3 METODOLOGIA
- a pesquisa usa métodos múltiplos para coletar dados que podem ser tanto qualitativos quanto quantitativos (YIN, 1994 citado por COLLIS e HUSSEY, 2005, p. 73).
Este estudo conta com uma combinação de metodologias. Segundo Collis e Hussey (2005), a combinação de métodos e técnicas distintas de pesquisa num mesmo estudo é conhecida como triangulação. De acordo Easterby-Smith, Thorpe e Lowe (1991), citados por Collis e Hussey (2005), são quatro os tipos de triangulação:
a) triangulação de dados – os dados são coletados em momentos ou de fontes diferentes no estudo de um fenômeno;
b) triangulação de investigador – diferentes pesquisadores fazem coletas independentes de dados sobre um mesmo fenômeno e comparam os resultados;
c) triangulação de teorias – uma teoria de uma disciplina é utilizada para explicar um fenômeno em outra disciplina;
d) triangulação metodológica – são utilizados métodos qualitativos e quantitativos de coleta de dados.
O estudo utiliza a triangulação de dados, já que a coleta de dados se deu em dois momentos distintos, e triangulação metodológica, uma vez que assume caráter qualitativo e quantitativo. O primeiro refere-se à profundidade, baseada em dados descritivos coletados a partir da observação direta do pesquisador e entrevistas. O segundo refere-se à amplitude da amostra, contando com dados coletados por meio de questionários que foram tratados utilizando-se procedimentos estatísticos (VERGARA, 2003).
Assim, os dados foram coletados a partir de uma triangulação de técnicas, que segundo Jick (1979) consiste em utilizar técnicas complementares, como questionários, entrevistas e análise de documentos. Considerando que todas as fontes de informação são válidas, a triangulação de técnicas apresenta diversas vantagens, entre elas a de integrar pesquisa de campo e observação, realçando importantes elementos do contexto pesquisado. Para Jick (1979), a triangulação,
além de permitir o exame de um fenômeno sob diversos aspectos, pode trazer à tona elementos novos e enriquecedores para o entendimento de uma questão.
Segundo Jick (1979), a triangulação dentro de um mesmo método pode ser usada para testar a confiabilidade, já que trata da verificação da validade interna, enquanto que a triangulação entre métodos testa o grau de validade externa. Para ele, o arquétipo das estratégias de triangulação mais utilizado é o pensamento de que o uso de métodos complementares geralmente conduz a resultados mais válidos e, daí, mais confiáveis.
A triangulação vai além de escalas, confiabilidade e validação. Ela pode capturar uma imagem mais completa, holística e contextual da unidade de estudo que vai além da análise de variáveis e do uso de medidas múltiplas, podendo revelar alguma variável única que pode ter sido negligenciada pelos métodos simples. Os métodos qualitativos em particular, podem desempenhar um papel especialmente importante para a obtenção de dados e de sugestão de conclusões que outros métodos poderiam não constatar. Neste sentido, a triangulação pode ser usada não apenas para examinar o mesmo fenômeno sob múltiplos aspectos, como também para proporcionar elementos novos e enriquecedores ao entendimento de uma questão.
(JICK, 1979).
Jick (1979) afirma que, provavelmente, a mais prevalente tentativa de se usar a triangulação tenha se refletido nos esforços para integrar métodos de trabalho de campo e survey, conforme realizado neste estudo. Segundo o autor, a viabilidade e a necessidade de tais ligações têm sido defendidas por diversos cientistas, que argumentam que os métodos quantitativos podem trazer importantes contribuições à pesquisa de campo, e vice-versa. Uma pesquisa de survey pode proporcionar maior segurança na generalização dos resultados, e os métodos de campo podem contribuir para a análise de pesquisa de survey no que diz respeito à validação dos resultados, à interpretação das relações estatísticas e à clarificação de percepções confusas. Ressalte-se que o uso de múltiplos métodos pode levar também a uma síntese, ou integração, de teorias, e que a triangulação pode servir para um teste crítico, devido à sua capacidade de compreensão de teorias concorrentes ou oponentes.
A pesquisa também tem um caráter comparativo, pois compara os resultados das duas unidades produtivas pesquisadas e também do grupo como um todo, em dois momentos distintos (maio de 2007 e maio de 2008), no que se refere às variáveis de QVT e estresse ocupacional, devido às mudanças que se processaram no referido período.
