INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
5.4.1 A TMC segundo Lakoff e Johnson
Tradicionalmente, admite-se ser a metáfora uma criação individual, uma repetição (ou aceitação) mais ou menos generalizada uma imagem afetiva que, finalmente, pelo uso, torna-se uma imagem morta120. Essa visão que atribui à metáfora o valor de tropo, emprego figurado, conforme foi tratada anteriormente, remonta à tradição retórica que situa a metáfora no seio da
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Para Alves (2001), as metáforas vivas são aquelas em que se explora a analogia entre domínios conceptuais diferentes; e as mortas, em que o conceito novo está estabilizado e sua ativação já não implica a exploração desse processo de analogia.
palavra. Implica considerar a metáfora via razões estéticas ou simples lacunas no vocabulário. Com isso, reconhece-se que a metáfora é simplesmente uma questão de denominação, de troca de nomes.
Por ser uma área privilegiada para as teorias do conhecimento, há, contudo, estudos que vinculam a metáfora à concepção do funcionamento dos processos cognitivos. No que tange aos estudos da cognição corporificada, estudar a função da metáfora no funcionamento dos processos cognitivos significa pensar a relação entre cognição e linguagem. É o que se pode considerar como ponto de vista experiencialista.
Nessa abordagem, a metáfora é compreendida como um intermediário entre pensamento e mundo. Como mediação do real, a metáfora passa a ser apreendida enquanto fenômeno cognitivo em termos relacionais (representacionais). Essa significação é postulada nos estudos de Lakoff e Johnson (2002 [1980]), por exemplo.
As metáforas além de serem conceptuais são convencionalizadas, mantêm o princípio de invariância e fazem o mapeamento no esquema genérico. O sistema das metáforas conceptuais convencionais é essencialmente inconsciente e automático. Baseia-se em correspondência entre dois domínios, e não em similaridades.
Como bem nota Sardinha (2007), a respeito do título do livro Metaphors we live by (1980):
[...] Esse título em inglês significa algo como ‘as metáforas que nos guiam’, pois se vive de acordo com as metáforas, que fazem parte da cultura do ser humano para que este interaja, faça parte da sociedade, seja entendido é preciso ‘live by’ com as metáforas colocadas à disposição pela cultura (SARDINHA, 2007a, p. 30).
Para Sardinha (2007a), “As metáforas são os instrumentos que possuímos para criar novo conhecimento ou para dar conta de algo novo na ciência ou no cotidiano” (SARDINHA, 2007a, p.15).
Mas, o que é a TMC? Em termos bem sucintos, a TMC é um instrumento complexo de formação de conceitos. Devido à importância atribuída a tal processo cognitivo, os estudos sobre a metáfora têm propiciado hipóteses de mapeamentos entre domínios conceptuais, Tais mapeamentos são assimétricos e parciais. Em linha com Vereza (2010)121, quer dizer que, na TMC, a metáfora é considerada objeto de estudo da cognição e mapeamento humanos, de deslocamento ou instância semântica e de motivação ou explicação para expressões metafóricas.
Essa natureza da metáfora é explicada por Lakoff e Johnson (2002 [1980]) como correspondência, mapeamento entre A é B, domínio-alvo e domínio-fonte122.
Conforme assinala Pinker (2008), “[...] A metáfora permite que a mente use algumas ideias básicas - substância, localização, força, objetivo - para entender domínios mais abstratos” (PINKER, 2008, p. 280). Nesse particular, a metáfora conceptual é adquirida por uma espécie de condicionamento associativo. Aprende-se que METAS SÃO DESTINOS porque todos caminham na direção do que querem, e que o TEMPO É UM OBJETO EM MOVIMENTO porque as coisas que se aproximam das pessoas ficam cada vez mais próximas conforme o tempo passa. De acordo com Pinker (2008):
[...] Lakoff [...] acredita que existe um mundo físico, metafórico, e acredita que a natureza humana, incutida em nossos corpos e que interage com o mundo, oferece experiências universais que sustentam muitas das metáforas de modo comum para toda a humanidade. Mas, ele também acredita que muitas das metáforas que sustentam nosso raciocínio são específicas a uma cultura (PINKER, 2008, p. 284).
Pinker (2008) confirma que aprender e usar uma metáfora exige que as ideias sejam manipuladas em uma camada mais profunda de pensamento. Desse modo, os conceitos por sob uma metáfora conceptual são símbolos abstratos como X, Y ou Z, em que existem ferramentas de inferência e/ou analogia que podem ser deslocadas do universo físico para o não físico. De acordo com ele, é por isso que Lakoff e Johnson (2002 [1980]) insistem que as metáforas conceptuais são auxiliares do raciocínio, são as metáforas “pelas quais se vive”, ou “pensamos com a metáfora”. Trata-se da ideia de que a metáfora afirma uma identidade em vez de fazer uma comparação.
