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Tipos de unidades bioestratigráficas

Capítulo 7. Unidades bioestratigráficas

D. Tipos de unidades bioestratigráficas

1. Geral. Cinco tipos de biozonas são usados comumente: zonas de abrangência, zonas de intervalo, zonas de assembléia, zonas de abundância e zonas descendência.

Esses tipos de biozonas não tem significado hierárquico, e não são baseados em critérios mutuamente exclusivos. Um único intervalo estratigráfico pode, portanto, ser dividido independentemente em zonas de abrangência, zonas de intervalo, etc., dependendo das feições bioestratigráficas escolhidas.

2. Zona de abrangência. É o corpo de estratos que representa a abrangência estratigráfica e geográfica conhecida de um taxon específico ou uma combinação de

dois taxa de qualquer hierarquia. Há dois tipos principais de zonas de abrangência:

zonas de abrangência de taxon e zonas de abrangência-convergente.

a. Zona de abrangência de taxon (ver Figura 1).

Figura 1. Zona de abrangência de taxon. Os limites inferior, superior e lateral destas zonas são determinados pela abrangência de ocorrência do taxon a.

i. Definição. É o corpo de estratos que representam a abrangência conhecida de ocorrência estratigráfica e geográfica de espécimes de um taxon específico. É a soma das ocorrências documentadas em todas as seções e localidades individuais onde o taxon específico foi identificado.

ii. Limites. Os limites de uma zona de abrangência de taxon são bio-horizontes, que marcam os limites externos de ocorrência conhecida, em cada seção local, dos espécimes cuja abrangência está representada pela zona. Os limites de uma zona de abrangência de taxon em uma seção específica são os horizontes inferior e superior de ocorrência estratigráfica do taxon especificado naquela seção.

iii. Nome. A zona de abrangência de taxon é nomeada a partir do taxon que expressa essa abrangência.

b. Zona de abrangência convergente (ver Figura 2).

Figura 2. Zona de abrangência convergente. Os limites inferior, superior e lateral destas zonas são determinados pela abrangência de ocorrência convergente dos taxons a e b. .

i. Definição. Um corpo de estratos que inclui as partes superpostas das zonas de abrangência de dois taxons especificados.

Este tipo de zona pode incluir taxons adicionais, além daqueles especificados como elementos caracterizadores da zona, mas só são utilizados os dois taxons que definem os limites da zona.

ii. Limites. Os limites de uma zona de abrangência convergente são definidos em uma determinada seção estratigráfica através da ocorrência estratigráfica inferior dos dois taxa definidores de hierarquia mais alta, e pela ocorrência estratigráfica superior dos dois taxa definidores de hierarquia mais baixa.

iii. Nome. Uma zona de abrangência convergente é nomeada a partir dos taxons que definem e caracterizam a biozona através da sua convergência.

3. Zona de intervalo (ver Figuras 3 e 4).

a. Definição. É o corpo de estratos fossilíferos entre dois bio-horizontes específicos. Tal zona não é necessariamente uma zona de abrangência de um taxon ou convergência de taxon; ela é definida e identificada somente com base nos seus bio-horizontes

Figura 3. Zona de intervalo. Neste exemplo o limite inferior da zona é a ocorrência mais baixa conhecida do taxon a e o limite superior da zona é a ocorrência mais alta conhecida do taxon b. A zona tem amplitude lateral até onde ambos bio-horizontes definidores possam ser reconhecidos.

Na investigação estratigráfica de subsuperfície, a seção é penetrada de cima para baixo e a identificação paleontológica é feita geralmente a partir de fragmentos de testemunhos, muitas vezes contaminados pela re-circulação de sedimentos perfurados anteriormente e material arrancado das paredes do furo de sondagem. Por isso, são particularmente úteis as zonas de intervalo definidas como as seções estratigráficas compreendidas entre a ocorrência mais alta conhecida (primeira ocorrência de cima para baixo) de dois taxa específicos (Figura 4).

Figura 4. Zona de intervalo (Zona de ocorrência mais alta). Este tipo de zona de intervalo é

Este tipo de zona de intervalo tem sido chamada de “zona de última ocorrência”, mas deveria ser chamada preferencialmente “zona de ocorrência mais alta”. Também são úteis as zonas de intervalo definidas como a seção estratigráfica compreendida entre a ocorrência inferior de dois taxa específicos (“zona de ocorrência inferior”), preferencialmente em trabalhos de subsuperfície.

b. Limites. Os limites de uma zona de intervalo são definidos pela ocorrência de bio-horizontes selecionados para sua definição.

c. Nome. Os nomes dados a zonas de intervalo podem ser derivados dos nomes de horizontes-limite, sendo que o nome do limite basal precede o nome do limite superior;

p. ex.: Zona de Intervalo Globigerinoides sicanus-Orbulina suturalis.

