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Tocar o solo do Joslin

2 NASCE O ALICERCE DA NOVA MORADA

2.11 Tocar o solo do Joslin

Joslin Diabetes Center31 é uma instituição americana considerada liderança mundial nos cuidados com o Diabetes e suas complicações, é centro de pesquisa e educação sobre a doença. O foco do trabalho desenvolvido é um tratamento personalizado para o portador de Diabetes, cuja ação está voltada para o melhor auto gerenciamento da sua doença. E por isso, é considerada pioneira nas estratégias de educação, contando com clínicas modelo para atenção e cuidados com os diabéticos. Resultado este da incessante busca por pesquisas científicas na área.

O JoslinCare é o modelo personalizado de cuidado que inclui um time multidisciplinar de profissionais da área da saúde e oferece ao diabético atenção exclusiva para as suas deficiências latentes. Tem ainda um extensivo grupo de pesquisadores (mais de 300 profissionais) dedicados exclusivamente para estudos na prevenção e cura do Diabetes e suas complicações, por meio de inovação e descobertas. O Joslin tem anualmente ao redor do mundo mais de 100.000 profissionais discutindo sobre o tratamento do Diabetes e as prevenções para a sua complicação. E ainda, recruta lideranças em pesquisas sobre Diabetes, incluindo as pesquisas sobre célula tronco, transplantes, genética e imunologia.

O Joslin busca:

 O estado da arte nos cuidados médicos: pesquisadores e médicos dedicados desenvolvem no Joslin o que há de mais avançado para atender portadores de Diabetes.

 Educação: os pacientes são educados em todas as facetas que envolvem a doença, desde a nutrição, passando pelos exercícios físicos, até a medicação.

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 Empoderamento: os pacientes do Joslin passam por um trabalho de empoderamento da doença, a fim de que sejam capazes de tomar suas decisões diárias e ter uma vida saudável no convívio com a doença.

Fundado em 1898 por Elliott P. Joslin, M.D.32, Joslin é uma instituição privada sem fins lucrativos filiada a Harvard Medical Scholl.

E na continuidade do meu percurso como diabética, tomei conhecimento do Joslin pelo meu atual médico, o Dr Danilo de Souza Aranha Vieira33, há aproximadamente 4 anos, quando soube da minha pesquisa e me contou sobre os projetos da instituição. Gostei muito do que ouvi, porque naquele momento ainda estava numa fase em que acreditava que a educação não formal era a base da formação de um diabético e cujo objeto de pesquisa ali se centrava.

No ano de 2012, resolvi então conhecer o Joslin Diabetes Center. Mas não imaginava que ao pisar no solo do Joslin, em pleno fervor da Harvard Medical Scholl, Boston, Estados Unidos, estaria ali vivendo uma ação interdisciplinar. Fazenda (2011), afirma que a Interdisciplinaridade é uma atividade de conhecimento dos aspectos ocultos do ato de aprender, que nos leva aos questionamentos do sentido deste ―oculto‖, de quais seriam os aspectos ocultos que estão na nossa sociedade e que marcam as pessoas.

Foi a percepção maior da minha tomada de consciência, pois conhecer a instituição líder em educação e cuidados sobre Diabetes era para mim o auge da minha libertação, talvez algo oculto que eu ainda não havia conseguido compreender. Como se eu tivesse desenvolvido naquele momento minha mais bela

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Proctor Elliott Joslin, MD (06 de junho de 1869 - 28 de Janeiro de 1962) foi o primeiro médico nos Estados Unidos a se especializar em diabetes e foi o fundador do atual Joslin Diabetes Center. Ele foi o primeiro a defender a necessidade dos pacientes diabéticos cuidarem da sua própria doença, uma abordagem agora chamada de autogerenciamento do Diabetes. Ele também é um pioneiro reconhecido no controle da glicose, identificando que o controle glicêmico rigoroso leva a menores complicações. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Elliott_P._Joslin> Acesso em: 11 set. 2012.

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Danilo de Souza Aranha Vieira é formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, especialista em Medicina Interna, preceptor do Serviço de Medicina Interna do Hospital Santa Marcelina, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela HC-FMUSP, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM, Médico Colaborador do Serviço de Obesidade da HC-FMUSP, Médico do Grupo de Diabetes do Hospital Sírio-libanês e Médico do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital A.C.Camargo.

estratégia de enfrentamento emocional, aceitando e entendendo a cronicidade da doença como a perpetuação da minha atuação crítica perante ela. Vivi o conhecimento pela emoção para poder entender a minha razão em estar lá. Como se eu acabasse de descobrir os motivos que me fizeram tornar-me diabética. Reconheci-me. E ali minha casa abriu suas portas e janelas, deixei a luz do sol entrar, o jardim encheu-se de flores, seus cômodos iluminaram-se e a penumbra que um dia habitou o berço, o quarto, o sótão e o porão transformou-se em raios de luz que ultrapassavam as paredes da casa, como se quisessem que seus habitantes passassem a sorrir e dialogar.

Pisar neste solo foi então mais uma resposta à minha inquietação em descobrir como o sujeito é construído a partir da sua história de vida.

Ali me senti livre. Ali decidi dialogar com a minha doença. Adentrei o local, investiguei todos os setores, conversei com inúmeros profissionais e diabéticos e me dei conta que aqueles dias de visita não só mudaram a minha atitude perante o Diabetes Mellitus, como aprimoraram a minha pesquisa e me fizeram despertar para uma amplitude neste estudo, mudando seu próprio foco, uma vez que meu olhar saltou para um sentido maior sobre a educação em Diabetes.

Hoje chego à conclusão de que o percurso formativo de um diabético vai muito além da educação e cuidados adquiridos na educação não formal, pois o decurso da vida de um portador de Diabetes Mellitus tipo 1 é a escola fecunda e problematizadora para que suas temáticas sejam discutidas e transformadas no decorrer desta mesma vida por ele próprio no convívio com diferentes atores, inclusive os profissionais que o acolhem nestes grupos ou instituições, na escola, na família, na rua, no trabalho e na vida. No entanto, o despertar desta consciência é que consegue desvelar ao diabético a real importância neste tipo de convivência. Sem este desvelar, não é possível ser, tampouco estar.