Para Lakoff e Johnson (2002 [1980]), o conhecimento científico, assim como todo o conhecimento humano, é limitado por metáforas porque elas são produtos naturais do modo como funciona a mente. No dizer de Pinker (2008), “[...] as metáforas são poderosas porque são como as analogias, que se aproveitam da estrutura relacional de um conceito complexo [...] a metáfora é, sim, a chave para explicar a relação entre pensamento e língua” (PINKER, 2008, p. 308; 317). Esse autor investiga a relação existente entre Linguística, Psicologia e Filosofia e discute sobre a aquisição das palavras como algo já estruturado na mente.
122Os termos “tópico” e “veículo” criados por Black e Perrine, conforme Diniz (2008), através das observações
retiradas dos trabalhos de Cameron, são utilizados mais ou menos convencionalmente por vários pesquisadores como termos alternativos para ‘Fonte’ e ‘Alvo’. De igual modo, Zanotto (2007), retomando as ideias de Ricoeur ( 1977), chama a atenção para o fato de que ‘tópico’ e ‘veículo’ são termos propostos por Richards para designar os dois domínios envolvidos na metáfora. De acordo com ela, apesar de Lakoff ter proposto as denominações ‘domínio-fonte’ e ‘domínio-alvo’ (que correspondem a veículo e tópico), há muitos autores que desenvolvem pesquisa no quadro teórico da metáfora conceptual e, mesmo assim, adotam a terminologia de Richards, a exemplo de Cameron.
Apesar de Pinker (2008) registrar algumas críticas à teoria de Lakoff e Jonhson (2002 [1980]), o autor reconhece a importância do princípio lakoffiano para explicar a mente humana. Para ele:
[...] uma característica da mente que encontraremos várias vezes nestas páginas é que mesmo nossos conceitos mais abstratos são compreendidos em termos de cenários concretos. Isso se aplica com força total, ao tema que é objeto do próprio livro (PINKER, 2008, p. 15-16).
Enquanto em Pinker (2008), a metáfora é uma analogia em que são comparados elementos entre coisas distintas, a ponto de revelar-se biologicamente, as pessoas não poderiam analisar as metáforas se não dominassem um meio de pensamento subjacente mais abstrato do que as próprias metáforas, em Lakoff (2008), os modelos metafóricos existem no sistema conceptual independentemente da expressão.
Nas palavras de Lakoff (2008) “[…] Conceptual metaphors are meaningful […].They are grounded, first, by source domain embodiment, and second by the embodiment of the source and target domains […] 123” (LAKOFF, 2008, p. 36).
Esse aspecto sobre as relações entre Fonte e Alvo é caracterizado, conforme esclarece Diniz (2008) 124, do seguinte modo:
Domínios-fonte mais comuns - entidades básicas, tais como recipientes, substâncias e objetos; o corpo humano; saúde e doença, animais; plantas; construções; máquinas e ferramentas; [...] Domínios-alvo mais comuns - emoções; desejo: moralidade; pensamento; política; economia; relações humanas; tempo [...] (DINIZ, 2008, p. 36).
Vereza (2011) afirma existir uma aposição de um conceito já incorporado e linguisticamente determinado a outra experiência a ser mapeada pelo pensamento e pela linguagem. Daí a autora assinalar que a cultura125 ou as experiências são que determinarão
123“Metáforas conceptuais são significativas [...]. Elas se baseiam, em primeiro lugar, pela incorporação de
domínio fonte, e em segundo lugar pela incorporação dos domínios fonte e alvo [...]” (Tradução da autora deste trabalho).
124Informação também encontrada nos estudos de Lakoff e Johnson (2002 [1980]), e Kövecses (2002).
