2 CONFIGURAÇÃO METODOLÓGICA DA PESQUISA
3.1. Reenquadramento com nicho metafórico
3.2.1. Texto 6
“Duvidei muito antes de escrever este email por medo da resposta. Tenho 27 anos, trabalho numa boa empresa, com salário razoável, e sou bonitinha. Nada demais. Mas naturalmente simpática. Estou solteira há três anos, desde que terminei um relacionamento de seis com Pedro. As constantes traições dele geraram tantas mágoas que o término foi um alívio, e não sofri o luto que deveria. Mas tenho problemas para me relacionar. Queria me apaixonar de novo, mas não consigo. Criei uma barreira para me apaixonar de mente aberta devido ao que passei. Perdida com essas dúvidas, pensei em contatar de novo o Pedro para “fechar meu ciclo”. Mas tenho medo de fazer besteira. Também pensei em trabalhar fora da cidade, para ficar longe de tudo isso, mas acho que não é uma boa solução. Será que vou conseguir gostar de novo? Será que desaprendi a amar? Carla”
Parada no tempo
Estação de trem de cidade pequena do interior. Ao final da tarde, os poucos habitantes, de banho tomado, esperavam a chegada do único trem que trazia visitantes, encomendas e jornais da capital. A cada dia os atrasos foram se tornando mais frequentes, circunstâncias que, por falta de outras novidades, eram motivos de prolongadas conversas. Jogadores oportunistas chegaram a organizar apostas sobre essas modestas variáveis. Realmente excepcional foi o dia em que, contrariando todas as expectativas, o trem os abandonou definitivamente. E, mesmo assim, os habitantes continuaram com essa rotina. À mesma hora, sempre de banho tomado, continuaram esperando e debatendo sobre possíveis atrasos. Preferiram esperar um trem atrasado a reconhecer que nenhum trem chegaria à estação.
Carla eliminou seus conflitos com os homens porque, no seu ambiente, eles desapareceram. Como explicar sua solidão? Três anos de espera na estação, suas últimas novidades ocorreram quando Pedro, seu único namorado, saiu de sua vida. Depois dele, nada aconteceu, e ela, como os habitantes da cidadezinha, continua esperando.
É possível que uma jovem de 27 anos, simpática e de boa aparência, consiga se excluir do mercado masculino? Parece difícil que, confirmadas essas premissas, nenhum homem atravessasse seu caminho, seja em busca de amizade, sexo ou namoro. Perguntamo-nos se realmente eles não existiriam ou se, de fato, estavam presentes sem serem percebidos. Ou será que ela mesma os expulsou? Se alguma dessas hipóteses estivesse correta, o motivo mais provável seria porque continua, teimosamente, fixada em Pedro, que, à tarde, continua sendo esperado na estação. Assim, poderíamos explicar que, depois de sua prolongada frustração e ruptura, ainda sonhe com retornar à relação, ou sua outra alternativa, bastante radical, mudar de cidade, pra não frequentar a estação e, dessa forma, esquecê-lo.
Ambas as atitudes sugerem que Carla tomaria sérias medidas capazes de alterar totalmente sua vida pessoal, pela sua explícita incapacidade de resolver o problema no seu mundo interno. Para esquecer não é preciso mudar de cidade, mas de ponto de vista, ampliando seu campo visual, mudando os percursos diários, evitando a estação na qual costumava espera-lo e admitindo a conclusão definitiva dessa história. Dez anos, desde que começou com ele, é tempo suficiente para liberá-la da sua influência. Além disso, Carla não é a única mulher à espera do trem. Com ela também há homens que o fazem com a mesma ansiedade, porém o encontro só acontece quando seus protagonistas estão de corpo e alma disponível. Caso contrário, não existe a interação mínima capaz de gerar uma história de amor. Perguntamo-nos qual é a poderosa mágica que a prende ao passado. Esta informação poderia nos dar novos argumentos para decifrar o motivo de sua prolongada espera.
129 Ainda a tempo, levantamos outra hipótese: o passado prende por dois motivos opostos, muita gratificação ou enorme frustração. A primeira é compreensível. Ser amado dá segurança, paz e alegria. Porém, a frustração, quando é intensa, também prende. É difícil de entender, mas quem está habituado a ler os paradoxos do inconsciente sabe que as vítimas escolhem cuidadosamente seus algozes e resistem a perdê-los.
