Embora Bradburn (1983) defenda que alguns autores contestam a eficiência de um tipo de entrevista sobre outro para todos os tipos de questões, encontrou-se na bibliografia consultada uma tendência generalizada que defende as entrevistas pessoais como o melhor método para desenvolver as pesquisas de Avaliação Contingente.
Para Arrow et al. (1993), as entrevistas pessoais oferecem vantagens práticas por manterem a motivação do entrevistado e permitirem o uso de suplementos e figuras, permitem ainda manter a atenção e a cooperação dos entrevistados.
As entrevistas pessoais são as que produzem os resultados mais fiáveis (Maia, 2002). As informações são transmitidas verbalmente e permitem a utilização de cenários e figuras. Atraem a atenção do entrevistado e aumentam a sua motivação para responder adequadamente à questão de valorização.
As entrevistas são complexas e, normalmente, exigem entrevistadores bem treinados para aplicá-las. Os gastos com este processo podem tornar-se consideravelmente altos e tendem a aumentar proporcionalmente com a abrangência da população a ser consultada.
Tanto Maia (2002) como Arrow et al. (1993), concordam que o uso do telefone pode tornar a pesquisa menos cara, contudo defendem que as entrevistas devem ser mais curtas para não perder a atenção das pessoas, e não é possível a utilização de Figuras e outros auxílios visuais, o que pode comprometer a compreensão dos cenários. A amostragem restringe-se às residências constantes na lista telefónica e, segundo estes autores, deve-se garantir a aleatoriedade destas, se possível, com auxílio computacional para selecção aleatória dos dígitos.
Relativamente às entrevistas por correspondência estes autores concordam que têm a vantagem de diminuir os custos da pesquisa e permitem a presença de auxílio visual para especificação dos cenários. Contudo, apresentam limitações como a incerteza na compreensão e interpretação feita pelo entrevistado, sobretudo se a população abrangida tiver uma elevada taxa de analfabetismo ou de iliteracia, permite que os entrevistados possam rever as suas respostas e não se consegue limitar as respostas a um único entrevistado.
Segundo Maia (2002), este tipo de entrevistas é recomendado somente nos casos onde os cenários são simples, curtos e a população tem um nível mínimo de instrução e conhecimento sobre o bem avaliado. Enquanto que Arrow et al. (1993) defende que deve ser utilizado apenas se outro método suplementar puder ser aplicado para validar os resultados numa sub-amostragem aleatória dos entrevistados.
De acordo com Dillman (1978), este método leva a que existam muitos questionários que não são devolvidos, sendo os índices de devolução pouco superiores a 70% (valor relativamente baixo quando comparado aos retornos das entrevistas pessoais e por
telefone), e leva a que muitas vezes, apenas as pessoas interessadas no bem devolvem os questionários. Outra limitação relaciona-se com o facto de a selecção da amostra basear-se em listas telefónicas, que não englobam toda a população.
Muitas vezes no nosso dia-a-dia somos confrontados com apelos para que respondamos a entrevistas em troca de uma oferta, isso deve-se à popularização das pesquisas de opinião pública, o que levou a uma dificuldade acrescida para encontrar pessoas dispostas a participar em entrevistas longas como as de Avaliação Contingente, tendo sido necessário recorrer a este tipo de subterfúgios. Contudo, as ofertas, apesar de poderem despertar o interesse das pessoas para responder aos questionários podem induzi-las a dar a resposta que pensam ser a correcta e não a “sua” resposta.
Com o avanço das novas tecnologias surgiu um novo método para a realização de entrevistas, recorrendo-se aos endereços electrónicos. Este método permite o auxílio visual, como as entrevistas directas, e apresenta custos inferiores às entrevistas por telefone, contudo apresenta problemas como as entrevistas por correspondência, nomeadamente estar dependente do entrevistado. Possivelmente devido a ser um método relativamente novo não se encontrou na bibliografia consultada referências significativas a este método.
3.2.4 – TEMPORALIDADE
Embora alguns estudos mostrem uma certa estabilidade nas preferências para bens públicos ao longo de um período de tempo razoável, é prudente esperar que a avaliação de benefícios baseada em preferências individuais esteja dependente da distribuição das preferências no tempo em que o estudo é realizado (Mitchell & Carson, 1989).
De acordo com Carson, et al. (1995b), pode-se até esperar que algumas preferências mantenham-se estáveis ao longo do tempo, mas normalmente referem-se a bens públicos que já tenham uma espécie de mercado definido como a taxa de entrada num parque natural ou as tradicionais licenças de caça norte-americanas. A mesma estabilidade não seria encontrada em problemas recentes, pouco conhecidos, nem tão pouco em problemas já antigos, mas apresentados através de uma campanha publicitária de grande escala. Para Arrow et al. (1993), a pesquisa deve ser efectuada em tempo suficientemente distante da data da infracção ambiental para que os entrevistados considerem o cenário de restauração total como plausível. O questionário devia integrar perguntas para determinar a ideia dos entrevistados sobre as probabilidades de restauração do sistema. O ideal seria a
aplicação do método após terminada a restauração natural e humana do recurso. Alguns danos ambientais costumam ser recuperados com o tempo pela própria força da natureza, sem necessidade de intervenção humana e, como as perdas de uso passivo tendem a derivar de uma condição estacionária, estes prejuízos deixariam de existir nestas circunstâncias.
Segundo Ajzen et al. (2000), o desvio causado pela temporalidade pode ainda ser incrementado caso esteja associado às circunstâncias atípicas pelas quais passa a população no momento da pesquisa. Ou seja, momentos de crise política, económica ou social, podem influenciar negativamente a DAP da pessoa para um bem público e devem ser evitados no planeamento da pesquisa.