125Faz-se necessário salientar aqui o conceito de cultura elaborado por importantes antropólogos: Lévi-Strauss
(1976), e Laraia (2007), além da ideia de cultura apresentada por Eagleton (2011). Para o primeiro, cultura é definida como um sistema simbólico, uma criação acumulativa da mente humana. Lévi-Strauss preocupa-se em descobrir na estruturação dos domínios culturais- mito, arte, parentesco e linguagem- os princípios da mente que geram essas elaborações culturais. E Laraia define cultura a partir do esquema elaborado pelo antropólogo Roger Keessing, que classifica as tentativas modernas de obter uma precisão conceitual. E umas dessas tentativas modernas adaptam-se ao trabalho que aqui se realiza, àquela que faz referência às teorias idealistas de cultura, particularmente a primeira das três abordagens apresentadas pelo autor. De acordo com Laraia (2007, p.60-1) “[...] A primeira delas é a dos que consideram cultura como sistema cognitivo [...] Esta abordagem antropológica tem se destinado pelo estudo dos sistemas de classificação de folk, isto é, a análise dos modelos construídos pelos membros da comunidade a respeito de seu próprio universo”. Nesse sentido, a
quais as metáforas a serem usadas, pois as pessoas de distintas culturas podem gerar diferenças entre as metáforas conceptuais. As experiências explicam como os conceitos126 são formados.
Ao investigar as metáforas subjacentes conceptuais às experiências linguísticas ou expressões metafóricas, Lakoff e Johnson (2002 [1980]) dão um tratamento mais claro à metáfora do canal, que é complexa por natureza, como manifestação linguística de metáfora conceptual, a exemplos de: A MENTE É UM RECIPIENTE (exemplos: “Os grandes acontecimentos do mundo têm lugar no cérebro”; “Desenvolve-se a ideia primeiro na mente”) / IDEIAS (OU SENTIDOS) SÃO OBJETOS (exemplos: “[…] mas as melhores ideias me vêm em movimento”; “Veio-me então uma ideia original”; / COMUNICAR É ENVIAR OU TRANSFERIR A POSSE (exemplos: “Transpor a expressão natural de uma ideia para outra tonalidade”; “As professoras passaram a ideia de se fazer um boletim mensal”)127
. Na perspectiva de Lima, Feltes e Macedo (2008):
De acordo com essa metáfora [a do canal], aquele que fala ou escreve tira as ideias de sua mente, coloca-as em palavras e as emana por um canal (acústico ou visual) para os que ouvem ou leem, que, então ‘extrai’ os sentidos - objetos das palavras recipientes (LIMA; FELTES; MACEDO, 2008, p. 133).
Tais pesquisadoras, além de pontuarem a materialidade constitutiva dos processos cognitivos, revelam que a metáfora do canal é uma forma automatizada de se pensar e de interação.
Essa concepção contribui para perceber que a metáfora do canal demonstra que (1) a linguagem funciona como um canal, transferindo pensamentos corporeamente de uma pessoa para a outra; (2) na fala e na escrita, as pessoas inserem seus pensamentos e
cultura fica situada epistemologicamente no mesmo domínio da linguagem, como um evento observável. Daí o porquê de a antropologia cognitiva ter se apropriado dos métodos linguísticos. Para Laraia (2007), uma das tarefas da antropologia moderna tem sido a reconstrução do conceito de cultura fragmentado por numerosas reformulações. E os sistemas de classificação de folk referem-se àqueles modelos que são desenvolvidos pelos próprios membros da comunidade. Eagleton propõe a superação das definições antropológica e estética do conceito de cultura, cujo significado passa a ser entendido como uma rejeição tanto do naturalismo, quanto do idealismo. O autor ressalta também a função da cultura que é a de extrair da diversidade a identidade unitária que permite o estabelecimento do Estado moderno, chamando a atenção para o fato de que não é o conteúdo da alta cultura o que está em jogo, mas os significados de seu uso. Resumidamente, é o complexo de valores, costumes, crenças e práticas que constituem o modo de vida de um grupo específico. Cultura é “aquele todo complexo” (EAGLETON , 2011).
126É válido assinalar a noção de conceito, tal qual propõe Delbecque (2006, p. 33), a saber, “[...] como a ideia
que temos de qualquer coisa, da sua forma de existir no mundo”. Para Delbecque (2006, p. 35; 44-45), “[...] um conceito pode estar relacionado quer com uma entidade individual, quer com toda uma série de entidades. Qualquer conceito que projeta assim a realidade de acordo com a nossa experiência [...] constitui uma categoria conceptual. Esta agrupa um conjunto de entidades e o representa. Os conceitos que estruturam a nossa forma de pensar são categorias conceptuais que agrupam fenômenos em conjuntos. As nossas categorias conceptuais fixam-se em parte nas categorias.
127Exemplos retirados pela autora deste trabalho, a partir da Revista Língua Portuguesa, ano I, nº. 8, 2006, p. 9;
sentimentos nas palavras; (3) as palavras realizam a transferência ao conter pensamentos e sentimentos e os conduzem a outras pessoas; (4) ao ouvir e ler, as pessoas extraem das palavras os pensamentos e os sentimentos novamente (DINIZ, 2008). A organização do enunciado em quatro categorias demonstra como é conceptualizar metaforicamente a comunicação, partindo do pressuposto de que uma sociedade com melhores comunicadores poderia ter menos conflitos.
