jovens do Centro Cultural Escrava
Anastácia, em Florianópolis
TERESA KLEBA LISBOA RAISSA NOTHAFT
Introdução
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa participante realizada pe- las integrantes do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Serviço Social e Relações de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (Nusserge/UFSC), com adolescentes e jovens que participam do Centro Cultural Escrava Anastácia (CCEA), em Florianópolis (SC), sobre os significados atribuídos às temáticas “construindo o corpo”, “relações de gênero” e “sexualidade”.
A imersão nesse campo de pesquisa ocorreu através das ações propostas pelo Projeto de Extensão “Assessoria à equipe de Gestão do CCEA”, aprovado pelo PROBOLSAS 2016 – Edital nº 01 /2015, da UFSC.
Os dados derivam de uma pesquisa participante, planejada em conjunto com a equipe gestora do CCEA e, posteriormente, das oficinas socioeduca- tivas, desenvolvidas com três grupos de adolescentes e jovens, em momen- tos distintos. As temáticas abordadas foram sugeridas, tanto pelos educadores sociais que atuam junto ao CCEA, como pelos adolescentes e jovens, quando em um primeiro encontro foram indagados sobre temas de seus interesses.
Conforme Carlos Rodrigues Brandão (1985, p. 12), a pesquisa participante surgiu com o intuito de aproximar o pesquisador e o objeto de sua pesquisa de trabalho social. Trata-se de um enfoque de investigação social por meio do qual se busca plena participação da comunidade na análise de sua própria realidade, com objetivo de promover a participação social para o benefício dos participantes da investigação. Estes participantes, neste caso, são adolescentes e jovens, moradores de comunidades de periferia dos quatro municípios que integram a Grande Florianópolis (Biguaçú, Palhoça, São José e Florianópolis), que vivem em situação de risco e vulnerabilidade social, em decorrência da violência desencadeada pelo tráfico de drogas.
As Oficinas pedagógicas realizadas com estes adolescentes e jovens ao longo de três semestres (2016 e 2017) constituíram uma atividade educativa de investigação e ação social, através da qual, a equipe integrante do Nusserge, na sua grande maioria Assistentes Sociais, buscou: a) ampliar a importância do debate sobre relações de gênero e discriminação racial com adolescentes e jovens; b) incentivar a construção de uma cultura que possa romper com as discriminações e violências de gênero, raça/etnia, orientação sexual entre outras; c) sinalizar a importância desta temática para o Serviço Social, visando a atuação junto às mais diversas políticas públicas, principalmente as destina- das a adolescentes e jovens; e d) testemunhar para as(os) colegas Assistentes Sociais que é possível intervir em uma perspectiva plural, permeada por múlti- plas lutas, pelo fim de todas as formas de opressões.
Apresentando o Centro Cultural Escrava Anastácia (CCEA)
O CCEA é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, integra o Instituto Padre Vilson Groh (IVG), que presta serviços de assessoramento às Organizações da Sociedade Civil, que por sua vez trabalham na promoção e
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defesa dos direitos fundamentais de populações em vulnerabilidade socioeco- nômica, atuando em rede.1
O CCEA iniciou parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) do Governo Federal, no âmbito do Programa Primeiro Emprego, através do Consórcio Social da Juventude, que atua em Florianópolis desde 2005 e já levou à qualificação profissional e à inserção laboral centenas de jovens.
Um dos principais objetivos do CCEA é atuar com adolescentes e jovens no contraturno da Escola ou com os que não frequentam a escola, não pos- suem ocupação, tornando-se “presas” fáceis para o tráfico de drogas. A cha- mada “inatividade” juvenil tem atingido mais intensamente jovens mulheres e negras. Uma Pesquisa Nacional realizada por Amostra de Domicílio em 2015, aponta que 5,8% dos brasileiros entre 4 e 17 anos estão fora do ambiente esco- lar. Em Santa Catarina, esse número é de 5,1%, o que representa 64 mil crianças e adolescentes fora da escola no Estado.
