• Nenhum resultado encontrado

Testes “Qui-Quadrado” e “Cochran-Mantel-Haenszel”

Análises Estatísticas

5. Testes “Qui-Quadrado” e “Cochran-Mantel-Haenszel”

Quanto aos testes de semelhança aplicados, observamos que para um nível de significância de 5% ou 0,05 chegamos aos seguintes resultados:

Quanto às convexidades facial e cefalométrica, foi encontrado para o teste “Qui-Quadrado” o valor de 0,0588, e para “Cochan-Mantel Haenszel” o valor de 0,0214, rejeitando a hipótese de semelhança entre as classificações (convexo, reto e côncavo) dessas grandezas.

Entre as grandezas 1.NA e NLB foi encontrado o valor de 0,0111 para o teste “Qui-Quadrado” e 0,0346 para o teste de “Cochan-Mantel Haenszel”,

rejeitando a hipótese de semelhança entre as suas classificações (vestibularizado, verticalizado e lingualizado).

Para 1NB e AML também foi rejeitada a hipótese de semelhança entre suas classificações (vestibularizado, verticalizado e lingualizado), devido ao resultado de 0,001 para ambos os testes, “Qui-Quadrado” e “Cochan-Mantel Haenszel”.

DISCUSSÃO

Devido à imensa variedade individual, muitas vezes torna-se necessária a comparação de métodos de diagnósticos convencionais (cefalométricos) aos métodos pouco difundidos e comprovadamente passíveis de serem realizados tal como a análise facial, que vem recebendo muita importância e interesse no diagnóstico e planejamento ortodôntico atual.

A integração da cefalometria com a análise facial, propicia definições mais precisas do que é aceitável para determinado paciente além de favorecer a localização do componente alterado e o grau de participação das estruturas dentárias e esqueléticas relacionadas entre si, a fim da elaboração de tratamentos mais adequados.

Neste trabalho fizemos uma comparação entre quatro medidas da análise cefalométrica (NAP, ANB, 1.NA e 1.NB) com quatro medidas relativas na análise facial numérica (G’Sn’Pg’, ANB’, ANL e AML). O trabalho foi assim realizado com a intenção de verificar qual o índice de concordância, quando confrontada as duas análises.

Encontram-se na literatura alguns trabalhos comparativos semelhantes. Porém na maioria das vezes, esses trabalhos são realizados a partir de uma amostra de indivíduos com oclusão normal, perfis estéticos agradáveis, ou mesmo portadores de uma maloclusão específica. Dessa forma, nossa idéia foi a utilização de indivíduos portadores de maloclusão aleatoriamente escolhidos, sendo assim, mais compatíveis com o dia a dia da nossa clínica ortodôntica.

Nossa primeira comparação foi quanto à convexidade. O ângulo da convexidade facial determina a harmonia da face nos terços faciais médios e inferior. De acordo com DOWS (1948), o ângulo da convexidade facial, NAP, tem como norma o valor de 0º. O valor normativo é classificado como perfil reto. Acima desse valor teremos o perfil convexo e, abaixo, o perfil côncavo. Da mesma forma é classificada a convexidade facial numérica (G’Sn’Pg’), porém com outra média normativa. Segundo LEGAN; BURSTONE (1980) o valor médio desse ângulo em uma oclusão de classe I é 12º + 4º.

BRANDÃO (1999) em uma pesquisa com indivíduos portadores de maloclusão CLII – 1 obteve 8,4º como média de NAP. LANDGRAF (2004)

encontrou como média em seu trabalho o valor de -1,09º, estudando indivíduos com a profissão de modelo, sendo esses esteticamente agradáveis, porém sem tratamento ortodôntico. BRANDÃO relatou ainda ter encontrado como média de G’Sn’Pg’ o valor de 19,1º, confirmando a convexidade de indivíduos com esse tipo de maloclusão.

Na nossa pesquisa, encontramos valores de -9,5º a 21º para NAP, cuja média foi 6,28º, sugerindo perfis acentuadamente convexos. Para G’Sn’Pg’, valores de -3º a 25,5º, sendo que o valor médio encontrado foi 15,13º, sugerindo perfis normais, tendendo a convexos, o que confirma com a contagem da classificação: 31 convexos cefalometricamente contra 21 da análise facial numérica. Com isso, encontramos uma correlação médio-positiva entre as duas medidas, no valor de 0,69938, numa escala de 0 a 1. Entretanto, nos testes de semelhança os resultados foram bem baixos, rejeitando a hipótese de semelhança entre as classificações.

