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TOLERÂNCIA DIMENSIONAL GERAL

No documento Desenho Técnico Mecânico (páginas 47-0)

TÓPICO 3 – TOLERÂNCIAS E AJUSTES

3.4 TOLERÂNCIA DIMENSIONAL GERAL

Para simplificar os desenhos e o sistema de cotagem, se todas as cotas possuírem a mesma classe de tolerância, basta apenas mencionar na legenda do desenho qual a classe utilizada, a seguir a tabela indica as classes e os desvios permitidos.

A classe geral de tolerância a ser selecionada depende dos requisitos exigidos da peça. Os princípios gerais para a sua seleção são os mesmos aplicados na escolha de uma tolerância particular:

os valores das tolerâncias devem ser maiores possíveis, mas sem prejudicar a função e requisitos das peças (SILVA, 2006, p. 239).

TABELA 7 – INDICAÇÃO DE TOLERÂNCIAS ANGULARES

FONTE: Silva (2006, p. 239)

Classe de tolerância Desvios (mm)

Designação Descrição >0.5 a 3(1) >3 a 6 >6 a 30 >30 a 120 >120 a 400 >400 a

1000 >1000 a

2000 >2000 a 4000

f Fina ±0,05 ±0,05 ±0,1 ±0,15 ±0,2 ±0,3 ±0,5

-m Média ±0,1 ±0,1 ±0,2 ±0,3 ±0,5 ±0,8 ±1,2 ±2

c Grosseira ±0,2 ±0,3 ±0,5 ±0,8 ±1,2 ±2 ±3 ±4

v Muito

grosseira - ±0,5 ±1 ±1,5 ±2,5 ±4 ±6 ±8

1Para cotas nominais inferiores a 0,5mm, os desvios devem ser indicados junto às cotas.

TABELA 8 – INDICAÇÃO DE TOLERÂNCIAS ANGULARES

FONTE: Silva (2006, p. 239)

Classe de tolerância Desvios (mm) para o lado mais curto do ângulo

Designação Descrição ≤10 >10 a 50 >50 a 120 120 a 400 ≤400

f Fina

±1º ±0º30' ±0º20' ±0º10' ±0º5'

m Média

c Grosseira ±1º30' ±1º ±0º30' ±0º15' ±0º10'

v Muito

grosseira ±3º ±2º ±1º ±0º30' ±0º20'

4 TOLERÂNCIAS GEOMÉTRICAS

Aliada às tolerâncias dimensionais, um projeto mecânico também deve levar em conta a geometria das peças, ou seja, sempre que necessário, as variações geométricas das peças devem ser levadas em consideração. As variações geométricas também podem ser medidas e especificadas.

A tolerância geométrica limita erros geométricos cometidos na fabricação das peças, impondo variações admissíveis na forma e localização dos diferentes elementos ou partes de uma peça. Estas variações admissíveis são estabelecidas a partir da forma ou posição geometricamente perfeita (SILVA, 2006, p. 254).

Na figura a seguir temos uma exemplificação, é fácil observar que na peça 2 temos uma inclinação ao longo de toda a extensão do diâmetro menor, este é um exemplo de problema geométrico que pode levar a imperfeições de montagem ou problemas de aplicação dos produtos finais.

FIGURA 27 – TOLERÂNCIA GEOMÉTRICA

FONTE: <http://2.bp.blogspot.com/-kWOTvV0vHPE/Vhz1uSvbOcI/

AAAAAAAAAGI/7FwC5XI1xII/s320/jjjj.JPG >. Acesso em: 1 nov. 2018.

30 ± 0,1

Ø 20 ±0,1 Ø 10,7 Ø 9,982

Ø 20,06

24,9 30,1

ESC 1 : 1

Na figura a seguir temos os principais símbolos utilizados nos desenhos mecânicos para indicar as tolerâncias geométricas. Todas são relacionadas ao formato da peça final: o paralelismo, por exemplo, indica a obrigatoriedade de controlar o paralelismo entre duas superfícies indicadas.

TABELA 9 – SÍMBOLOS USADOS NA TOLERÂNCIA GEOMÉTRICA

FONTE: Silva (2006, p. 256) Classe Símbolo Características quais está exemplificada a variação admissível de circularidade, retilineidade, cilindricidade e inclinação”. Cada característica geométrica que eu queira controlar deve ser identificada no desenho adequadamente. Desta forma eu garanto que esta geometria ficará dentro de uma condição mínima que não interfira na montagem ou aplicação final.