Na definição de uma zona de intervalo, é desejável especificar os critérios para a seleção dos bio-horizontes delimitadores; p. ex.: ocorrência inferior, ocorrência superior, etc.

Um método alternativo de nomear utiliza um único nome de taxon para o nome da zona. O taxon deve ser um componente usual da zona, apesar que não precisa estar confinado à zona.

4. Zona de descendência (ver Figura 5).

Figura 5. Exemplos de zonas de descendência. Em A, a zona de descendência representa a abrangência total do taxon b, desde a ocorrência mais alta até seu antecessor, o taxon a, até a ocorrência mais baixa do seu descendente, o táxon c. Em B, a zona de descendência representa parte da abrangência do taxon y. situada entre a sua ocorrência mais baixa de seus descendentes, o taxon z.

As zonas de descendência são discutidas como uma categoria separada porque elas exigem para sua definição e reconhecimento não somente a identificação de taxons específicos, mas a garantia de que os taxons escolhidos para sua definição representam segmentos sucessivos de uma linha evolucionária.

a. Definição. O corpo de estratos que contém espécimens representativos de um segmento específico de uma linha evolutiva.

O corpo de estratos pode representar a plena abrangência de um taxon no âmbito de uma descendência (Figura 5A) ou somente aquela parte da abrangência do taxon situada abaixo do surgimento de um taxon descendente (Figura 5B). Os limites das zonas de descendência se aproximam dos limites de unidades cronoestratigráficas. No entanto, uma zona de descendência difere de uma unidade cronoestratigráfica por ser restrita, em comum com todas as unidades bioestratigráficas, à distribuição espacial efetiva dos fósseis.

As zonas de descendência são a forma mais confiável de correlação de tempo relativo através do método bioestratigráfico.

b. Limites. Os limites de uma zona de descendência são determinados pelos bio-horizontes que representam a ocorrência inferior dos sucessivos elementos da linhagem evolucionária sob exame.

c. Nome. Uma zona de descendência é nomeada com base no taxon presente na descendência e que represente a abrangência parcial ou total da zona.

5. Zona de assembléia (ver Figura 6).

Figura 6. Zona de assembléia. Neste exemplo, a assembléia diagnóstica da zona inclui nova taxa com abrangência estratigráfica diversa. Para que essa zona de assembléia possa ser útil, pode ser necessário fornecer alguma descrição de seus limites. p. ex. o limite inferior pode ser dito como estando localizado na ocorrência mais baixa dos taxons a e g, e o limite superior na ocorrência mais alta de taxon e. A maioria dos taxons da assembléia característica da zona deve no entanto estar presente.

a. Definição. É um corpo de estratos caracterizados por uma assembléia de 3 ou mais taxon de fósseis que, em conjunto, distingue o corpo dos estratos adjacentes em seu caráter bioestratigráfico.

b. Limites. Os limites de uma zona de assembléia são delineados em bio-horizontes que marcam os limites de ocorrência da assembléia específica que é característica da unidade. Nem todos os membros da assembléia precisam ocorrer para a seção ser designada para uma zona de assembléia, e a abrangência total de qualquer dos seus constituintes pode-se estender além dos limites da zona.

c. Nome. O nome de uma zona de assembléia é derivado do nome de um dos

6. Zona de abundância (ver Figura 7)

Figura 7. Zonas de abundância.

a. Definição. É o corpo de estratos em que a abundância de um taxon específico ou grupo específico de taxa é significativamente maior do que é comum em partes adjacentes da seção. A abundância incomum de um taxon ou taxa no registro estratigráfico pode resultar de um certo número de processos de extensão local, mas pode ser repetido em vários lugares em tempos diferentes. Por esta razão, a única forma segura de identificar uma zona de abundância é traçar a mesma lateralmente.

b. Limites. Os limites de uma zona de abundância são definidos pelos bio-horizontes em que há modificações notáveis na abundância do taxon específico ou taxa que caracterizam a zona.

c. Nome. A zona de abundância toma seu nome do taxon ou taxa cuja abundância significativamente maior a zona representa.