É verdade que esta atitude é contrária ao bom senso. Entretanto, também sabemos que as pessoas nem sempre fazem o que convém Carla sofreu quando namorava e agora sofre esperando. O que vem depois? Um novo sofrimento? Esperamos que não, nem em outra cidade, nem repetindo suas jogadas perdedoras, mas criando um novo modelo de relação. Carla tem a nossa resposta porque sabe que sua atitude automática é repetir seu erro. Paramos aqui, acabamos de escutar o apito de um trem se aproximando da estação.
(Alberto Goldin, Jornal O Globo, Revista de domingo, Seção Consultório, 25/11/2012)
Enquadramento predominante identificado: Parábola
Ao contrário do que ocorre no reenquadramento realizado por nichos metafóricos, em que esses podem ser elaborados em diferentes partes do texto, ou nele todo, no reenquadramento feito a partir de uma parábola, o primeiro parágrafo da carta-conselho concentra a narrativa parabólica que vai conduzir o movimento retórico do texto.
Assim, apresentamos o quadro a seguir, cuja análise tentará resgatar o paralelismo e os mapeamentos implícitos na parábola e que representam, fundamentalmente, a proposta de reenquadramento da situação-problema trazida pela consulente:
Carta- consulta Mapeamentos cognitivos por meio da
parábola
Carla: “Duvidei muito antes de escrever este email por medo da resposta. Tenho 27 anos, trabalho numa boa empresa, com salário razoável, e sou bonitinha. Nada demais. Mas naturalmente simpática. Estou solteira há três anos, desde que terminei um relacionamento de seis com Pedro.
As constantes traições dele geraram tantas mágoas
que o término foi um alívio, e não sofri o luto que deveria. Mas tenho problemas para me relacionar. Queria me apaixonar de novo, mas não consigo. Criei uma barreira para me apaixonar de mente aberta devido ao que passei. Perdida com essas dúvidas, pensei em contatar de novo o Pedro para “fechar meu ciclo”. Mas tenho medo de fazer besteira. [...]
Estação de trem de cidade pequena do interior. Ao final da tarde, os poucos habitantes, de banho tomado,
esperavam a chegada do único trem que trazia visitantes, encomendas e jornais da capital. A cada dia os atrasos foram se tornando mais frequentes, circunstâncias que, por falta de outras novidades, eram motivos de prolongadas conversas. Jogadores oportunistas chegaram a organizar apostas sobre essas modestas variáveis. Realmente excepcional foi o dia em que, contrariando todas as expectativas, o trem os abandonou definitivamente. E, mesmo assim, os habitantes continuaram com essa rotina. À mesma hora, sempre de banho tomado, continuaram esperando e debatendo sobre possíveis atrasos.
Preferiram esperar um trem atrasado a reconhecer que nenhum trem chegaria à estação.
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Apesar de a parábola abrir textualmente a carta-conselho, sua apresentação não é feita de maneira explícita, ou seja, não há elementos coesivos ou metadiscursivos que sinalizem a introdução do domínio “narrativa parabólica”. Espera-se, então, que o leitor acione as máximas Griceanas da comunicação, especialmente a que se refere à relevância do que é dito (SPERBER E WILSON, 1986, 1995), para compreender, cognitiva e discursivamente, que a parábola pretende contribuir para a efetivação do conselho (mesmo que indireto) à consulente ˗ propósito mais característico da carta-conselho.
Assim, o texto em tela se inicia com a descrição de uma situação que inclui uma cidade do interior, seus moradores, uma estação de trem e o trem que deixa de passar pela cidade. Estamos assumindo aqui que, da mesma forma que no reenquadramento com nicho metafórico, a estratégia discursiva de se compreender uma situação utilizando outra, ou um domínio por outro, permanece. Logo, a parábola exerceria a função de domínio-fonte e, portanto, como em uma projeção metafórica, pressupõem-se possíveis mapeamentos entre as duas situações: a da consulente, no que se refere à sua vida amorosa, e a da cidade interiorana e o trem que deixa de passar por ela.
