2.5 Tomada de decisão
2.5.1 Tomada de decisão em momentos de estresse
Grandjean (2005) cita uma definição clássica de estresse introduzida por Selye em 1930. Segundo o autor, estresse é uma reação do organismo a uma situação ameaçadora ou opressiva. Já Proulx (1993) define estresse como uma resposta não específica a alguma demanda, ou seja, o indivíduo sob estresse pode não conseguir tomar as decisões corretas para solucionar um determinado problema.
De acordo com Wogalter (1998), o estresse afeta a percepção das pessoas, seus julgamentos e decisões e pode influenciar também na obediência às informações de segurança. A pressão exercida pelo tempo, os riscos
envolvidos na situação e um ambiente conturbado são alguns fatores que podem provocar estresse. Nestes casos o foco de atenção também pode ser afetado fazendo, com que o indivíduo desvie tal foco da situação mais
As decisões em emergências são diferentes das decisões cotidianas por dois motivos. O primeiro deles é que, nas emergências, a tomada de decisão pode afetar diretamente a vida de quem tomou a decisão, assim como a vida de quem depende desta pessoa. O outro fator é o curto espaço de tempo
disponível para tomar decisões tão importantes. Wogalter (1998) afirma ainda que a tomada de decisão também pode ser afetada pela presença de outras pessoas, por outro elemento avaliador de performance (como tempo, por exemplo) ou por distrações e conflitos.
Estudos realizados em laboratórios de química de escolas de ensino médio norte-americanas propuseram a realização de tarefas com o
monitoramento do tempo e com a supervisão de outra pessoa, sugerindo uma situação de estresse. O objetivo era saber se, sob as condições acima
mencionadas, as advertências eram obedecidas ou não durante a realização de procedimentos no laboratório. Os resultados mostraram que o cumprimento de procedimentos seguros e a obediência às advertências aumentavam quando o estresse era mais baixo e diminuíam quando o nível de estresse aumentava. Sendo a pressão do tempo o fator que proporcionava maior índice de estresse sobre os participantes da pesquisa (WOGALTER, 1998).
Gradjean (2005) relaciona condições que podem provocar estresse ou tranqüilidade no trabalho. São elas:
Controle do trabalho, que inclui pressões de tempo e de supervisão; Suporte social: a assistência de supervisores e colegas parece diminuir os efeitos estressores;
Sofrimento do trabalho: relaciona-se ao conteúdo do trabalho e a carga mental que ele exige;
Demanda da tarefa e exigência de desempenho o que inclui demanda de atenção;
Segurança no trabalho: as ameaças de desemprego podem ser agentes estressores. O reconhecimento de supervisores e colegas sobre a importância da função que um indivíduo exerce pode atenuar o estresse;
Problemas com o ambiente físico, como ruído, iluminação pobre e clima organizacional pouco prazeroso e
Complexidade, que se refere ao número de demandas envolvidas no trabalho.
O estresse também é associado ao aumento de erros em tarefas
cognitivas, já que o indivíduo pode ter dificuldades em tarefas que necessitem de um nível mais analítico de processamento de informação. Ainda de acordo com o autor, a tomada de decisão nestes casos fica geralmente no nível de regras e poucas pessoas conseguem realizar ações baseadas no nível de conhecimento.
De acordo com Proulx (1993), um pouco de estresse é necessário para provocar reações mais rapidamente, porém níveis muito elevados de estresse causam comportamentos não adaptativos, como o pânico, por exemplo. Uma pessoa em pânico não consegue reagir aos estímulos do meio ficando inerte diante da situação. Segundo o autor, interpretar corretamente a situação também é fundamental para tomar decisões corretamente. Uma situação inadequadamente definida pode provocar tomadas de decisão inadequadas, o que, dependendo da situação, pode colocar em risco a vida do indivíduo.
Três características das pessoas influenciam a tomada de decisão em uma situação de emergência. Primeiro é a predisposição ao estresse, a ansiedade. O segundo é a avaliação que a pessoa faz sobre a seriedade da situação; terceiro fator é a experiência em situações semelhantes. (PROULX, 1993).
Com base nestas características, Proulx (1993) desenvolveu um modelo de tomada de decisão em situações de emergência, principalmente em
incidentes com fogo, no qual as decisões são afetadas pelo estresse, provocado por diversos eventos que podem ocorrer nestas situações. O elemento central do modelo é o sistema cognitivo. Segundo o autor o estresse vai aumentando à medida que a solução da situação vai ficando cada vez menos clara, o que ele chama de ambigüidade (figura 9).
Figura 9: Modelo de estresse. Adaptado de Proulx (1993).
O primeiro loop deste modelo ocorre quando a pessoa recebe as primeiras informações sobre a situação. Se esta informação for ambígua, ela tende a ser descartada, já que o indivíduo julga ter controle da situação. Num segundo momento, se o indivíduo continuar a obter informações ambíguas tem início a sensação de estresse a partir da incerteza provocada pelo sentimento de não entendimento da situação. O terceiro loop é relatado como a
interpretação da situação como uma emergência, e o sentimento predominante é o medo. Num quarto momento desta cadeia, o indivíduo começa a processar informações irrelevantes, o que pode gerar sentimento de raiva e aumentar o estresse. No quinto e último estágio deste modelo, o autor acredita que há esforço mental para reduzir a pressão provocada pela situação,
sobrecarregando o sistema cognitivo e provocando fadiga.
Desta maneira, o autor propõe que as ambigüidades e incertezas sejam reduzidas de maneira que a tomada de decisão seja feita com uma carga
cognitiva menor e diferente da proporcionada pelo estado de estresse. Esta sobrecarga cognitiva, muitas vezes, pode ocasionar tomadas de decisão que não condizem com os efeitos desejados. Nesta hora acontece o chamado erro humano, assunto do item a seguir.