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porém esta imbibição é tão fraca cpie não póde haurir o veneno de dentroda ferida.

Como se sabe a cobra venenosa possue um pequeno reservatório na maxilla superior

,

onde é armazenado o venenosecretado por glândulas especiaes; também possue dous dentescompri¬ dos

,

que podem deitar

-

se paratrazsobre a gen¬

giva e alçar

-

se perpendicularmente a esta quan

-da no acto de morder; estesdentes são ôcos,

possuem uns canaliculos, que, communicando com o reservatório, terminam nas suasaceradas pontas

,

onde uns imperceptiveis orificios dão passagem ao liquido peçonhento

.

A cobra mordendo introduz todo o dente nas carnes e quandoa introducção é completa uma disposição particular de certos musculos preme o reservatório de modo que uma ou algumas gottas da peçonha são instilladas no corpoa al¬ guns millimetres de profundidade; raras vezes á superfície, noderme.

A absorpçâo da pedra de cobra é insufficiente para attrahiresse venenopara fóra. O resultado seria satisfactory sómente com o emprego de uma absorpçâo vehemente como a produzida pela ventosa

.

A sucçãoforte por uma ventosa ou com a bocca extrahe a peçonha de envolta com o sangue (i).

Asucçãoda ferida coma bocca é meio excel

-lente è muito usado em diversos paizes porém só deve ser feito quando a bocca do operador não tem ulcerações, excoriações na mucosa ou dente cariado.

(4)

«Pode-se irmtilisar pala sucçãoo elíeilo duma mordeduravenenosa», BulTon.

Ba

I O1

Schomburgk na sua viagem á Guyana ingle

-za conta o seguinte caso: «'/Quando morei em Bartika

-

Grove, ahi encontrei um homem pardo

cujofilho, algumas

semanas

antes deminha che

-gaJa

, tinha sido mordido na face por um suru

-cucú

.

O pai encontrou seu filho sem sentidos

,

apressou

-

se em chupar a ferida. Um quarto de horadepois o pai ressentia doresalrozes naca¬ beça,queinchou enormemente;elle

apresentava

todos os symptomas de um violento

envenena

¬

mento, a peçonha tendo penetrado no sangue por um dentecariado

.

0' filho não obstante a dedicação paterna

,

morreu e o paificou adoentado durante longo tempo.»

Ao que parece usa

-

se no interior do nosso

Estado a sucção por meio do taquary

.

Oque evita o perigo da introducção do

veneno

na economiapela aspiraçãoporbocca não perfeita¬ mentesã

.

Alguns auctores por

ouvir

dizer ou por ex¬ periências nas quas a sua boa fé foi illudida,af

-firmam aefficacia dapedradecobra.

Tennantconta, porter

-

lhe sido

affirmado

por *

um amigo

,

uma cura nestes termos:

«Mais de um caso da

efficaciad

’este remedio,

me foi affirmado

por testemunhas

oculares

.

Um de meus amigos

, atravessando

em Março

de

1854

,o jungle nasimmediações de Binten

-na, vio um Tamul que segurava com as duas

mãos uma cobra capello (Naja tripudians) que

elle tinha agarrado pela cabeça e pelo rabo

.

O

nosso homem

,

querendo pôr a cobra em uma cesta, manejou

-

a tão desasadamente que foi mordido no dedo

.

O reptil

conservou

durante

\

102

cferca de dous segundosseus dentes venenosos naferida

.

O sangue escorreu e o ferido sentio immediatamente uniar assaz viva

.

Umdos homens que acompanhavam o ferido desenrolou asua cinta e deila tirou duas pedras de cobra (pierres à serpent) cada uma do tama¬

nho de uma pequena amêndoa, de côr negra carregada, finamente polidas na superfície, e collocou uma d’ellas sobre a ferida

.

Apedra adherio fortemente, absorvendo todo o sangue;

durante esse tempo o companheiro do Tamul friccionava e massava o membro vulnerado des¬

deo hombro até aos dedos; as pedras cahiram por si, e o dôr calmou

-

se

.

O ferido' pareceo absolutamente álliviado

,

e apromptou

-

se para

continuara viagem

.

»

Kolbe diz que no Cabo da Bòa

-

Esperança certas pessoas servem

-

sedessa pedra,que man¬

dam vir das índias

,

eque ella possue realmente propriedades maravilhosas

.

Thunberg vio

-

as também no Cabo da Bôa

-Esperanca, «a pedra de cobra verdadeira

diz

elle

deve adherir fortemente no ceo da bocca,

e quando deitada n’agua pequenas bolhas dar devem virásuperfície

.

