Para a construção desta pesquisa, utilizamos como aporte metodológico a pesquisa qualitativa, capaz de compreender os fenômenos que envolvem o ser humano e suas relações, reconhecendo sua subjetividade e, portanto, capaz de identificar e analisar dados que não podem ser definidos numericamente. Concordamos com Godoy (1995a, p. 58) quando afirma que:
A pesquisa qualitativa [...] envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em estudo.
Segundo Bortoni-Ricardo (2008, p. 34), a pesquisa qualitativa “procura entender, interpretar fenômenos sociais inseridos em um contexto”. Por esse motivo, optamos por uma pesquisa-ação, a fim de fomentar práticas pedagógicas significativas no contexto educacional relacionadas ao Museu Casa Margarida Maria Alves, patrimônio local. De acordo com Thiollent (1985, p. 14),
A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação da realidade a ser investigada estão envolvidos de modo cooperativo e participativo.
Em nosso estudo, por meio da interação entre a professora pesquisadora e os professores colaboradores, a pesquisa-ação proporcionou a reflexão e aprimoramento de ações como forma de contribuir com a realidade investigada do contexto escolar. Nesse caso específico, um ensino que privilegie o reconhecimento e valorização do Museu Casa Margarida Maria Alves existente no município desde 2001. Dessa forma, as ações utilizadas como proposta neste trabalho resultaram no desenvolvimento de uma oficina pedagógica.
Neste estudo, também se fez uso da pesquisa bibliográfica, a partir da utilização de artigos, livros, dissertações, teses, entre outros suportes textuais que abordam a temática, na busca de auxiliar e aprimorar a compreensão do objeto estudado; e da pesquisa documental, tendo em vista a consulta do PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola, a fim de detalhar alguns aspectos voltados ao local da pesquisa e investigar a inserção do objeto de estudo nesse documento.
Godoy (1995b, p. 21) define a pesquisa documental como sendo “O exame de materiais de natureza diversa, que ainda não receberam um tratamento analítico, ou que podem ser reexaminados, buscando-se novas e/ou interpretações complementares”. Com base nessa definição, evidenciamos que o PPP da escola nos serviu para compreender, complementar e/ou confirmar alguns dados já observados.
O PPP é um documento que deve nortear as ações pedagógicas que serão desenvolvidas no âmbito escolar. Nesse sentido, fazemos alusão aos escritos de Veiga (2001, p. 110) quando o define como:
Um instrumento de trabalho que mostra o que vai ser feito, quando, de que maneira, por quem para chegar a que resultados. Além disso, explicita uma filosofia e harmoniza as diretrizes da educação nacional com a realidade da escola, traduzindo sua autonomia e definindo seu compromisso com a clientela. É a valorização da identidade da escola e um chamamento à responsabilidade dos agentes com as racionalidades interna e externa. Esta idéia implica a necessidade de uma relação contratual, isto é, o projeto deve ser aceito por todos os envolvidos, daí a importância de que seja elaborado participativa e democraticamente.
Considera-se fundamental para a análise de dados os registros da pesquisa-ação, tendo em vista que tais instrumentos contribuem para a compreensão do objeto de estudo. Nesse sentido, foram utilizados como instrumentos de coleta de dados entrevistas, questionários e os registros da oficina pedagógica, ação educativa desenvolvida nesta dissertação.
As entrevistas foram realizadas com a funcionária do museu e o ex-prefeito responsável pela criação e inauguração do Museu Casa Margarida Maria Alves. Os questionários foram aplicados aos professores do Ensino Fundamental Anos Iniciais (1º ao 5º
ano) da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Instituto Desembargador Severino Montenegro. Esses mesmos professores participaram da Oficina Pedagógica “Ressignificando memórias e histórias de vida – Casa Margarida Maria Alves”, cuja vivência foi registrada por meio de imagens audiovisuais e do diário de campo da professora-pesquisadora, os quais foram indispensáveis para as discussões elencadas. A oficina aconteceu dentro do próprio museu, propiciando uma maior aproximação com esse espaço.
No que se refere à entrevista, Neto (2001, p. 57) ressalta que
A entrevista é o procedimento mais usual no trabalho de campo. Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada.
Desse modo, as entrevistas serviram de norte para entendermos alguns aspectos fundamentais que suscitaram a criação do museu e que não estavam claramente definidos, como também sua estruturação. Além das entrevistas, também optamos pelo questionário, a fim de perceber, dentre algumas questões, o que os professores sabem a respeito da vida da líder sindical Margarida Maria Alves e como percebem o Museu Casa Margarida Maria Alves para memória e história local, para que, partindo desses conhecimentos, pudéssemos rever e adequar o planejamento da oficina pedagógica.
Na perspectiva de Severino (2007, p. 125), o questionário é o “conjunto de questões, sistematicamente articuladas, que se destinam a levantar informações escritas por parte dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos mesmos sobre os assuntos em estudo”.
Vale ressaltar que nosso trabalho também traz a possibilidade de trabalhar um pouco da história oral, visto que durante os encontros da oficina pedagógica as memórias de todos os participantes e histórias da vida de Margarida foram compartilhadas, permitindo que as vivências, lembranças, fossem conhecidas por todos os presentes.
A oficina pedagógica foi desenvolvida e seus registros, que foram as imagens audiovisuais e o diário de campo, contribuíram para o aprimoramento das nossas discussões. Neto (2001, p. 63) evidencia a importância do registro audiovisual, ao mesmo tempo que faz um alerta:
Esse registro visual amplia o conhecimento do estudo porque nos proporciona documentar momentos ou situações que ilustram o cotidiano vivenciado. O uso da filmagem nos permite reter vários aspectos do universo pesquisado... Com isso, não
estamos dizendo que um bom trabalho de pesquisa deva ficar limitado ao registro visual, mas afirmamos que esse registro assume um papel complementar ao projeto como um todo. Porém, nada substitui o olhar atento de um pesquisador de campo ao evasivo próprio da realidade das relações sociais.
Tomando como base as colocações do referido autor, acreditamos que o olhar do pesquisador atento a todos os detalhes será capaz de perceber situações bem relevantes diante da realidade que está inserida, agindo de forma colaborativa na pesquisa. Diante dessa constatação, destacamos o uso do diário de campo, “um ‘amigo silencioso’ que não pode ser subestimado quanto à sua importância [...] podemos colocar nossas percepções, angústias, questionamentos e informações que não são obtidas através da utilização de outras técnicas”. (NETO, 2001, p. 63).
Dessa maneira, a opção pelo diário de campo como instrumento de pesquisa se deu por reconhecermos sua relevância quanto ao registro das impressões obtidas durante o desenvolvimento da nossa ação educativa. A Oficina Pedagógica “Ressignificando memórias e histórias de vida – Casa Margarida Maria Alves” foi pensada a partir da proposta de inserir a temática Educação Patrimonial nas práticas pedagógicas de forma significativa, com o propósito de sensibilizar, refletir, reconhecer, pertencer e valorizar o patrimônio cultural local. Teve como desfecho a reflexão sobre o fazer pedagógico e a elaboração de um roteiro de atividades pedagógicas voltadas ao patrimônio cultural local – museu, com o propósito de ressignificar o olhar sobre o mesmo, promovendo sua valorização no espaço escolar. Resultou, assim, na organização de um Material de Apoio Pedagógico contendo as etapas da Oficina, todo material utilizado e os roteiros de atividades pedagógicas propostas pelos próprios professores, de acordo com a realidade da série que lecionam. Esse material também foi deixado na escola para servir de fonte de pesquisa e auxílio a outros professores.