FIGURA 28 – EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE TOLERÂNCIAS GEOMÉTRICAS

FONTE: Adaptado de: Ribeiro (2013, p. 124)

A leitura destas tolerâncias é muito simples, dentro do retângulo onde é chamado a cota, está o tipo de geometria avaliada e o valor da tolerância. No primeiro exemplo acima está especificada a retilineidade com uma tolerância de 0,03mm.

FIGURA 29 – REFERÊNCIA DE TOLERÂNCIA NO DESENHO

FONTE: <https://elearning.iefp.pt/pluginfile.php/47218/mod_resource/content/0/CD-rom/

Estudo/Mecanica/J_-_Toler_ncias_Geom_tricas/image912.gif >. Acesso em: 30 out. 2018.

0.05 M C

Valor da Tolerância Característica

Geométrica

Forma da Zona de Tolerância

(Geométrica)

Indicação do Plano de Referência

Símbolo da Condição Material

Precisão: a tolerância geométrica é uma filosofia de projeto que permite especificar peças e elementos de uma forma mais precisa e rigorosa.

Montagem de peças em conjunto: a aplicação da tolerância geométrica é fundamental para a montagem de conjuntos de peças em que, sem prejudicar a montagem e requisitos funcionais, pretende-se tolerâncias mais elevadas de modo a reduzir os custos de fabricação das peças.

Peça ou elementos a serem aplicados: a tolerância geométrica não deve ser aplicada indiscriminadamente, sendo requerida apenas para peças e elementos que satisfaçam os critérios anteriormente definidos. Como exemplos práticos, veja-se que, para o chassi de um trem de ferro, é necessário indicar nos desenhos muito poucas tolerâncias geométricas (podem ser remetidas para tolerâncias gerais inscritas na legenda), enquanto que, por exemplo, no caso do motor de um automóvel, é necessário especificar, com grande rigor, as tolerâncias geométricas para as peças ou elementos móveis, como cilindros, pistons, válvulas, árvores de cames (também chamadas árvores de comando de válvulas) etc.

Processo de fabricação: as tolerâncias especificadas não obrigam, em princípio, a utilização de um processo específico de fabricação; no entanto, os valores especificados para a tolerância podem condicionar os métodos de fabricação ou de acabamento a serem utilizados, em função da precisão requerida.

Controle de qualidade e inspeção: a utilização dos princípios da tolerância geométrica, além de permitirem a fabricação de peças de uma forma rigorosa e econômica, também facilitam a inspeção ou o controle de qualidade destas.

Para serem identificadas, estas tolerâncias, muitas vezes, necessitam de equipamentos apropriados. Geralmente são equipamentos específicos, como tridimensionais, também é possível desenvolver dispositivos de medição. A utilização de uma e de outra solução depende da exigência quanto à qualidade das informações e também quanto aos recursos de investimentos disponíveis.

FIGURA 30 – MEDIÇÃO DE CIRCULARIDADE E CILINDRICIDADE

FONTE: <https://www.mitutoyo.com.br/media/wysiwyg/ra2200cnc.png>.

Acesso em: 30 out. 2018.

FIGURA 31 – MEDIÇÃO DE CIRCULARIDADE

FONTE: <http://www.sermec.net.br/components/com_jshopping/files/img_

products/0c92feef997ac0f2d3b6f9832111496f.jpg>. Acesso em: 30 out. 2018.

LEITURA COMPLEMENTAR PROJETO DE UMA CADEIRA DE RODAS

PARA DEFICIENTES FÍSICOS

FASE 1 – Identificação do problema. A firma X fez um estudo de mercado, consultando várias associações de deficientes e organismos estaduais e recolheu opiniões isoladas de deficientes físicos a respeito das cadeiras de rodas existentes no mercado e das cadeiras de rodas que cada indivíduo possui, ou gostaria de possuir. Concluiu que: (a) 60% dos usuários de cadeiras de rodas pertencem à faixa etária entre os 18 e os 35 anos; (b) 90% dos usuários usam cadeira de rodas clássica universal, em aço, com poucas possibilidades de adaptação individual, com peso em torno de 20 kgf e de baixo custo; (c) 80% dos usuários gostariam de ter no mercado uma cadeira leve, de baixo custo, totalmente ajustável, com

“ar desportivo”, que facilitasse ao máximo sua vida do dia a dia. O problema é a inexistência de cadeiras de rodas com as características que os usuários mais gostariam de ver nas suas cadeiras: baixo peso, baixo custo, ajustável e atraente.