Quando é collocada em um ponto mordido, a pedra adhere, extrahe a peçonha e cahepor siquandofica embebidasuf

-ficientemente

.

»

«Essa pedra é composta de ossos calcinados, cal e uma resina preparada de certomodo

.

»

«No Mexico prepara

-

se uma pedra de cobra doseguinte modo:

' Toma

-

se um pedaço de chiffre de veado do tamanho quese quer, embrulha

-

se

-

o de herva,

fecha

-

se um em envolucro de cobre, epõe

-

seo

f o3

-todo sobre um fogode carvão, até que o chiffre fique sufficipptemente calcinado.

A substancia resfriada forma uma massa co

-herente, posto que cellulosa, cuja côr é negra»

Ku

.

dy

.

Nas índias os portuguezes fabricavam esse remedio em grande escala; a pedra de cobra de Goa era

.

ufamada outr’ora. A grande procu¬

ra e o elevado preçodo producto natural levou os portuguezes dessa colonia afabricarem «pe¬ drasartificiaescom umaargila plastioa

,

mistura¬

da comespecies cordiaes e mesmo com certa quantidade de pó das pedras de cobra verdadei¬ ras./> (r) A argila secca e ainda mais a que foi ligeiramente calcinada é muito absorvente; col

-locado um cubo dessa substancia na bocca, adhere fortementeálinguaouaos lábios até sa¬ turar

-

se de saliva

.

Em Portugal certaargila co¬

nhecida pelonome de greda êempregada para tirar asnodoasde gordurados soalhos

.

Passa

-se umacamada degreda bem húmida no lugar manchado e deixa

-

se seccar completamente; o barro absorve toda a matéria gordurosa

.

Uma bilha, nova adhere com força aoslábios

,

sobretudo quando imperfeitamentequeimada.

- (\) Liltrê. Dictionde medecine.

«Ha ainda nma outrapedrii, quese chama pinrre de serpent au chaperon; é uma especie de cobra quetem, realmenle .comoum chaperonquelhe peude atrazdaca¬ beça eèpor trazdestechaperonqueseenconlraapedra, a menor lendoo tamanhode umovode gallinha. ha destas cobrasnascostas de Mélinde, e pódese obtel-as

-porintermédio dos marujos e soldadosportuguezes que voltamde Moçambique.»

Voyage deTavernier.

104

io5

Comprehende

-

se que uma substancia possui¬

dora de propriedadesuctorialconsiderável adhe

-

*

9

rindocom força á pelle, extraia mais ou menos I com o sangue o veneno depositado na cesura

.

Ocarvão animal

,

o barro mal queimado, o ma

-taborrão, toda a substancia finamente porosa produz omesmo effeito absorvente

.

As pedras de cobra

,

quetenho tido em meu pod^.r, tccm poder absoivelite ou de iiiibíbição muito fraco

,

portanto são de pouca ou nenhurtiâ utilidade na mordedura das perigosissimasco¬

bras doMarajó

.

Não hapedrade cobraque inu

-tilise o veneno da cascavel

,

da jararáca ou do surucucú

.

No seguinte artigotratarei da verdadeira pe¬

dra de cobra, do conceitoque merece dosmedi¬ cose naturalistas

,

e finalisando

-

ofalarei de um meio de combater os effeitos da peçonha ophi

-dica considerado o maisefticaz

.

XXI

A PEDRA DE COBRA

A pedra de cobra ainda hojeéreputada como

remedioinfallivel contra o veneno na Asia e na .

J

Ék

Africa tanto quantono nosso Pará

.

(r) Outr’ora

(

<

) ACongo et áAngola,on irouvedans leventre des boucssauvagescertamespierres, qui ressemblenlau be -zoard etquisonl vanleés parlesnègrescoinmespéeifique eprouvè surtoutcontrele poison». Hisloire générale des Voyages par lAbèéPrevost.

«On trouvedans 1ile deBosner la fameuse pierre de bezoard, qui est fortprecieuse et recherchtíe ácausede.

i

sa vertu contre le poison, elle se produit dans le venlri

-culedesbrebisou des chevres». Voyages de la Coropa -gnie desIndesde Hollande.

naF.uropa ella tinha essa reputação, porém de¬ pois que se soube da sua proveniência e sua composiçãochimica cahio em taldescrediio que hoje nem n’ella se falia; poucos são os livros modernos que d’ellase occupam

.

Na Europa é conhecida nas linguas latinas pelo nome de bezoar,que é derivado de persa bed, remedio, e zeher, veneno; diz o mesmoque a nossa palavra contraveneno

.

