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Tomografia PCA do cubo deconvolu´ıdo

Cap´ıtulo 3

3.3 Tomografia PCA do cubo deconvolu´ıdo

Um dos m´etodos de an´alise de dados consiste em separar fenˆomenos no cubo de dados atrav´es da Tomografia PCA (ver se¸c˜ao 2.4.1 do cap´ıtulo 2). Os resultados s˜ao conjuntos de tomogramas/auto-espectros, que ser˜ao apresentados a seguir.

A Fig. 3.2 mostra o primeiro conjunto auto-espectro/tomograma obtido com a Tomo-grafia PCA aplicada ao cubo de dados ap´os a deconvolu¸c˜ao. Esse conjunto representa as caracter´ısticas associadas `a maior parte da variˆancia do cubo de dados. O auto-espectro E1 se assemelha ao espectro m´edio e o tomograma 1 `a imagem do cubo colapsado, reve-lando, assim, a redundˆancia dos dados. Entretanto, esse auto-espectro apresenta menos estruturas compat´ıveis com linhas de absor¸c˜ao do que o espectro m´edio, o que indica que ele est´a menos relacionado `a emiss˜ao das popula¸c˜oes estelares do que o espectro m´edio. Observam-se, tamb´em, correla¸c˜oes com as linhas de emiss˜ao provenientes da regi˜ao central (parte clara do tomograma 1, que, por sua vez, est´a correlacionada com o auto-espectro E1). S˜ao evidentes as estruturas compat´ıveis com as componentes largas das linhas Hα e Hβ, com uma forte emiss˜ao de [OIII]λ5007 e com a emiss˜ao de [OI]λ6300 (uma linha t´ıpica de regi˜oes de ioniza¸c˜ao parcial). Todas essas caracter´ısticas mostram que esse autovetor

44 Cap´ıtulo 3. NGC 1566

Figura 3.2: Tomograma e auto-espectro 1 da Tomografia PCA aplicada ao cubo deconvolu´ıdo de NGC 1566, com zoom na parte azul e vermelha do auto-espectro.

est´a fortemente associado `a emiss˜ao proveniente do AGN nessa gal´axia. A tabela 3.1 mostra as fra¸c˜oes de variˆancia explicadas por este auto-espectro e pelos demais.

O auto-espectro E2 (Fig. 3.3) est´a correlacionado com as principais linhas de emiss˜ao dessa regi˜ao espectral e com as componentes largas das linhas de Hα e Hβ. H´a, tamb´em, uma anti-correla¸c˜ao com v´arias linhas de absor¸c˜ao estelares existentes nesta regi˜ao espectral e com componentes estreitas de NaIλλ5890, 5896 (provavelmente associadas `a absor¸c˜ao interestelar por g´as neutro). A partir disso, ´e poss´ıvel inferir que as linhas de emiss˜ao s˜ao provenientes das ´areas claras do tomograma. Por outro lado, as absor¸c˜oes estelares possuem maior relevˆancia nas regi˜oes escuras (anti-correlacionadas com o auto-espectro) do tomograma, onde h´a concentra¸c˜ao de g´as neutro tamb´em. H´a duas regi˜oes emissoras, uma no centro do FOV (field of view ), que ser´a chamada de Regi˜ao 1, e outra, Regi˜ao 2,

Se¸c˜ao 3.3. Tomografia PCA do cubo deconvolu´ıdo 45

Figura 3.3: Tomograma e auto-espectro 2 da Tomografia PCA aplicada ao cubo deconvolu´ıdo, com amplia¸c˜oes das regi˜oes vermelha e azul do auto-espectro.

centrada em (1”,-1”) - ver Fig. 3.4.

O auto-espectro E3 (Fig. 3.5) possui correla¸c˜oes com as linhas de menor grau de io-niza¸c˜ao (Hβ, Hα, [NII]λλ6548, 6584, [SII]λλ6716, 6731) e anti-correla¸c˜oes com as linhas de maior grau de ioniza¸c˜ao ([OIII]λλ4959, 5007, [OI]λ6300). Portanto, as ´areas claras do tomograma, que est˜ao correlacionadas com o auto-espectro E3, s˜ao regi˜oes de mais baixa ioniza¸c˜ao e a ´area escura central ´e a regi˜ao emissora de mais alta ioniza¸c˜ao. Este conjunto tomograma/auto-espectro est´a diferenciando as regi˜oes de baixa ioniza¸c˜ao da regi˜ao de mais alta ioniza¸c˜ao.

O auto-espectro E4 (Fig. 3.6) est´a anti-correlacionado com as componentes largas das linhas Hα e Hβ. Com exce¸c˜ao das linhas [OIII]λλ4959, 5007, h´a correla¸c˜oes com as asas azuis e anti-correla¸c˜oes com as asas vermelhas de todas as linhas. Com isso, tem-se que o

46 Cap´ıtulo 3. NGC 1566

Figura 3.4: Regi˜oes emissoras encontradas em NGC 1566: uma no centro do FOV (Regi˜ao 1) e outra (Regi˜ao 2) centrada em (1”;-1”). Essa imagem foi feita a partir da regi˜ao espectral que engloba as linhas de [NII]λλ6548, 6584 e Hα do cubo de g´as.

conjunto tomograma/auto-espectro 4 representa os seguintes fenˆomenos: a cinem´atica das linhas de mais baixa ioniza¸c˜ao, a localiza¸c˜ao da BLR e a emiss˜ao das linhas de mais alta ioniza¸c˜ao. No tomograma, pode-se ver duas regi˜oes emissoras, que est˜ao correlacionadas com as asas vermelhas das linhas j´a citadas, portanto est˜ao em redshift. Quanto `a `area escura, al´em de indicar a posi¸c˜ao da BLR, indica a regi˜ao anti-correlacionada com as asas azuis das linhas, portanto, em blueshift. Na regi˜ao central, h´a uma ´area de correla¸c˜ao e outra de anti-correla¸c˜ao, sugerindo algum fenˆomeno cinem´atico do g´as (como uma rota¸c˜ao ao redor do n´ucleo ou um outflow ). Al´em disso, a correla¸c˜ao com as linhas [OIII]λλ4959, 5007 mostra que as ´areas claras do tomograma representam poss´ıveis regi˜oes de mais alta ioniza¸c˜ao. Por´em, com base no que foi observado no tomograma/auto-espectro 3, pode-se dizer que ´e prov´avel que a ´area clara central ´e a que possui maior grau de ioniza¸c˜ao.

O diagrama de Scree (Fig. 3.7) tem fun¸c˜ao de mostrar a partir de qual autovetor (ou auto-espectro) o ru´ıdo ´e predominante. Em geral, quando a taxa de decaimento da fra¸c˜ao da variˆancia explicada pelos autovetores se torna aproximadamente constante, o ru´ıdo se torna dominante, indicando que pouca ou nenhuma informa¸c˜ao pode ser extra´ıda dos autovetores/tomogramas. Neste caso, a partir do autovetor E5, a taxa de decaimento da fra¸c˜ao de variˆancia atinge um certo valor constante e, a partir do autovetor E14, essa taxa se torna menos acentuada, comprovando ainda mais a dominˆancia do ru´ıdo nos dados. De

Se¸c˜ao 3.4. Resultados da s´ıntese espectral 47

Figura 3.5: Tomograma e auto-espectro 3, com amplia¸c˜oes nas regi˜oes azul e vermelha do auto-espectro.

fato, verificou-se que n˜ao ´e poss´ıvel interpretar os dados j´a a partir do autovetor E5 e, por conta disso, apenas os 4 primeiros autovetores foram apresentados aqui.