A pesquisa de campo aconteceu na época em que o CMEI ainda funcionava em período parcial. Ela ocorreu na minha sala de aula, no turno vespertino, durante as nossas aulas nos meses de outubro a dezembro do ano de 2015 num período de 21 dias de observação.
Apesar de não fazer parte do currículo das crianças, estas observações e atividades foram realizadas no tempo pedagógico disponibilizado pela Unidade Escolar. Contei com a ajuda de uma ADI – Auxiliar de Desenvolvimento Infantil – que trabalha nesta turma, assim com a participação de nove crianças.
Os nomes das crianças foram preservados para manter a integridade das mesmas, preferindo assim usar uma letra do alfabeto para nomeá-las. Realizei também uma adaptação das falas das crianças para que o texto torne se mais compreensível.
Sendo assim, apesar das TIC não fazerem parte do currículo destas crianças da Educação Infantil, resolvi falar sobre estes aparatos tecnológicos com as crianças do meu grupo por saber que estes aparelhos já fazem parte da vida de muitas delas que estão em contato comigo todos os dias. Achei importante trazer este assunto para sala de aula. Percebi isso através das conversas que tive com as crianças, principalmente nas Rodas de Conversa e por existir, na nossa sala de aula, um Kidsmart: computador revestido por um móvel colorido que tem um aspecto de brinquedo.
No ano de 2008 a UE recebeu dois Kidsmarts. O computador foi doado pela Empresa IBM que promovia uma ação mundial no qual o objetivo era contribuir para a melhoria da educação básica. Várias escolas do município receberam e a nossa foi uma das contempladas. O Kidsmart também fez parte da pesquisa sendo utilizado em algumas atividades de observação.
Nesta perspectiva, tendo em vista os objetivos listados para esta pesquisa, os resultados indicaram muitas descobertas em relação ao uso das tecnologias de informação e comunicação pelas crianças: seja através de suas falas ou através dos registros de atividades que foram escritos por elas ou pela análise dos resultados dos questionários produzidos pelos pais.
Em relação à percepção das crianças sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação que as cercam, a partir de uma atividade chamada apresentação de um Smartphone, pude perceber que as crianças enxergam o celular e o smartphone, como uma tecnologia que serve para o entretenimento. Seja a partir da possibilidade de baixar e assistir vídeos, seja através de registros de fotografias ou mesmo através do game ou jogo, tal como observamos nos diálogos abaixo:
A Criança L conta que o aparelho celular serve para jogar, ver e tirar fotos e assistir vídeo. Perguntado se ela possui um aparelho ela informa:
Criança: Eu tenho um celular.
Prof.ª: Qual o número do seu smartphone?
Criança: Não tem número porque ele é de brinquedo. E é rosa das
Princesas. Tem que ligar no botão que fica ao lado (apontando para o smartphone que esta na sua mão) para ele funcionar.
Profª: Que legal. E você faz o que com o seu aparelho?
Criança: Eu brinco com a minha irmã de conversar no zap, assistir
vídeos e muitas coisas.
A Criança I relata que o aparelho serve para jogar e tirar fotos. Perguntado se ela possui um aparelho ela diz:
Criança: Tenho sim.
Profª: Qual o número do seu smartphone?
Criança: Não tem chip minha pró. Ele só serve para eu jogar e tirar
fotos do meu irmão, pai e mãe.
Profª: Quais os jogos que você mais gosta?
Criança: O jogo do macaco e o do Bem 10. Meu irmão tem um
celular com chip e ele fica no “zap”.
Profª: Você não tem whatsapp?
A função primeira do celular – que seria fazer ligações telefônicas entre as pessoas - não aparece registrada nestes relatos (somente pela criança S que dialoga com a criança A) que informa que a sua mãe liga para uma tia.
Criança S: Minha pró isso é um telefone.
Criança A: Não é um telefone e sim um celular.
Profª: Qual diferença de um celular e um telefone criança A?
Criança A: O telefone é para ligar para as pessoas e um celular
serve para jogar.
Criança S: Mas o telefone da minha mãe serve para jogar e ligar
para as pessoas.
