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1 INTRODUÇÃO

3.5 O M ODELO F LEURIET OU M ODELO D INÂMICO

3.5.2 Tipos de estruturas financeiras das empresas

O MF, por meio das suas variáveis CDG, NCG e ST permitiu a Flueriet (2003) e Brasil & Brasil (1997) identificarem 6 perfis conjunturais e estruturais das empresas, isto é, cada perfil denota a situação financeira em determinado momento, de acordo com as configurações observadas do CDG, da NCG e do ST. Porém, eles somente evidenciaram os quatro tipos que

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aparecem em maior frequência, sendo que, em relação aos outros dois, apenas relataram a sua existência.

Dando continuidade a esse estudo, Braga (1991), Marques & Braga (1995), Vieira (2005) e Braga (2004) demonstram as seis estruturas de balanços, visualizadas no quadro abaixo, que correspondem a uma situação financeira relativamente ao risco de solvência das empresas.

Quadro 3.5.1 – Ilustração das estruturas financeiras ou de balanço.

Fonte: Adaptado de Braga (2004)

Ao analisar os tipos de balanços registrados na figura acima, é possível defini-los das seguintes maneiras:

Tipo I - indica uma ótima situação financeira ou uma excelente liquidez, denotando que a empresa possui boa capacidade de pagamento de suas obrigações. Isso ocorre porque a mesma tem sua necessidade de capital de giro totalmente amparada por fontes operacionais (ACO < PCO), portando, o CDG está sendo destinado a aplicações financeiras. Nessa estrutura, a sociedade também tende a apresentar um CF negativo. A situação é característica, a priori, de empresas que compram a prazo e vendem à vista (segmento de serviço e/ou comércio). De acordo com Braga (1991), é praticamente impossível encontrar empresas do segmento industrial nessa situação, haja vista o ciclo de produção e o prazo médio de cobrança.

Tipo II - apresenta uma sólida situação financeira, isto é, com folga de caixa ou boa liquidez para fazer frente as suas dívidas, tendo em vista que o CDG, além de ser suficiente para cobrir a NCG positiva (aplicação), libera recursos para aplicações financeiras refletidas no ST positivo. Tal situação possibilita à empresa condições para fazer frente aos aumentos temporários da NCG.

Tipo CDG NCG Condição ST Situação

I + - CDG > NCG + aplicação Excelente

II + + CDG > NCG + aplicação Sólida

III - - CDG > NCG + aplicação Arriscada

IV + + CDG < NCG - fonte Insatisfatória

V - - CDG < NCG - fonte Ruim

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Tipo III - é uma situação de risco, tendo em vista que o ST positivo é oriundo da NCG negativa, porém superior ao CDG também negativo, indicando que as fontes operacionais (PCO) de curto prazo estão suprindo as aplicações operacionais (ACO) como também as aplicações fixas (imobilizações), ou seja, a empresa está financiado o ANC com recursos de curto prazo.

Essa situação é bastante sensível ao nível de vendas, pois caso ocorra uma retração das vendas, tende a haver uma rápida alteração da NCG (diminuição do PCO em maior volume que o ACO), que passaria a ser positiva e consumiria as sobras. Consequentemente, o ST passaria a ser negativo. Por outro lado, a queda das vendas também, em princípio, influencia no lucro. Não haveria, portanto, a geração de autofinanciamento para comportar o incremento da NCG. Isso poderia levar a empresa a apresentar uma situação do tipo Ruim ou Péssima.

Segundo Vieira (2005, p.155), tal situação “representa uma estrutura que demanda acompanhamento e administração adequados, bem como pode sugerir a necessidade de uma reorganização de ativos e passivos”.

Tipo IV - revela que a NCG positiva (ACO > PCO) não é totalmente amparada pelo CDG, sendo necessário a empresa a recorrer a fontes (normalmente via empréstimos bancários) de curto prazo, o que está explicitado pelo ST negativo, para suprir parte de sua NCG. Fica evidente que, nessa estrutura, as empresas dependem constantemente de empréstimo de curto prazo para financiar suas atividades. De acordo com Vieira (2005, p. 154), essa estrutura “representa a situação encontrada com maior freqüência nas empresas brasileiras”. Nessa situação, deve-se observar se ocorre aumento da diferença entre o CDG e a NCG. Caso isso aconteça, aumenta a vulnerabilidade da empresa em função da evolução do ST negativo.

Tipo V - mostra que o CDG (ACN > PCN) está sendo financiado por recursos de curto prazo oriundos da NCG negativa e das fontes erráticas ou financeiras, o que está evidenciado pelo ST negativo. O descasamento entre as fontes de curto prazo aplicadas em ativos de maturação de longo prazo revela elevado risco, pois qualquer expansão dos negócios gerará uma alteração na NCG (essa variação em função das vendas), o que tende a gerar um aumento do ST, piorando a situação financeira da empresa.

Outro aspecto a ser ponderado é que os empréstimos de curto prazo podem oscilar conforme a política de concessão por parte das instituições financeiras. Portanto, quaisquer

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dificuldades na renovação dos empréstimos agravariam consideravelmente a situação financeira da empresa.

Tipo VI - indica que tanto a NCG (positiva) como o CDG (negativo) são aplicações e estão sendo financiados por fontes de curto prazo (empréstimos bancários). Apresentam, portanto, estrutura bastante desfavorável. De acordo com Fleuriet (2003, p.16), essa situação “configura uma estrutura financeira típica de empresas que lutam por sua sobrevivência. Empresas cujos balanços são semelhantes a esse tipo tendem a desaparecer, ou então sobrevivem graças à ajuda do Estado”. São companhias que estão, pois, próximas da recuperação judicial ou da falência.