O quadro acima procurou identificar essas associações, como sublinhado:
Carla está para os moradores da cidade,
assim como Pedro está para o trem,
assim como as traições de Pedro estão para os atrasos do trem,
assim como o fim do relacionamento está para a desativação da passagem do
trem pela cidade,
assim como a ideia de Carla de contatar Pedro está para os moradores que esperam um trem atrasado.
No próximo quadro, tentamos recuperar a motivação para as associações, ou seja, o
grounding que norteia os mapeamentos cognitivo-discursivos propostos acima:
Elementos do domínio-alvo: carta- consulta Elementos do domínio-fonte: parábola Grounding
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Pedro Trem Traições e atrasos; são
esperados
Traições Atrasos Decepções
Fim do relacionamento Desativação da passagem do trem Desinteresse
Contatar Pedro Moradores vão à estação esperar o
trem
Esperança
Para assegurar que os mapeamentos propostos serão acionados e, em função da ausência de interlocução sincrônica do texto escrito, ou seja, como o autor deve apenas pressupor o caminho cognitivo que o leitor percorrerá para elaborar os mapeamentos entre os domínios, ele explicita, textualmente, alguns mapeamentos. É o que se observa em trechos do texto, como:
“Depois dele, nada aconteceu, e ela, como os habitantes da cidadezinha, continua esperando.” (Carla=habitantes da cidadezinha) – uma símile;
“Três anos de espera na estação, suas últimas novidades ocorreram quando Pedro, seu único namorado, saiu de sua vida...” (Carla espera por Pedro como os habitantes esperam pelo trem na estação, logo Pedro=trem) – entrelace de domínios (estação e situação de Carla) no mesmo período;
“fixada em Pedro, que, à tarde, continua sendo esperado na estação.” (Pedro=trem) - entrelace de domínios (estação e situação de Carla) no mesmo período;
“Carla não é a única mulher à espera do trem.” - entrelace de domínios (estação e situação de Carla) no mesmo período; (Pedro=trem).
Assim, o reenquadramento é construído a partir dos mapeamentos acima e a associação entre os domínios poderia ser vista como: Carla espera por Pedro, que terminou o seu relacionamento com ela, e os moradores da cidade pequena espera pelo trem que deixou de passar. Pedro traiu/decepcionou Carla várias vezes e o trem atrasou também várias vezes, decepcionando os moradores. Carla quer contatar Pedro e retomar a relação e os moradores da cidade continuam esperando o trem na estação.
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Uma vez elaborado o reenquadramento, a terceira parte da estrutura do texto, a retomada da parábola, citada anteriormente, se apresenta como crucial para a culminância do propósito comunicativo – o de aconselhar. Como mencionado na Fundamentação Teórica deste trabalho, a parábola pressupõe uma moral, um ensinamento, que pode, no âmbito dos textos do gênero “carta de aconselhamento”, equivaler ao conselho propriamente dito. Para concluir o texto e, de alguma forma, prover uma orientação, o autor escreve no último parágrafo:
É verdade que esta atitude é contrária ao bom senso. Entretanto, também sabemos que as pessoas nem sempre fazem o que convém Carla sofreu quando namorava e agora sofre esperando. O que vem depois? Um novo sofrimento? Esperamos que não, nem em outra cidade, nem repetindo suas jogadas perdedoras, mas criando um novo modelo de relação. Carla tem a nossa resposta porque sabe que sua atitude automática é repetir seu erro. Paramos aqui, acabamos de escutar o apito de um trem se aproximando da estação.
A retomada da parábola acontece somente na última expressão (“acabamos de escutar o apito de um trem se aproximando da estação”), mas recupera o enunciado diretivo de “Esperamos que não, nem em outra cidade, nem repetindo suas jogadas perdedoras, mas criando um novo modelo de relação”, em que o conselho implícito poderia ser dividido em três orientações: Carla não deve modificar sua vida (mudar de cidade), não deve procurar Pedro (repetir jogadas perdedoras) e deve procurar outros relacionamentos (um novo modelo de relação). A última expressão aponta para a possibilidade de chegada de um novo trem na cidade pequena (=outro relacionamento amoroso, outro Pedro).
