Para Durães (1997, p. 3), “As regras institucionais dos principais tipos de leilões influenciam a formulação e estratégia das propostas dos licitantes, bem como determinam a eficiência da alocação dos bens leiloados”. Desta forma, a Teoria dos Leilões estabelece quatro tipos básicos de leilões competitivos utilizados para a venda de bens:
Leilão Inglês ou de Preço Ascendente; Leilão Holandês ou de Preço Descendente; Leilão Americano ou de Primeiro Preço; Leilão Vickrey ou de Segundo Preço. a) Leilão Inglês ou de Preço Ascendente
De acordo com Castro (2003, p. 12), neste formato, o leiloeiro especifica o preço mínimo para o item e os participantes dão lances crescentes, até que nenhum participante esteja disposto a dar um lance maior que o atual. A variação entre os valores dos lances pode ser aleatória ou considerar o incremento mínimo definido pelo leiloeiro. Será proclamado vencedor, o licitante que ofertar o maior preço.
De acordo com Durães (1997, p. 4), uma característica importante do leilão inglês é que todos os licitantes têm conhecimento do lance corrente e podem rever suas propostas de preço para cima até que o bem seja arrematado pelo mais alto lance.
b) Leilão Holandês ou de Preço Descendente
Neste formato, o leiloeiro fixa um preço inicial elevado, que provavelmente nenhum licitante esteja disposto a pagá-lo. Ao contrário do leilão inglês, o valor é reduzido progressivamente, até que um licitante possa reivindicar o item ao preço corrente. O leilão holandês é utilizado comumente para produtos perecíveis.
De acordo com Turban & King (2004, p. 55), o leilão holandês é planejado para venda de vários produtos idênticos. Um exemplo é o mercado internacional de flores da Holanda.
Ainda para Turban & King (2004, p. 210), inicialmente, os leilões do mercado holandês de flores (DFA) eram semi-automatizados. Compradores e vendedores tinham que ir a algum local determinado onde as flores eram exibidas. O leiloeiro de cada variedade de flor usava um relógio com um grande ponteiro que apontava um preço alto. O preço caía à medida que o tempo ia passando, até que um arrematador parava o relógio pressionando o botão de pedido.
Em 1994, os produtores holandeses decidiram proibir a participação de produtores estrangeiros nos leilões durante os meses de verão, para proteger a produção nacional. Os produtores estrangeiros se uniram e, em 1995 criaram o TeleFlower Auction- (TFA) – um leilão eletrônico, onde os compradores podem dar lances para os lotes de flores por meio de seus computadores pessoais, a partir de qualquer localidade conectada à rede privada e, em horários determinados.
Ainda para Turban & King (2004, p. 211): o processo é semelhante ao do leilão holandês tradicional, exceto que acontece em ambiente virtual. O relógio é exibido na tela do computador e o comprador para o mecanismo pressionando a barra de espaço do teclado.
produtores. O uso da tecnologia de informação reduziu o tempo do leilão e agilizou a entrega. A qualidade das flores também foi afetada, pois são manuseadas com menor freqüência, uma vez que não há necessidade de levá-las até o local do leilão.
De acordo com Turban & King (2004, p. 211), o TFA obteve vantagem competitiva utilizando tecnologia de informação e conquistou considerável participação de mercado às expensas das organizações existentes. O DFA demorou mais de um ano para implantar sua própria câmara de compensação eletrônica para flores.
c) Leilão Americano ou Leilão de Primeiro Preço
Os licitantes submetem as suas propostas em envelopes lacrados, sendo que cada participante tem direito a apresentar apenas um lance. Os envelopes são abertos em um horário pré-determinado e o vencedor é aquele que possui a proposta mais elevada. O vencedor paga pelo objeto o valor de sua proposta. De acordo com Castro (2003, p. 12), “leilões deste tipo foram usados em algumas privatizações brasileiras (por exemplo, a privatização do Banco do Estado de São Paulo – BANESPA)”.
d) Leilão Vickrey ou Leilão de Segundo Preço
De acordo com Klemperer (1999, apud Castro, 2003 p. 13), o formato desse tipo de leilão foi criado por William Vickrey.
Os licitantes submetem suas propostas em envelopes lacrados. O vencedor continua sendo aquele com a maior proposta; no entanto paga pelo objeto o valor correspondente a segunda maior proposta.
e) Resumo Geral dos Tipos de Leilão
O Quadro 3 apresenta o resumo das principais diferenças entre tipos básicos de leilões competitivos, considerando as variáveis: lance, fechamento, mecanismo e preço.
Quadro 3 – Resumo dos tipos de leilões
Tipo Lance Fechamento Mecanismo Preço
Inglês Aberto Temporal / Evento Ascendente Maior oferta
Holandês Aberto Evento Descendente Maior oferta Americano Fechado Temporal / Evento One-shot Maior oferta
Vickrey Fechado Temporal / Evento One-shot 2ª Maior oferta
Fonte: Elaboração desta autora
f) Limitações dos Leilões Tradicionais
Os leilões tradicionais apresentam limitações relacionadas às seguintes variáveis: tempo, presença de participantes, movimentação dos bens e custos.
Tempo - Os leilões tradicionais, de qualquer tipo, em geral levam poucos minutos, ou até mesmo segundos, a cada item vendido. Esse processo acelerado pode dar aos compradores pouco tempo para tomar uma decisão e, isto interfere nos preços dos itens, pode fazer com que o arrematante pague mais pelo bem ou que fique 23
sem o que deseja;
Presença – Para fornecer lances, os arrematantes precisam estar fisicamente presentes aos leilões. De acordo com Amor (2000, p. 24) “os leilões eram restritos a um local ou a um círculo muito exclusivo de pessoas”.
Movimentação dos bens – Os bens que serão leiloados devem ser movimentados para o local onde o leilão será realizado. A operação logística pode ser bastante complexa dependendo da natureza dos bens que serão leiloados.
Altos custos – A realização de um leilão tradicional apresenta altos custos operacionais: aluguel de espaço, publicidade, sistemas de segurança, comissão do leiloeiro e pagamento de funcionários.