De acordo com Assaf (2008, p. 216-219), as empresas dos Tipos I e II são de menor risco, pois apresentam folga de caixa explicitada pelo ST positivo. Já as do Tipo IV podem ser classificadas como de risco médio, visto que o CDG não financia completamente a NCG, o que leva a empresa a recorrer a empréstimos de curto prazo, situação característica comum à maioria das empresas. As dos Tipos III, V e VI podem ser consideradas de alto risco, tendo em vista que apresentam um CDG negativo, ou seja, as inversões de longo prazo estão sendo supridas por recursos de curto prazo, sendo, portanto, financiadas com recursos inadequados.

Nesse aspecto, o Tipo VI difere do Tipo V, porque esse possui a NCG negativa (fonte), que financia parte dos investimentos no ANC. Portanto, o Tipo VI representa a pior situação, próxima da insolvência. Já o Tipo III, apesar de demonstrar um ST positivo, o risco envolvido nesse caso advém de que, tanto a NCG como o CDG negativos deixam a empresa bastante vulnerável à variação das vendas, o que pode gerar uma alteração na NCG, revertendo o ST de positivo para negativo, o que agravaria sobremaneira a sua situação financeira.

Para uma melhor visualização das estruturas, o quadro seguinte exemplifica esses conceitos.

Quadro 3.5.2 – Exemplos das estruturas financeiras

Variáveis MF

Empresas

Tipo I Tipo II Tipo III Tipo IV Tipo V Tipo VI

NCG (10) 10 (30) 30 (20) 20

CDG 10 20 (20) 20 (40) (10)

ST 20 10 10 (10) (20) (30)

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No quadro anterior, fica evidenciado que os Tipos I, II, III possuem uma melhor situação financeira por apresentarem ST positivo. Já os demais Tipos apresentam um ST negativo, o que denota a necessidade de recorrer a recursos erráticos (normalmente são recursos bancários de curto prazo) para financiar uma parte ou o total da NCG, como também parte do CDG, a exemplo dos Tipos V e VI.

As empresas do Tipo IV são as mais frequentes no Brasil. Nesse Tipo, verifica-se que a estrutura de financiamento é amparada por recursos de curto prazo, tendo em vista que o CDG não ampara totalmente a NCG.

Neste capítulo, foram descritos os indicadores da análise tradicional que têm como principal medida os índices de liquidez (corrente, geral e seca). Como foi demonstrado no subcapítulo 3.2, esses índices, a partir do confronto entre os ativos e os passivos circulantes, têm como principais parâmetros a solvência, tendo em vista que os mesmos presumem que a empresa irá ter capacidade de pagamento em determinada data, com base nos dados do BP, ou seja, numa visão estática.

A análise tradicional não considera os prazos de recebimento e de pagamento que se alteram continuamente devido à dinâmica dos negócios de uma empresa. Conforme Assaf & Silva (2002), na administração do capital de giro, as saídas de caixa (pagamentos) são eventos relativamente previsíveis; já as entradas de caixa (recebimentos) são geralmente de difícil previsibilidade. Não são considerados, portanto, os ciclos operacional e financeiro.

Comparando-se os indicadores tradicionais de liquidez com o MF, observa-se que o MF muda o foco da análise financeira da solvência para a liquidez, ou seja, ao invés de tentar responder à pergunta: Encerrando as operações, os ativos são suficientes para reembolsar as exigibilidades? A questão passa a ser formulada da seguinte maneira: Como pode a empresa honrar seus compromissos, mantendo-se em atividade e gerando recursos para o seu crescimento? Essa questão parte do princípio de que as empresas são organismos vivos, ou seja, são entes dinâmicos, que têm como objetivo gerar lucros para poderem financiar seu crescimento, com capacidade de reembolsar suas obrigações nas datas aprazadas.

Outro aspecto importante do MF é o fato de ele ser um modelo sistêmico, o que possibilita uma gestão financeira globalizante, pois as decisões envolvem o conjunto da empresa, isto é, todas as contas do balanço estão envolvidas na análise financeira, como também o volume de vendas realizadas pela empresa.

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Dessa forma, o MF oferece parâmetros que podem melhorar significativamente a qualidade da gestão financeira, pois fornece informações sobre as oscilações e as tendências evolutivas do CDG, da NCG, do ST e do CF. Com tais informações, o administrador pode avaliar com maior precisão os limites para sustentar as atividades da empresa com segurança, além de ser possível a realização de mudanças estratégicas na política de vendas e de investimentos, conforme Theiss Junior & Wilhelm (2000).

A análise do capital de giro das empresas por meio do MF oferece parâmetros que apresentam maior sensibilidade na identificação de mudanças na situação financeira das empresas, pois o modelo tende a captar essas mudanças antes da análise tradicional.

O resultado da análise financeira com uso do MF permite definir questões relativas ao planejamento de curto e longo prazos, tais como o percentual de recursos destinados ao autofinanciamento da atividade, a política de distribuição de dividendos, bem como o montante necessário de recursos de longo prazo a serem captados para financiar novas inversões fixas.

Registre-se que os resultados proporcionados pela análise tradicional têm mais utilidade na avaliação do risco de insolvência, enquanto o MF (análise dinâmica) apresenta maior utilidade no campo da avaliação da situação do fluxo de caixa. Em síntese, o MF veio agregar novos conceitos à avaliação financeira das empresas, numa visão holística das mesmas.

Após a descrição da importância da gestão do capital de giro e de suas políticas de financiamento e investimento, relatar os indicadores de resultados e de rentabilidade, bem como a caracterização do MF (variáveis e estruturas financeiras), no capítulo seguinte será efetuada a análise dos dados contábeis das amostras, com base nas variáveis e estruturas financeiras do MF, buscando avaliar sua aplicabilidade.

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