3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 Tipo de delineamento
Caracterizar-se-á neste tópico a tipologia do estudo segundo a sua natureza, seus objetivos, procedimentos e delineamento do método. Do ponto de vista de sua natureza, trata- se de uma pesquisa aplicada, pois tem como objetivo “gerar conhecimento para aplicação prática dirigida à solução de problemas específicos” (SILVA, 2003, s.p.). Mais pontualmente, busca-se relacionar características da gestão das Universidades Comunitárias do Sistema Fundacional de Ensino Superior de Santa Catarina e o desempenho das destas.
Do ponto de vista dos objetivos do estudo, classifica-se, ainda, como pesquisa exploratória-descritiva. A investigação exploratória pode ser aplicada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado, enquanto que a descritiva expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno, permitindo a investigação com levantamentos bibliográficos e com pessoas com experiências acerca do objeto alvo (ALVES, 2003; VERGARA, 2003).
Os aspectos de pesquisa exploratória são identificados através do levantamento bibliográfico e da pesquisa de campo, com questionário aplicado às pessoas-chave para a caracterização do problema, buscando tornar mais explícito e aprofundar os estudos acerca da
gestão das Universidades Comunitárias do Sistema Fundacional Catarinense. Enquanto que os aspectos de pesquisa descritiva estão relacionados à intenção de descrever características destas Universidades.
Então, a pesquisa empreendida se caracterizou como empírica, do tipo exploratória e com método descritivo, procurando-se interpretar a realidade, sem manipular as variáveis. Para tanto, optou-se por utilizar a estratégia de estudo de caso, com corte transversal no momento presente, isto é, no segundo semestre do ano de 2004, e o delineamento do método qualitativo, com aporte quantitativo.
Consoante Minayo (1994) a pesquisa qualitativa se preocupa com o nível de realidade que não pode ser quantificado, trabalhando com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Corrobora Richardson (1999) que neste tipo de pesquisa se busca compreender, detalhadamente, os significados e características situacionais apresentadas pelos entrevistados, em lugar da produção de medidas quantitativas.
Assim, ao empregar o método qualitativo, determina-se como foco de preocupação o processo social, a visualização do contexto e a preocupação empática com o objeto do estudo, visando uma melhor compreensão do fenômeno. Para Malhotra (2001, p.155), a pesquisa qualitativa “proporciona melhor visão e compreensão do contexto do problema, enquanto a pesquisa quantitativa procura quantificar os dados (...)”
Neste caso específico, os resultados devem permitir caracterizar a gestão das Universidades Comunitárias do Sistema Fundacional Catarinense, sendo que, para isso, também será utilizado aporte do método quantitativo. Segundo Richardson (1999), embora existam diferenças ideológicas, os métodos qualitativo e quantitativo podem ser integrados nas etapas do planejamento, da coleta dos dados e da análise da informação. Complementa
Minayo (1994, p.22) que o conjunto de dados quantitativos e qualitativos “não se opõem, ao contrário, se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia”. Neste estudo, o aporte do método quantitativo está caracterizado, na fase da coleta de dados, no uso do questionário eletrônico.
Do ponto de vista dos procedimentos técnicos da pesquisa, caracteriza-se como um estudo de caso. Ensina Yin (2001, p.33) que o “estudo de caso como estratégia de pesquisa compreende um método que abrange tudo – com a lógica de planejamento incorporando abordagens específicas à coleta de dados e à análise de dados”. Já, para Alves (2003), trata-se de um estudo em profundidade, de uns poucos objetos, visando obter o máximo de informações que permitam o maior conhecimento, seu planejamento é flexível permitindo ao pesquisador obter novas descobertas.
O estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas (...) (YIN, 2001, p. 21).
Consoante Godoy (1995) a escolha do estudo de caso como estratégia de pesquisa, se justifica quando o propósito é analisar intensivamente uma unidade social e o foco de interesse está nos fenômenos atuais, que só poderão ser analisados dentro do contexto.
Assim, justifica-se a aplicação do estudo de caso nesta pesquisa, permitiu analisar, com maior nível de detalhes, os fatores de gestão das Universidades Comunitárias, do Sistema Fundacional Catarinense. A seguir, definem-se as categorias analíticas que serão utilizadas neste estudo.
3.1.1 Definição das categorias analíticas
Neste subitem, tratar-se-á da definição das categorias analíticas que serão utilizadas nesta pesquisa para caracterizar a gestão das Universidades Comunitárias do Sistema
Fundacional Catarinense. Para Minayo (1994), a palavra categoria, em geral, abrange elementos ou aspectos com características comuns ou que se relacionam entre si, dando à idéia de classe ou série, empregando-se para o estabelecimento de classificações, agrupamento de elementos, idéias ou expressões em torno de um conceito, podendo ainda ser estabelecida antes do trabalho de campo, na fase exploratória da pesquisa, ou a partir da coleta de dados.
Neste estudo, com o objetivo de descrever os fatores da gestão das Universidades Comunitárias do Sistema Fundacional Catarinense, definiu-se, a partir da base conceitual, as categorias de análise: administrativo-organizacionais, comportamentais, especialização e institucionais, demonstrados no Quadro 3 a seguir.
Categoria 1 Administrativo- organizacionais Categoria 3 Comportamentais Categoria 4 Ambientais Categoria 5 Institucionais Missão, visão e objetivos organizacionais Elementos
comportamentais Marketing Ensino Estrutura
Organizacional Motivação Relação com alunos e comunidade Pesquisa e extensão Recursos humanos Gestão administrativo-
financeira Quadro 3: Categorias analíticas da pesquisa
Fonte: Dados da revisão bibliográfica
Estas categorias, como foram estabelecidas antes da coleta de dados, são conceitos mais gerais e abstratos, requerendo uma fundamentação teórica sólida, diferentemente se fossem definidas a partir da coleta, que seriam mais específicas e mais concretas, conforme ensina Minayo (1994). A descrição destas categorias foi apresentada no Capítulo 2 – Base Conceitual -, sendo que, durante a pesquisa de campo, buscou-se identificar e descrever o máximo de características destas categorias nas Universidades investigadas.
3.1.2 Trajetória da pesquisa de campo
Neste item, representa-se a trajetória da pesquisa de campo em suas etapas e componentes, considerando-se a necessidade da formação da base conceitual, a pesquisa de campo, a análise e interpretações e a construção do modelo de diagnóstico.
Definição dos fatores de análise da gestão Definição do cronograma da coleta de dados Preparação do questionário e pré-teste Aplicação do questionário eletrônico nas IES
Seleção e organização dos dados Análise e interpretação dos dados Descrição das diretrizes do modelo de diagnóstico Defesa do estudo em Banca Examinadora Ajustes finais orientados pelos membros da Banca
Figura 2 – Roteiro de pesquisa Fonte: Elaborado pelo pesquisador
A partir do roteiro demonstrado na Figura 2, representando nove etapas principais, desenvolveu-se todo o estudo de campo e análise dos resultados, investigando as Universidades Comunitárias do Sistema Fundacional Catarinense. Algumas adequações foram feitas visando o alcance dos objetivos estabelecidos e no prazo pré-determinado para conclusão da tese.