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RESULTADOS E DISCUSSÃO

TIPO DE TRABALHO

O tipo de trabalho realizado refere-se à ocorrência de estudos teóricos ou de pesquisas. Esse tipo de análise permite avaliar o desenvolvimento científico da área com destaque para inclusão de dados novos.

O estudo teórico, também chamado especulativo ou reflexivo, é um texto que se baseia em outros autores e consiste em uma revisão bibliográfica sobre um assunto, sem fazer uso de coleta sistemática de dados ou resultados de pesquisa (Carelli, 2002).

Nos trabalhos teóricos o autor descreve uma literatura existente para avançar no conhecimento teórico de uma área da psicologia. O autor traça o desenvolvimento da teoria e expande ou refina os constructos teóricos. Pode ser apresentada também uma nova teoria. As análises teóricas geralmente vêm acompanhadas do exame da consistência interna e externa da teoria, isto, se a teoria é auto-contraditória e se teoria e observação empírica se contradizem (APA, 2003).

Exemplo de trabalho teórico sobre idoso foi o realizado por Woodward (2003) que explora a história da cultura do envelhecimento pelo conteúdo de livros de Stanley Hall e Friedan, enfocando o reflexo cultural e invocando a sabedoria como a força especial do idoso e a estratégia do uso da raiva para chamar a atenção para o ageismo. A autora tece considerações sobre o futuro do idoso.

A pesquisa é um estudo científico que requer o uso de metodologia compatível com os objetivos e objeto de estudo. Os trabalhos de pesquisa referem-se a estudos que apresentam dados colhidos pelo autor, por meio de metodologia científica específica, fazendo uso de qualquer tipo de análise de dados e de suporte estatístico descritivo ou inferencial (Pacheco, 2003, Lara Campos, 2000).

Segundo Witter (1996a) a pesquisa rege-se por princípios metodológicos que asseguram a validade dos resultados e o uso do conhecimento gerado. Deve ser submetida ao rigor da ética da construção do saber.

O trabalho realizado por Uttl (2003) é um exemplo de pesquisa. O autor avaliou as propriedades psicométricas do teste North American Adult Reading Test (NAART), verificando a influência da idade, da educação e do gênero em uma amostra de 351 pessoas saudáveis entre 18 e 91 anos. O teste é amplamente utilizado para avaliação de capacidade intelectual verbal. Os resultados foram comparados aos do WAIS-R Vocabulary. O NAART mostrou ser uma medida válida de inteligência verbal e com propriedades psicométricas equivalentes em adultos jovens, pessoas de meia-idade e idosos. Os escores do NAART aumentam de acordo com idade e educação, mas não há diferenças quanto ao gênero. Foram feitas normas e várias equações precisas para uso do NAART e WAIS-R Vocabulary baseado em idade e educação.

Para a tabulação do tipo de trabalho recorreu-se à leitura dos resumos, além da utilização do campo tipo de publicação (PT) dos registros, que indica quando se trata de pesquisa empírica.

Os resultados encontrados mostram prevalência de trabalhos de pesquisa (98,75%), sendo apenas 1,25% dos textos teóricos. O teste do qui-quadrado mostrou ser estatisticamente significante a predominância dos trabalhos de pesquisa (χ²o=1217,8, χ²c=3,84, n.g.l.=1).

A realização de pesquisas em uma determinada área do saber é importante, já que gera uma base de dados científicos que podem solidificar um determinado conhecimento ou saber, permitindo assim o avanço científico e o avanço da própria sociedade (Witter, 1996a).

No trabalho de análise da produção científica sobre criatividade em psicanálise realizado por Santeiro (2000) um dos aspectos enfocados foi o tipo de publicação.

Foram levantados documentos nas bases de dados PsycLIT, MEDLINE e LILACS, totalizando 286 resumos da década de 1990 referentes ao tema criatividade em psicanálise. Verificou-se alto índice de estudos teóricos (71,92%), seguido de relatos de caso clínico (6,51%) e reimpressões de trabalhos divulgados em outros momentos (5,48%). O autor destaca o fato de não ter sido identificado nenhum trabalho de pesquisa com caráter de metaciência, sendo de relevância sua colaboração.

Na meta-análise de Ferreira (2002a) sobre prevenção da AIDS nos registro da base de dados PsycINFO (1994 a 1999) verificou-se, no total, a predominância de trabalhos de pesquisa (80,4%) contra os teóricos (19,6%), sendo estatisticamente significante (χ²o=371,36, χ²c=3,84, n.sig.=0,05).

No trabalho de Witter (2002) sobre produção científica e prevenção, que utilizou dados da base de dados PsycINFO (1999), também foram encontrados dados semelhantes, sendo 60,2% de trabalhos de pesquisa e 28,8% de artigos teóricos.

A grande ocorrência de trabalhos de pesquisa talvez se deva ao fato da amostra ser formada predominantemente de artigos de periódicos, os quais valorizam o trabalho de pesquisa, o que pode ser constatado, por exemplo, na meta-análise realizada por Pacheco (2003) que avaliou os artigos sobre avaliação psicológica em seis periódicos nacionais (1997-2002). Na análise da tipologia do artigo constatou que 88% se tratava de pesquisa e 12% de artigo teórico. Resultados semelhantes foram encontrados por M.

de A. Buriti (1999) e Cusatis Neto (2002) que também fizeram análise a partir de periódicos. O número considerável de teses também pode ter contribuído para esse resultado.

Witter e Ferreira (2004), em análise dos trabalhos sobre idoso e leitura, verificaram que 98,10% dos estudos eram de pesquisa, restando apenas 1,90% de trabalhos teóricos. Dentre as pesquisas, a maioria (74,29%) tratava-se de estudos inferenciais, sendo 23,81% estudos descritivos, o que constata que está havendo investimento em pesquisas que viabilizem estabelecer relações diversas entre as variáveis.

Há portanto uma tendência internacional para o desenvolvimento de pesquisas na área do envelhecimento e velhice.

Witter e Assis Maria (2004) realizaram estudo dos trabalhos sobre idosos inseridos no Banco de Teses da CAPES. Verificaram que 10% dos estudos eram teóricos. Das pesquisas, 3,75% era quantitativa, 48,75% qualitativa e 17,50% mista, sendo 12,50% não identificável.

Esses resultados mostram que os trabalhos sobre idosos no Brasil seguem a tendência mundial de desenvolvimento de pesquisas, diferenciando-se apenas pela maior presença de estudos qualitativos, que não permitem a verificação de relação causal entre as variáveis.

Os resultados aqui apresentados, somados ao fato de que a maioria dos estudos foram de autoria múltipla, permitem dizer que a produção científica sobre idosos conta com forte ocorrência de pesquisas realizadas por grupos de estudo, sendo um indicador de desenvolvimento da área.