1 INTRODUÇÃO
3.1 TIPOLOGIA DE PESQUISA
No campo de ciências sociais aplicadas existem diversas classificações de tipologias metodológicas para a execução da pesquisa cientifica. O presente trabalho será classificado quanto à sua abordagem metodológica, delineamento e categorização do planejamento de pesquisa, população e amostra da pesquisa, as hipóteses e os constructos da pesquisa, com a definição constitutiva e operacional das variáveis, a forma da coleta e análise dos dados e as limitações da pesquisa.
3.1.1 Abordagem metodológica
De acordo com Martins e Theóphilo (2007), as abordagens metodológicas podem ser classificadas como abordagens empíricas, positivistas, sistêmicas, estruturalistas, fenomenológicas e crítico-dialético. A presente pesquisa utiliza como abordagem metodológica a empírico-positiva que, estuda os fatos buscando estabelecer relações entre estes mediante o controle e sistematização de dados empíricos, explicando e descrevendo os fenômenos observados (MARTINS e THEÓPHILO, 2007, p. 40).
Deste modo, a considerar pelo fato que o estudo pretende analisar o efeito do processo de convergência as normas internacionais de contabilidade sobre os níveis de GR em empresas brasileiras e portuguesas, trata-se de um estudo empírico-positivista.
Para alcance do objetivo pretendido são desenvolvidas hipóteses estatísticas para
examinar as relações entre os níveis de GR e a mudança dos padrões normativos, BRGAAPs, PGAAPs e IAS/IFRS, constituindo-se assim no método de tentativa e erro denominado método hipotético-dedutivo.
O método hipotético-dedutivo de acordo com Ferreira (1998, p. 96), “desencadeia-se a partir da percepção de uma lacuna nos conhecimentos científicos produzidos em uma determinada área até aquele momento, em função da qual se formula novas hipóteses. Em seguida, através do processo de inferência dedutiva, testam-se as hipóteses”. Segundo Soares (2003) o método hipotético-dedutivo pode ser dividido em quatro etapas: (i) definição do problema; (ii) estabelecimento de hipóteses; (iii) falseamento de hipóteses; e (iv) comprovação ou não de hipóteses.
Utiliza-se o método hipotético-dedutivo com auxílio de testes empíricos realizados por meio do uso de métodos quantitativos, que servirão como ferramentas cruciais para explicar as relações entre as variáveis pesquisadas e apresentarão resultados para uma discussão crítica sobre a representação dos fatos em análise.
3.1.2 Delineamento e categorização do planejamento de pesquisa
O Quadro 5 apresenta o delineamento e categorias do planejamento da pesquisa, de acordo com Cooper e Schindler (2003).
QUADRO 5 - Planejamento da pesquisa
Categoria Técnicas
Quanto ao grau de elaboração da questão de pesquisa Estudo formal
Quanto aos objetivos Descritivo e
explicativo
Quanto aos procedimentos Documental
Quanto a abordagem Quantitativa
Quanto ao método da coleta de dados Monitoramento
Quanto ao poder do pesquisador de produzir efeitos nas variáveis que estão sendo
estudadas Ex-post-facto
Quanto à dimensão do tempo Longitudinal
Quanto à amplitude e profundidade do estudo. Estudo estatístico
Fonte: Adaptado de Cooper e Schindler, 2003.
O presente estudo foi desenvolvido com base nas categorias ilustradas no Quadro 5, que serviram para o delineamento do processo metodológico. O estudo formal caracterizado pela
formulação da questão de pesquisa ou hipóteses que envolvem procedimentos precisos e especificação de fontes de dados (COOPER e SCHINDLER, 2003).
Quantos aos objetivos o estudo é caracterizado como uma pesquisa descritiva e explicativa. A pesquisa descritiva, segundo Gil (2002, p. 46) o pesquisador “observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos do mundo físico e especialmente do mundo humano (variáveis) sem manipulá-los”. As pesquisas descritivas utilizam técnicas padronizadas de coletas de dados, através de observação, de entrevistas e de questionários, muitas vezes é considerada a técnica intermediária entre as pesquisas exploratória e explicativa. A pesquisa descritiva exige do pesquisador certo grau de responsabilidade para que possua validade científica (SILVA, 2003).
“A pesquisa explicativa tem por objetivo aprofundar o conhecimento da realidade, procurando a razão, o porquê das coisas e, por esse motivo, está mais sujeita a erros”
(ANDRADE, 2007, p.114). A pesquisa explicativa a centra-se na manipulação e o controle das variáveis, tem como objetivo de identificar qual a variável independente que determina a causa da variável dependente ou do fenômeno em estudo (GIL 2002).
Para Richardson (2008, p. 70) a abordagem quantitativa se utiliza da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas. É aplicado em estudos descritivos que procuram descobrir e classificar a relação entre variáveis, bem como naqueles que investigam a relação de causalidade entre fenômenos.
A abordagem quantitativa explora também técnicas de observação e entrevistas, utilizando assim as técnicas da pesquisa documentárias, explorando a análise de conteúdo e análise histórica (RICHARDSON, 2008).
Quanto aos procedimentos, utilizou-se o método de coleta de dados por monitoramento, que é caracterizado pela inspeção direta de atividades e coleta de reposta por meios específicos, sendo estes geralmente entrevistas, instrumentos auto administrados ou instrumentos apresentados antes e/ou depois de um tratamento. Assim, para a coleta de informações contábeis das empresas de capital aberto brasileiras e portuguesas para mensuração da proxy de GR (Accruals discricionários) foram utilizadas as funcionalidades disponíveis no banco de dados Thomson ONE Banker®, nas bases de dados Thomson Financial e Worldscope por meio do módulo Datastream Profissional®. Os dados coletados são classificados como advindo de fontes secundárias.
Para Marconi e Lakatos (2000) as fontes secundárias são aquelas que já foram coletadas,
tabuladas, ordenadas e até analisadas para diferentes propósitos, mas que atendem às necessidades do estudo. Desta forma, o estudo não possui controle das variáveis de pesquisa e os resultados alcançados deverão relatar o que realmente aconteceu, por meio das relações das fontes secundárias, sem qualquer interferência do pesquisador dos efeitos produzidos pelas normas BRGAAPs, PGAAPs e IAS/IFRS sobre os níveis de GR caracterizam-se como sendo de uma pesquisa ex-post-facto (COOPER E SCHINDLER, 2003).
O estudo é caracterizado pela análise longitudinal, utilizando a técnica multivariada de análise de dados em painel. O estudo longitudinal é caracterizado por possuir um longo período de análise dos dados, podendo acompanhar mudanças ao longo do tempo. Assim, as interpretações devem ser tomadas pelo pesquisador com certa cautela (COOPER e SCHINDLER, 2003, p. 129).
Os estudos longitudinais são representados pela análise de painel e de corte (cross-section). O primeiro caracterizado pelo estudo das mesmas observações ao longo do tempo. E o segundo, com observações diferentes para cada mensuração sequencial (HAIR et al., 2005).
Para Hair et al (2005) os estudos longitudinais são adequados quando as questões ou hipóteses de pesquisa são afetadas com o decorrer do tempo. Os estudos do tipo painel são caracterizados por Richardson (1989) como aqueles em que a coleta de dados ao longo do tempo ocorre a partir de uma mesma amostra. Desta maneira, quanto à amplitude e profundidade é evidente que se trata de um estudo que utiliza técnicas estatísticas cuja hipótese é testada quantitativamente e se busca fazer inferências sobre a população, a partir da amostra constituída.