Como bem observado por Lakoff e Johnson (2002 [1980]), que já discutiam, com base nos estudos de Reddy, a metáfora do conduto – transferência de informação – a metáfora do canal não é simplesmente uma forma de falar sobre a comunicação, mas uma forma de pensar e agir na vivência cotidiana a partir de um conceito metafórico, podendo ser atualizadas várias expressões linguísticas metafóricas.
As ideias ou significados são objetos, as expressões linguísticas são invólucros/ recipientes e comunicar é levar algo. O processo metafórico passa a ser entendido como funcional na comunicação, como um processo através do qual a experiência é elaborada cognitivamente. A perspectiva cognitiva concentra-se em experiências mentais para descrever a natureza das percepções, pensamentos e sentimentos.
Nessa linha de pensamento, a TMC contrasta com a ideia de que os conceitos existem independentes da natureza corpórea de seres pensantes e da experiência. É uma hipótese que remonta à teoria dos sistemas imagéticos.
Para Grady (1997), a metáfora conceptual deve ser entendida como uma matriz, um esquema ou padrão conceptual, sob a seguinte forma proposicional X é Y, em que X é elemento constitutivo do domínio-alvo e Y é elemento constitutivo do domínio-fonte. Para o autor, outro pilar da teoria tem como base o princípio de que as metáforas estruturam, em grande parte, o pensamento e o raciocínio. Essas atividades cognitivas possibilitam a organização do conhecimento em domínios mais ou menos abstratos, onde os conceitos são acomodados. Os conceitos emergem, pois, do mapeamento ou correlações que se estabelecem entre domínios, originando, assim, uma matriz, um padrão conceptual que, ao seu turno, é gerado por bases físicas e pela experiência. As correlações experienciais são várias: por exemplo, associa-se mais (+) altura a ‘positivo, grande, poder’; menos (-) altura a ‘negativo, pequeno’; frente a ‘positivo, conhecido, visível’; trás a ‘invisível, inacessível’.
O realismo corpóreo (embodied realism) considera que a compreensão do mundo é modelada e limitada em grande parte pelas faculdades perceptuais, pela conformidade anatômica de que os seres são dotados, por padrões de atividades neurológicas dos cérebros, bem como por experiências e ações situadas e definidas no mundo. Daí que o pensamento,
como argumentam Lakoff e Johnson (2002 [1980]), seja, em grande parte, inconsciente, significando isso que não se tem acesso direto aos mecanismos envolvidos na produção e na construção do sentido. A consciência ultrapassa o universo fenomenológico da percepção e da razão, também corporificada (embodied) e perde sua natureza puramente metafísica.
Os estudos de Lakoff e Johnson (2002 [1980]) fornecem evidências de que o significado mais abstrato tem suas bases derivacionais em um significado sócio-físico, portanto, mais concreto. Assim, a percepção dos sentidos, a experiência de vida, todo o conhecimento prévio de mundo são fatores determinantes neste momento. Equivale ao fato de o sistema linguístico ser ideologicamente estruturado e de se conceber o mundo com base em experiências corpóreas.
Fiéis a esse pensamento, esses investigadores partilham a ideia de que falar metaforicamente significa qualquer entendimento de um assunto com ajuda de expressões de outra área. Em conformidade com isso, perceber uma experiência de modo significativo quer dizer estabelecer correspondências entre uma área de experiência deduzida conceitualmente e outra ainda não estruturada. Destarte, a experiência128 torna-se coerente. Em regra geral, a maioria dos conceitos metafóricos criados baseia-se em experiências físicas conhecidas.
Pode-se entender que os estudos de Lakoff e Johnson ((2002 [1980]; 2003; 2008) sobre a metáfora indicam particular interesse pela relação entre a cognição, as capacidades cognitivas e as construções categoriais e conceptuais, temas recorrentes na Linguística Cognitiva.
