa do Trem – Museu Histórico Nacional

Prédio que atualmente pertence ao Museu Histórico Nacional, a Casa do Trem têm características que sugerem que foi uma construção onde o óleo de baleia era utilizado. Sua proximidade com o mar e sua data de construção são alguns desses indícios.

▪ Arcos da Lapa/Aqueduto da Carioca – Rio de Janeiro – RJ

O local, que hoje é sinônimo de festividades e de grandes eventos da noite carioca, só pôde ser construído devido ao sacrifício das grandes baleias que eram caçadas na região.

“Os Arcos da Carioca foram construídos por braço escravo, utilizando pedra, tijolos, areia, cal e óleo de baleia.”54

53 Fonte: Enciclopédia Ilustrada do Brasil. Rio de Janeiro: BLOCH, 1982. vol. 9 - p. 2585. Reprodução fotográfica: Fabiana Comerlato.

Marcella Bacha – Museóloga COREM 0996-I 2ªR – Especialista em História e Cultura no Brasil [email protected]

52 Fez-se necessária, no governo de Gomes Freire de Andrade (1733-1763), sua substituição por novos arcos (1744-1750), de traçado retilíneo, solidamente construídos pela mão de obra escrava, em alvenaria de pedras brasileiras (contrariando a lei que impunha a importação de materiais de construção), com rejuntamento de argamassa de cal hidratada e terra misturada a óleo de baleia, cuja resistência ficou comprovada através dos séculos.55

▪ Ossos – Com o fim das armações baleeiras alguns ossos que eram responsáveis por fazer a separação de ambientes dentro da armação foram levados para praias e ficaram expostos lá por um longo período.56

Figura 20: Ossos de baleia na praia de Itapuã - Salvador57