Estes diálogos servem para percebermos a visão da criança em relação ao smartphone e sua mudança de função em relação ao celular: antes o celular servia apenas para telefonar. Hoje em dia, esta é uma das funções que menos é utilizada, na visão das crianças. Kenski (2007) nos diz que: “A ampliação e a banalização do uso de determinada tecnologia impõem-se à cultura existente e transformam não apenas o comportamento individual, mas o de todo o grupo social” (KENSKI, 2007, p.21).
Em relação ao uso do aparato tecnológico tablet, na Roda de Conversa foi apresentado às crianças esse aparelho. Depois que eles o manusearam, lancei a seguinte pergunta: Crianças, quem sabe me dizer que tecnologia de informação e comunicação é essa que esta em minhas mãos?
Todas as crianças que participaram desta roda disseram que era um tablet. Somente a Criança Z falou que se tratava de um computador. Todos disseram que servia para jogar. Enquanto me respondiam as perguntas, elas manuseavam o tablet e jogavam o game Subway Surf: game que tem por objetivo correr o mais longe possível em um mundo sem fim, evitando os obstáculos gerados aleatoriamente que exigem que o jogador salte (ponta do dedo para frente), role (ponta do dedo para trás) e desviem dos trens que se aproximam de uma forma aleatória. Ele possui várias fases e à medida que o jogador vai passando as fases, o game vai apresentando mais obstáculos Fonte:
Diálogo com Criança R:
Profª: Que aparelho é esse?
Criança: Isso é um tablet pró.
Profª: Para que serve?
Criança: Ele serve para jogar os jogo e trabalhar.
Profª: Você tem um aparelho desse?
Criança: Eu tenho um tablet e foi meu pai que me deu.
Profª: Você usa e para que você usa o seu tablet?
Criança: Eu uso para jogar os jogos.
Profª: E você gosta deste aparelho?
Criança: Eu gosto de jogar o jogo que “constrói casas” e Subway
Surf.
Enquanto ia jogando o game Subway Surf, a criança ia conversando comigo: Criança: “Minha pró eu consegui passar de fase” – a criança passou da 1ª Fase Criança: “Tô eu outra fase. Já foi duas” crianças passou para 2ª Fase.
Criança: “De novo pró” – a criança avança mais uma fase.
Em um momento a criança para de jogar e olha para mim com cara de felicidade e me diz: “minha pró eu adoro esse jogo”. E continua a jogar, sem tirar os olhos da tela: “Já... corre, corre, corre”.
Após um tempo disse a ele que agora era hora de fazermos outra atividade e ele dispara: “Poxa pró deixa jogar mais um pouquinho”.
Enquanto esta atividade ocorria na sala de aula, as outras crianças encontravam –se nos ambientes em que mais lhe agradavam: cantinho da leitura ou no salão de belezas ou no consultório médico ou no próprio Kidsmart. Para isso a ajuda da Minha ADI foi primordial para o andamento das atividades de observação e entrevista.
Neste momento em que as crianças poderiam fazer as suas escolhas por determinados ambientes da sala, percebo o quanto é importante e necessário brincar. Através da brincadeira a criança vai construindo conceitos e quanto mais ela
brinca mais criativa ela fica. Kishimoto (2009) nos afirma que: “Quando desenvolvido livremente pela criança, o jogo tem efeitos positivos na esfera cognitiva, social e moral”. (KISHIMOTO, 2009, p.102)
Diálogo com a Criança Z:
Profª: Que aparelho é esse?
Criança: Um computador.
Profª: Para que serve?
Criança: Ele serve para jogar.
Profª: Você tem um aparelho desse?
Criança: Eu não tenho nem ninguém na minha casa tem dinheiro
para comprar.
Profª: Você já usou este aparelho em algum lugar ?
Criança: Só uma vez que vi na casa da minha tia. Ela tem um que
ela assiste vídeo, mas ela não deixa ninguém pegar para não quebrar.
Eu conversava com a criança e perguntava se ela conhecia o jogo Subway Surf e ela não conseguia me escutar de tão fascinada que estava com o aparelho. Preguntei a ela quatro vezes e nada de repostas. Até que a criança parou do nada e me respondeu que não sabia, nem estava conseguindo jogar direito.
Deixei a criança ficar mais uns dez minutos com o tablet e esta me falou que nunca tinha brincado em um aparelho daqueles. A criança demostrou não ter muita familiaridade com o mesmo, pois não sabia como manuseá-lo.