É interessante observar que, ao contrário do nicho metafórico, e por se tratar de um domínio que se constitui a partir de uma narrativa fechada, não há inserções de novos elementos ao longo do texto. No reenquadramento por parábola, uma vez concluída a etapa de apresentação da narrativa, não há alusão a outros elementos do domínio que permitiriam novos mapeamentos. No texto analisado, por exemplo, não há nenhuma outra informação sobre a cidade ou o trem no corpo do texto, ou alusão a outros elementos como a igreja da cidade ou o conforto do trem, ou seja, em outra parte do texto, diferente daquela em que se faz a apresentação da parábola. Esta se estabelece, assim, como um frame online (VEREZA, 2012), elaborado localmente, ou seja, ele é individualizado para aquele texto e não aciona um
frame off-line específico, uma vez que não há um domínio compartilhado socialmente sobre
uma cidade pequena que, deixando de ser atendida por um trem, ainda assim seus moradores continuem a esperar por ele na estação.Isso não quer dizer, no entanto, que frames off-line
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(ou, simplesmente, frames, como na Semântica de Frames de Fillmore, 1985) mais gerais não sejam evocados: no frame “estação de pequena cidade de interior”, incluem-se um trem, passageiros que esperam na plataforma, atrasos de trem, etc. Esse frame contextualiza cognitivamente a narrativa que surge em forma de parábola, formando um frame online.
No reenquadramento por nicho metafórico, ainda que, em muitos casos, a elaboração deste se limite a apenas um parágrafo, sempre há a possibilidade de que novos elementos sejam incorporados ao longo do texto da carta-conselho, ou seja, quando, por exemplo, se entende relacionamento amoroso como esporte (texto 1), em qualquer outra parte do texto, diferente daquela em que o nicho está mais presente, pode-se aludir a qualquer outro elemento do domínio “esporte”. Isso ocorre porque o nicho metafórico é construído online a partir de associações com um frame off-line, socialmente compartilhado e muito mais “elástico” do que a parábola, ou seja, com um número maior de possibilidades do que o oferecido pela narrativa parabólica, cujas opções se encerram no âmbito da narrativa propriamente dita e de seu propósito de conduzir uma moral.
3.2.2.Texto 7
"TENHO 28 ANOS E BASTANTES QUESTÕES. Uma delas é: a paixão é para os fracos?Na sua coluna deixa claro que amor é uma coisa, paixão, outra e os que se entregam a ela frequentemente se estrepam. Alguns se dão bem, é claro. Mas não é a regra. E eu faço parte da maioria. Tive uma relação de seis anos com Mauricio, com idas e vindas. Apaixonei-me perdidamente. Mas surgiu um problema: depois de um tempo de namoro, a atração dele por mim diminuiu e ao longo do tempo se agravou. Ele se justificava, jovem recém- formado, dependia dos pais... Ate lograr independência e mudar de cidade. Rompemos. Dois anos separados, reatamos e fui morar com ele. Nesse período, nosso problema se agravou. Admirava-me, mas não me desejava. Separei e, dois meses depois, engravidou outra garota, com quem está casado hoje, muito feliz. Sinto-me ingênua por ter investido no “amor”; fui meu próprio algoz... Estou solteira e ainda sofro. O que fazer? Apesar de bonita e sexy – ao menos para muitos outros rapazes -, não quero uma nova paixão em 2012...” Ellen
Apostando no Amor
DESSA VEZ O MILIONÁRIO PRÊMIO DA MEGA-SENA tinha saído para um único apostador, um modesto camponês que, de repente, ficou rico e famoso na sua pacata região. Sua felicidade durou pouco, dois anos depois, foi assassinado num episódio amplamente difundido pela mídia. Meses mais tarde, o prêmio novamente acumulado foi para um funcionário público, que discretamente, embolsou a fortuna e mudou de cidade. Seus amigos relatam que agora ele se dedica ao esporte e viaja pelo mundo com sua família.
Ao primeiro a fortuna matou, ao segundo, proporcionou glamour e alegria…
Respondo à Ellen dizendo que a paixão é a Mega-Sena de uma vida que, dependendo de como for administrada, mata ou alegra. Paixão e Mega-Sena oferecem fantásticas quantidades de energia, criatividade, beleza etc., porém obnubilam os sentidos, transformam o sujeito que, nunca mais será o mesmo, promovendo felicidade total ou, às vezes, tragédia iminente.
