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EXEMPLO 5.4 (2005 – AULA 3): PISTAS DE FECHAMENTO FEITA PELO PROFESSOR 

5.2.  Aulas virtuais como eventos de fala 

5.2.3.  Tom e instrumento 

Como  o  próprio  nome  sugere,  o  tom  trata  de  como  um  ato  acontece,  como  deve ser interpretado. Se o falante deseja ser irônico em sua fala, usará de um tom  específico  na  mensagem  que  faça  com  que  a  ironia  sobressaia  e  seja  assimilada.  Uma  alteração  de  voz  numa  determinada  vogal,  ênfase  numa  palavra,  ou  mesmo  recursos  não­verbais,  como  um  gesto,  um  olhar,  uma  expressão  facial  podem  revelar  se  o  que  foi  dito  remete  a  uma  brincadeira,  a  um  assunto  mais  sério,  à  intenção de ser sarcástico, entre outros. 

Esse componente tem especial posição neste trabalho, haja vista que grande  parte da produção da polidez e preservação da face pode se dar através do tom que  o  falante  desejou  empregar  nem  sempre  explicitamente,  mas  nas  entrelinhas  do  todo  contextual da interação.  Segue um  exemplo  do  que pode  ser  considerado  um  tom irônico:  EXEMPLO 5.8 (2005 – AULA 1): IRONIA  1. Darth Vader ­ Eu sugiro começarmos com a Pricilla, que estudou a Dieta 2.  2. Marina ­ ok.  3. Marilia ­ ok  4. Priscilla ­ a q blz  5. Darth Vader ­ Não é pra falar da sua dieta... é pra fazer perguntas em relação A  DIETA QUE VC ESTUDOU! Os demais participantes vão esponder, e aí o  "perguntador" vai avaliar se esta certo ou não, completando quando necessáio!  6. Darth Vader ­ hehehe... é que a sua é a mais simples Bioquímicamente Pri! Não  é implicancia minha não! 

Na  linha  1,  o  professor  sugere  que  a  aluna  Priscilla  comece  a  falar  sobre  a  sua dieta; uma sugestão dada por um professor é recebida mais como uma escolha  da parte dele, um comando de que a aluna deve iniciar a discussão sobre as dietas  do que meramente uma sugestão com possibilidade de escolha. Na linha 4, a fala da  aluna Priscilla é irônica (‘ah, que beleza’), pois, na verdade, ela não está exatamente  satisfeita  por  ser  a  primeira  a  falar  sobre  a  dieta.  Na  última  linha  do  exemplo,  o

professor ri e justifica o motivo de tê­la escolhido para começar: porque a dieta dela  é  a  mais  simples,  do  ponto  de  vista  bioquímico.  Mesmo  tendo  sido  uma  ironia,  aparentemente, simples, possivelmente até uma forma de a aluna garantir sua face  no  caso  de  alguma  falha  na  explicação  de  sua  dieta,  a  resposta  do  professor  é  importante, pois suaviza uma situação desconfortável: a de ter que escolher um dos  alunos para ‘servir de cobaia’ aos demais.  Outro exemplo envolve ironia e brincadeira ao mesmo tempo:  EXEMPLO 5.9 (2005 – AULA 1): IRONIA E BRINCADEIRA  (...)  1. Diabolyn ­ logged on.  2. Diabolyn ­ Oi Gente  3. Darth Vader ­ Olha quem chegou! Digam "olá Diabolyn"!  4. Priscilla ­ olá diabolyn  5. Marina ­ olá Diabolyn!!!  6. Marilia ­ ola Diabolyn!!  7. Cristina ­ Olá Diabolyn  8. Darth Vader ­ =)  9. Diabolyn ­ oá aluninhos!!!!!  10. Renato Buscariolli ­ Chegou cedo em Diabolyn...rsrsrsrsrs  11. tia Férnanda ­ olá diabolyn!  12. Diabolyn ­ Compromissos profissionais me impedem de chegar antes!  13. Renato Buscariolli ­ Brincadeira Diabolyn...Relaxa....Vc deve ser um cara  muito ocupado....  A aula já estava com um considerável tempo de duração quando a professora  ‘Diabolyn’  entrou  no  Chat.  O  professor  Darth  Vader  (linha  3)  introduz  a  colega  ao  grupo,  pedindo  que  todos  a  cumprimentem.  Então,  o  aluno  Renato  brinca,  em  tom  irônico,  sobre  o  atraso  e  acrescenta  o  ‘rs’  significando  risos  para  que  o  tom  de  brincadeira sobressaia em vez da ironia, evitando, assim, parecer rude. Preocupado  com a resposta dada na linha 12 pela professora, justificando o seu atraso, o aluno  engata,  na  linha  13,  um  turno  mais  explícito,  escrevendo,  literalmente,  que  sua  intenção  foi  realmente  brincar  com  a  professora  e  ainda  acrescenta  uma  provável

