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CAPÍTULO 4 – PROPOSTA DE SOLUÇÃO

4.2 TESTES DE PRODUTO

Para se entender a relação homem-máquina é importante desenvolver um conjunto de testes do

produto, que visam submeter o consumidor a um conjunto de tarefas avaliando o grau de

complexidade das tarefas versus o tempo de execução.

Será então estabelecido um grupo de foco de diferentes áreas para que este produto

seja devidamente validado. Será elaborado um guião onde serão enumeradas todas as tarefas

a realizar pelo utilizador. Assim de acordo com o livro “Product design and development” (T.Ulrich

& D.Eppinger, 2003) um teste de produto deverá começar com a apresentação do produto e de

seguida abordar os pontos-chave do produto. De acordo com o autor, as componentes a avaliar

num teste de produto deverão ter em consideração as seguintes premissas:

INTRODUÇÃO: breve explicação do processo; explicar que existem componentes

descartáveis e componentes analógicos; explicar a motivação de criação do produto.

1. CONJUNTO DE TAREFAS

• Sem interagir com o produto, identifique os controladores de início do processo.

• Introduza este gobelé no dispositivo.

• Inicie o processo, e defina os parâmetros relativos aos caudais. (definir caudais e

perceber se o utilizador os define corretamente)

• Desligue o dispositivo e volte a ligar. (perceber se o utilizador percebe que o

processo terminou ou se está em pausa)

• Quando aparecer a indicação de que o processo está concluído qual será o próximo

passo? (verificar se o utilizador entende onde se encontram as microcápsulas)

2. AVALIAÇÃO DO CONSUMIDOR

QUALIDADE DAS INTERFACES – Uma avaliação da facilidade de uso do produto. A

qualidade de interface está relacionada com a aparência do produto, toque e modos de

interação.

• As características do produto comunicam efetivamente ao consumidor o seu modo

de uso?;

• Este é um produto intuitivo?;

• Reconhece segurança no produto?;

• As maçanetas são ergonomicamente bem conseguidas?;

• As portas abrem facilmente?;

• O botão ligar é facilmente identificável?;

• O display tem uma interação fácil e rápida?;

APELO EMOCIONAL – Aqui será avaliada a atratividade do produto. Este é alcançado

em parte pela estética do produto, toque, ruido e odor.

• Este é um produto atrativo?;

• O produto transparece qualidade?;

• Que imagem vêm à memória quando olha para o produto?;

• Este é um produto digno de ser exposto num laboratório?;

MANUTENÇÃO- inserida no campo da experiência de utilização.

• A manutenção do produto é obvia? E fácil?;

• O produto comunica intuitivamente montagem e desmontagem dos componentes?;

RECURSOS APROPRIADOS – Aqui será avaliada em que medida a qualidade dos

materiais utilizados se relaciona com as necessidades do consumidor.

• Os materiais satisfazem as necessidades do consumidor? Exemplo a transparência

dos materiais é útil?;

• A seleção dos materiais é a mais indicada? (Preço vs qualidade);

• O produto tem qualidades desnecessárias ou existem características em falta?;

DIFERENCIAÇÃO DO PRODUTO – Será avaliada a singularidade do processo de

design. Normalmente o fator de diferenciação chega pela via da estética.

• Numa loja este produto destaca-se? A estética do produto leva-o a ser o centro das

atenções entre produtos pares?;

• Será que através da publicidade o produto ficará na mente do consumidor?;

• Será este facilmente reconhecido pelo consumidor?;

• O produto enquadra-se na identidade corporativa?;

• Um manual online apresenta benefícios como: conseguir sempre aceder a este

ficheiro; procurar apenas a informação de que está à procura rapidamente. Ao

adquirir um produto novo, preferia um manual de instruções físico ou manual?;

Assim o teste foi reduzido e focado para o caso de estudo, sendo que o resultado final

se divide em 19 perguntas essenciais. Serão ainda exploradas as faixas etárias dos participantes

de forma a perceber se a perceção sobre o produto é discrepante entre gerações. O objetivo

será reunir um grupo de diferentes áreas (pois o produto poderá ser utilizado para diferentes fins)

e entender se o resultado final é intuitivo. A proposta de melhoria visa corresponder,

conceptualmente, à visão do consumidor. Os testes podem ser consultados em anexo, sendo

que neste capítulo apenas serão examinados os resultados finais.

A seguir, observamos a formatação final do questionário. As conclusões a analisar por

quem conduz o questionário deverão ser: identificar qual é a finalidade deste questionário?

(oportunidade de melhoria?); quais as elações finais?(descobrir quais são as qualidades e os

defeitos do produto); de que forma os dados que eu coletar irão influenciar minhas decisões?