A partir desta atividade pude perceber que as crianças enxergam o tablet como uma tecnologia que serve unicamente para o entretenimento: jogar. O game terminou fazendo com que esta tecnologia fosse difundida mais rapidamente entre os membros da sociedade, Silva (2006). E vai mais além: “[...] ao mesmo tempo, a iniciação pelo jogo, pelo lúdico, a uma forma de cultura informática que se propaga, se difunde através da sociedade. O jogo torna-se assim o modo de difusão privilegiado das novas tecnologias junto ao público.” (SILVA, 2006, p. 37)
Percebo também que apesar da grande maioria destas crianças já estarem familiarizadas com esta tecnologia, existe uma criança no grupo que, aparentemente, nunca tinha manuseado tal aparelho, negando a ideia de que todas as crianças nascem nativas digitais como informa Perrenoud: “As crianças nascem em uma cultura em que se clica...]” (PERRENOUD, p. 107)
Ao realizar outra roda de conversa com as crianças onde a proposta era saber se elas lembravam quais as tecnologias de informação e comunicação que fizemos uso durante a semana, levanteis algumas questões para o grupo:
Quais Tecnologias de Informação e Comunicação vocês conhecem?
Quais vocês têm em casa?
Quais temos na nossa Escola?
Qual tecnologia você mais gosta e o por quê?
Na Roda de Conversa as crianças foram pontuando e informando quais tecnologias de informação e comunicação conheciam: tablet, celular, computador, televisão, entre outros. Após esta conversa, elas foram convidadas a colorir uma tarefa onde iriam dar um colorido especial às imagens que representam as TIC. Após a atividade concluída, as crianças me explicaram porque coloriram tal imagem e o uso que fazem desta tecnologia.
Diálogo com a Criança J
Profª: Quais tecnologias você conhece e para que serve?
Criança: Computador: serve para jogar.
Celular: serve para jogar, ver vídeos.
Lápis: serve para escrever.
Rádio: serve para ouvir som.
Lapiseira: serve para fazer a ponta do lápis. Televisão: serve para jogar vídeo game rosa.
Profª: Você tem um vídeo game rosa?
Criança:Tenho sim pró. Eu jogo o jogo da Princesa Sofia. Se eu
trouxer você coloca na nossa televisão para a gente brincar?
Profª: Coloco sim!
Diálogo com a Criança L:
Profª: Quais tecnologias de informação e comunicação você conhece
e para que serve?
Criança: “Putador” (Computador) - serve para jogar e assistir Pepa
“Não sabia o nome e mostrou o desenho na atividade” (Joystick)- serve para jogar vídeo game.
Televisão - serve para assistir desenho e ver a novela “Além do Tempo” e “Malhação”.
Lápis - serve para pintar .
Pude perceber através desta atividade, que as crianças conseguem distinguir tecnologias que estão presentes no cotidiano e o uso que fazemos delas.
A criança J e a criança L descrevem o lápis e lapiseira como tecnologia e para que servem. Na verdade tudo o que é produzido pela espécie humana e utilizado por ela é tecnologia. Porém, a análise desta tarefa era sobre as tecnologias de informação e comunicação que elas conhecem. Segundo Kenski (2007): “As tecnologias são tão antigas quanto à espécie humana. Na verdade, foi à engenhosidade humana, em todos os tempos, que deu origem às mais diferenciadas tecnologias.” (KENSKI, 2007, p.15)
Outro relato bastante significativo para perceber o olhar da criança a partir das TIC que a cercam veio através de outra atividade realizada. Fizemos uma Roda de Conversa e falávamos sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação. Relembramos aquelas que usamos diariamente. .
Procurei saber das crianças quais eram as tecnologias de informação e comunicação que elas conheciam e a sua preferida. Foi lançada para turma a seguinte pergunta: Qual a Tecnologia de informação e comunicação que vocês mais conhecem? Na Roda de Conversa eles foram pontuando e informando quais Tecnologias que eles conheciam: tablet, celular, computador, televisão, rádio, kidsmart, entre outros. Após esta conversa, chamei as crianças individualmente e fiz estas seguintes perguntas:
1- Qual tecnologia de informação e comunicação você conhece? 2- Qual você mais gosta?