justificativa pelo atraso da mesma. Renato fala com Diabolyn como se ela fosse um  homem (‘você deve ser um cara muito ocupado’ – linha 13), pois ele não conhecia o  desenho animado em que Diabolyn é, na verdade, uma mulher. 

Nos dois exemplos anteriores, alguns marcadores discursivos podem auxiliar  consideravelmente o tom que se deseja colocar – como é o caso do emoticon  no  exemplo  5.8  (linha  6)  e  do  ‘rs’  no  exemplo  5.9  (linha  10).  Outras  informações  a  respeito do tom constam na estratégia de polidez correspondente à brincadeira, no  capítulo 6. 

O  tom  íntimo  e  amigável,  enfatizado  em  cem  por  cento  das  aulas  coletadas,  demonstra  a  necessidade  dos  interlocutores  em  serem  aprovados  pelos  demais,  demonstrarem interesse tanto pelo outro quanto pelo encontro em si e diminuírem a  eventual sensação de distanciamento, que possa ser causada pela falta de contato  visual,  pelo  uso  do  computador.  Para  tal,  os  interlocutores  trazem  para  as  aulas  virtuais  estratégias  de  descontração  e  intimidade  pouco  esperadas  em  aula  presencial  e  mais  comumente  encontradas  em  conversação  face  a  face  e  Chat  de  entretenimento.  Os  participantes  usam  todos  os  recursos  possibilitados  pelo  programa de computador para melhor desenvolver o tom que querem empregar. 

A sexta categoria trata do instrumento utilizado, isto é, o computador. Nesse  caso,  o  canal  de  comunicação  é  escrito,  mas,  recursos  como  o  uso  de  webcam  e  fones  de  ouvido,  permitem  que,  ao  invés  da  escrita,  a  fala  possa  ser  utilizada.  Em  aulas pela Internet, a viabilização da interação é amplamente concentrada na escrita  (por e­mail, fórum de discussão e Chat), apesar de haver vários tipos de programas  que geram diferentes suportes, como no caso das aulas conferência (3.1.2). 

No caso dos dados, o curso se deu da seguinte maneira: no ambiente virtual  de  ensino  TelEduc,  os  alunos  tinham  acesso  ao  material  a  ser  lido,  textos  ou  experiências  a  serem  feitas  para  a  discussão  posterior  no  Chat.  O  programa  de  computador utilizado permitia que todas as contribuições fossem vistas por todos os  presentes na sala virtual e não permitia conversas privadas em janelas à margem da  sala principal. O nome do falante sempre antecedia sua elocução, o que evitava que  o  mesmo  tivesse  que  se  enunciar  a  cada  comentário  feito.  Outro  recurso oferecido  era  o  emoticon  (3.1.1).  Em  algumas  aulas  Chat,  além  do  nome  de  quem  digitou,  também  antecedia  a  elocução  o  destinatário  daquela  mensagem  e,  até  mesmo,  a

hora  em  que  foi  lançada  na  tela.  O  programa  de  computador  com  tal  recurso  foi  adotado apenas nos encontros do ano de 2003, como mostra o exemplo a seguir: 

EXEMPLO  5.10  (2003  –  AULA  1):  INDICADOR  DE  HORA  E  DE