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5. ReUSE – CONCEITO (BRIEFING)

5.1 COLABORATIVO

6.2.1. Tipografia, Símbolo e Cor

Partindo do princípio que o design deve ser claro e de fácil decodificação, dentre uma gama de fontes bastão testadas, escolheu-se a família tipográfica Helvética “pela excelência e versatilidade do seu desenho, neutralidade, legibilidade, pertinência e sobretudo atemporalidade” (PROVIDÊCIA, 2014). Trata-se de uma escolha que não transita pelo óbvio, mas pela certeza que o texto será lido por uma audiência heterogênea e não sofrerá ruídos cognitivos. Ou seja, foco no receptor para que a mensagem não seja excludente, e sim inclusiva.

O texto forma uma imagem nesse caso compacta, sólida e sem interferência. Essa dualidade de sentido da imagem da palavra traz possibilidades de ampliar o significado da mensagem, criando uma quebra do ordenamento, não de ordem de leitura, dentro da mesma palavra. O signo escrito ganha ênfase com a aplicação do “e” em minúsculo (eco, eletronic), destacando as demais letras em maiúsculo, proporcionando dinamismo através do contraste dos tamanhos dos tipos. Confere também ao grafismo maior fixação na cabeça do leitor, e com elevado nível informacional.

Quanto a estrutura da palavra ReUSE, há uma alteração substancial no kerning12 da fonte, deixando o bloco de letras mais condensado e criando uma estrutura de maior impacto e peso. Consequentemente, o peso da composição gráfica traz um sentido de unidade e confiança reforçado pelo corpo em opção bold. As fontes em leve conexão reforçam uma estrutura de união, trabalho em grupo, organismo social em um conjunto coeso e forte visualmente. A intenção não é de metáfora visual, entretanto é de frisar, através do aspecto gráfico, a mensagem que aquele produto/objeto pode ser reutilizável. Clareza e ênfase na estrutura visual, sem elementos de distração ou dispersão da atenção do leitor, deixando o design fluido e legível em uma proposta de leitura ondulada e agradável.

Os símbolos, definido pelo filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce, quando desenvolvia a teoria semiótica, são “signos gerais que foram associados aos seus sentidos por meio do uso e da convenção, de modo que a relação precisa ser aprendida” (NOBLE; BESTLEY, 2015, p.102). Já do ponto de vista dos símbolos corporativos ou marcas, “é o conjunto principal identificador composto do símbolo mais o logotipo ou o símbolo figura de maneira individual; também é chamado de marca, dentro do sistema de gestão de comunicação” (CONSOLO, 2015). O símbolo da marca ReUSE é a união de dois elementos em composição harmônica: uma representação de globo, significando o planeta Terra dotado

de suas linhas imaginárias, e uma seta circular ao redor do desse desenho central. E a nossa convenção é bastante clara em sua intenção, dentro do contexto de aplicação, que demonstra um clico de inovação ao redor do globo.

A humanidade sempre usou símbolos para expressar intensamente a individualidade, o orgulho, a fidelidade e a propriedade. O poder dos símbolos continua fugaz e misterioso – uma simples forma de poder engatilhar instantaneamente a lembrança e despertar emoções, seja estampada em uma bandeira, lapidada em uma placa de pedra ou exibida no visor de seu telefone celular. (WHEELER, Alina, 2008, p.10)

Avaliando pelo viés do design de informação, a circunferência central rajada, que representa simbolicamente o planeta, estabelece uma conexão visual através de analogia clara com objeto referenciado (globo terrestre), sem determinada rigidez ao desenho da Terra com seus continentes. E tem o objetivo de estabelecer uma comunicação ágil, reforçado pela cor azul que também vincula uma relação análoga com a cor do planeta popularmente designado como planeta água ou azul. Assim, não se intromete em qualquer especificidade cultural que essa cor possa ter em diversos países.

A seta em movimento nitidamente circular, em sentido horário, desperta uma qualidade bastante importante para as programações visuais atuais: dinamismo. O desenho desloca esse sentimento para o âmbito do ciclo contínuo em performance atrevida. O gráfico fracionado ganha impulso diante dos olhos, transformando-se em uma concreta e sólida seta que retorna ao ponto de partida em uma ideia de cilco. Esse elemento embute significação clara em sua intensão clara de retorno, “novo começo”.

A tipografia, assim como a seta, possui cor predominante verde, escolha politicamente conduzida por esse ser um padrão cromático amplamente associado às questões sustentáveis e ecológicas; não é clichê, mas justifica-se pelo apelo sensorial da cor já estar, culturalmente, relacionada à essas questões. Além, da sua associação afetiva (FARINA, PEREZ e BASTOS, 2006): esperança, natureza, coragem, tranquilidade, entre outros.

A aplicação da proposta visual ReUSE sempre obedecerá às cores originais em interfaces neutras que proporcionem perfeita leitura, independente de possíveis texturas. Em cores análogas ao verde e azul, para evitar que a leitura fique prejudicada, ou em reproduções gráficas limitadas, a opção é adotar a solidez do branco ou do preto, dependendo do tom da superfície aplicada. Mesmo seguindo essas precauções, pode haver algum abalo na transmissão da mensagem caso o material ou produto que a marca ReUSE esteja aplicado possua baixa qualidade de reprodução ou acabamento gráfico, por exemplo comprometendo a impressão, ou pelo desgaste da ação do tempo.

O símbolo com o texto traz uma unidade surpreendente, formando uma marca, em sua coexistência, fugindo de qualquer hermetismo ou complicação em seu entendimento no momento da aplicação. Ao mesmo tempo, objetiva a diferenciação visual em relação aos contextos em que será aplicada, muitas vezes supersaturados de informação. Isso faz evitar os excessos, e deixa a mensagem mais concisa e direta possível, além da simbologia que prioriza o reconhecimento em vez da memorização.

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