4. DIQUES MÁFICOS DO BLOCO GAVIÃO
4.2. PETROGRAFIA
4.2.2 Texturas
Ofítica: esta textura é caracterizada nas rochas estudadas por apresentar cristais de plagioclásio
completamente englobados por um mineral máfico.
Subofítica: os cristais de plagioclásio encontram-se parcialmente englobados por cristais
opticamente contínuos de piroxênios.
Intergranular: os interstícios entre cristais de plagioclásio são ocupados por pequenos cristais de
Porfirítica: Cristais maiores (fenocristais) estão imersos em uma massa de granulação menor
(matriz).
A tabela 4.1 mostra uma síntese da composição mineralógica e textural das rochas estudadas. As fichas de descrição petrográfica de cada amostra encontram-se no anexo1.
Tabela 4.1- Composição mineralógica dos diques máficos do BG. Pl = Plagioclásio; Aug = Augita; Hbl = Hornblenda; Op = Minerais Opacos; Sph = Esfeno; Qtz = Quartzo; Bt = Biotita; Ap = Apatita; Zr = Zircão; Chl = Clorita; Saus = Sausuritização; Ural = Uralitização e Clo = Cloritização; Inter=Intergranular; Of=Ofítica; SOf=Sub-Ofítica; Porf= Porfirítica.
Os diques máficos da região estudada são representados por 15 amostras, das quais 55% são de granulação fina (tamanho máximo= 0,9 mm) e 45% de granulação média (tamanho máximo= 2,8mm). Predomina a textura sub-ofítica e, subordinadamente, a ofítica e intergranular (Fotomicrografias 4.1 e 4.2), observando-se, com menor frequência, uma textura fracamente porfirítica (amostras BLV 13, BLV 14, BLV 15, BLV 16 e BLV 17) com fenocristais de tamanho médio em torno de 1,4 mm dispersos numa matriz de granulação fina (tamanho médio=0,96 mm).
Minerais
Amostra Pl Aug H
bl Op Sph Q t z Bt Ap Zr C hl Hidrotermais Processos
Deutéricos Textura BLV 01 x x x x x -- -- -- -- x Ural -Clo Inter/ Of BLV 02 x x x x x x -- x x x Saus -Ural - Clo Of/Inter BLV 03 x x x x x x -- -- x x Saus -Ural - Clo SOf/Inter BLV 04 x x x x x -- x -- -- -- --- Inter/S Of/Of BLV 05 x x x x x -- x x -- -- Saus -Ural - Clo Inter/S Of BLV 06 x x x x x -- x -- x -- Saus -Ural- Clo SOf BLV 07 x x x x x -- x x x -- Ural -Clo SOf BLV 08 x x x x x -- -- x -- x Saus -Ural - Clo SOf
BLV 09 x x x x x -- x x x x --- SOf
BLV 12 x x x x x x -- x -- Saus -Ural - Clo SOf/Int er BLV 13 x x x x x -- x -- x x Saus -Ural - Clo SOf/Of/Porf BLV 14 x x x x x x x -- x x Saus -Ural - Clo SOf/Porf BLV 15 x x x x x -- x -- -- x Saus -Ural - Clo SOf/Of/Porf BLV 16 x x x x x x x -- x x Saus -Ural - Clo SOf/Of/Porf BLV 17 x x x x x -- x -- -- x Saus -Ural - Clo SOf/Of/Porf
Fotomicrografia 4.1- Aspecto geral da textura sub-ofítica e intergranular. Amostra BLV 04. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita; Op- mineral opaco. Aumento 25X.
Fotomicrografia 4.2- Aspecto geral da textura sub-ofítica e intergranular. Disposição dos cristais de plagioclásio com hábitos curtos a alongados. Amostra BLV 04. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita. Aumento 25X.
A seguir será realizada a descrição detalhada de cada mineral identificado.
Os plagioclásios possuem uma representação volumétrica expressiva (52% da rocha), com dimensões variando entre 0,05 a 2,8 mm, com predomínio médio em torno de 0,8 mm e, subordinadamente, como fenocristais de dimensões médias em torno de 1,4 mm. De modo geral, apresentam-se como ripas euédricas a subédricas hábitos curtos a alongados, dispostos em glômeros formando a geometria em “X” ou em cruz e, mais raramente,em grãos anédricos (Fotomicrografias 4.1 e 4.2).
Apresentam-se raramente zonados (Fotomicrografia 4.3), com extinção ondulante e geminados segundo a lei polissintética da albita e albita-Carlsbad, sendo que, em raros casos
0,2 mm 0,2 mm Aug Pl Op A B 0,2 mm Aug Pl 0,2 mm
Fotomicrografia 4.3- Plagioclásio zonado. Amostra BLV 03. Polarizadores cruzados. Aumento 25X.
as lamelas de geminação encontram-se completas, parciais ou até mesmo ausentes formando grandes áreas não geminadas. Conteúdos de anortita (%) obtidos através dos geminados albita, pelo método Michel- Levy (Kerr 1959), sugerem que esse plagioclásio é do tipo andesina-labradorita (An=45-60%).