A segunda comparação foi entre ANB e ANB’. Essas medidas estabelecem a relação das bases apicais maxila e mandíbula, no sentido ântero-posterior, para a avaliação do perfil. Proposto por RIEDEL (1950), o ângulo ANB tem como normativo o valor de 2º. Podemos considerar tal valor como um perfil reto. Acima desse valor tende a termos um perfil convexo e, abaixo, um perfil côncavo. O ângulo ANB’, representando a medida ANB no perfil tegumentar, se mostrou pouco convencional, sendo localizadas poucas referências sobre essa grandeza. Neste tópico, fica registrada a sugestão para que sejam feitas mais pesquisas sobre a referida medida.

BRANDÃO (1999) encontrou a média de 5,3º para a medida ANB e 12,2º + 2,3º para a medida ANB’, em indivíduos CLII – 1, enquanto LANDGRAF (2004) chegou ao valor de 0,89º, para a medida ANB, em indivíduos esteticamente equilibrados.

Na nossa pesquisa foram encontradas medidas para ANB que variaram de -4º a 10º, cuja média foi 3,81º, sugerindo perfis convexos e bases ósseas mal relacionadas entre si. Para ANB’, valores de 2º a 15º, sendo a média no valor de 9,91º, o que a grosso modo representa um valor alto. Encontramos também uma correlação médio-positiva entre as duas medidas, no valor de 0,65106, numa escala de 0 a 1. Entretanto, nos testes de semelhança, assim

como na comparação anterior, os resultados foram bem baixos, rejeitando a hipótese de semelhança entre as classificações.

Pelo exposto até agora, podemos observar uma razoável coerência entre os exames. Portanto, vão se confirmando medidas e comparações compatíveis com suas respectivas classificações. Os valores médios das grandezas obtidas apresentem-se mais altos que as respectivas normativas descritas na literatura, pois estamos lidando com indivíduos com problemas oclusais, onde a maioria da amostra realmente apresentou um perfil convexo, fato que é uma característica do povo brasileiro, se comparado a norte- americanos ou europeus.

Concordamos que esses valores isoladamente avaliados influenciariam o diagnóstico, o prognóstico, e, conseqüentemente, o plano de tratamento a ser adotado. Consideramos normal a grande variação entre os resultados encontrados nessas análises devido a fatores aleatórios que nem sempre conhecemos ou encontramos. Por isso seria indicado também o exame clínico, não avaliado neste estudo, para que a convexidade seja vista no conjunto e não como valores isolados.

A terceira comparação foi realizada entre o ângulo 1.NA e o ângulo nasolabial. O ângulo 1.NA mede a inclinação vestíbulo-lingual dos incisivos superiores e, segundo STEINER (1953) sua norma clínica é 22º. Essa medida representa os incisivos superiores verticalizados, acima dela vestibularizados e inferiores a ela lingualizados. Encontramos para esse fator a média de 25,26º, sugerindo vestibularização dos referidos dentes, o que se confirma com 65% da amostra. BRANDÃO (1999); LANDGRAF (2004) também encontraram incisivos superiores acentuadamente vestibularizados com médias iguais a 31º e 28,9º respectivamente.

Em relação ao ANL, tivemos como base o ângulo de 110º, encontrada por seu idealizador SHEIDEMAN. Essa medida é muito usada para representar a posição ântero-posterior da maxila, porém é necessário considerar a influência dentária sobre esse ângulo. Dessa forma nossa pesquisa visou relacionar o ANL com a inclinação dos incisivos superiores. Encontramos valores de 70,5º a 126,5º, com uma média em um valor abaixo da norma (99,29º), sugerindo que o ângulo está diminuído, pois os inc. sup. estão vestibularizados.

Encontramos no teste de correlação entre as duas medidas o valor de - 0,13455, numa escala de -1 a 0. Esse resultado demonstra uma correlação baixa e negativa, ou seja, as medidas são inversamente proporcionais. Tal fato se confirma, pois aumentando a vestibularização dos dentes o fator 1.NA tende a aumentar, porém o ANL irá diminuir. Nos testes de semelhança os resultados também foram bem baixos, rejeitando a hipótese de semelhança entre as classificações.

