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CAPÍTULO III – TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

3.2 PANORAMA GERAL DO ACESSO ÀS TIC‟S NO BRASIL

3.2.2 TICs aplicadas nas atividades educacionais

Diversas são as ferramentas que podem ser utilizadas nas escolas para contribuir para o processo de ensino e de aprendizagem e a constituição de uma formação crítica, tornando as unidades escolares mais atraentes aos estudantes. Entre elas podemos destacar os

e-mails, os blogs e as redes sociais digitais. Embora professores e alunos se mostrem, por

vezes, motivados para o uso dessas ferramentas, apenas uma minoria as utiliza em sua prática cotidiana. Usar blogs, redes sociais, troca de e-mails entre alunos e professores para divulgação de informações, tirar dúvidas, apresentar comentários sobre aulas, trabalhos, tarefas e correção de atividades é uma iniciativa de poucos, pois ainda há muitas pedras no

caminho, como a infraestrutura inadequada, a falta de formação em serviço para os

professores e o não domínio das ferramentas tecnológicas. Uma parcela dos docentes ainda sente muita insegurança para utilização desses recursos no dia a dia de suas aulas; e outra parcela, infelizmente, não quer utilizá-las por implicar mais dedicação ao planejamento das aulas.

Blogs, redes sociais e suas variações não são originalmente instrumentos educacionais, mas podem ser trabalhados sob esse enfoque e aproximar as escolas das comunidades em que estão inseridas, uma vez que haja primeiramente uma mudança efetiva do professor e da gestão escolar. Também há de se ter o aluno como verdadeiro protagonista, de forma que ele, por sua vez, passe a utilizar essas ferramentas como instrumento de ação social e de transformação da sociedade.

É importante que o aluno perceba que, por meio dessas mídias interativas – um blog, por exemplo, aberto à comunidade –, pode denunciar o esgoto que corre a céu aberto em seu bairro. Que, por meio do Skype e WhatsApp, pode estabelecer intercâmbios com pessoas

de outros cantos do mundo. Tudo isso podem ser caminhos mediados pela escola que proporcione o acesso a essas ferramentas aos alunos e à comunidade circundante.

Portanto, ainda há muito por caminhar, muitas pedras para tirar do caminho no tocante à utilização com propriedade de todas as possibilidades oferecidas pelas TICs no trabalho do educador. A mudança de postura e atuação dos profissionais do magistério é fundamental nesse caminho, sendo imprescindível para isso a criação e implementação de políticas públicas educacionais voltadas para a formação e o incentivo para o uso real das TICs nas escolas.

Cabe lembrar que o mundo mudou, as pessoas mudaram, o modo como os pais educam os filhos mudou, não obstante a escola continua com o mesmo modelo criado na Idade Média. E esse novo mundo, permeado de Tecnologias de Informação e Comunicação, principalmente a participação em redes sociais digitais, requer profissionais aptos para acompanhar todas as mudanças comportamentais, econômicas e sociais.

São muitos e difíceis os desafios a serem enfrentados desde já para o advento de uma nova escola. O uso das novas tecnologias nas práticas escolares demanda mudanças no modo de ensinar e de aprender e, principalmente, uma mudança na postura de cada educador. Exige também grandes investimentos na estrutura das organizações e formação de todos os profissionais responsáveis pela educação.

As TICs são os principais canais de socialização de informações, disseminação de conhecimento e mobilização para causas de direito. O professor deixa de ter papel central nesse contexto e deve assumir de fato sua principal e importante função, que é mediar e orientar a transformação do conhecimento explícito em conhecimento tácito. Contudo, essa também não é uma missão fácil, pois, segundo Thompson,

[...] os indivíduos podem enfrentar esse fluxo sempre crescente de materiais simbólicos mediados, em parte através de um processo seletivo do material que eles assimilam. Somente uma pequena porção dos materiais simbólicos mediados disponíveis aos indivíduos são assimilados por eles. Mas os indivíduos também desenvolvem sistemas de conhecimento que lhes permitem seguir um determinado rumo através da densa floresta de formas simbólicas mediadas. (THOMPSON, 2012, p.274)

Dessa forma, cabe aos atores envolvidos no processo transformar essa riqueza de informações em elaboração de conhecimento. Aí é que está a função do mediador, orientar no sentido de melhor utilizar as ferramentas existentes, para que se possa ter um melhor rendimento.

Destarte, não há como esquecer a importância da expansão do acesso aos computadores e à internet, principalmente às redes sociais, pela população brasileira. A difusão já é uma realidade, contudo grande parcela dessa população, principalmente os estudantes da rede pública de ensino, ainda não possui esses bens em seu domicílio devido à situação socioeconômica, o que reforça as desigualdades e a chamada exclusão digital, que, por sua vez, corrobora a exclusão social. Ainda que, com o avanço da telefonia celular, muitos tenham passado a dispor dessas ferramentas em causas próprias.

Graças a esse novo recurso, uma parcela considerável dos professores e alunos tem acesso à internet e às redes sociais digitais. Apesar disso, não fazem uso desses meios no contexto escolar por falta de interesse, ou por falta de vontade, uma vez que há a necessidade explícita de uma aula bem preparada. Seja qual for o motivo, sabe-se que a formação continuada é de extrema importância, uma vez que são notórios os problemas no uso de laboratórios de informática ou em programas como o Acessa Escola. Isso devido à falta de estrutura física, poucos computadores para o número de alunos, falta de manutenção dos equipamentos, problemas de acesso à internet, falta de pessoal técnico e, principalmente, ausência de formação aos professores na transposição dos conteúdos disciplinares com o uso desses recursos.

Contudo, cabe a esses profissionais, como mediadores na busca de informações e elaboração do conhecimento, ajudar os estudantes em meio a tanta fartura de possibilidades propiciadas pelas TICs, assim como nos descreve Thompson:

Não é incomum encontrar indivíduos perdidos na tempestade de informações, incapazes de ver alguma saída e paralisados pela profusão de imagens e opiniões mediadas. O problema que muitas pessoas hoje devem enfrentar é o do deslocamento simbólico: num mundo onde a capacidade de experimentar não está mais ligada à atividade do encontro, como podem relacionar experiências aos contextos práticos da vida cotidiana? Como se podem relacionar com eventos que acontecem em locais distantes dos contextos em que vivem, e como podem assimilar a experiência de acontecimentos distantes numa trajetória coerente de vida que devem construir para si mesmos? (THOMPSON, 2012, p.266-267)

O fato é que as TICs, principalmente as redes sociais, estão presentes no dia a dia de muitos. Direta ou indiretamente, elas afetam e tendem a afetar cada vez mais a vida econômica e social de cada ator desse cenário. Portanto, a escola tem uma função fundamental nesse contexto e não pode negá-la, cabendo a ela contribuir para um futuro melhor à sociedade e, consequentemente, uma vida melhor para cada cidadão.

Com explicitado, há de se reafirmar que são grandes os desafios a serem enfrentados. Todavia, ainda existem muitos profissionais que acreditam que a mudança é possível e que, junto com ela, pode haver uma grande melhoria nos resultados e na qualidade do ensino e da aprendizagem, assim como uma formação crítica do jovem. Com isso também há de melhorar a vida de cada pessoa que esteja sob a responsabilidade do sistema educacional.

3.3 ACESSA ESCOLA: UM PROGRAMA DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS DO