Atualmente, o CCEA oferece três programas que preveem a formação de adolescentes e jovens:
1. Procurando Caminho: atende a adolescentes e jovens de 10 a 21 anos, de comunidades empobrecidas da grande Florianópolis, envolvidos com a criminalidade e o narcotráfico, na superação do estado de vulne- rabilidade e risco social, proporcionando o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, por meio da arte-cultura e esporte-lazer; 2. Rito de Passagem: atende a adolescentes a partir dos 14 anos, encami-
nhados pelas mais diferentes instituições dos quatro municípios acima citados. Neste programa, investe-se em formação humana e cidadã preparando os jovens para o mundo do trabalho. Frequentam cur- sos sobre novas tecnologias, arte, cultura e desenvolvimento da ação comunitária, direitos humanos e comunicação não violenta;
3. Jovem Aprendiz: atende a adolescentes, também a partir dos 14 anos, pré-qualificados no Rito de Passagem. Este programa visa a qualificação profissional e a inserção laboral efetiva. Mobiliza e encaminha adoles- centes para cursos de capacitação profissional e os insere no mundo do trabalho através do Programa de Aprendizagem. (Lei nº 10.097/2000) 1 Ver em: http://www.redeivg.org.br/rede-ivg/.
Quem são esses adolescentes e jovens com os quais trabalhamos? Os três programas têm objetivos de Ensino-Aprendizagem diferenciados e, portanto, temas específicos para cada programa. Os adolescentes e jo- vens que frequentam o CCEA são procedentes dos quatro municípios que integram a “Grande Florianópolis”, a saber: Florianópolis (421.240 habitan- tes); São José (209.804 habitantes); Palhoça (137.334 habitantes) e Biguaçú (58.206 habitantes).
Os dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 apontam que os jovens ocupam um quarto da população do país. Isso significa 51,3 milhões de jovens de 15 a 29 anos vivendo, atualmente, no Brasil, sendo 84,8 % nas cidades e 15,2 % no campo. A pesquisa mostra que 53,5% dos jovens de 15 a 29 anos trabalham, 36% estudam e 22, 8% trabalham e estudam simultaneamente.
Uma pesquisa feita entre abril e maio de 2013, pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) constatou que a juventude brasileira ainda é muito atraves- sada por desigualdades. Com uma distribuição de sexo quase idêntica, 49,6% homens e 50,4% mulheres, 6 em cada 10 entrevistados declararam-se de cor parda (45%) ou preta (15%) e 34% da cor branca. Esses dados apresentam uma pequena diferença em relação aos dados levantados pelo IBGE no Censo 2010.
No levantamento da SNJ, a proporção de jovens que se diz preta é maior (15%) do que a identificada pelo Censo (7,9%), e a Secretaria acredita em uma tendência de crescimento, na população jovem, de auto declaração como da cor preta. Uma das hipóteses é que o aumento da visibilidade da questão racial no país e os papéis importantes que os negros vêm conquistando ultimamente estejam estimulando os jovens a afirmar sua identidade por cor e etnia.
Os adolescentes e jovens que frequentam o CCEA são, majoritariamente, provenientes de comunidades empobrecidas, convivem diariamente com a dinâmica que envolve o tráfico de drogas, muitos são procedentes de famílias monoparentais, ou porque o pai abandonou a família, ou está preso, ou porque já morreu (geralmente assassinado) em decorrência do tráfico.
A adolescência é aqui compreendida como processo de transição da infân- cia à vida adulta, com progressiva emancipação da família de origem e da escola. Caracteriza-se por diversas transições, sendo a passagem à sexualidade com parceiro a de maior repercussão. Desse modo, a adolescência não se reduz
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apenas à faixa etária, mas sim um processo social que possui especificidades de classe social, cultural, históricas e de relações de gênero. (HEILBORN et al., 2012, 2006)
A maioria dos jovens chega até o CCEA encaminhado pelos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), pelas escolas ou por outras ONG da comunidade. Estes são os sujeitos das nossas oficinas, como veremos a seguir.
Oficinas socioeducativas com adolescentes e jovens - resgatando as representações sobre corpo, relações de gênero e sexualidade As oficinas foram oferecidas através de encontros semanais, cada uma com a duração de quatro horas; foram realizadas com a utilização de dinâmicas de grupo para promover a participação dos adolescentes e jovens, em média 25 por oficina, num ciclo de aprendizagem vivencial.