FASE 2 – Desenvolvimento de conceitos. A firma X reúne o seu grupo de engenheiros e delineia as linhas de desenvolvimento do novo produto. A nova cadeira deve ser leve (peso inferior a 10 kgf). Esse requisito pode ser atingido com o emprego de ligas leves (alumínio, magnésio ou fibra de carbono). Deve ser de baixo custo, quer de aquisição quer de manutenção. O baixo custo de aquisição pode ser atingido se os procedimentos de trabalho na linha de produção forem otimizados e o desperdício de material for reduzido ao mínimo. O baixo custo de manutenção pode ser atingido pelo conhecimento a fundo dos processos de fabricação e através de fadiga em protótipos, aumentando a durabilidade dos seus componentes. A cadeira deve ser ajustável a cada indivíduo. Este requisito pode ser atingido se a cadeira possuir alteração da sua forma, como a alteração dos mecanismos de ângulo entre o assento e as pernas, do ângulo entre o assento e as costas, ou cambagem das rodas, ajustando-se a cada pessoa. A possibilidade de remover as rodas sem o auxílio de ferramentas e o fechamento da cadeira também pode ser importante para o usuário ativo, que conduz o seu próprio carro, quando da transferência da cadeira para o carro, sendo mais fácil a arrumação da cadeira dentro do carro. A cadeira deve ser atraente e ter um “ar desportivo”. Este requisito é atingido se a cadeira se assemelhar às cadeiras desportivas, com o mínimo de acessórios, com cambagem nas rodas traseiras, pintadas de cores vivas (ao gosto do utilizador).

Esboços típicos na Fase 2 da cadeira de rodas da firma X.

FASE 3 – Compromissos. O peso, a rigidez e, consequentemente, a manobrabilidade da cadeira seriam excelentes se fosse empregada fibra de carbono na sua produção, mas sua fabricação em série seria bastante complicada e seu custo proibitivo. O alumínio é um bom material para a construção da cadeira, pois oferece a vantagem do peso relativamente ao aço, não perde em rigidez estrutural e é mais barato que o titânio. O baixo custo de fabricação leva à necessária utilização de perfis normalizados soldados entre si, embora a solução com menor peso e maior rigidez fosse a extrusão de perfis ou fundição de peças especiais para a cadeira, reduzindo assim também os custos de manutenção.

FASE 4 – Protótipos. A firma X executou diversos protótipos da cadeira, tendo efetuado algumas alterações de peças que não resistiram de modo satisfatório aos testes de fadiga, impacto e segurança impostos pelas normas ANSI/RESNA partes 1, 3, 8 e 16. Alguns elementos foram reforçados e os desenhos finais de fabricação elaborados, considerando-se estas alterações. Como a firma X usou desde o início uma modelagem 3D parametrizada da sua cadeira, bastou-lhe alterar as dimensões das peças que era necessário modificar e os restantes componentes refletiram imediata e automaticamente as alterações. Sem a ajuda preciosa da modelagem tridimensional, esta firma teria perdido mais tempo em alterar individualmente os desenhos das peças envolvidas, correndo o risco de deixar alguma de fora!

O desenho de conjunto em vistas múltiplas da cadeira de rodas da firma X.

FONTE: Leake (2013, p. 22).

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu:

• A importância do estudo das tolerâncias dimensionais e geométricas nos projetos mecânicos. E que quanto maior é a minha necessidade de garantir tolerâncias menores, maior será o custo do processo, seja ele de fabricação ou inspeção.

• Conforme norma estabelecida, as tolerâncias dimensionais são determinadas conforme tabelas que as classificam conforme a necessidade da aplicação final.

• As tolerâncias geométricas não necessitam ser especificadas em todos os projetos, porém se tenho uma criticidade detectada na montagem é necessário garantir um mínimo de geometria correta.