Seba dá nasua obra us differentes nomes que em diversaslin¬ guasindicam este medicamento, (i)

Honíem mostrei, pela composição chimica e pelas suasqualidades physicas, que a pedra de cobra artificial, empregada entre nós, não póde nem neutralisar os effeitos doveneno

,

nem chu

-pal

-

o fóra da ferida; vamosagora com a autori¬

dade de sábios conhecidos provar que tanto a pedra natural como a artificial o possuem as virtudes nas quaes o sr

.

Professor

Jo

ão Coelho

acredita e que o consideradas como

corpos

inertes dignos de figurar junto de outros remé¬

dios e pussangas usadas nas eras em que o es¬

pirito humano achava

-

se obscurecidopelas tre

-vas da ignorância.

«Aacreditar

-

se nos auctores musulmanos cita¬ dos pord’Herbelot

diz Larousse noseu excel

-lenteapropriedadeartigosobremaravilhosa de attrahira peçonhaos bezoares

esta pedra tinha

deuma ferida

.

Basta, dizem elles

,

approximal

-

a

(1) «Gaudent hi lapides nominibus provarietate lin¬

gualum, varús: Lusitanis Pedraseu caltga de Buzio; Si -nensibus, Gautsjo; Maleitis, culiqakaka; Persis, Pazar.

Pasanseu lielse

í

iar; Arabibus, A lbazarei Perzuafiarth;

Lusilanis Índice incolis Pedra liuqia seu Lapide Simia

-rumjuxta Kmmpferi testimonium vocantur».

iob

-da feri-da; ella ahi adhere por si,e absorve, por imbibição, uma certa quai

.

tidade de licor peço

-

.,*

nhento, que depois abandona, quandohe a im

-

fl

merge n’agua; recomeça

-

se muitas vezes aope

- 1

ração e todo o perigo desapparece

.

Compre

- ' *

hende

-

seque uma tal pedra não era cousa com

- ^

mum; por isso os Orientaes narram sobre o i modo de a obter,etc., uma chusma dehistorias

|

totalmente inverosímeis: Segundo d’Herbelot,

^

alguns auctores arabesaffirmam que a pedrade cobra é encontrada nas minas; outros que ellas só são encontradas na cabeças de certascobras; mas os mais ladinos escreveram que ella for¬ ma

-

se no canto doolho dos veados que come

- ,

ram cobras; ahi cresce pouco a pouco e porca¬ madasdas quaes uma recebe a outra, e despe¬ ga

-

se porsi quando attingeum certo peso; cahe então no chão

,

e fica enterrada na areia

.

A pa

-tria d’essa maravilhosa pedra deve ser colloca

-da

,

semprede accôrdo com as mesmas auctori

-dades, na China e no Thibef »

.

(i)

(I ) «AGolconde, le roi aune grande provision de be¬

zoard. .. Leschevresquiles portent sont â8 journèesde Bagnagnur .. lesplusestiméssontceuxqu'on tiredune espccíide singes qni sont un peu ptus rares». Voyage de Tnévenot

.

«Jedevrais mettreau rang desdrogues medieinales le bezoard, qui estcette nierr

ê

si fameuse dans lamcdeci

-ne:on le trouvedans lecorpsdes boucs etchevressau -vagee domestiques.» Voyage deChardin.

« isie lapis inlernis partibus cujusdam animalisCapra monlannappellatigeneralur».Monard

.

DelapideBezoard

Lapis bezoard orientalisverusetpretiosus persicè Pa sahr ex quo nobis vox bezoard enataesl. Patrià ejuspre¬ cipitaest Persidis provinciaLaar.

.

Timidissimum et ma -Aimè fugitivum esl inhospita asperrimorum tnontium

107

«As virtudessobrenaturaes que attribuia

-

se

ao bezoar, assim comoa suararidade, fizeram

-n’a attingir um preço elevado. Ainda hoje no Oriente, essas pfopriedades

,

o soffrem a mi¬

nima contestação

,

e no tempo do primeiro Im¬

pério, pôde ver

-

se, entre os presentes remetti

-dos a Napoleão pelo Schah da Persia, bezoares que o imperador teve acuriosidadedefazer ana

-lysar e que aprèssou

-

se de jogar fóra quando lhe vieram declarar, que essa maravilha outra cousa o era senãocálculos urináriosdo caval

-loou do boi.

«Com effeito; essas concreções calculosas, desenvolvem

-

se no canal alimentar dos rumi¬ nantes, como no do elephante, rhinoceronte,

cão, cavallo, castor, javaly, e mesmo do porco espinho

.