Após elas responderem tais perguntas pedi para que as crianças, através da utilização da massa de modelar, reproduzissem duas tecnologias que elas tinha me respondido anteriormente. Uma seria a que elas mais gostassem e a outra a que elas conheciam. Após conversar com todas elas fizemos uma exposição das tecnologias que elas produziram.
Diálogo com Criança A:
Profª: Qual a tecnologia de informação e comunicação você
conhece?
Criança: Computador, tablet. Minha pró, como é o nome daquela
tecnologia que passa o papel?
Profª: Impressora.
Criança: Sim pró. Eu também conheço celular e rádio.
Profª: Qual você mais gosta?
Criança: O tablet.
Profª: Quais aparelhos você modelou?
Criança: O tablet e o celular.
Diálogo com a Criança S:
Profª: Qual a tecnologia de informação e comunicação você
conhece?
Criança: Telefone, rádio, tablet e notebook.
Profª: Qual você mais gosta?
Criança:Notebook.
Profª: Quais aparelhos você modelou?
Criança: Notebook e telefone.
A partir destes dados produzidos pelas crianças comprovei novamente qual a tecnologia de informação e comunicação que as crianças preferem, apesar de algumas não terem tal aparelho que escolheram, em suas casas, informando depois o motivo de tal escolha. Elas também puderam relembrar quais tecnologias conhecem e algumas que fazem parte do seu cotidiano. Foi uma atividade divertida
e diferente onde elas puderam usar a massa de modelar para reproduzir as tecnologias de informação e comunicação que foram listadas anteriormente por eles durante a atividade. Ao final da atividade, fizemos uma exposição das TIC produzidas por eles. Pretto (2005) afirma:
Para trabalhar com as tecnologias da informação e da comunicação na sala de aula, o professor terá que se colocar aberto para o novo, o inesperado, pois cada aluno irá trilhar caminhos diferentes e difíceis de serem previstos. É nesse sentido que acreditamos que, com a interatividade, não será possível haver determinações a priori, e o professor não será mais transmissor de conteúdos. É de se esperar que ele esteja disposto e disponível a abrir um leque de possibilidades par que o aluno realize escolhas, relacionando os novos saberes com outros já construídos. (PRETTO, 2005, p. 161)
No que diz respeito ao segundo objetivo deste estudo que é o de entender como as Tecnologias de Informação e Comunicação afetam a educação das crianças, propus uma atividade chamada apresentação de um Notebook. Gostaria de saber das crianças se elas conheciam um notebook e lancei tais perguntas ao grupo:
1. Que aparelho era aquele? 2. Para que servia?
3. Se algum deles tem?
4. Se eles usavam e para que? 5. Se eles gostavam?
Na Roda de Conversa foi apresentado as crianças um notebook. Eles manusearam o aparelho e fui questionando: Quem sabe me dizer que Tecnologia de Informação e Comunicação é essa que está em minhas mãos? Todas as crianças que participaram desta roda disseram que era um computador. Somente a Criança D falou que se tratava de um notebook. A maioria disse que servia para jogar. Enquanto me respondiam as perguntas, elas manuseavam o notebook e mexiam em todos os programas.
Diálogo com a Criança L:
Profª: Que aparelho é esse?
Criança: Isso é um computador.
Profª: Para que serve?
Profª: Você tem este aparelho na sua casa?
Criança: Na minha casa não tem não, pró.
Profª: Mas você já usou este aparelho?
Criança: Eu não porque não tenho.
Profª: Mas você está gostando de mexer nele agora?
Criança: Não porque eu não sei. Pró, coloca um desenho pra
gente assistir?
Profª: Hoje não pode porque a nossa rotina é outra. Amanhã nós
iremos para a biblioteca e assistimos ok? Mas você não está gostando de usar o notebook?
Criança: Não, minha pró.
Diálogo com a Criança Z:
Profª: Que aparelho é esse?
Criança: Computador.
Profª: Para que serve?
Criança: Ele serve para assistir DVD e desenho.
Profª: Você tem este aparelho na sua casa?
Criança: Eu não tenho em casa porque minha mãe não trabalha e
não tem dinheiro pra comprar.