De acordo com Sinzato e Araújo (2016), a metodologia de ensino-aprendi- zagem utilizada no CCEA segue os seguintes princípios centrados na imagem do Jovem Aprendiz – protagonista responsável pela transformação de sua rea- lidade quando aprende a conhecer, aprende a fazer, aprende a conviver e aprende
a ser um ser humano melhor a cada dia. (UNESCO, 2012)
Somam-se a estes quatro princípios, a dimensão política, sempre presente na obra de Paulo Freire: por que e para que aprender. Cabe salientar que, com o intuito de avançar no protagonismo e na desconstrução de subalternidades, o trabalho no CCEA deve ampliar esta dimensão política para a reflexão cons- tante do porquê e para que participar.
Segue o relato de quatro das Oficinas realizadas com os adolescentes e jovens. Optamos em destacar as que mais evidenciaram os temas “corpo, rela- ções de gênero e sexualidade:
Oficina “Situando o meu corpo”
Esta oficina teve como objetivos identificar as noções dos(as) adolescentes/jo- vens sobre o corpo; promover espaços de debate sobre o corpo; discutir ações de cuidado para consigo e com o outro; apontar as expressões de gênero no de- senho; problematizar as questões que envolvem as relações de gênero. Após a
dinâmica que consistiu em solicitar que desenhassem um corpo, todas(os) par- ticiparam opinando sobre a história dos personagens que criaram.
O primeiro grupo desenhou um corpo feminino, muito curvilíneo, usando
short e que estava com os seios desnudos porque “foi a um baile funk e ‘tomou
um pau’ de outras meninas, por causa de outro menino”. A menina se chamava Isabela, estava no 9º ano, tinha um ex-namorado.
O segundo grupo desenhou uma travesti de nome Gioconda. Os(As) ado- lescentes e jovens faziam piadas sobre o desenho, mais especificamente sobre as marcas que esses corpos carregavam (ser travesti, ser mastectomizada). Nesse instante fez-se necessária uma intervenção por parte das coordenadoras, solicitando que eles se ativessem para os significados que esses corpos traziam: a relação com o sofrimento, o preconceito e o isolamento. Problematizou-se os significados de ser travesti e de ter câncer de mama. Colocou-se a necessidade do respeito às diferenças.
O terceiro grupo desenhou um corpo feminino. A moça, chamada Lauanda, trabalhava no trânsito entregando panfletos, era loira, fumava maco- nha, se envolveu com um homem casado e teve dois filhos. Embora a trajetó- ria de Lauanda fosse marcada por passagens em instituições de apoio social, “a mudança em sua vida só ocorreu quando se tornou evangélica”.
O quarto grupo desenhou um corpo masculino. O rapaz chamava-se Adalberto, tinha 18 anos, não estudava e não trabalhava. Morava com a mãe, pois o pai o abandonou. Adalberto vestia roupas da marca Adidas “para humi-
lhar todo mundo” e não se relacionava com ninguém, pois era “assexuado”. Adalberto não gostava de ninguém, nem de si próprio.
O quinto grupo desenhou um corpo feminino, Valentina tinha 18 anos de idade e saiu da casa dos pais para morar sozinha. Trabalhava em um escritório odontológico, estudava e sonhava em fazer faculdade de Medicina. Residia no centro de Florianópolis.
Após as apresentações, buscou-se reflexões em torno dos corpos desenha- dos. Ainda em roda, a equipe de coordenadoras dirigia perguntas para as(os) adolescentes e a partir das respostas trabalhava conceitos como “relações de gênero”, “violência de gênero”, “preconceitos”, e “cuidados com o corpo”.
Através dos desenhos, representações e falas constata-se que, atualmente, os meninos e as meninas entram na adolescência cada vez mais cedo. O início da ejaculação e da menstruação indicam que chegaram àquela fase da vida em
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que são capazes de procriar. As transformações físicas não são as únicas que enfrentam. Suas mentes também passam por grandes alterações. Para mui- tos, essa é uma fase de dubiedades: ao mesmo tempo em que se tornam mais sonhadores ou independentes, por outro lado, tendem a ficar mais envergo- nhados, retraídos, sensíveis ou agressivos.
Muitos começam a trabalhar e a experimentar cedo um início de inde- pendência material. Outros, trabalhando ou não, procuram, através dos estudos, um encaminhamento para a vida profissional. Ao adquirir perso- nalidade própria, o jovem geralmente se distancia da família, passando a preferir a companhia de outros adolescentes, recusando a dos pais e irmãos. Os amigos de mesma idade passam a ser as pessoas mais importantes. Começa a identificar-se com o igual, a vestir-se de acordo com o figurino do grupo, a falar a sua linguagem, a frequentar lugares diferentes, a chegar mais tarde em casa.