Ellas o teem nem odôr nem sabôr; são amarellas, cinzentas, verdes, azues, verme¬

lhas, ou pretas; de forma oval ou cylindrica

. Seu

volumealgumasvezesèconsiderável

,

como no elephante e no hyppopotamo

.

»

«Existem duas especies ou variedades prin

-cipaes:o bezoar oriental

,

quese forma noquar¬ to estomago da gazella das índias, e o bezoar

Ik

occidental que é encontrado também no quarto

| estomago da cabra montez do Perú

.

Antiga

-inente eramestescorposconsiderados

como

po¬ derosos contravenenos

.

O primeiro era muito mais estimado do que ooutro

.

>

«Eram comprados a peso de ouro, e attri

-* lesquarisstmôincolens et exdescendens, etsolitudinequamvismontanaplures regniincamposregionesrar

-inhabitelberto Kaempferilapides,tamenAnaoenitales exotioaibeícoardicos non gignil». . Engel

-—

io8

buiam

-

lhegrandesvirtudes

.

Hojesitotidos como

|

"

j

corpos inertes e delles nào se faz mais casoal

-

*"

gum, mesmo na pharmacia veterinária.»

Littré dá no seu Diccionario de medicina o

|

bezoar como concreção calculosa que se forma j no estomago, intestinos e vias urinarias dos|

quadrúpedes

.

«Estes bezoares, sobretudo o ) primeiro

diz elle

eram considerados como alexipharmacos (contra

-

venenos)

.

As grandes '

1

virtudes queselhes suppunha os tendo tornado preciosissimos, fabricou

-

se bezoares factícios com olhos de lagosta, pinças de carangueijos trituradose misturados com almíscar, com am

-bar cinzento etc

.

Emfim chamou

-

se bezoaresa

todas assubstancias ás quaes pareceu reconhe¬ cer

-

seasvirtudes attribuidas aos bezoares

.

»

«Hoje cs bezoares

naturaes

estão abandona¬

doscomoinúteis: E NàO SE PROCURA MAISIMI¬ TAr.

- os

PELA ARTE.» Littré

.

M. Flourens, Secretario perpetuo da Acade¬ mia das sciencias dá os bezoares, cõmo concre¬ ções, em parte resinosas e em parte calcareas, que se formam nos orgãos da digestão de diffe

-rentesanimaes,sendo particularmente dado esse nome ás concreções do Pasan ou cabra montez m da Persia, da gazella izeiran, da antilope das wÊ índias etc.

O celebre naturalista termina assim: «Em relação ás pretensas virtudes dos bezoares

,

não .épreciso dizer que ha muito tempo não se crê

maisn

ellas;o que poderia admirar é quenellas se tenha acreditado.»

Certos ruminantes produzem egagropilos e

;

outros, bezoares

.

Buffon diz que se encontra destas pedras de

109

cobra nos crocodilos e nas grandes cobras

.

Aquino Paráestes reptis produzem egagropilos

e não bezoares

.

Si não fosseo receio de cançar a paciência dos leitores do Democrata faria uma resenha dos contravenenos usados em differentes partes do mundo. Limitar

-

me

-

hei, por esse motivo

,

em dizer que a pedra de cobra não é remedio que garanta qualquer pessoa da morte ou con¬ sequências graves da mordedura de uma cobra venenosa (paralysias, gangrena, atrophia dos membros, cegueira, etc

.

O permanganato de potassa que muitos afian¬ çam produzir optimos resultados, já conta bom numerode descrentes; explicam seusadeptos a sua inefficacia, em certoscasos, pela decompo¬ siçãodoliquido a injectar. Ha ainda umaobjec

-çào importanteaoempregodesteremedio; sen¬ do os vaqueiros os mais sujeitos a receberem mordeduras, me parece quasi impossível obter, que tragam sempre comsigo um vidro de per¬ manganato e a competente seringa

.

Não é me¬

dicamentopraticoque se possa generalisar

.

Vou concluir tratando de um remedio antigo hoje verificadocomo o unico certo e aoalcance de todos. Catãoo censor jáoaconselhava, Cel¬ so o recommendava antes que os medicosame¬

ricanos preconisassem oseu emprego.

Os habitantes das índias também o applicam com excellentes resultados.

Este remedio que será muito apreciado pelos vaqueiros marajoensese em geral portoda anu¬ merosaconfrariados pitetreiros é o uso interna¬ menteda cachaça em grande quantidade e por longas horas

,

conservando

-

se o ferido em esta

-1I O

1 T I

do de embriaguezpor espaço de vinte e tantas horas

.

Littré noseu Diccionario de medicina diz .