1 Ao analisar o sistema de cotagem do desenho abaixo, qual das alternativas é a correta?

( ) O dimensional nominal do comprimento da peça é de 40,25mm.

( ) A cota máxima e mínima da parte rebaixada é de 12,12mm e 12,23mm.

( ) A montagem desta peça em um furo com cota 15,4 é por interferência.

( ) O diâmetro maior da peça tem dois afastamentos negativos, logo a dimensão efetiva desta cota é maior que a dimensão nominal.

Agora, assinale a alternativa correta:

a) ( ) V- F- V- F. conjunto deverá ser um encaixe fixo de precisão e ter lubrificação. Conforme a norma ISO que especifica a relação furo-eixo H7, faça uma análise de como ficará a cota e tolerância do furo e do eixo.

3 A tolerância dimensional é um ponto muito importante para ser avaliado durante um projeto mecânico, uma falha de especificação pode impedir o funcionamento correto do equipamento projetado ou o desgastar prematuramente. Com base nesta afirmação, assinale a alternativa correta.

AUTOATIVIDADE

-0,41-0,20 Ø 16 +0,12+0,23 Ø 12

0 0 ,1

dimensão.

( ) Um sistema de furo e eixo é sempre dimensionado da mesma forma, pois o importante é encaixar o conjunto.

( ) Classe do ajuste é o termo que utilizamos para indicar a combinação de uma classe de tolerância de furos com uma classe de tolerância para eixos.

( ) O ajuste com interferência é quando o sistema furo e eixo entra forçado, para termos esta condição é só garantir que o furo seja um pouco menor que o eixo e não precisa especificar a tolerância.

Agora, assinale a alternativa correta:

a) ( ) V- F- V- V.

b) ( ) F- V- V- F.

c) ( ) V- F- V- F.

d) ( ) F- F- V- F.

4 A tolerância geométrica é utilizada para especificar as variações geométricas que uma peça pode possuir, caso esta variação seja muito grande, podem ocorrer problemas na montagem do produto final. Com base nesta análise, avalie as sentenças a seguir:

I- A tolerância geométrica deve ser observada, principalmente, quando tenho montagem e/ou movimentação dos componentes do projeto;

II- Ao avaliar um cilindro vazado, uma característica geométrica importante a ser avaliada é a cilindricidade deste.

III- A tolerância geométrica não deve ser aplicada indiscriminadamente, sendo requerida apenas para peças e elementos que satisfaçam aos critérios anteriormente definidos.

IV- É mais comum em projetos a especificação da tolerância geométrica do que a tolerância dimensional.

Agora, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.

b) ( ) As sentenças I e III estão corretas.

c) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.

d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.

5 Nos desenhos a seguir, descreva qual é a tolerância geométrica avaliada e o

b)

B B

A Corte – BB

Ø 20+0,0210

0,02

0,02A A

A A

A

A Corte – AA Ø 30 +0,0210

0,02

UNIDADE 2

DESENHO DE COMPONENTES MECÂNICOS DE UNIÃO E TRANSMISSÃO

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

PLANO DE ESTUDOS

A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer a importância de alguns elementos de máquinas mais utilizados, e aplicar este conhecimento no desenho técnico;

• representar, cotar e referenciar elementos de máquinas;

• utilizar de forma correta os elementos normalizados na representação de conjunto no desenho técnico.

Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – ROSCAS, PARAFUSOS E ELEMENTOS DE FIXAÇÃO TÓPICO 2 – ENGRENAGENS

TÓPICO 3 – ELEMENTOS SOLDADOS

TÓPICO 1

ROSCAS, PARAFUSOS E ELEMENTOS DE FIXAÇÃO

UNIDADE 2

1 INTRODUÇÃO

Dentre os elementos de fixação mais conhecidos, os parafusos e porcas são os mais usuais no setor mecânico em geral. Em um primeiro momento, podemos não dar muita relevância a este tipo de elemento, porém, se analisarmos com mais cuidado, logo perceberemos que estes componentes são de suma importância na mecânica, pois é através deles que muitas uniões mecânicas são realizadas.