Apesar do objetivo da oficina ter sido “a construção do próprio corpo”, constatou-se que a maioria dos integrantes desenharam corpos de outras pes- soas, ora identificando-se, ora distanciando-se com “chacotas” e frases depre- ciativas como foi o caso do grupo que desenhou uma travesti. Destacamos, porém, que as trocas entre as(os) participantes e a equipe evidenciavam os conhecimentos adquiridos. Em muitos momentos era possível ver as habilida- des e atitudes sendo construídas.
Oficina sobre relações de gênero
Esta oficina teve como objetivo identificar e problematizar as relações de gê- nero construídas socialmente. A dinâmica consistiu: em uma folha em branco foi solicitado que colocassem seu nome, idade e descrevessem situações que não puderam vivenciar durante o período da infância, bem como atualmente, por serem meninas(os).
Após a leitura das frases, vários depoimentos foram surgindo, entre eles: “meninas são obrigadas a realizarem tarefas domésticas, meninos não”; “menina não pode sair sozinha a noite, menino, sim”; “homem tem que prote- ger a mulher”, “homem tem coração mais duro, coração de pedra”; um menino relatou que só pôde realizar seu sonho de cantar e dançar após ter alcançado
relativa autonomia na adolescência, pois, antes disso, seus pais não deixavam, achando que era “coisa de menina”.
Quando questionados sobre o que é ser machista, surgiram frases como: “não aceita opinião de mulher”; “homem é a lei”; “ser idiota”; não saber tratar uma mulher”; “homem pode, e mulher não pode ficar com vários”. Havia pou- cas meninas na oficina, porém uma se destacou ao trazer o seu depoimento na questão sobre a violência contra a mulher: “mulher não deve aturar violência, deve se defender e denunciar...”.
O gênero é uma das importantes modalidades de nomeação, inscrição e pertencimento que definem o que a adolescência/juventude é e pode vir a ser. Ao longo da vida e através de diversas instituições e práticas sociais, nos cons- tituímos como homens e mulheres, num processo instável que não é linear, progressivo ou harmônico, e que nunca está finalizado ou completo.
É importante lembrar que as relações de gênero fazem parte do cotidiano de todas as pessoas, acontecem em todas as instâncias e em todos os níveis sociais. Por esse motivo, essa abordagem deve estar integrada a uma análise global da sociedade e ser pensada em termos dinâmicos, pois repousa em anta- gonismos e contradições.
Lembramos que, embora o conceito de gênero tenha ganhado força e des- taque enquanto instrumento de análise das condições das mulheres, ele não deve ser utilizado como sinônimo de “mulher”. O conceito é usado tanto para distinguir e descrever as categorias mulher e homem como para examinar as relações estabelecidas entre ambos.
Em relação aos papéis atribuídos, alguns adolescentes e jovens do sexo masculino pontuaram que determinadas atividades são fundamentalmente do gênero feminino, enquanto outras são inerentes ao masculino. No entanto, também ficou evidente, na compreensão dos(as) participantes, que algumas modificações históricas acerca da questão de gênero vêm sendo processadas na sociedade no que se refere ao papel masculino e feminino e à posição da mulher nesse cenário. Além da menina que se expressou sobre a violência contra a mulher, dois depoimentos sobre o cotidiano familiar se destacaram, uma vez que já ocorre a troca de papéis: uma jovem mora com o pai e este realiza todas as tarefas domésticas; e outro adolescente, da mesma forma, mora sozinho com o pai e ambos realizam todas as atividades consideradas “femininas”.
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Após o intervalo, foi apresentado o vídeo clipe do funk Baile de Favela e, em seguida, grupos foram divididos para dialogarem sobre a letra da música e produção audiovisual. As(Os) adolescentes deveriam responder se sentiam-se ou não representadas(os) pela música/clipe e quais os símbolos eram utilizados para representarem as mulheres e os homens.
O que mais chamou a atenção dos(as) participantes foi a “ostentação” pre- sente através de carros de luxo, relógios de marca e a ofensa dirigida às mulhe- res, concluindo que não se sentiam representados pelo clipe.