Entretanto, mesmo encontrando resultados que não nos levem a uma correlação ou semelhança significativa, avaliamos que não podemos desconsiderar estatisticamente essa comparação, devido ao fato desse ângulo sofrer influências diretas de outros fatores, como o posicionamento da maxila, protrusão dos inc. sup., forma e inclinação do nariz, entre outros. Em termos práticos, podemos ter uma inclinação significativa dos incisivos e, pelo desenho do nariz, o ANL não variar, por apresentar alta dependência quanto à forma da base do nariz (exemplo: nariz arrebitado). Portanto, é razoável aceitar a ausência de correlação, uma vez que apenas um dos componentes foi avaliado.

Além disso, existem diversas pesquisas acerca do ANL, com diferentes médias e aumentando sua amplitude de normalidade, tais como: MCNAMARA JR. (1984), que encontrou 114º + 10º e ARNETT; BERGMAN (1993a e 1993b), com valores entre 85º e 105º. Se comparada a este último, teríamos a média deste trabalho numa condição de normalidade, aceitando a hipótese de resultados estatísticos mais significativos.

A quarta comparação foi realizada entre o ângulo 1.NB e o ângulo mentolabial. O ângulo 1.NB mede a inclinação vestíbulo-lingual dos incisivos inferiores. De acordo com STEINER (1953) sua norma clínica é 25º. Essa medida representa os incisivos inferiores verticalizados, acima dela vestibularizados e inferiores a ela lingualizados. Encontramos para esse fator a média de 30,19º, sugerindo vestibularização dos referidos dentes, o que se confirma com 85% da amostra.

Em relação ao AML; WOLFORD; HILLIARD (1981) encontraram como norma 124º + 10º. Em nossa pesquisa, a média foi 119,99º e os valores que variaram de 78º a 148º.

BRANDÃO (1999) encontrou como média para o ângulo 1.NB o valor de 27,7º e para o AML o valor de 106,3º. O valor médio para o ângulo 1.NB na pesquisa de LANDGRAF (2004) foi 25,83º, valor considerado normal.

Encontramos no teste de correlação entre as duas medidas o valor de - 0,15201, numa escala de -1 a 0. Esse resultado demonstra uma correlação baixa e negativa, ou seja, as medidas são inversamente proporcionais. Dessa forma, aumentando a vestibularização dos dentes, o fator 1.NB tende a aumentar, porém o AML irá diminuir. Nos testes de semelhança os resultados também foram bem baixos, rejeitando a hipótese de semelhança entre as classificações.

Embora clinicamente possamos considerar que a posição do lábio inferior seja altamente influenciada pela inclinação dos incisivos inferiores, conseqüentemente influenciando o AML, os nossos resultados não encontraram correlação estatisticamente significante. Entretanto, outros fatores como o desenho do mento e a protrusão dos inc. inf., que também alteram o referido ângulo, não foram levados em consideração nesse trabalho. Portanto, é razoável aceitar a ausência de correlação, uma vez que apenas um dos componentes foi avaliado.

CONCLUSÕES

Após o estudo e a comparação dos resultados obtidos nesta pesquisa, relacionando a análise cefalométrica e a análise facial numérica em 40 indivíduos brasileiros portadores de maloclusões e prévios ao tratamento ortodôntico, concluiu-se que:

a) Cefalometricamente apresentara perfis convexos, incisivos superiores e inferiores vestibularizados, enquanto que na análise facial numérica predominou perfil reto, tendendo a convexo, ângulo nasolabial diminuído e mentolabial normal, tendendo a diminuído.

b) Foi encontrada uma correlação médio-positiva para as convexidades cefalométrica (NAP) e facial numérica (G’Sn’Pg’) e para o ângulo ANB e ANB’, enquanto que para as medidas 1.NA e ângulo nasolabial, assim como para 1.NB e mentolabial foi encontrada uma correlação baixa.

c) Estatisticamente não houve semelhança entre as classificações das grandezas avaliadas.

d) As seguintes medidas encontraram-se acima das medidas normativas comparadas: NAP, ANB, 1.NA, 1.NB. O ângulo nasolabial se mostrou abaixo da norma, enquanto que a medida da convexidade facial numérica e o ângulo mentolabial se mostraram dentro das médias normativas comparadas.

Documentos relacionados