Deve ser dada especial atenção pelo projetista às uniões e conexões entre as partes, uma vez que elas sempre representam descontinuidades geométricas que tendem a romper o fluxo uniforme de forças. Consequentemente, ou as tensões nas uniões são elevadas (devido à concentração de tensões), ou uma geometria “protuberante”

deve ser utilizada para prevenir as elevadas tensões locais (COLLINS, 2012, p. 409).

FIGURA 1 – APLICAÇÃO DE PARAFUSOS DE POTÊNCIA

A utilização de parafusos e porcas é caracterizada, portanto, como uma união desmontável, na qual os componentes podem ser desmontados sem que ocorra a danificação do equipamento. Uma aplicação bem comum destes elementos de fixação é quando projetamos um equipamento de grandes dimensões, neste caso é bem provável que façamos uso destes elementos para auxiliar no transporte e montagem dos equipamentos.

Um exemplo prático é o projeto de estruturas metálicas, neste caso a montagem final é realizada no local definitivo onde será instalada a estrutura.

A possibilidade de troca de componentes e a manutenção são fatores que determinam a utilização dos parafusos e porcas como elementos de fixação.

Além da utilização como fixadores, os parafusos possuem uma outra função, podem ser utilizados como parafusos de potência, podendo ser chamados também de parafusos de avanço. De acordo com Budynas (2016, p.

395), “O parafuso de rosca helicoidal foi sem dúvida uma invenção mecânica extremamente importante. Ele é a base dos parafusos de potência [...]”. A ideia do parafuso de potência surgiu com a necessidade de transformarmos movimentos circulares em movimentos lineares. Aplicações práticas destes sistemas são a utilização em prensas e macacos mecânicos.

FIGURA 2 – APLICAÇÃO DE PARAFUSOS DE POTÊNCIA

FONTE: FONTE: Generoso (2009, p. 16) fuso

porca mandíbula fixa mandíbula móvel

2 TIPOS DE PARAFUSOS E PORCAS DE FIXAÇÃO

Como já comentamos, os parafusos e porcas possuem uma grande aplicação na indústria e são utilizados em todos os segmentos. E para atender a toda esta variedade de aplicações possíveis, existe também uma enorme variação destes elementos. Desde aspectos geométricos até o material de fabricação são alterados, para que o produto final atenda à necessidade técnica e comercial da aplicação.

Por exemplo, se for utilizar um parafuso para fins de fixação em móveis de madeira, ele terá uma característica específica para esta aplicação. Que será bem diferente de um parafuso que utilizo para prender a roda do automóvel.

Questões como cálculos de resistência mecânica, segurança e também o custo são levadas em consideração nestas especificações.

FIGURA 3 – TIPOS DE ROSCAS

FONTE: Silva et al. (2006, p. 312) Rosca para madeira

Rosca cônica Rosca cilíndrica

Rosca auto-roscante

Neste momento se faz necessário entendermos algumas definições quanto à classificação dos parafusos e porcas, conforme sua aplicação.

Segundo Norton (2004, p. 773):

Parafusos e parafusos de máquinas: o parafuso é um fixador com uma cabeça e um corpo reto, com filetes de rosca cujo uso pretendido prevê a utilização de uma porca para sujeitar e manter as partes de um conjunto juntas. Este parafuso também pode ser chamado de parafuso de máquina, onde a única diferença é que este é rosqueado diretamente em um furo com rosca e não a uma porca.

Prisioneiros: é um parafuso sem cabeça, com rosca em ambas as extremidades e que se pretende utilizar de maneira semipermanente como metade de uma junta. Cada extremidade do prisioneiro pode tanto ter um passo igual quanto diferente.

FIGURA 4 – TIPOS DE PARAFUSOS

Porcas: é o elemento utilizado para fazer a fixação do parafuso. As porcas podem ter especificações como: porca de travamento, porca decorativa (porca de castelo), porca de castelo, porca borboleta. Cada um deste tipo possui uma aplicação definida.

FIGURA 5 – TIPOS DE PORCAS

FONTE: Norton (2004, p. 879) (a) Porca hexagonal

de pressão (d) Porca hexagonal de cúpula ou cega

(c) Porca hexagonal de castelo

Arruelas: possui um formato de anel que serve para aumentar a área de contato entre a cabeça do parafuso ou porca e a parte sujeitada. Também possui uma variedade de tipos para as mais diversas necessidades. Um exemplo é a arruela de travamento, que é utilizada para evitar o afrouxamento espontâneo de porcas padronizadas.