«de todos os remedios aconselhados contra as mordeduras de cobras,ounionactualmente ado

-ptado, deaccordo com resultados certosobtidos cor experiências* no homem, consiste em fazer umaiigaduraacimada mordedura,e em mantero ferido em estado deembriagez, durante 12 a 26 horas,pormeio de bebidas alcoólicas emprega¬ das o mais depressa possivel depois da morde¬ dura

.

»

Oemprego dacachaça em grande quantidade é muito popular nosEstados Unidosondeabun¬ damas cobras venenosas.

Eis dous casosda efficacia da cachaça contra

o veneno das cobrai, contados por um medico, odr. Mayrand : «Em Setembro de 1820, ouvi uma tardeumgrito agudo dadopor uma mulher;

fui chamado alguns momentos depois e infor¬ mado que o escravo Esser havia sido mordido por uma cascavel e que achava

-

semoribundo.

Encontrei o desgraçado inanimado,com os den¬ tes cerrados, o pulso irregular apenas perce¬ ptive!.

«Tinha ouvido falar do bom resultado obtido em taes casos pelas bebidas alcoólicas, e deci¬ di

-

me a empregar os excitantes, os mais enér¬

gicos que tinha á mão

.

Misturei uma colher de cháde pimenta do reino bem moida comum co¬ po de aguardente, derramei tudo nabocca do ferido. As quatroprimeiras doses dessa mistu¬ raforam regeitadas; a quinta foi comtudo con¬ servada.»

«Ao cabo da administração de quatro a cinco

í

í

coposnau

-

se defirme, poraguardente apimentadaém recahia rapidamente logo, o pulso tor

-que cessava o medicamento

.

»

«Posto que eu temesse que a dose dada podesse ter graves consequências, fui comtudo forçado a continuar, porque o pulso descahia logoque eu abandonava os excitantes

.

Depois de ter tomado cerca de um litro de cachaça api¬ mentada , o ferido recuperou o uso da palavra;

duashorasdepoiso seuestado tinha melhorado a ponto que poude retirar

-

me. No diaseguinte

asforças ainda lhe não tinham voltado

.

O feri¬ do tomou em vinte e quatro horas ainda cerca de douslitros de aguardente. O ponto mordido gangrenou. A cura comtudoeffectuou

-

se

.

»

«

Um

anno depois fui chamado de noute para tratar de um negro mordido por uma cascavel.

Sentia elle uma grande dôr no peitoe tinhavo¬ mites biliosos

.

Deu

-

se

-

lhe cachaça, na qual ha¬ via se posto em maceração pimenta do reino verde, até queopulsoalteasse. O feridoachou

-se -sensivelmente melhor depois de ter bebido seis copos da mistura; dose horas depois deco¬

meçado o tratamento,elle poudeserconsiderado como f óra de perigo. O ferido tinha bebido cerca de um litro de cachaça

.

» Dr. Mayrand

.

O dr

.

E

.

Sauvage aconselha nocaso de mor¬

dedura de cobra venenosa, alargar immediata

-mente a ferida, chupal

-

a, applicar uma ligadura apertada acima do ponto mordido ecauterisara ferida comferro em brasa , pedra infernal, ou

uma mistura de partes egaiaes de álcool e acido phenico

.

» O mesmo medico preconisa interior¬ mente o álcoolsob a forma de rhum

,

cognac, aguardenteou cachaça, ministrada efaalta dose;

I 1 2

m

«é actualmente o mais efficaz de todosos reme

-dios conhecidos; elleé também inestimável,por¬ que encontra

-

se por toda a parte, ao alcance de todos

.

Os montanheses da alta Baviera

,

fre

-quentemente expostos a serem mordidos pela vibora Berus, nunca empregam outromedica¬

mento

,

e com elle dão

-

se perfeitamente. Veri¬

fica

-

sequedepoisde uma mordedura por cobras venenosas

,

a embriaguez nàosobrevem, mesmo com o emprego de uma dose exagerada de

álcool

. ^

Parece

-

me que o illustre sr. dr. Coelhoante a autoridade de Littré abandonará a sua crença no chiffre de veado calcinadoe confiadona mes¬

ma autoridade e na dos outros autores citados

,

se algum dia fôr mordido por cobra, quod Deus avcrtat, empregará a medicação alcoolica

,

or

-nando

-

se d

un plumet formidable

.

tià 9

flsi

V IH 8ICK

111

o

O peso e tamanhodogado XIII

O carangueijinho do campo XVI a XIX A maçan do jacaré XX

A pedra de cobra XXI As aterroadas I

Depressão lentada costanortedoBrazil II, A especie ovina IV, V, XIV

confiíruracão VI a XII

%

r

V ,

f

o . '

-1

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