• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO I: O BRASIL ENVELHECENDO

3.1 TIPO DE ESTUDO

A pesquisa ora concluída teve abordagem qualitativa por conceber que para interpretar o discurso desse ser que envelhece nos grupos de convivência em Jequié-BA, analisar como o processo de envelhecimento é sentido por estas pessoas idosas hoje, a abordagem qualitativa é a mais apropriada. Pois, para Gaskell (2000, p. 68), ―a finalidade real da pesquisa qualitativa não é contar opiniões ou pessoas, mas ao contrário explorar o espectro de opiniões, as diferentes representações sobre o assunto em questão‖.

Buscou-se compreender as subjetividades dos discursos particulares, com seus significados múltiplos de forma crítico-analítico, como também para além da perspectiva histórica compreender a realidade em que as pessoas idosas estão inseridas Minayo (2008), no sentido de buscar correlações com a fala, o que constitui a riqueza para a explicação do social. A autora afirma que parte do princípio que toda vida humana é social e está sujeita às mudanças e transformações permanentes.

O idoso entrevistado na pesquisa expressa hoje, na atualidade, como vivenciam as relações de gênero, geração/classe social e como vêem o grupo como provável potencial para a promoção da saúde. Daí a escolha pela abordagem qualitativa, pois permite descrever a complexidade do problema norteador da pesquisa, analisar os dados, classificá-los, sugerir transformações que venham a contribuir para mudanças, criação ou formação de opiniões nos grupos de convivência consente ainda compreender pensamentos, vocalizações das pessoas idosas sobre o significado da velhice.

3.1.1 Pesquisa de cunho Etnográfico

Ao longo da sua vida a pessoa vive entre várias esferas e contextos sócio-culturais, sendo que a sua identidade acaba por ser resultado de uma metamorfose cultural, uma nova dimensão, auto e hetero- construída entre o contexto de partida e o de chegada, num dado momento (Vieira, 1999b).

Etnografia vem do grego: grafia = Graf (o) significa escrever sobre, escrever sobre um tipo particular – etn (o) ou uma sociedade em particular. Sobre o método etnográfico a construção do conhecimento científico assenta numa variedade de opções — de ordem ontológica, epistemológica e técnica. Nada como estar a realizar as entrevistas em campo. Este contacto directo e prolongado com os sujeitos sociais; sem limites para a abordagem

quanti e quali faz a riqueza da etnografia. Há interacção entre o pesquisador e os sujeitos sociais; Técnicas: entrevista, observação e observação participante (SILVA, 2003).

Desta forma, a entrevista nesse tipo de estudo é, por um lado, etnográfica porque pretende captar o ponto de vista do outro, mediante sua própria voz, evitando o mais possível mediar às respostas com perguntas (como se fez em nos grupos focais) deixando a pessoa aceder às suas vivências segundo a sua própria lógica (VIEIRA, 2009).

Etnografia é a especialidade da antropologia que tem por fim o estudo e a descrição dos povos, sua língua, raça, religião, e manifestações materiais de suas atividades (MATTOS, 2001).

Os estudos qualitativos assentam na descrição rica em pormenores da vida quotidiana. Constituem uma celebração da diversidade. Uma diversidade que, não paradoxalmente, vive, amiúde, paredes meias com a singularidade. Uma singularidade — por muito parcial que seja — só possível de identificar e entender perante um redobrar de atenção em relação ao obstáculo etnocentrista no processo de produção de conhecimento científico. É deste ponto de vista que, como se viu, a pertinência do estudo de microcosmos assenta no pressuposto de que estes contêm elementos de ordem macro, competindo à etnografia destrinçar aquilo que é específico e contextual daquilo que é genérico e global (SILVA, 2003, p. 50-51).

A etnografia foi escolhida, principalmente, por se propor a descrever e a interpretar ou explicar o que as pessoas idosas faziam na sua cotidianidade, principalmente nos grupos de convivência, ou seja, em um determinado ambiente pela observação participante a qual a pesquisadora estava envolvida. A abordagem etnográfica ―se constrói tomando por base a ideia de que os comportamentos humanos só podem ser devidamente compreendidos e explicados se tomarmos como referência o contexto social onde eles atuam‖ (VICTÓRIA et al., 2000, p. 53).

O estudo e acompanhamento in loco em um trabalho intensivo permitem ao pesquisador analisar minuciosamente a diversidade de comportamentos, valores, normas, estilo de vida, aspectos da vida cotidiana dos grupos envolvidos. A etnografia permite o confronto entre o que as pessoas idosas proferem no discurso e a visão do pesquisador. Para compreender estes valores e normas, implica na ―consideração do real em suas diferentes manifestações‖ (idem) a etnografia assume o seu significado a partir do interacionismo simbólico.

Ao discorrer sobre etnografia tem-se que reportar a Malinowski (1984), pois defende que o pesquisador tem que dar conta de três áreas da realidade: o arcabouço da constituição da sociedade; os imponderáveis da vida real e o espírito nativo. O arcabouço da constituição da sociedade é conhecer criteriosamente o campo a ser desvelado, ou seja, tudo o que se referir à

sociedade estudada, suas normas, regras, toda a sua organização social, documentações que sirvam de subsídios para novas descobertas.

Os imponderáveis da vida real dizem respeito ao não escrito, não documentado, que o pesquisador só pode descrever, vivendo à mesma realidade da sociedade investigada. Diz respeito aos fenômenos da vida cotidiana: as rotinas, em que trabalham e como, como cuida de si, o que come e como preparam os alimentos, o que vocalizam, em que tom (emoções, silêncios, choros, sentimentos) os discursos acontecem, estas observações e considerações não podem ser retratadas a não ser in loco.

Malinowski, por fim, fala do espírito nativo. São expressões que o indivíduo imprime, sua opinião expressa, vocaliza, o que impulsiona a agir de determinado modo. É tudo o que é verbalizado, são as expressões êmicas, por isso a relevância do discurso.

A autora Victória (2000, p. 54) analisa estas três áreas e considera como aos diferentes tipos de registro de dados efetuados durante o processo da investigação da pesquisa a seguir: registros escritos, observacionais e discursivos, os quais são fundamentais para a compreensão do fenômeno a ser analisado. Ainda triangula estas três áreas como: a partir dos dados de observação, o pesquisador coleta os depoimentos que vão gerar documentos escritos. São olhares de três níveis de uma mesma realidade, possibilitando uma apreensão mais ampliada e estrita. Os estudos qualitativos assentam na descrição rica em pormenores da vida quotidiana. Constitui uma celebração da diversidade. Uma diversidade que, não paradoxalmente, vive, paredes meias com a singularidade (SILVA, 2003, p. 50).