4 PROJETO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA
4.2 Metodologia utilizada
4.2.1 Texto Fiapo de trapo
As atividades de pré-leitura do texto Fiapo de trapo foram importantes, pois houve a exploração dos elementos visuais da obra e a preparação para a leitura.
Em seguida, iniciou-se a motivação inicial para a leitura através da seguinte pergunta: “Vocês sabem o que é um espantalho?”. Essa atividade pré-leitura foi importante para despertar a curiosidade dos alunos para a leitura. Diante de algumas respostas dos alunos, com o auxílio de um dicionário, buscou-se uma resposta mais precisa: “Espantalho: s.m. 1. Boneco ou qualquer objeto que se coloca no campo para espantar aves e roedores da seara. 2.Fig. Pessoa muito feia e mal vestida. 3. Fig. Pessoa inútil, sem nenhum préstimo”.8
O uso do dicionário foi importante para que os alunos percebessem que as palavras podem ter mais de um significado. Entre eles, o sentido literal e o figurado.
Em seguida, foi realizada a primeira leitura oral pela professora, necessária para que os alunos pudessem se familiarizar com a leitura diferenciada de entonações e elementos melódicos do texto, características da prosa poética. A realização da primeira leitura pelo professor é importante, pois, como leitor mais experiente, pode servir de modelo aos alunos. Durante a leitura oral, o aluno vai acompanhando o texto, observando os recursos de linguagem utilizados e já pode formular hipóteses sobre ele.
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Foi proposta uma segunda leitura, dividida por dois alunos, um menino e uma menina, que se voluntariaram para realizá-la. Uma segunda leitura é importante para que os alunos também pudessem demonstrar suas habilidades de leitura em voz alta, observando sua dicção e respeitando as entonações, pausas e recursos melódicos do texto.
Após a leitura, realizou-se o momento das discussões orais, envolvendo algumas questões selecionadas para a compreensão do texto. Este momento foi igualmente importante, pois possibilitou aos alunos a apreensão dos fatos do texto, de caráter individual, que envolveu atitudes antes e durante a leitura.
A primeira questão referiu-se aos motivos que tornavam o personagem principal da história, espantalho, diferente dos demais. Houve, então, o posicionamento de alguns alunos, que destacaram os elementos textuais como “ele era bonito e elegante‟, “tinha roupa de gente ir à festa”, “chapéu de veludo”, “camisa cor-de-rosa com coração bordado no peito”, “gravata de seda”, “cinto estampado”, “palha do recheio macia e cheirosa”, “tinha o dom de sentir as coisas ao seu jeito”, “sofria com a solidão”, “tinha vontade de chamar os pássaros”, etc.
Em seguida, houve o questionamento sobre o sentido de algumas palavras usadas no texto. Sugeriu-se aos alunos a consulta, novamente do dicionário, para que eles discutissem os seguintes trechos: a) “O espantalho elegante era mesmo um espanto” (Espanto significa medo, assombro ou algo que causa admiração ou pode significar os dois?); b) “Pássaro de todo canto” (canto foi usado no texto com sentido de lugar ou de todo tipo de cantar ou os dois?); c) “E o espantalho ficava no tempo”(tempo no sentido de relento ou período de tempo ou os dois?); d) “Um dia em que muda o tempo e um tempo novo se inicia” (mudar o tempo no sentido de mudança das condições climáticas ou de uma nova estação do ano se inicia ou os dois? E tempo novo no sentido de mudar a condição de vida ou de um novo modo de viver ou os dois?).
Essas discussões levaram os alunos a concluir que as palavras destacadas no texto não apresentavam um único sentido, o do dicionário, mas que poderiam ter seu sentido orientado pela intenção de quem escreve ou do contexto em que foram utilizadas. No caso do texto de Ana Maria Machado, o uso de palavras com mais de um sentido foi proposital e faz o leitor a pensar em todas essas possibilidades.
Outra questão de discussão foi acerca das características do texto em prosa poética, pois é organizado em parágrafos, mas com a presença de ritmo, obtido pelo uso de rimas, próprias da poesia. Questionados se haviam lido algum texto ou livro estruturado assim, os alunos responderam que não, mas que gostaram desse tipo de organização textual.
Depois, foi proposta uma interpretação dos momentos da narrativa, pois o texto apresentava muito bem delimitadas as sequências. Essa atividade foi importante para que os alunos percebessem bem o conflito apresentado na história. Oralmente, perguntou-se sobre a situação inicial, o conflito ou complicação, o clímax e o desfecho e solicitou-se que eles as delimitassem no texto. Previamente, foi explicado as características ou marcas de cada uma dessas sequências. Grande parte dos alunos conseguiram perceber os momentos narrativos e, com base neles, construíram o sentido do texto, o qual foi compartilhado entre eles. A partir das respostas orais, percebeu-se que a maioria dos estudantes constatou o sofrimento do espantalho com a solidão e o fato de ele querer estar próximo dos pássaros, mas em vão. Porém, através da tempestade, foi desmanchado e misturado com as palhas dos ninhos e, dessa forma, acabou ficando perto de quem queria.
Finalizou-se a aula com a proposta de registro a ser feito em casa das impressões e reflexões sobre o texto durante a leitura com a produção de uma página de um diário de leitura. Essa atividade foi interessante para cada aluno externalizar seu entendimento e sua ideia sobre o texto.
A segunda quarta literária ocorreu no dia 17/09/2014, com a retomada do texto anterior, em relação ao seu desfecho poético, pois após a tempestade o espantalho virou adubo, pedaços de ninho, do galinheiro, levando maciez, calor e amor aos filhotes de pássaros.
Houve, então, o momento de discussão das “perdas e ganhos” ocorridos na história e a construção do sentido do texto através das reflexões provocadas pela leitura. A seguir, houve instruções mais detalhadas para a produção da primeira página do diário de leitura anteriormente solicitada, a partir dessas reflexões.