(visto este se tratar de um protótipo funcional, existe sempre a oportunidade de aprimorar o

conceito aproximando-o à perspetiva do consumidor). (T.Ulrich & D.Eppinger, 2003)

GUIÃO DO TESTE

Introdução: Apresentamos um produto para microencapsulação semiautomático onde é

possível criar diferentes tipos de MCs para diferentes propósitos. O intuito deste teste de produto

será validar as escolhas de design e verificar a sua aplicabilidade no produto em destaque. Como

resultado este teste servirá de auxílio para a realização do manual de instruções bem como para

a proposta de melhoria, caso necessária. Todas as tarefas serão cronometradas. Não serão

aceites respostas com menos de uma frase explicativa da sua posição relativamente à questão.

1- PROCESSO DE UTILIZAÇÃO: Esta 1ª etapa do teste visa perceber se o utilizador

entende onde se encontram os controladores do produto, e se consegue rapidamente

entender o seu funcionamento.

A ordem mais indicada para as tarefas a realizar será: Ligar o controlo geral do produto; Verificar

se os parâmetros (já definidos de origem) se são os indicados para o tipo de MCs a produzir;

Perceber se todos os componentes estão conectados entre si; Preparar as soluções nos gobelés;

No ecrã touch dar inicio ao processo; Perceber qual será a ultima etapa do processo (identificar o

gobelé de armazenamento de MCs).

2- AVALIAÇÃO DO CONSUMIDOR

1- O produto é intuitivo? (perceber se o tempo de aprendizagem relativo ao funcionamento

do dispositivo é razoável, normal ou desproporcional);

2- Reconhece segurança no produto? (perceber se mecanicamente o utilizador

reconhece segurança na forma de acoplamento dos componentes, e se quimicamente o

utilizador vê um potencial risco para a saúde);

3- As maçanetas são ergonómicas? (o utilizador deverá ser capaz de utilizar as maçanetas

de forma fluida, ou seja, estas não devem causar desconforto no seu manuseamento; O

utilizador deverá ter uma opinião sobre a disposição vertical das maçanetas);

4- As três portas de serviço abrem corretamente para a manutenção do

dispositivo? (verificar se o ângulo restrito de abertura das 2 portas frontais não prejudica o

manuseamento dos componentes; o utilizador deve ser capaz de perceber que só em raras

exceções os componentes serão retirados do interior do dispositivo, e que as portas servirão

apenas para a substituição das soluções nos gobelés e para a substituição da T-junction);

5- Este é um produto atrativo? (perceber se a tipologia interior e exterior tem efeito a nível

emocional);

6- O produto transparece qualidade? (mesmo tratando-se de um protótipo funcional,

perceber se o utilizador, valida as decisões de design do produto);

7- Quando encara o produto, qual é a primeira correlação que faz? (perceber qual é

a memória que o produto desperta no consumidor. O utilizador é capaz de associar o produto

a algo existente? ex: letras, produtos, pessoas etc…)

8- O produto conseguiria ser integrado num laboratório convencional? (perceber

se o produto é adequado para ser exposto num laboratório profissional, e se a sua tipologia

transparece que o produto é confiável. Este provoca sentimento de pose no consumidor?);

9- A manutenção dos componentes é obvia? (O consumidor identifica os componentes

10- A disposição interior dos componentes é intuitiva? Identifico claramente cada

componente? (O utilizador deve começar a perceber o papel de cada componente no

interior do dispositivo.);

11- A seleção dos materiais é a mais indicada? (perceber se o utilizador identifica

qualidades e defeitos na utilização de acrílico para um produto final.);

12- O produto tem atributos desnecessários, existem atributos em falta? (avaliar a

opinião do consumidor relativa às propostas de design dos vários componentes.);

13- A estética do produto faz com que este se destaque? (o consumidor deve

reconhecer qualidades estéticas do produto e perceber se são positivas ou negativas.);

14- Através de publicidade, acha que o produto seria memorável? (será que o produto

é memorável sem ser necessário perceber o funcionamento, ou precisa de ser

bem-apresentado para que fique na memória do consumidor.);

15- Com a publicidade, seria facilmente reconhecido pelo consumidor? (o produto é

capaz de ter valor por si mesmo ou só seria validado com uma forte identidade corporativa já

estabelecida no mercado?);

16- Existem qualidades intangiveis, que tornam o produto desejável e mais

funcional. Atributos como este levariam o consumidor a pagar mais pelo

produto? (estará o consumidor disposto a pagar mais por inovação?);

17- Qual é o produto laboratorial que conhece? Pode referir qualquer área da

química. (perceber qual é a base comparativa subliminar do sujeito.);

18- Na sua opinião como poderia este produto ser melhorado? (o utilizador tem sentido

critico sobre o produto em destaque?);

19- Por fim, este teste está bem estruturado? De modo geral foi repetitivo? (o teste

levou o sujeito a pensar a de forma holística sobre o produto?);

A estratégia adotada para a realização dos testes, passa por preparar o ambiente de

modo a reduzir a pressão da entrevista nos participantes. Assim será a cada entrevista individual

tocada música instrumental de fundo, enquanto o participante interage com o produto (Figura

45).

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