Os tipos a seguir são os mais notáveis. A relação não é exaustiva.
Contrariedade camuflada
Consiste na conjunção de proposições onde a aceitação de uma implica na negação da outra, sem que isto seja visível de imediato. A camuflagem ocorre quando:
A premissa que revela a contrariedade é desconhecida ou desconsiderada pelo receptor.
A revelação da contrariedade exige o estabelecimento de uma seqüência longa de implicações.
A contrariedade é sutil e exige atenção para detecção.
Há distanciamento entre as proposições contrárias de modo que a memória da primeira já se desvaneceu ao ser apresentada a segunda.
A contrariedade camuflada difere da contrariedade flagrante e do oxímoro. Da primeira pela própria camuflagem e do segundo pela impossibilidade de aplicação do algoritmo para oxímoro.
Os enunciados contrários de um sofisma de contrariedade tem de estar explícitos no discurso para que se caracterize o sofisma unicamente pela análise do discurso. Uma relação de contrariedade entre as proposições A e B pode ser expressa pela sentença: 'se A então nãoB e se B, então não A'.
O sofisma da contrariedade camuflada se resume à fórmula 'A é B'. A falsidade se aplica à conjunção. Obviamente uma das duas proposições, A ou B em separado pode ser verdadeira.
As contradições tem a forma 'A é não A'. Assim sendo qualquer contadição também é uma contrariedade. O que se disse sobre sofismas de contrariedade pode ser dito sobre sofismas de contradição camuflada.
De possibilidades
Consideremos proposições que se referem a coisas da objetividade. Elas podem declarar o impossível e o possível. O possível pode ser improvável, provável e certo. Os sofismas de possibilidade confundem as noções: Exemplos:
'Tudo que é provável é certo, verdadeiro'.
De quantificação
São os ligados a declarações de existência.
'Existe indivíduo que atende à proposição, então todo indivíduo atende à proposição'.
'Nem todo indivíduo atende à proposição, então nenhum indivíduo atende à proposição'.
Os sofismas de possibilidade e quantificação poderiam ser chamados de sofismas de arredondamento e enunciados do seguinte modo:
'O que está próximo de zero ou próximo de 100% pode ser arredondado para zero e 100% respectivamente'.
De implicação
Consiste basicamente em dizer que X implica Y quando na verdade isto não ocorre. A ilusão do sofisma é criada na maioria das vezes porque X e Y apresentam alguma relação de contigüidade que é tomada por relação de implicação. Ou X antecede Y, ou comumente lhe é contíguo, ou Y implica X, ou nãoY implica não X, etc..A rigor todos os sofismas são sofismas de implicação. Os aqui considerados são aqueles em que o erro de implicação está mais evidente. Os sofismas mais comuns desta classe:
Ad hominem: Argumento que prova tese usando premissas que não a implicam. Ex.: 'O cigarro não faz mal porque o João disse isso'.
Se X implica Y então Y implica X.
Se X implicaY então não X implica não Y. Se X implica Y então não Y implica não X.
Se a tese é verdadeira então as premissas também o são. Se a tese é falsa então as premissas também o são. Se X é contíguo a Y então X implica Y.
Transferência de credibilidade
A proposição é considerada boa porque vem de boa fonte, ou má se de má fonte. Esta fonte pode ser a tradição, a posição da autoridade, a maioria, etc..
Este tipo de sofisma é também sofisma de implicação, pois considera que a autoridade da fonte implica na veracidade do enunciado.
Do maniqueísmo
Sejam X e Y proposições pertinentes num mesmo domínio e não complementares. O sofisma do maniqueísmo se expressa como:
'Se X então não Y. Se não X então Y'. O enunciado verdadeiro seria:
'Se não X então Y ou A ou B ou C ...'.
A confusão no sofisma de maniqueísmo consiste em tomar por relação de contrariedade complementar o que é contrariedade simples.
Estatísticos
'A qualidade do indivíduo é a qualidade média do grupo'.
Falta de prova em contrário
A proposição é considerada verdadeira pela ausência de prova da sua falsidade, ou vice-versa.
Falsa analogia
Consiste no transplante inconsistente de conclusões de um contexto a outro. Genericamente: X é similar a Y. X tem a propriedade P, logo Y também a possui. Exemplo: 'Tirando-lhe um cabelo não ficará calvo, tampouco tirando-lhe dois ou três. Do mesmo modo não ficará calvo se lhe tirarem todos os cabelos'. Aqui extrapola-se o que é válido para um, dois e três cabelos ao total dos cabelos.
A falsa analogia extrapola a similaridade entre duas situações para além da sua validade.
Composição/divisão
São os que atribuem ao todo o que é próprio das partes ou às partes o que é próprio do todo.
Exemplos:
'O todo é pesado. As partes são pesadas'. 'As partes são leves. O conjunto é leve'.
Petição de princípio
É o argumento que prova a tese assumindo a sua veracidade como premissa. É a forma redutível a: 'A é verdadeira porque A é verdadeira'.
A petição de princípio é um argumento inválido, o que significa que não é possível provar a proposição com ele, o que não impede de a proposição ser verdadeira.
A petição de princípio eficaz como sofisma sempre envolve camuflagem. Nestes casos é preciso estabelecer uma cadeia de impicações para desmontar a petição de princípio
Semânticos
Consistem em confundir o receptor quanto ao sentido em que é usado dado termo. Há muitas possibilidades:
Atribuir ao comparado, num recurso de retórica semântico, características do comparante que não são pertinentes a ambos, ou vice-versa.
Numa palavra polissêmica que se refere ao conceito A ou ao conceito B atribuir ao conceito A as características do conceito B, ou vice-versa.
Exemplo: 'Não conheces este homem velado. É teu pai, logo não conheces teu pai'. Aqui há dois sentidos para conhecer. O sofisma só funciona quando se opta por um nas duas ocorrências.
Num termo que admite leitura imediata e leitura figurada atribuir ao conceito evocado pela leitura figurada características do conceito evocado pela leitura imediata ou vice-versa.
Atribuir ao termo conotações diferentes no mesmo contexto. Este sofisma ocorre muito nas críticas filosóficas. Parte-se das características de um termo tais quais elas são num contexto A para critica-las num contexto B, onde o conceito a que se refere o termo sofreu mutação.
Tomar o signo ora como signo mesmo, ora como significado, ora como significante. Confunde-se uso com menção.
Exemplo: '' Racismo' é só uma palavra. Não há porque discutir sobre palavras. Não há porque discutir racismo.'
Um sofisma semântico não deve ser confundido com ambigüidade. A ambigüidade se caracteriza pela possibilidade de pelo menos dois sentidos para o mesmo enunciado, sendo a escolha por um dos sentidos questão indecidível no contexto. No sofisma semântico temos um só sentido, que é falso mas aparentemente verdadeiro, onde a ilusão vém de se tomar um termo num sentido quando se deveria toma-lo em outro. Caso se opte por atribuir ao enunciado o sentido que anula o sofisma o resultado é uma anomalia.
De conjunção/disjunção
outro.
Exemplo: 'Quem faz mal a outro merece punição. Quem transmite doença contagiosa faz mal ao outro, logo deve ser punido'. Neste caso o termo 'fazer mal' só é pertinente ao enunciado se estiver em conjunção com o termo 'intencionalmente'. Exemplo: 'O que se compra no mercado come-se. Comprei carne crua. Comerei carne crua'. O que falta à primeira premissa é a conjunção com o enunciado: 'mas não tal qual vém'.