134 Ellen precisa entender que sua dolorosa experiência pessoal não demoniza a paixão, nem a transforma em garantia de felicidade. Ela oferece momentos plenos, eufóricos e quase sempre, irresponsáveis… Funciona como uma droga, sem química nem traficante, porém paixão e dinheiro não admitem desaforos. Vamos rever sua história: durante anos foi apaixonada por Maurício e não o perdeu por amá-lo excessivamente, mas porque Maurício não enfrentou nem resolveu seus problemas sexuais. A relação começou como outras, com ereção e desempenho normais, porém, para alguns homens, a continuidade da relação aniquila o desejo. Começam sexualmente bem, porém à medida em que a relação se estabelece, se torna “familiar”, a namorada vira irmã e boa amiga e para recuperar o erotismo, precisam trocá-la ou se separar por um tempo e assim reiniciar o ciclo… A paixão persistiu, por isso retomaram o que desapareceu foi o tesão do Maurício.
Amor e admiração mútuos operaram contra o desejo e era óbvio que precisavam de uma adequada e urgente ajuda terapêutica. Ellen amou e foi amada. Perdeu, porque o sintoma neurótico apagou o desejo é possível que Maurício, com o tempo, venha a repetir o sintoma no seu recente casamento. O único erro da Ellen foi ter retomado o segundo tempo da relação, sem avaliar a gravidade do problema. Foi mulher apaixonada, romântica e ingênua, já que, pensando objetivamente não havia motivos para uma solução espontânea...
Reconheço que com alguma frequência as mulheres toleram as limitações sexuais dos seus futuros maridos, confiando que o casamento, os filhos ou a própria vida irão resolvê-los. Nem sempre é assim, mesmo que neste caso tenha sido o próprio Maurício que desistiu, imaginando, como é típico, que Ellen era a responsável pelos seus fracassos. Por isso não é adequado usar histórias pontuais para demonizar paixão e Mega- Sena, mesmo que, às vezes, aparentem ser as únicas responsáveis. Sinceramente, acredito que Ellen deveria se dar novas oportunidades de amar, evitando negar ou desvalorizar os sinais relevantes do homem que dorme ao seu lado. Precisa enfrentar, discutir, tratar a questão e, na medida do possível, renovar suas apostas no fascinante jogo da vida.
(Alberto Goldin, Jornal O Globo, Revista de domingo, Seção Consultório, 26/02/2012)
Enquadramento predominante identificado: Parábola
Analogamente ao texto 6, o primeiro parágrafo da carta-conselho do texto 7 concentra a narrativa parabólica e, novamente, tentaremos resgatar os mapeamentos entre a carta- consulta e a parábola:
Carta- consulta Mapeamentos cognitivos por meio da parábola
"Tenho 28 anos e bastantes questões. Uma delas é: a paixão é para os fracos? Na sua coluna deixa claro que amor é uma coisa, paixão,
outra e os que se entregam a ela frequentemente se estrepam.
Alguns se dão bem, é claro. Mas não é a regra. E eu faço parte da maioria.
frequentemente se estrepam Alguns se dão bem,
Dessa vez o milionário prêmio da Mega-Sena tinha saído para um único apostador, um modesto camponês que, de repente, ficou rico e famoso na sua pacata região. Sua felicidade durou pouco, dois anos depois, foi assassinado num episódio amplamente difundido pela mídia. Meses mais tarde, o prêmio novamente acumulado foi para um funcionário público, que discretamente, embolsou a fortuna e mudou de cidade. Seus amigos relatam que agora ele se dedica ao esporte e viaja pelo mundo com sua família.
Ao primeiro a fortuna matou,
ao segundo, proporcionou glamour e alegria…
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Verifica-se, na estrutura da parábola utilizada como reenquadramento no texto 7, a organização retórica em termos de uma analogia entre duas situações com desfechos diferentes, porém com um mesmo evento inicial e, de alguma forma, responsável pelos desfechos: a conquista do prêmio da Mega-Sena.
Vejamos os elementos dos domínios fonte (parábola) e alvo (situação da consulente), as relações que se estabelecem entre eles e as motivações para que tais relações pudessem acontecer: Elementos do domínio-alvo: carta- consulta Elementos do domínio-fonte: parábola Grounding
Paixão Prêmio Felicidade
Ellen Ganhador do prêmio Prêmio/paixão
Pessoas apaixonadas e infelizes
Ganhador assassinado Desfecho negativo