Trata-se de, conforme Sonia Maria C. da Silva (2009), identificar uma metáfora, recorrendo a outra que esteja sendo utilizada por um falante, ativada em sua mente, pois o conceito metafórico a que se refere traz o significado que se quer expressar para identificar aquela metáfora que está por trás, introduzindo e/ou mantendo conceitos socioculturais. Esta metáfora é ativada em uma situação comunicativa como estratégia de se fazer o (inter)locutor pensar e agir de modo que tal metáfora influencie a vida do falante, por fazer parte do cotidiano, por ser uma forma de conceptualizar o mundo através da linguagem ordinária. É como X ser Y, de acordo com a autora, em que o conteúdo e o sentido de Y já estão na cultura, de modo que Y tem o papel de dar sentido à experiência que X mostra. Parafraseando Sonia
128Em relação à experiência, Gomes (2008) assegura que “[...] a função fundamental da experiência tem no seu
componente corporal o elemento de ligação mais direta com a significatividade das expressões linguísticas. Daí o significado ser caracterizado em termos de corporalidade pelo realismo experimental. As estruturas conceptuais são significativas porque são corporalizadas, nascem das experiências de cada ser humano” (GOMES, 2006, p. 90-91).
Cândido da Silva (2009), é o “já-lá”, uma vez que Y está lá, e X, ao ser introduzido, em termo desse Y, será melhor compreendido.
Neste particular, como lembram Lakoff e Johnson (2002 [1980]), algumas das ações são baseadas em conceitos metafóricos e possuem significados cognitivos que são centrais para o estudo das línguas naturais e fazem parte da experiência cotidiana e do fluxo da imaginação simbólica.
Na teoria lakoffiana está, portanto, incluída a união entre razão e imaginação, envolvendo várias dimensões/categorias129 da experiência: sensoriais, estéticas, culturais. É uma interação de como é possível dar novo sentido à experiência e criar novas realidades. Os conceitos para esta teoria correspondem às propriedades interacionais, podem ser metafóricos por natureza e podem ser diferentes de cultura para cultura.
No experiencialismo130 lakoffiano, o valor cognitivo que se atribui à metáfora, primordialmente, uma questão de cognição e, secundariamente, uma questão de linguagem. A metáfora ou conceito metafórico é uma rede conceptual, envolve expressões linguísticas131 e experienciais.
Tem-se aí o conceito de metáfora: “[...] compreender e experienciar uma coisa em termos de outra” (LAKOFF, JOHNSON, (2002 [1980]), p. 19). O que se experiencia não são simples formas de dizer, mas formas de pensar e agir sobre o mundo.
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O termo categoria é utilizado no sentido de prover significação aos símbolos e não destituí-los de sentido como propõe a Semântica Formal, não sendo eles inerentes, mas passíveis de interpretações interacionistas (cultural, uso, contexto, pensamento, ação). Nesse sentido, há duas correntes na abordagem das categorias semânticas: a que advoga pela existência de categorias semânticas universais prefixadas e anteriores à experiência cultural, e a que propõe categorias decorrentes da experiência cultural de uma dada comunidade, sistematizada na respectiva língua. Esta última é conhecida com o nome de Sapir-Whorf, que defende que o sistema linguístico acabará moldando a percepção e a cognição do indivíduo. Os campos semânticos que mais se têm prestado para testar a validade são o de espectro das cores e o da relação familiar. De acordo com Geeraerts (2007), as propriedades fundamentais da categorização revelam-se, dentre outras, as salientes: não igualdade (diferentes graus de saliência); não discrição (flexibilidade adapta-se a vários contextos). Para ele, a categorização possui duas dimensões: uma semasiológica, que diz respeito à definição e à estrutura interna das categorias, concretamente as condições pelas quais X é membro de categoria Z. E a onomasiológica, que se refere a um estudo de como as expressões linguísticas podem corresponder diretamente ao mundo com a intervenção da compreensão humana. Em Laraia (2007), o termo categoria passa a ser explicado com base na ideia de que as sociedades humanas dispõem de um sistema de classificação para o mundo natural, mas é importante reafirmar que esses sistemas divergem entre si porque a natureza não tem meios de determinar ao homem um só tipo taxionômico. É uma definição que implica toda uma série de juízos e raciocínios. Constata- se que entender a lógica de um sistema cultural depende da compreensão das categorias constituídas pelo mesmo.
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Sonia Maria C. da Silva (2009) considera que o experiencialismo envolve a totalidade de experiências humanas, experiências físicas e não-físicas, como: a natureza dos nossos corpos; capacidades geneticamente herdadas, formas de operar o mundo pelo viés físico e forma de organização social. Nessa perspectiva, o experiencialismo trata de formas de operar o mundo, de experiências sensório-motoras para conceptualizar significativamente as coisas do/no mundo.
131Para o sintagma “expressões linguísticas”, Lakoff e Johnson tomam como referência as expressões
A questão de que se trata aqui é a de que a TMC parte da premissa de que a base experiencial é formadora do sistema conceptual humano. Isto equivale a dizer, conforme