Esse é o caso do duplo padrão que condiciona muitas meninas/mulheres a acreditarem que se devam conformar aos padrões societários vigentes, relativos aos papeis impostos a elas. Exemplo desta situação é quando o desejo de ser considerada atraente para o parceiro representa uma situação de conflito para as jovens adolescentes. Estas aprendem que devem parecer sexy, mas devem dizer “não” para serem consideradas “boas meninas” e atraírem o desejo mas- culino, calando os seus próprios desejos. Este duplo padrão pode levar muitas jovens a aprenderem a sacrificar a sua autonomia sexual para serem considera- das sexualmente bem comportadas diante do que é socialmente desejável para as mulheres.
Como fruto do debate, a equipe solicitou que os grupos produzissem uma paródia da música que narrasse a realidade delas(es). Quanto às competências desenvolvidas, destacamos que as(os) jovens conseguiram identificar as mani- festações das relações de gênero no cotidiano através do conteúdo apresen- tado, da partilha de vivências e das dinâmicas realizadas.
Concluímos que, como assistentes sociais, é importante estarmos atentas à construção e significação dos papéis masculino e feminino, que estão rela- cionados ao contexto sócio-político-cultural no qual estes(as) adolescentes/ jovens estão inseridos e que podem ter repercussões importantes na forma em que vivem a sua sexualidade, do seu viver saudável e de sua cidadania.
Oficina sobre “Sexualidade”
A oficina teve como objetivos: identificar os assuntos de interesse dos adoles- centes relacionados à sexualidade; levantar as dificuldades dos adolescentes sobre os assuntos referentes à sexualidade.
Para introduzir o tema foram lançadas duas perguntas aos adolescentes: “O que é falar sobre sexualidade? Onde se ouve falar sobre sexualidade?” Algumas respostas surgiram como “é falar sobre sexo”; “se ouve falar sobre sexualidade na
Escola e na TV”. Na sequência, foi aplicada uma dinâmica, com a distribuição de papel e caneta para que cada participante escrevesse temas, dúvidas, curiosida- des, questões sobre sexualidade, para então colocar dentro de um balão.
Enquanto eles escreviam, foram colocadas no chão, três folhas de papel coloridos (verde, amarelo e vermelho) para o grande grupo qualificar o grau de dificuldade de cada questão exposta nas tarjetas. Em seguida, os jovens recebe- ram balões e inseriram suas tarjetas (enroladinhas). Foi solicitado que levantas- sem, ficassem em círculo e jogassem os balões para o alto, em seguida pediu-se que cada um(a) pegasse um balão do chão, de forma aleatória, o estourasse para pegar o papel que estava dentro.
Os adolescentes voltaram aos seus lugares e abriu-se o diálogo sobre cada frase lida pelos jovens: “o que é orgasmo?”, “como se sabe quando se tem um
orgasmo?” “quero que muita gente se proteja!”, “não me sinto à vontade para falar
sobre sexualidade”, “onde e como surgiram as Doenças Sexualmente Transmissíveis
(DST’s)?”, “o que é quando sai sangue do pênis depois que transa?”, “quais as chan-
ces de engravidar quando o menino goza na vagina da menina?”, “como se prevenir
de Doenças Sexualmente Transmissíveis?”, “o que fazer se depois do sexo dói?”, “sou
virgem!”, “transar sem camisinha é bom?”, “o que é sair do armário?”.
Para Maria Luiza Heilborn (2012), a sexualidade é compreendida como produto de distintos cenários e não deriva primariamente do funcionamento bio-psíquico dos sujeitos. Estudiosos da área consideram que o exercício da sexualidade se dá em contextos sociais muito precisos, o que orienta a expe- riência e a expressão do desejo, das emoções, das condutas e práticas corporais. Enquanto explicávamos ou respondíamos, vagarosamente e com vocabu- lário acessível, cada uma das frases elaboradas pelos integrantes, um grupi- nho perguntou “como acontece uma suruba”, e vários jovens se manifestaram e falaram que é o sexo com mais de três pessoas. Falou-se também sobre o preconceito com os homossexuais. Destacaram que, hoje em dia, o precon- ceito é menor em relação a época dos seus pais e que o homossexual tem mais