Profª: Mas você já usou este aparelho?
Criança: Eu nunca brinquei porque na minha casa não tem.
Profª: Mas você está gostando de mexer nele agora?
Criança: Eu gosto porque a senhora coloca os desenhos para a
gente assistir.
Profª: E qual o desenho você gosta de assistir?
Criança: Eu gosto de assistir o desenho da menina bonita do laço
de fita e o desenho do Negrinho do Pastoreio.
Esta atividade mostrou que as crianças enxergam o notebook primeiramente não com esta nomenclatura, mas com o nome de computador. Um computador que serve para ser utilizado em todos os ambientes porque agora ele é portátil, diferente do Kidsmart que possuímos na sala de aula que não pode ser carregado para outros
espaços por conta do tamanho. Através dos diálogos destas crianças percebemos que elas comparam o notebook a uma televisão, pois elas pedem para ver vídeos.
Sendo assim a linguagem áudio visual mostra-se muito importante para as crianças da Educação Infantil e isso se confirma através das falas das crianças L e Z. Ao assistir e ouvir um filme, clip musical ou desenho animado, a criança pode estabelecer uma relação daquilo que já conhece com aquilo que é novo para ela, além de desenvolver a linguagem oral que é uma das linguagens primordiais para o desenvolvimento da criança na Educação Infantil.
A maioria associa a utilização desta tecnologia ao uso do trabalho - podemos ver isso através dos relatos onde algumas crianças informam que os pais possuem para trabalhar ou fazer pesquisas.
Diálogo com a Criança A:
Profª: Que aparelho é esse?
Criança: Computador.
Profª: Para que serve?
Criança: Ele serve para jogar e assistir DVD. Pró meu pai faz
trabalho dele da escola no computador que ele comprou para estudar.
Profª: Que legal. E você também faz?
Criança: Não. Porque a senhora não passa dever no computador.
[OBS: nesta hora não contive meus risos]
Profª: Então você tem este aparelho na sua casa?
Criança: Meu pai que tem.
Profª: Mas você já usou este aparelho?
Criança: Eu uso para assistir o DVD do Sítio do Pica Pau Amarelo
e jogar o jogo do Rato Mickey.
Profª: E você gosta de usá-lo?
Criança: Eu gosto porque meu pai e minha mãe jogam comigo e
Com este relato percebe-se um dado muito importante sobre o desenvolvimento da criança: ela aprende através da imitação. As crianças se comportam como os adultos que estão ao seu redor. A Criança A demostra este desejo de imitar o pai quando relata que não faz o dever porque eu não faço atividades no computador, indo mais além demonstrando o desejo de usar o computador como um adulto. Kishimoto (2011) nos diz que:
É importante a imitação de esquemas de adultos, mas não por intervenção direta. A influencia indireta permite a observação, identificação e ação intencional da criança no sentido de repetir e recriar, contribuindo para o seu desenvolvimento oferecer oportunidades para visualizar diferentes formas de fazer estimula o surgimento de imitações e repetições de ações. (KISHIMOTO, 2011, p.146).
Algumas crianças relatam também que não utilizam este aparato tecnológico porque não tem na sua casa e vão além: porque os pais não tem dinheiro para comprar. Outro dado relevante é que elas informam que a utilidade desta tecnologia também é a exibição de filmes, seja porque o utiliza desta maneira, ou seja, porque ele é bastante utilizado assim na Unidade Escolar, com a ajuda de outra tecnologia que possuímos na escola que é a Lousa Interativa. Este relato ocorreu durante o mês de novembro e estávamos com o Projeto da Consciência negra no CMEI. Por isso uma das crianças traz os filmes Negrinho do Pastoreiro e Menina Bonita do Laço de Fita.
Sendo assim, trago Pocho (2001) que nos afirma que:
Consideramos que as tecnologias merecem estar presentes no cotidiano escolar primeiramente porque estão presentes na vida, mas também para: a) diversificar as formas de produzir e apropriar-se do conhecimento; c) permitir aos alunos, através da utilização da diversidade de meios, familiarizam-se com a gama de tecnologias existentes na sociedade.”
(POCHO,2001, p. 15).
Percebemos que no CMEI, que o notebook é apenas utilizado para a exibição