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2 BACIA HIDROGRÁFICA: UM SISTEMA AMBIENTAL E UNIDADE DE

5.2 Estudo integrado dos elementos geomorfológicos da área de estudo

5.2.1 Topos e cristas da Serra Lagoa Seca/Coqueiros

Os topos e cristas da serra Lagoa Seca/Coqueiros são segmentos dos relevos cristalinos que apresentam morfologias convexadas intercaladas por cristas rochosas. Situam- se nos setores elevados da paisagem, compreendendo altitudes de 625 m a 720 m, com declividades variantes de 0% ou superiores a 75%. Deste modo, estas geoformas são, frequentemente de planas a onduladas (figura 29), tendo como exceções os escarpamentos presentes em uma ou mais faces de suas cristas.

Figura 29 – Geoformas presentes no topo da serra Lagoa Seca da MH do riacho Carrapateiras-Tauá/CE: topo convexo com parte mais elevada ao fundo (A); rebaixamento topográfico presente no setor mediano da serra Lagoa Seca/Coqueiros (B); cristas compostas por rocha de alto ângulo, bastante intemperizada e fraturada recoberta por fezes brancas de aves de rapina e urubus (C); vista lateral de crista com rocha de alto ângulo de mergulho (D).

Este tipo de relevo é produto de duradouras e complexas atuações dos processos intempéricos e erosão diferencial sobre suas rochas soerguidas, representadas por muscovita monzogranitos com granada, meta muscovita quartzo monzonitos, muscovita biotita gnaisse

com granada e rochas calcissilicáticas. Os topos e suas cristas eram mais elevados, em tempos remotos, quando foram gerados pelo processo de soerguimento, através de movimentos rúpteis e dúcteis dos blocos rochosos.

Porém, durante os milhões de anos de sua existência, foram intemperizados e erodidos vertical e lateralmente, devido aos paleoclimas que atuaram na região Nordeste. Isso contribui para que o relevo fosse rebaixado e assumisse morfologia convexadas resultantes da erosão diferencial e paralela, também responsáveis pelas cristas rochosas. De acordo com o exposto, os topos e cristas da serra Lagoa Seca/Coqueiros estendem-se por cerca de 2,7 km e possuem, em média, 43 m de largura – levando em conta a área abrangida pela MB - embora apresentem espessuras, declividades e altitudes variadas.

Segundo o perfil digital de elevação (B-B’) presente no mapa 6, o início da serra Lagoa Seca, área das nascentes do riacho Carrapateiras, tem cotas altimétricas que atingem 710 m, a qual é, progressivamente, elevada a até 720 m, depois de 300 m à jusante da primeira altitude. Transcorridos, linearmente, uns 286 m da porção mais alta, esta é rebaixada 21 m, a partir de onde tende a ser menos elevada. Por isso, 1,65 km da cota inicial, a altitude cai para 652 m, já a 2,14 km, esta atinge 636 m, donde torna a elevar-se e chega a 650 m de altitude, no topo da serra do Coqueiros e, aproximadamente, 3,04 km da cota inicial de 710 m. As variações topográficas criaram uma morfologia escalonada na serra da Lagoa Seca/Coqueiros (perfil B-B’ do mapa 6), contribuindo para que os moradores locais entendam-na como três serras distintas: serra da Lagoa Seca, a parte inicial e mais elevada; morro do Urubu, o setor 21 m abaixo da maior cota, e serra dos Coqueiros, segmento final e que atinge cotas de 650 metros de altitude.

Estas diferenças altimétricas expressas nos topos e vertentes estão vinculadas aos processos de soerguimentos distintos. Esta afirmação é contatada pela análise de sua morfoescultura, contiguidade, disposição e presença da zona de cisalhamento com falha cavalgante. Segundo exposto, a erosão também teve seu legado em tal fato, porém, secundariamente.

A perspectiva de que os processos erosivos tiveram atuação principal no escalonamento geomorfológico não é plausível. Afinal, por mais que os eventos erosivos sejam considerados dentro de sucessivas mudanças climáticas ao longo prazo, estes não seriam fortes o bastante para criar esta morfologia, expressivamente, dissimétrica e dotada de rochas resistentes ao intemperismo químico e físico.

Igualmente, em tese, deveria haver registros dos grandes ciclos erosivos em espessos depósitos correlativos na área de estudo ou próxima desta, o que não há.

Contudo, tal fundamentação pode ser questionada a partir da afirmação de que os sedimentos dos depósitos foram erodidos em razão das chuvas torrenciais e enxurradas oriundas do contexto semiárido, motivo pelo qual não foram encontrados. Entretanto, não há evidências que corroboram com tal asseveração, porque os depósitos correlativos (base das vertentes e da planície fluvial) demonstram pouco material sedimentar de granulação fina. Portanto, predominando as areias, cascalhos e matacões, os quais subsidiam a assertiva de que foram gerados em um contexto semiárido, no qual a erosão vertical é pouco expressiva.

Ademais, os registros sedimentares disponíveis evidenciam pela sua pouca espessura, espacialização e textura, que os eventos erosivos não foram expressivos ao ponto de criar as grandes dissimetrias geomorfológicas na bacia ou na serra Lagoa Seca/Coqueiros, muito embora tenham dado suas contribuições, enquanto agentes secundários. Uma vez que os pavimentos detríticos com expressiva quantidade de seixos quartzosos sobre os topos sugerem atuações da erosão laminar e eólica na denudação desta unidade geomorfológica.

Com relação às cristas da serra em discussão, estas são mais pronunciadas, nas imediações da porção central do topo da serra Lagoa Seca/Coqueiros, especificamente no morro do Urubu, com uma altitude de 696 m, e na serra dos Coqueiros a 650 m. Geralmente, as cristas são formas de relevos irregulares ou com ligeira morfologia retangular, exibindo topos relativamente planos e pontiagudos com faces escarpadas localizadas nas extremidades dos topos (figura 29).

Particularmente, estas geoformas são decorrentes das atuações dos intemperismos físicos (mecânico, alívio de pressão, termoclastia e esfoliação esferoidal), secundariamente, pelo químico (oxidação, hidrólise e dissolução) e pela erosão paralela que atua nos recuos paralelos das vertentes, notadamente, das rochas de altas angulações exumadas nos topos e encostas. Em razão disso, caracterizam-se por serem formas discretas e não vegetadas da paisagem.

Quanto à erosão vertical, segundo foi mencionado, é pouco expressiva, dada à condição climática semiárida que fortalece e assegura o predomínio dos intemperismos físicos sobre as rochas e na denudação do relevo, tendo em face às altas insolações diárias, a baixa umidade e a gravidade. Muito embora a erosão paralela seja vigorante, inegavelmente a vertical também atua sobre os topos, produzindo finos mantos intempéricos que os organismos transformam em solos (Neossolos Litólicos Eutróficos típicos e Cambissolos

Háplicos Ta Eutróficos lépticos). Portanto, estas são as principais características dos topos e cristas da serra da Lagoa Seca/Coqueiros.