Os plagioclásios possuem contatos entre si e com piroxênios, retos (Fotomicrografias 4.4 e 4.5), embaiados, curvos ou reentrantes. Ocorrem em algumas amostras, englobando cristais de augita ou sendo englobados (Fotomicrografias 4.5 e 4.6). Exibem em algumas amostras (amostras BLV 01, BLV 02 e BLV 08) cor acastanhada no núcleo do cristal, dando-lhe aspecto nublado e difuso, onde é possível distinguir essencialmente mica branca e carbonato, com bordas mais claras. Casos esporádicos de saussuritização no interior de alguns cristais são observados, onde é possível distinguir mica branca e epidoto. Incluem além desses produtos de alteração, piroxênios, anfibólio, minerais opacos e apatita. Intercrescimento granofírico ou micrográfico ocorrem nas bordas dos plagioclásios (Fotomicrografia 4.4).
Fotomicrografia 4.4- Detalhe do contato reto entre os cristais de plagioclásio e augita e intercrescimento granofírico na borda do plagioclásio (B). Amostra BLV 02. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita; Gr- intercrescimento granofírico. Aumento 25X.
O piroxênio ocupa cerca de 38% do volume total da rocha, podendo chegar a proporções mais elevadas (45%) em algumas amostras. É representado essencialmente por cristais de augita com tamanho máximo de 2,5 mm e mínimo de 0,05 mm. É caracterizado principalmente pelo relevo médio e pelo ângulo “2V” médio-elevado. Geralmente, apresentam-se anedrais a subeuedrais e frequentemente englobam parcialmente os cristais de plagioclásio ou preenchem seus interstícios (Fotomicrografias 4.5, 4.6, 4.7 e 4.8). Não raramente, os cristais apresentam bordas e fraturas preenchidas pela clorita, além de interdigitações da associação anfibólio, biotita e clorita (Fotomicrografias 4.9 e 4.10).
Fotomicrografia 4.5 – Cristais de plagioclásio subédricos englobando cristais de augita. Amostra BLV 01. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita Aumento de 25X.
Fotomicrografia 4.6 – Aspecto geral da textura sub- ofítica com plagioclásio apresentando geminação do tipo albita-Carlsbad. Amostra BLV 12. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita Aumento de 50X.
0,2 mm 02, mm
Pl Aug
Fotomicrografia 4.8- Cristais de augita preenchendo os interstícios do plagioclásio. Amostra BLV 05. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita; Op- minerais opacos. Aumento 25X.
Fotomicrografia 4.9- Cristais de augita com bordas de anfibólio, biotita e clorita. Amostra BLV 08. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita; Ap- apatita; Op-minerais opacos Anf+Chl+Bt- anfibólio+clorita+biotita. Aumento 25X.
Fotomicrografia 4.7- Aspecto geral do cristal de augita englobando ripas de plagioclásio. Amostra BLV 04. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita; Op- minerais opacos. Aumento 25X.
A B 0,2 mm 0,2 mm Pl Aug Pl Op Pl A B Pl Aug Op 0,2 mm 0,2 mm Ap Aug Pl 0,2 mm A B 0,2 mm
Fotomicrografia 4.10- Detalhe do cristal de clinopiroxênio com bordas de anfibólio e clorita. Amostra BLV-08. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Aug- augita; Anf+Chl- anfibólio + clorita. Aumento 25X.
Fotomicrografia 4.11- Detalhe do mineral opaco bordejado por esfeno. Amostra BLV 02. A. Luz plana. B. Polarizadores cruzados. Pl- plagioclásio; Cpx- clinopiroxênio; Op- mineral opaco; Sph- esfeno. Aumento 25X.
Os minerais opacos (8% em volume) são representados por magnetita e ilmenita. As magnetitas ocorrem predominantemente anédricas de formas irregulares a cristais subédricos envolvendo cristais de piroxênios e plagioclásios. As ilmenitas (?) ocorrem anédricas, esqueléticas, via de regra, associadas a cristais de esfeno (Fotomicrografia 4.11).
O anfibólio restringe-se às bordas dos cristais de augita, normalmente em lamelas de cor castanha, fortemente pleocróica, às vezes interdigitadas com cristais anédricos de biotita e clorita. O contato anfibólio- augita sugere a possibilidade do primeiro ter sido gerado por um processo de transformação tardia a partir do piroxênio (Fotomicrografias 4.9, 4.10, 4.12 e 4.13). A B 0,2 mm 0,2 mm Aug Pl Anf+Chl A B 0,2 mm 0,2 mm Cpx Sph Op Sph
A biotita ocorre sob a forma de lamelas subédricas a anédricas interdigitadas em cristais de anfibólio e clorita. Inclui minerais opacos e apatita.
A apatita e zircão são poucos expressivos e não ultrapassam 2% do volume total da rocha. A apatita ocorre em todas as amostras sob a forma basal ou acicular (Fotomicrografia 4.9). O esfeno ocorre restrito a algumas amostras e sempre associado aos minerais opacos (provável ilmenita) (Fotomicrografia 4.11).
A clorita, mica branca, epidoto e carbonato constituem os minerais provenientes da desestabilização dos plagioclásios e piroxênio (augita), além de preencherem microfissuras nos minerais.