FIGURA 6 – TIPOS DE ARRUELAS

FONTE: Norton (2004, p. 879) (a) Arruela de travamento

bipartida, ou de pressão

(b) Arruela de dentes

internos (d) Arruela de dentes

internos e externos, ou denteado duplo (c) Arruela de dentes

externos (e) Arruela de dentes em cone

Outra classificação possível é quanto aos diferentes tipos de cabeça que um parafuso pode ter, dentre os mais conhecidos estão: fenda reta, phillips, hexagonal, hexagonal de encaixe, dentre outras. Na figura a seguir você encontra uma relação destas possibilidades.

O que determina o tipo de cabeça de parafuso que utilizaremos é a aplicação mecânica necessária. Podemos ter a necessidade de fazer uma pequena união, de chapas finas em uma máquina de pequeno porte que não exige nenhum tipo de resistência mecânica. Em outra situação, a união a ser feita é entre duas chapas grossas, em que estas fazem parte de uma estrutura de uma máquina que trabalha com vibração e ainda poderá ter solicitações mecânicas de cisalhamento.

Vejamos que temos nestas duas situações casos bem extremos, em que, na primeira situação, não há necessidade de se utilizar parafusos com elevada resistência, para esta aplicação, uma união com parafuso comercial com cabeça de fenda pode ser aplicada. Já na segunda, teremos que utilizar um parafuso de classe definido, provavelmente um parafuso com cabeça hexagonal com encaixe.

Estes estilos de cabeça em combinação com fendas ou sulcos Phillips são normalmente utilizados apenas em pequenas máquinas ou parafuso de atarrachar, uma vez que o máximo torque que se pode transmitir com essas fendas é limitado. Os torques necessários no caso de parafusos maiores são mais facilmente transmissíveis com cabeças hexagonais, ou cabeças hexagonais com encaixe [...] (NORTON, 2004, p. 877).

FIGURA 7 – TIPOS DE CABEÇAS DE PARAFUSOS

comprimento 1/8 '' a 6'' diâmetro #0 a 3/8''

3 DEFINIÇÕES DE SIMBOLOGIA DE ROSCA

Para uma correta especificação de rosca de parafusos no desenho técnico, é necessário conhecermos a terminologia para estes componentes. Conforme Norton (2004, p. 757), “[...] a rosca é uma hélice que faz com que o parafuso avance sobre o material ou porca quando rotacionado”.

A seguir está a designação dos elementos geométricos do perfil triangular de uma rosca, conforme norma ISO 5408:1983. Segundo Silva et al. (2006, p. 313), a geometria do perfil da rosca tem os seguintes elementos:

Rosca exterior ou rosca macho: é a rosca implantada em um eixo.

Rosca interna ou rosca fêmea: é a rosca interna em um furo.

Flancos da rosca: superfícies laterais do filete geradas pelo movimento helicoidal das linhas de flanco.

Crista da rosca: superfície gerada pelo movimento do truncado da crista.

Cava ou fundo da rosca: superfície reentrante do filete gerada pelo movimento da linha de fundo.

FIGURA 8 – ROSCA MACHO E ROSCA FÊMEA

FONTE: Silva et al. (2006, p. 312)

didi didiMdMd MdMd

FIGURA 9 – ELEMENTOS GEOMÉTRICOS DO PERFIL

FONTE: Silva et al. (2006, p. 312) α - Ângulo do flanco

A seguir temos algumas das principais definições de termos utilizados no dimensionamento, segundo Budynas e Nisbett (2016, p. 395):

Passo: é a distância entre duas cristas do filete de rosca, também pode ser definido como o avanço de uma rosca após uma rotação completa. O passo é indicado sempre em milímetros, exceto quando se trate de roscas Whitworth ou gás.

Diâmetro maior (d): é o maior diâmetro de uma rosca de parafuso.

Diâmetro menor, ou de raiz (dr): é o menor diâmetro de uma rosca de parafuso.

Diâmetro menor, ou de raiz (dr): é o menor diâmetro de uma rosca de parafuso.

No documento Desenho Técnico Mecânico (páginas 47-0)

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