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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

5.4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

5.4.1 Testes com Pacientes

O projeto piloto apresentou resultados interessantes quanto ao comportamento do paciente durante a prática mental. Ao ser solicitado a imaginar o movimento visualizando o braço 3D na tela, o paciente se esforçou para executar o movimento fisicamente, o que sugere que ele associou o braço virtual com o seu próprio braço. No estudo principal, os pacientes CA e AN também apresentaram o mesmo comportamento que o paciente SH no estudo piloto. Os pacientes CA e AN que sofreram o AVE há algum tempo, cerca de 4 e 6 anos, respectivamente. Como foi dito, um dos pacientes comentou surpreso que havia muito tempo que seu braço não subia assim. Também convém ressaltar que não havia vínculo anterior entre os fisioterapeutas e os pacientes, ou seja, eles não atenderam os pacientes anteriormente na fisioterapia convencional, e, portanto a confiança anterior dos pacientes no profissional não influenciou nos resultados motivacionais de uso do sistema. A motivação do paciente CA foi visível inclusive pelos comentários que fez com o paciente AL, incentivando-o a participar dos testes voluntariamente.

Na comparação entre os resultados totais do instrumento UE-FMA aplicado no pré- teste e pós-teste, tabelas 5.5 e 5.7, verificou-se um aumento da pontuação total para todos os quatro pacientes do GE. O paciente AN passou de 16 para 26 pontos, um aumento relativo de 62.50%; CA de 9 pontos para 14 pontos, aumento relativo de

55.55%; MA de 31 para 44 pontos, um aumento em relação ao original de 41.93% e JO de 35 para 41 pontos, um aumento relativo de 17.14%. Os gráficos da Figura 5.30 sumarizam os resultados do pré e pós-teste para as 33 tarefas.

JO 0 0,5 1 1,5 2 2,5 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 AN 0 0,5 1 1,5 2 2,5 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 MA 0 0,5 1 1,5 2 2,5 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 CA 0 0,5 1 1,5 2 2,5 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 Pré-teste Pós-teste

A aplicação do teste t de Student para dados pareados nos pacientes do GE (antes e depois) resultou em um valor p = 0,01933. Considerando um nível de significância de α = 0.01, tem-se que p > α e com isso se aceita a hipótese de que os dados não diferem significativamente. Entretanto, se o nível de significância for α = 0.05, a hipótese e rejeitada e considera-se que os dados diferem significativamente.

O paciente CA teve aumento nas seguintes tarefas executadas: flexão de ombro de 0 a 90 graus; abdução de ombro de 0 a 90 graus e estabilização de punho com cotovelo a 90 graus. Na tarefa de preensão cilíndrica, por outro lado, houve uma diminuição de 1 para 0. Entretanto, ao analisar os vídeos, observou-se que os cilindros utilizados no pré e pós-teste tinham diâmetros diferentes. Essa diferença na tarefa evidenciou uma falha metodológica no processo, uma vez que os materiais deveriam ser os mesmos.

As Figuras 5.31, 5.32 e 5.33 são meramente ilustrativas. Elas mostram algumas tarefas realizadas pelos pacientes com o membro não comprometido e com o membro afetado antes e depois do período de testes.

A Figura 5.31 mostra a execução da tarefa abdução de ombro de 0 a 90 graus para o paciente CA no pré-teste e no pós-teste.

Figura 5.31 – Paciente CA faz abdução de ombro de 0 a 90 graus

Outro aspecto a destacar é a mudança de atitude do paciente CA, que no pré-teste nem sequer tentava executar algumas das tarefas solicitadas, afirmando de antemão que não era capaz. No pós-teste, entretanto, ele tentou executar todos os movimentos prontamente e não disse que era incapaz de realizar a tarefa.

O paciente AN teve um aumento nas seguintes tarefas: flexão de cotovelo; extensão de cotovelo; pronação de antebraço; estabilização de punho com o cotovelo a 90 graus; estabilização de punho com o cotovelo a 0 graus; flexão em massa dos dedos; tremor; dismetria e velocidade. Entretanto, ele teve uma redução na tarefa preensão cilindrica. Novamente, houve diminuição na tarefa de preensão cilíndrica com os cilindros utilizados de diâmetros diferentes. A Figura 5.32 mostra o paciente AN executando a tarefa de abdução de ombro de 0 a 90 graus.

Figura 5.32 – Paciente AN faz abdução de ombro de 0 a 90 graus

O paciente JO teve um aumento nas seguintes tarefas: rotação externa de ombro; pronação-supinação com cotovelo a 0 graus; preensão com primeiro e segundo dedos; preensão com flexão de interfalangiana com metacarpofalangiana em posição neutra; preensão de bola; dismetria e velocidade. Por outro lado, houve redução na flexão de cotovelo e preensão em pinça.

A paciente MA teve aumento nas tarefas de: retração do Ombro; abdução do ombro; rotação externa de ombro; abdução de ombro com rotação interna; extensão de cotovelo; flexão de ombro de 0 a 90 graus; pronação-supinação com cotovelo a 90 graus; abdução de ombro de 0 a 90 graus; flexão de ombro de 90 a 180 graus; pronação-supinação com cotovelo a 0 graus; estabilização de punho com cotovelo a 0 graus; preensão com flexão de interfalangiana e metacarpofalangiana; segurar uma bola; tremor, dismetria e velocidade. Houve redução nas tarefas de preensão cilíndrica; extensão em massa dos dedos; completa extensão-flexão de punho com o

cotovelo a 90 graus. A Figura 5.33 mostra a execução da tarefa de abdução pela paciente MA. Na Figura 5.37 tem-se a tarefa de flexão de ombro de 90 a 180 graus.

Figura 5.34 – Paciente MA faz flexão de ombro de 90 a 180 graus

A tabela 5.8, sintetiza as principais observações feitas nos pacientes a partir do instrumento UE-FMA, da análise dos vídeos pelo Fisioterapeuta 1.

Tabela 5.8 – Resultados no GE Paciente Principais observações

JO Aumento na velocidade dos movimentos.

AN Diminuição do esforço necessário para realizar os movimentos. Aumento na amplitude dos movimentos de ombro.

MA Aumento na amplitude dos movimentos de abdução e flexão de ombro. Redução do padrão flexor no cotovelo. Diminuição do esforço necessário para realizar os movimentos.

Segundo o Fisioterapeuta 1, houve importante melhora da atividade motora no GE, pois o padrão de disfunção motora de pacientes com AVE é ombro elevado, aduzido, flexão de cotovelo, punho e dedos.

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