3 TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
3.1 TICs como Aporte a Aplicações Web Educacionais
Segundo Moran (1998), construir conhecimento, hoje, significa compreender todas as dimensões da realidade, captando e expressando essa totalidade de forma ampla e integral.
Moran acredita que o processo de construção do conhecimento é mais bem desenvolvido quando um determinado objeto é acessado de forma conectada com seus múltiplos fatores interferentes, a partir de múltiplos pontos de vista e caminhos, integrados da forma mais rica possível. Esta e outras idéias dessa natureza, que proliferaram na área de pesquisa educacional ao longo da última década, levam a considerar a importância da Web como instrumento de acesso a informações e de construção de um conhecimento com a referida natureza flexível e inter-relacionada. Trata-se de um instrumento, portanto, que não pode ser negligenciado no
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que diz respeito a sua utilização como meio para o ensino semipresencial, apoio ao presencial, ou ensino a distância, uma vez que possibilita esse tipo de construção de conhecimento não linear e inter-relacionado. Moran diz ainda que se deve buscar nas áreas da Pedagogia e da Psicologia a fundamentação para a utilização educacional da rede, através de teorias e estratégias pedagógicas que fundamentem o processo de aprendizado mediado por computador. Teorias e estratégias que se agregam, através da rede, às possibilidades abertas pelos conhecimentos das Ciências da Computação e da Comunicação Social. A aplicação Web planejada para comportar o conteúdo de Engenharia de Fundações tem por finalidade atender a essa base didático-pedagógica, porém cabe ressaltar que o planejamento destas estratégias pedagógicas e a forma de uso do software são tarefas do professor.
A aplicação tem duas camadas distintas, o do software e hardware envolvidos no substrato da aplicação, e os conteúdos diversos que estão aportados no ambiente. Desta forma, os alunos terão um ambiente composto de clipes de vídeo, animações, figuras, artigos e arquivos multimídia, associados a outros elementos de apoio, como textos e indicação de endereços na Web relacionados ao tema.
Charlier (2002) e Teixeira (2002) ressaltam que na produção de aplicações Web para apoio ao ensino ocorre muitas vezes a transposição dos recursos pedagógicos usados presencialmente para uma outra forma de apresentação que, invariavelmente, segue o mesmo modelo, simplesmente substituindo a comunicação face-a-face pela comunicação on-line ou o material impresso pelo eletrônico, não explorando os recursos específicos oferecidos pelas TICs e pela Internet.
Com base na afirmação acima, além de disponibilizar conteúdos do domínio, a aplicação ENGEO (destinada prioritariamente a alunos de graduação e pós-graduação do curso de Engenharia Civil) tem também como meta, testar as estratégias desenvolvidas, para justificar (ou não) a expansão da mesma idéia para outras áreas. Em especial, para testar a chamada natureza interativa e flexível da Internet, oferecendo aos usuários/estudantes acesso remoto para conteúdo com várias possibilidades de acesso, por área de interesse dentro do domínio, por tipos de mídia específica ou por assunto.
Loiselle (2002) cita o acesso a ferramentas de pesquisa e filtragem de informação em aplicações educacionais baseadas na Web como uma característica desejável para dar suporte ao usuário na busca pessoal de informações. Mecanismos de busca interna e externa, glossário
e vínculos com dicionários ou sistemas de pesquisa bibliográfica são exemplos deste tipo de ferramenta.
Outra característica desejável é a representação do conteúdo tratado através de múltiplos formatos, pois “a utilização de estímulos complementares em um sistema multimídia pode facilitar a aprendizagem. Assim, a inclusão de elementos textuais, gráficos, auditivos e visuais [...] permite que alunos com estilos cognitivos diferentes possam optar pelo modo de apresentação que mais lhes convier.” (LOISELLE, 2002, p.114)
Complementando a citação de Loiselle, cada mídia ou ferramenta de interação-cooperação oferecida ao aluno no ambiente virtual deverá contar com a respectiva equação do que Alava (2002) identifica como uma potencialidade da educação em ambiente virtual: o binômio método-mídia. Isso significa que cada tecnologia escolhida pelo planejador-professor deve agregar ao universo pedagógico sua própria contribuição. Um vídeo, cuja característica normalmente costuma estar associada a uma postura de simples recepção do aluno, pode ter sido planejado para mostrar a ele os detalhes do mundo real, da prática profissional à qual o conteúdo se refere, através da documentação de imagens e, se possível, a identificação da relação existente entre essa realidade e o universo de conteúdos.
Neste contexto, um aluno é potencial e simultaneamente, um professor de si mesmo e de seus colegas no mundo virtual, com os quais estiver interagindo, dependendo, é claro, de seu próprio envolvimento e de sua capacidade de participar de operações desse tipo. Neste mesmo contexto é importante que o professor aprenda a operar através dessa nova tecnologia, que demanda destreza, rapidez de raciocínio e ainda, no seu caso, a atenção de um mediador do mundo virtual, se ater aos objetivos de cada unidade e não perder de vista o nível dos alunos e o universo global dos conteúdos.
3.1.1 Considerações sobre ambiente educacional e aplicação Web educacional
Para Valentini (2001), ambiente educacional é todo aquele onde ocorre o binômio ensino-aprendizagem. Ele é tradicionalmente constituído de salas, cadeiras, mesas, material didático,
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com um ambiente físico e estático. A aula ocorre em um tempo estabelecido e em espaço determinado, que pode ser a sala de aula ou uma saída de campo.
Por outro lado, entende-se por aplicação Web Educacional uma hierarquia de diretórios e arquivos em uma estrutura padrão, armazenado em um computador. Uma aplicação Web pode ser educacional se projetada para este fim. Segundo Valentini, as relações de espaço e de tempo e a forma de relação do aluno com o conteúdo e com o professor fazem a diferença entre um ambiente e o outro. Conclui-se que uma aplicação Web, portanto, pode ser um ambiente educacional.
Em um ambiente educacional convencional o giz e quadro-negro, o retro-projetor, o projetor multimídia, o livro impresso e o caderno são tecnologias que intermediam o processo de ensino-aprendizagem. Em ambientes educacionais baseados na Web, como a aplicação Web ENGEO, as TICs ocupam esta função.
Na aplicação ENGEO este suporte é dado pelas TICs baseadas na Web como é o caso da plataforma Java e suas tecnologias, do sistema de gerência do banco de dados, das tecnologias usadas na produção de conteúdo, bem como por serviços da Internet implementados para fornecer recursos de comunicação e interatividade entre o usuário da aplicação e seu conteúdo.
A oferta da aplicação pela Web e o uso dos recursos citados no parágrafo anterior cria um ambiente que, se explorado, pode diminuir a distância entre o usuário e a informação (TEIXEIRA, 2002, p.25) e que segundo Loiselle (2002, p.108) “[...] pode enriquecer as atividades de aprendizagem e de ensino. ”.