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Estampa VII. 1-3 Em ST, hifas fossilizadas (setas) por entre os traqueídes.

4. Resultados e discussão

4.4 Traços foliares (Estampa V)

Traços foliares são difíceis de serem preservados e quando presentes são mais comuns em ramos juvenis (Falcon-Lang e Cantrill, 2001). Nenhum dos ramos jovens analisados – CP1/264, CP1/265 e VE/101, todos da Formação Irati – apresenta traços foliares preservados. Há, no entanto outra amostra coletada também em camadas da Formação Irati e que apresenta inúmeros traços, a amostra MPMA/0012697. Essa não foi tomada na análise dos anéis de crescimento por não possuir sua anatomia preservada para tanto. Curiosamente, não se trata de um ramo jovem, mas representa uma fatia incompleta de um tronco; possui cerca de 20 a 26 cm de diâmetro onde estão presentes 60 anéis.

Nas secções transversais da amostra MPMA/0012697 é possível visualizar traços com cerca de 1 mm de diâmetro que partem da medula e atravessam todos os incrementos até a periferia (Estampa V-2) . Na superfície externa estes traços deixam cicatrizes, em geral arredondadas a ovais, em média com 2 a 4 mm de diâmetro (Estampa V-1). Não se tratam de traços foliares, é difícil de imaginar folhas com longevidade de mais de 60 estações de crescimento. São interpretados como traços de pequenos ramos, de ordem superior. Mussa (1982) já havia observado estruturas semelhantes em amostras da Formação Irati. Traços similares foram também registrados em um lenho permiano provindo da China e foram tidos como traços foliares (Feng et al., 2011), mas o espécime

se trata de um lenho de menores dimensões (cerca de 15 cm de diâmetro) e tais traços não atravessam tantos incrementos como aqui.

Todas as doze amostras coletadas na Formação Teresina também possuem traços ao longo de todo o incremento e também possuem cicatrizes externas. Os traços têm em média 1 mm de diâmetro, como no espécime da Formação Irati, e as cicatrizes externas também são arredondadas a ovais e de dimensões similares, com 1 a 4 mm de diâmetro. Como não há anéis bem definidos na maioria dos lenhos não se pode determinar por quantas estações os traços se mantiveram, mas por atravessarem todo o incremento de lenhos de grandes dimensões eles são também interpretados como traços de pequenos ramos e não de folhas. Independente da interpretação que se dê para as estruturas descritas, a permanência dos traços ao longo de tantos incrementos é um indício de plantas perenes.

5. Conclusões

Os lenhos comumente encontrados na Formação Irati possuem anéis de crescimento nítidos, muitas vezes observáveis a olho nu (Mussa, 1982) e os aqui analisados não se mostram diferentes. Os parâmetros de marcação evidenciam espécies perenes a espécies decíduas com tempo de longevidade foliar de cerca de três anos. Traços foliares ou de ramos também são freqüentes nos lenhos da Formação Irati (Mussa, 1982). Aqui, traços de ramos de ordem superior foram observados num espécime de grandes dimensões, ao longo de 60 incrementos, o que aponta que os ramos não sofriam abscisão. Não há indícios sobre a fenologia a partir de órgãos foliares, uma vez que estes são quase nulos na Formação Irati – há um único registro de um fragmento de Walkomiella (Ricardi- Branco et al., 1999) que não nos permite tirar muitas informações a respeito da fenologia.

Com relação aos lenhos da Formação Teresina, os raros espécimes anteriormente registrados possuem anéis de crescimento que também são nítidos (Mussa, 1982). Aqui, no entanto os espécimes observados não mostram anéis de crescimento, um indício de árvores perenes. Traços de ramos de ordem superior, persistentes ao longo de todo o incremento de espécimes de grandes dimensões, presentes em lenhos anteriormente estudados (Mussa, 1982) e aqui, também apontam para árvores perenes. Por fim, o escasso registro de órgãos foliares representado por Krauselcladus canoinhensis (Fanton et al., 2000) não mostra nenhum padrão fisionômico ou tafonômico típico de comportamento decíduo.

Quando se comparam os lenhos estudados de ambas as formações, nota-se que todos os espécimes da Formação Irati possuem anéis nítidos e que muitos espécimes da Formação Teresina não possuem anéis de crescimento. A partir disso podemos inferir primeiramente que haviam estações mais marcadas ao longo da deposição da Formação Irati em comparação a deposição da Formação Teresina.

Numa outra perspectiva, podemos ainda sugerir que os lenhos registrados na Formação Irati refletem uma comunidade vegetal composta de coníferas perenes (como Araucaria), mas com alguns elementos decíduos, cuja longevidade das folhas podia chegar a até três anos (como Pinus), e que as assembléias registradas na Formação Teresina apontam para uma comunidade quase estritamente composta de árvores perenes, com menos elementos decíduos quando comparada à Formação Irati. A transição entre um sistema deposicional mais afetado por sazonalidade para um menos sazonal é refletida na mudança do panorama das comunidades vegetais preservadas onde passa a haver um maior predomínio de espécies perenes no segundo momento.

Evidencia-se ainda que nas coníferas de ambas as formações há indícios de seca. Nos lenhos da Formação Irati é comum a presença de falsos anéis e nos lenhos da Formação Teresina é comum a presença de interrupções de crescimento. Além disso, os ramos de Krauselcladus apresentam adaptações xeromórficas, como a cutícula espessa e os estômatos afundados (Fanton et al., 2006). Outros grupos de plantas que compõe as comunidades vegetais de tais formações, como as licófitas e as filicíneas, também apresentam evidências de xeromorfismo (Faria e Ricardi-Branco, 2010; Tavares e Rohn, 2009).

Assim, as coníferas estudadas, por um lado apontam para a similaridade de condições secas na deposição das formações Irati e Teresina e por outro apontam para uma maior sazonalidade nas condições climáticas em que se depositou a Formação Irati em comparação a Formação Teresina.

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Figura 1. Mapa de localização dos municípios de onde provêm os lenhos estudados, no contexto geológico do Grupo Passa Dois, Bacia do Paraná.

Tabela 1. Parâmetros de marcação dos anéis de crescimento dos lenhos estudados da Formação Irati, amostras CP1/20, CP1/265, CP1/264 e VE/101.

Figura 2. Largura dos anéis ao longo de uma secção transversal da amostra CP1/20.

Estampa I. Secção transversal da amostra CP1/20. 1. Anel 21. A seta mostra um falso-anel,

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