Assim, é um estudo de caráter longitudinal, que, de acordo com Collis e Hussey (2005, p. 70), “trata-se de um estudo ao longo do tempo de uma variável ou de um grupo de sujeitos”. Segundo Malhotra (2001, p. 111), estudo longitunal é
[...] um tipo de pesquisa que envolve uma amostra fixa de elementos da população, a qual é medida repetidamente. A amostra permanece a mesma ao longo do tempo, provendo assim uma série de quadros, que vistos em conjunto, oferecem uma ilustração vívida da situação e as mudanças que estão ocorrendo.
Segundo Malhotra (2001), enquanto o estudo transversal estuda as variáveis de interesse num único ponto do tempo, difere-se do estudo longitudinal, que fornece uma série de quadros relacionados às variáveis de interesse, permitindo uma visão mais profunda da situação à medida que, com o passar do tempo, as mudanças ocorrem. Ao comparar os dois tipos de estudo, o autor aponta as seguintes vantagens do estudo longitudinal sobre o estudo transversal: maior capacidade em detectar mudanças, mesmo aquelas pequenas; maior quantidade de dados coletados; e maior precisão dos dados coletados. Já as vantagens do estudo transversal são: menor distorção nas respostas e maior representatividade das amostras. No caso de estudos longitudinais, Malhotra (2001) recomenda atenção quanto a: recusa dos participantes em cooperar, “mortalidade”, pessoas que desistem de participar em função de mudanças (demissões, mudança de cidade) ou de perda de interesse em participar no(s) período(s) subsequente(s) ao primeiro período de uma pesquisa; e remuneração, fazendo com que o grupo deixe de ser representativo da população.
Nesta pesquisa, o que pode ser observado em termos de representatividade da amostra é que em 2008 de um total de 83 respondentes da E1, 47%, ou 39 informaram que trabalhavam na empresa em 2007. Destes, apenas 2, ou 5% não responderam ao questionário em 2007. No caso da E2, dos 84 respondentes de
2008, 43%, ou 36, trabalhavam na empresa em 2007 e 8%, ou 3, não responderam ao questionário no primeiro ano da pesquisa, 2007. Esses percentuais de funcionários que trabalhavam em 2007 se devem à rotatividade e à alteração no quadro de funcionários de um ano para outro. A escolha de um design de pesquisa longitudinal justifica-se por ser a forma mais precisa para averiguar as mudanças ocorridas ao longo do tempo quanto aos construtos centrais
Segundo Babbie (2001), os desenhos de surveys longitudinais podem ser explicativos ou descritivos e caracterizam-se por permitir a análise de dados ao longo do tempo. A coleta dos dados é feita em tempos diferentes e permitem relatar mudanças de explicações e de descrições. Os principais tipos de surveys longitudinais são: estudos de tendência, estudo de cortes e estudo de painel. Em relação aos estudos de tendência, Babbie (2001, p. 102) afirma:
Nos estudos de tendência, uma população pode ser amostrada e estudada em diferentes ocasiões, ainda que pessoas diferentes sejam estudadas em cada survey, cada amostra representa a mesma população...deve ser ressaltado que estudos de tendência muitas vezes envolvem longos períodos de coleta de dados...até agora comentamos apenas estudos descritivos, mas não há motivos para um pesquisador não examinar tendências nas relações entre variáveis.
Para o autor, os estudos de cortes têm foco na mesma população específica cada vez que é feita a coleta de dados, a despeito de as amostras estudadas poderem ser diferentes. Já o estudo de painel é caracterizado por uma mesma amostra de respondentes ao longo do tempo.
De acordo com a classificação de Babbie (2001), o estudo aqui apresentado caracteriza-se como longitudinal de corte, porque as pessoas estudadas no momento 1 (2007) não são exatamente as mesmas do momento 2 (2008) e porque não envolveu um estudo em um longo de período de coleta de dados.
Por fim, trata-se de uma pesquisa aplicada, pois tem por objetivo secundário fornecer subsídios que possam vir a resolver problemas concretos (VERGARA, 2003), já que pretendeu-se propor ações que permitam melhorar os processos considerados insatisfatórios e fortalecer os satisfatórios do grupo de empresas que se dispôs a participar.